Tempestade

Eu desconfio de pesquisas. Tenho o hábito de duvidar e questionar tudo aquilo que não entendo bem. Mas há alguns dados que se mostram muito firmes, seguros até para os incautos como eu.

O maior deles, a rejeição ao inominável. Cada vez maior e com números equivalentes em todos os principais institutos.

Sim, é verdade que para aqueles que adoram uma teoria da conspiração tudo é fruto de uma daquelas grandes. Mas aqueles que usam a lógica hão de reconhecer que o tal índice já pode ser considerado um fato.

Apesar de discordar até a última gota, eu realmente sou capaz de entender os caminhos que fazem alguém votar no sujeito. Mesmo as mulheres, os negros, os gays etc. E não, não é estupidez ou burrice. É fruto das circunstâncias e de uma divisão que começou a ser plantada há uns 20 anos, um nós contra eles (isso sim estúpido) que só fez se enraizar e crescer e crescer e crescer.

No melhor estilo “quem planta vento, colhe tempestade”, chegamos às eleições de 2018.

O que me surpreende não é quem vota no sujeito, mas como quem vota no sujeito se permite ter a vista embotada uma vez que – na média – são bem formados e informados. Com o seu ódio ao PT, ao Lula e a “tudo isso o que está aí” – e esses sentimentos são facilmente explicados por qualquer sociólogo de quinta categoria -, vão insistir em votar no sujeito e serão responsáveis pela eleição de Haddad. Ou seja, aquilo que mais odeiam. Legal né?

Vou repetir: dadas as informações que temos hoje, o segundo turno será (como era previsível) entre ele e Haddad. E Haddad será eleito. Então, a culpa da volta do PT ao poder será sim do eleitor do sujeito.

Sim, ao contrário da rejeição a ele, há tempo para mudar o resultado. Infelizmente, duvido que aconteça. E rezo profundamente para estar completamente errado. Infelizmente, duvido disso também.

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Quem nunca…

…teve um amor impossível?

Tensão pré-temporada

Grid MelbourneComeça hoje. Daqui a pouco, mais ou menos uma hora. E estou ansioso, muito ansioso.

Há muitos e muitos anos não acontecia tanta coisa, não tinha tanta novidade entre uma temporada e outra que justificasse tamanha expectativa?

Não adianta eu tentar explicar aqui tudo o que mudou no regulamento, nos motores (que agora são híbridos de verdade e se chamam unidade de força) e qualquer coisa mais técnica. Existem trocentos sites e outras publicações especializadas, que já se deram ao trabalho, ao redor do mundo.

A grande questão que começará a ser respondida hoje é se o que aconteceu nos 12 dias de pré-temporada foi real. Será que os favoritos são realmente favoritos? Será que alguém escondeu o jogo? E será que, sendo tudo real, será só para a primeira corrida?

Algumas respostas só teremos no domingo, outras só nas próximas corridas.

Daqui a pouco. Será só primeiro treino livre. Mas a expectativa só cresce…

As mudanças são muitas, muitas mesmo. E o nível de imprevisibilidade é altíssimo. Mas não podemos esquecer que é a F1. Isso significa que, no mais tardar, até o meio da temporada, todos os problemas estarão resolvidos.

Pra esquentar, resolvi recolher algumas frases da última semana, todas proferidas por envolvidos com a categoria.

