Persistência

Dia da criança, feriado, almoço com o vovô que estava viajando. E cheguei um tanto atrasado em Copa e quando encontrei a turma, já estavam quase na Princesa Isabel. E se você não é do Rio, é a avenida que separa Copacabana do Leme. Ou seja, já estava quase no fim.

Sinceramente, quando vi, fiquei um pouco decepcionado. Já fui a casamentos com mais convidados. Depois, soube que desde a concentração e durante boa parte do tempo havia cerca de duas mil pessoas reunidas. E digo que, apesar de parecer pouco, não é. Lembrem-se que o movimento não é comandado por partidos, centrais sindicais ou uniões disso ou daquilo. Isso significa que alguma dificuldade de mobilização é mais que normal.

Mesmo assim, as duas mil pessoas que passaram por ali fizeram uma marcha na média das outras grandes cidades do país. A exceção, mais um vez, foi Brasília com 20 mil nas ruas.

Como das outras vezes, a turma que manda lá no Planalto vai tentar diminuir o movimento, dizer que não significa nada, que o pequeno número de pessoas nas passeatas só serve para mostrar que o povo brasileiro está satisfeito com o governo e o trabalho no congresso. E serão apoiados por todas aquelas entidades que deveriam ser críticas mas que, vivendo às custas do governo, seguem caladas e felizes.

Por enquanto, é preciso ter em mente que as causas são boas e temos de ser persistentes. Lembrem-se que o negócio começou no sete de setembro em meia dúzia de três ou quatro capitais. Ontem, foram 25 cidades em 17 estados. Passos de formiguinha, mas ganhando corpo.

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Princesinha do mar

A diferença no Brasil de hoje é que a corrupção se tornou uma pandemia disseminada como estratégia de poder, que contaminou todos os níveis e todas as esferas do governo e dos serviços e políticas públicas.

A corrupção passou a ser imposta à sociedade como a única forma de fazer política no Brasil e de governar. Tudo e todos têm de pagar o imposto da corrupção, que rouba o dinheiro da saúde, da segurança, da merenda escolar e da educação.

É para lutar contra isso que estão sendo organizadas manifestações nesta quarta-feira, dia 12 de outubro em todo o país. É para construir um sistema político melhor, que puna a corrupção e combata a impunidade.

É por isso, que a agenda dos movimentos contra a corrupção começa pela aplicação da Lei da Ficha Limpa, pelo fim do voto secreto no Congresso Nacional, pelo limite à imunidade parlamentar, pela agilidade de julgamento nos casos de corrupção e pelo aumento das penas para corruptos e corruptores.

É por isso que não basta demissão. Tem de ter prisão!

Sinceramente, acho que vale a pena clicar aqui e ler o texto inteiro do Tojal. Mas, se você é um tantinho preguiçoso, o espírito está aí em cima. E esse post é só pra lembrar que amanhã acontece uma nova rodada de manifestações, em várias capitais do país.

Eco do movimento que nasceu na internet e que foi às ruas pela primeira vez no dia 7 de setembro, as marchas acontecerão – pelo menos – em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, São Paulo e Teresina.

No Rio, o encontro acontece em Copacabana, em frente ao posto 4 (olha ele na foto, lá em cima), próximo à rua Constante Ramos. Quem quiser ir, deve lembrar que – por causa do feriado – uma das pistas estará fechada e o estacionamento um tanto mais confuso. Então, dê preferência a ônibus e metrô.

E não esqueça que o movimento é apartidário. Ou seja, ao invés de bandeiras e/ou camisetas, leve seu partido e seu sindicato no coração.

2ª Edição

Ao todo, serão 25 cidades em 17 estados. Clique aqui para ver um mapa completo, com horários e pontos de encontro das manifestações.

Meu Rio

A realização da Copa e das Olimpíadas nos próximos anos está criando uma enorme oportunidade de desenvolvimento da cidade, e nós acreditamos que uma maior participação dos cariocas nas questões de políticas públicas é essencial para aproveitarmos esse momento da melhor forma. Nós cariocas podemos sim, juntos, construir uma cidade melhor para todos e mostrar que nossa força pode trazer resultados surpreendentes.

O Meu Rio é mais um movimento entre os muitos que estão pipocando por aí, tentando cuidar melhor do nosso país. Nesse caso específico, da cidade. Absolutamente apartidário, trataram de passar o chapéu para fazer a coisa funcionar mas não receberam ou recebem qualquer contribuição, incentivo ou apoio de nenhuma empresa pública, partido político ou eleitos em geral. Belíssimo ponto de partida.

Mas por quê isso? Além dos motivos óbvios e muito por causa dos mega-eventos que vêm por aí – mas não só por eles, é bom que se diga –, o Rio está recebendo investimentos bilionários e as promessas de mudanças são tantas que, em muito pouco tempo, podemos ter a sensação de estar vivendo em outro lugar. Que pode ser pior ou melhor. E esse é o ponto-chave.

Quem nos perguntou sobre o que queremos para nossa cidade, hoje e amanhã e daqui a 20 anos? Pois é…

De quebra, conhecemos bem nossos eleitos para governo, prefeitura, Alerj e Câmara. E sim, temos todos a culpa por eles estarem lá. Mas isso não pode nos impedir de tentar melhorar e consertar as eventuais besteiras que fizemos.

O objetivo do movimento é construir uma nova cultura política para fazer com que o carioca comum participe efetivamente da construção de políticas públicas. Para isso, a turma criará uma série de ferramentas on-line para conectar as pessoas em torno de questões relevantes para o Rio.

Por exemplo, a primeira campanha do Meu Rio é sobre o Maracanã e a quantidade absurda de dinheiro que será gasto e a falta de transparência na execução do projeto. Afinal, nós é que pagaremos a conta.

Já fiz minha inscrição e pretendo participar da comunidade que se pretende criar, discutir, opinar etc etc etc. E espero, muito sinceramente, que a briga sobre o Maracá seja apenas o ponta-pé inicial (com trocadilho).