“Agora, nesse momento, você vê algumas equipes. Por exemplo, a Mercedes, a Williams, a Force India, a McLaren e talvez até a Ferrari. Talvez essas equipes possam ter uma possibilidade igual de vencer” (Felipe Massa, Williams)

“Prevejo uma temporada de tartaruga e lebre. Acho isso por dois motivos: um é a confiabilidade dos carros perto da parte final das primeiras corridas, e o outro por conta do consumo de combustível e do desgaste dos pneus.” (Ron Dennis, McLaren)

“Dois anos atrás, Fernando estava 1s5 mais lento que a pole-position e ficou muito perto de nos derrotar na última corrida. Tudo pode acontecer” (Sebastian Vettel, Red Bull)

“Vir para cá sabendo que é a melhor chance dos últimos anos, eu não sei… Eu nem entrei no carro e fui para a pista ainda” (Lewis Hamilton, Mercedes)

“Honestamente prefiro liderar a corrida por 20 voltas e aí quebrar, do que ser 4s mais lento e terminar a corrida” (Romain Grosjean, Lotus)

“Os diferentes tipos de pneu têm efeito muito maior no estilo de pilotagem do que as novas regras” (Kimi Raikkonen, Ferrari)

“Com base no que vimos na pré-temporada, não seria surpresa se eles [Mercedes] terminassem duas voltas na frente da concorrência em Melbourne” (Christian Horner, Red Bull)

“Este ano ele terá a real oportunidade de mostrar seu talento e fazer o melhor. Massa será um forte adversário este ano” (Fernando Alonso, Ferrari)

“Rezo para que seja uma nova Brawn, para falar a verdade” (Felipe Massa, Williams)

“Então eu diria que nosso maior concorrente é a Williams, ainda que a Force India tenha andado bem também. Das cinco simulações de corrida que fizemos, terminamos duas. É claro que é satisfatório ser rápido, mas isso não significa que estaremos na frente no sábado ou no domingo” (Toto Wolff, Mercedes)

“Precisaríamos de dois ou três meses para encontrar as soluções diante de tantas mudanças. Fazer isso em 12 dias de testes é uma missão impossível” (Roberto Dalla, chefe da Magneti Marelli)

“Somos uma grande equipe e vamos ganhar corridas neste ano” (Ron Dennis, McLaren)

“Todas as equipes estão receosas, não apenas as que usam motor Renault. Todos sabem que podem levar de duas a três horas para resolver um problema” (Nick Chester, Lotus)

“Eles [Ferrari] claramente esconderam o jogo. Se você olhar as parciais, há marcas muito boas e algumas ridiculamente ruins no mesmíssimo setor. Eles camuflaram o ritmo e ninguém sabe ao certo do que são capazes” (Mika Salo, ex-piloto e comentarista da TV finlandesa)

E aí, será que alguém arrisca um palpite para a primeira corrida? E pra temporada inteira?

A chave já está na ignição

Crise de abstinência é uma bosta. Acho que todo mundo é capaz de avaliar algo assim. Eu, fumante, sofro disso. Às vezes, até quando não falta mas parece que vai faltar, que o maço vai acabar e não tem como comprar, a gente sofre.

Mas também tenho essas crises por outras razões. Inclusive mais saudáveis. Velejar, por exemplo. Já faz tempo que não vou ao mar, muito tempo. Circunstâncias, compromissos e situações ridículas como a do último fim (esqueci o celular no carro e perdi a hora) de semana têm me impedido de subir a bordo.

O futebol já não me causa isso, às vezes o Flamengo. E só o Flamengo. E a F1. Sim, adoro esse negócio. Não acho que perdeu a graça, muito pelo contrário. Mas mudou bastante.

Enfim, a temporada já vai começar. Jerez recebe, na próxima semana, os primeiros testes do ano. E hoje foi apresentado o primeiro carro de 2014.VJM07, a Force India 2014 / Foto: Sahara Force India

Por conta de todas as mudanças, do motor à aerodinâmica, a expectativa era a pior possível. Teve piloto que, pelos simuladores, avisaram que os carros seriam horrorosos. É verdade que só uma foto foi divulgada, meio que à distância e lateral. O bico termina lá embaixo, como se vê. Mas não parece ter aquele maldito degrau. O que não quer dizer que os outros não terão ou não serão muito feios. Ou mesmo que esse carro não vá mudar. O negócio é esperar.

As próximas apresentações são as seguintes: McLaren (sexta), Ferrari (sábado), Sauber (domingo), Toro Rosso (segunda) e Red Bull, Mercedes e Carteham (terça). Os mais atentos já notaram que não há previsão para Williams, Marussia e Lotus. Mas só a última já disse que fará forfait em Jerez.

Inflação: já mandaram a conta da rebelião para o povo

O crescimento da inflação / Imagem: Jeremias

Usam as conquistas da sociedade como desculpa para as dificuldades econômicas que produziram com a incompetência, a corrupção e o desprezo pela população.

A rebelião dos brasileiros é vitoriosa. Não interessa se vai durar mais um dia ou um ano. Ela surgiu numa grande explosão, como uma estrela, sem pedir licença, e vai se apagar também como uma estrela, também sem pedir licença. Não deve satisfação.O Brasil já mudou para melhor. A sociedade não está mais calada e os que estão no poder estão tendo de ouvir e mostrar serviço. Esta é a grande conquista da rebelião. O desafio agora é resistir ao retrocesso.

Surpreendido no começo, o poder aposta no controle da rebelião e no retrocesso. Quer nomear lideranças para poder capturá-las. Lança manobras diversionistas, como pactos, constituinte e plebiscito. E executa a operação mais cruel e covarde: mandar a conta da rebelião para o povo na forma de inflação.

Depois de dez anos de governança ruim, de corrupção generalizada e de privilégios bilionários por conta do Tesouro, dilapidando a estabilidade econômica conquistada pela sociedade, o governo insinua agora que a inflação é o preço a pagar para reduzir tarifas e humanizar os serviços públicos.

Querem usar a rebelião como desculpa para as dificuldades econômicas que produziram. Que tratem de roubar menos, de cortar privilégios e de governar sem desperdícios. Este é o corte de gastos que têm de fazer. É assim que se controla o déficit público e se combate a inflação sem mandar a conta para o povo.

Altamir Tojal

Mudança é uma merda

Mal recoloquei o blog pra funcionar e acabei saindo do ar de novo. Tudo por causa de uma mudança. Mais uma mudança. Ok, admito que o título do post é bastante espalhafatoso, provavelmente exagerado. E o que eu quis dizer é que fazer mudança é uma merda.

A dessa semana foi a terceira dos últimos quatro anos (espero e acredito que a última por um bom tempo). A primeira da série, apesar de já estar em planejamento, acabou acontecendo às pressas, depois de um incêndio no apartamento de cima e do rescaldo que inundou a casa. Mas sem maiores problemas.

A segunda foi muito mais preparada e planejada e, apesar disso, acabou dando mais trabalho que a anterior. Porque já tínhamos muito mais coisas para carregar, porque nós embalamos tudo e carregamos boa parte das coisas, porque no dia da mudança arrebentei as costas logo pela manhã e quase todo o trabalho caiu no colo da moça da minha vida, porque a Kombi que contratamos escangalhou antes de chegar láem casa… Enfim, um pequeno desespero.

Então, dessa vez, resolvemos nos precaver e nos estruturamos para contratar uma empresa de mudanças daquelas que prometem fazer tudo para que você não tenha trabalho. Mas é claro que se tudo acontecesse dentro dos conformes, se tudo fosse fácil, se tudo desse certo, eu não poderia dizer que “esta é a minha vida”.

Como combinado, o trabalho dos caras começou no sábado, quando dois sujeitos passaram boa parte do dia empacotando e desmontando o apartamento. Apesar da boa vontade dos caras, um olhar um pouco mais atento desconfiaria dos problemas que estavam por vir.

Antes de fechar a data da mudança e que empresa a faria, para tentar adiantar e até baratear o serviço, enchemos pouco mais de 20 caixas e malas. Mesmo assim, as embalagens que os caras levaram acabaram. Eles deveriam ter saído da minha casa deixando apenas o estritamente necessário para sobrevivermos até o dia de ir embora, segunda-feira. Era só olhar em volta, não foi isso o que aconteceu.

Chega o dia da mudança e os caras começam a trabalhar às 8h30 da manhã. Eram seis na equipe. Quer dizer, cinco e meio. Havia um senhorzinho no time, com muito boa vontade, muito disposto, mas minha impressão é que regulava em idade com Oscar Niemeyer. O que significava dizer que levantar uma caixa das mais pesadas era um sufoco daqueles.

Enquanto uma parte foi terminar de empacotar e desmontar o que faltava, outra parte começaria a descer o que já estava pronto. Mas o elevador enguiçou… A assistência técnica foi chamada e todos foram tratar de preparar a carga que faltava. Quando o elevador voltou a funcionar, cerca de meia hora de atraso. Nada grave.

O caminhão encostou às 11h e a impressão é que o carregamento seria rápido, parecia faltar pouca coisa pra descer e desmontar e… A mudança saiu da casa velha às 16h e chegou na nova às 17. Até começar a subir e montar os móveis e tudo o mais, 18h30 e começou a escurecer. E parte do serviço combinado não foi feito, como instalar luminárias e aparelhos de ar condicionado. E com poucos pontos de luz funcionando e o tempo passando… Como organizar a casa no escuro? Como lidar com uma criança de dois anos e curiosa, duas cachorras muito curiosas e três buracos na parede do quinto andar? Como lidar com uma espécie de muralha da china de caixas ocupando sua sala quase até o teto, no escuro?

O pau comeu na casa de Noca…

Depois de alguns telefonemas para o sujeito que nos vendeu o serviço, com muitos esporros (perdi a linha e a razão) e negociação (a moça da minha vida foi precisa), os caras foram embora às 21h30 sem receber. No dia seguinte, o rapaz apareceu lá em casa, acompanhado de um eletricista (ou quase isso). Instalou luminárias, fogão, ar-condicionado e mais alguma coisinha.

Mesmo assim, o saldo foi a sala abarrotada de caixas – só encontrei minhas roupas, que não estavam em cabideiros como combinado, pelas 10 ou 11 da manhã – e alguns móveis ainda desmontados por falta de espaço.

Enfim, mudanças não são simples, dão muito trabalho mesmo. Mas quando resolvemos contratar uma empresa especializada, o objetivo era se aporrinhar o mínimo possível. E isso não aconteceu. Não sei como seria com a Granero, Gato Preto, Lusitana ou qualquer outra. No nosso caso, tivemos um serviço mal vendido, mal planejado e mal executado. E, depois de tudo e apesar do desconto de cerca de 20%, caro. Muito caro.

Então, se vocês procurarem uma empresa de mudanças e se depararem com a Marvin Mudanças, fujam. Como o diabo da cruz.

Roupa nova

Já deu pra ver que a cara da bagaça mudou de novo. É, eu sei que isso pode ser chato pra quem freqüenta o botequim, toda hora ter que se acostumar com o que foi pra onde… Desculpem. Mas é que fico realmente cansado de olhar sempre para o mesmo negócio, todo dia. Acredito mesmo que mudar é bom. Pelo menos algumas coisas, pelo menos de vez em quando.

Então, pra ninguém ficar muito perdido por aí, as mudanças principais são as seguintes:

  1. Agora só o último post fica inteiro publicado. Mas logo abaixo dele está a lista dos 15 anteriores.
  2. Aquela imensa lista de links que obrigava os interessados a rolar a página quase infinitamente, agora, não fica mais na barra lateral. Está tudo organizadoem páginas. Paraacessá-los, basta clicar em cada uma das categorias lá no alto (acima da imagem) ou no menu de páginas na barra à esquerda. Como sempre, se você encontrou um bom link que ainda não está por aqui (existem milhares), deixe sua sugestão nos comentários ou envie por e-mail.

Então, diga aí o que achou, o que melhorou e o que piorou.