Inovação

Pensar fora da caixa

Ontem à tarde, houve uma crônica e minha contra-argumentação no Torcida Carioca. O pivô dessa ‘discussão’ era Jorginho e sua capacidade para levar o Flamengo adiante e quanto do péssimo início de campeonato era culpa do técnico e quanto era do time horroroso, limitadíssimo, com que ele era obrigado a trabalhar.

Enfim, como todos sabem, perdemos para o Náutico e o sujeito caiu.

Aqui e ali, alguns nomes já são mais que ventilados, de Mano Menezes a Renato Gaúcho, passando pelo absurdo Celso Roth (Ah Pelaipe, não mete essa…).

O grande problema é o custo. Todo mundo sabe que a nova diretoria foi eleita com a principal missão de reorganizar o clube com uma dívida de R$ 750 milhões.

Sinceramente, não vejo saída para o problema. Nossos bisonhos treinadores, incapazes de inovar, com currículos e relações viciadas com boleiros e cartolas, ganham cada vez mais para ter cada vez menos resultados.

Levando-se em conta a história profissional de nossa diretoria, exaltados como grandes homens de negócios, será que eles não são capazes de sacar uma novidade da cartola? É, meus amigos, passou da hora de pensar diferente, fora da caixa como gostam os executivos modernosos.

Que tal trazer alguém de fora, sem vícios, sem mi-mi-mi, que saibam se impor aos jogadores (especialmente aos veteranos que se acham donos da bagaça), que tenham naturalmente o devido distanciamento de tudo que os nossos velhos conhecidos daqui têm?

O primeiro nome que veio à cabeça foi o do argentino Jorge Sampaoli. Infelizmente, está à frente da seleção chilena nas eliminatórias e provavelmente não a trocaria pelo Ninho do Urubu. Mas por quê não procurar nos nossos vizinhos alguém que tenha potencial, que já tenha mostrado qualidades e conquistado bons resultados? Certamente não seriam mais caros do que nossos professores doutores, por razões óbvias.

É, turma, passou da hora. Se o futebol desandar de vez, toda a respeitabilidade da gestão vai para o saco.

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Conspiração

Então aconteceu o esperado. Nós que levantamos muitos e muitos defuntos ao longo de dez rodadas fomos para o jogo para enfrentar um time tido como favorito. Aí, meu amigo, o manto grita, urra. E se é verdade que quase jogamos bem, também é verdade que os deuses se apresentaram e ajudaram a colocar as coisas nos seus devidos lugares.

E um time que coloca um Carlinhos Paraíba em campo e mantém um Rivaldo (independente da idade) no banco merece mesmo ser punido.

Além disso, não poderíamos esperar nada diferente de uma vitória contra uma equipe que conseguiu perder em casa para todos os nossos fregueses habituais. Afinal, hierarquia está aí para ser respeitada.

Para completar o bom domingo, os líderes provisórios empataram em casa com o ex-líder provisório – aquele time de são Paulo que vai construir um estádio cheio de incentivos fiscais que insistem em dizer não ser dinheiro público.

Faltam seis pontos e já me acostumei a sonhar com a idéia de chegar à última rodada, aquela que realmente importa, com o Vasco líder e nós a dois pontos dos caras. Mas, antes disso…

Pra começar, no próximo domingo, tem FlaFlu. Graças ao aluguel do estádio municipal para o show de Justin Bieber, é provável que seja em Volta Redonda (apesar do estatuto do torcedor dizer que a rodada esteja programada com pelo menos sete dias de antecedência, ainda não foi definido o local da partida). E graças ao técnico reserva do Corínthians, um tal de Mano Menezes, os dois times jogarão sem suas principais estrelas, Ronaldinho e Fred.

Como eles têm reserva para o moço e nós não, e como também não teremos nossa dupla de pitbulls (Aírton e Williams estão suspensos), é claro que eles são favoritos. E eu acho isso ótimo. Porque, do confronto de domingo, o derrotado estará fora do páreo e o empate ferra os dois. Ou seja, tudo conspira a nosso favor. Pelo jeito, só faltam 11 jogos para o hepta. Quem diria isso há duas semanas?

De volta pra sala de aula

Teve gente que reparou que não escrevi nenhuma linha sobre a Copa América que, para o Brasil, acabou ontem. Por duas razões: porque é um torneio que não me empolga mesmo e porque não via a seleção brasileira bem. Com (mais) uma baita renovação no elenco, é claro que o time ainda está em formação, é claro que vai tropeçar, é claro que vai oscilar. Ironia do destino, o time de camisa amarela caiu justamente quando fez sua melhor partida e perdeu trezentos gols sem levar qualquer susto em 120 minutos.

Perder quatro pênaltis é ridículo, patético? Com certeza, e não há buraco do campo que possa ser culpado por um desempenho como esse.

Sobre nosso time, é preciso dizer algumas coisas. Mano fez cagada ontem? Claro, mexeu errado durante o jogo e escalou os cobradores. E o que mais? Não gosto dele, acho fraco, mas diga aí um técnico para colocar em seu lugar. Muricy? Deus nos livre. Mano, ao menos, tenta armar o time pra frente.

E os convocados? Já tem gente querendo queimar os garotos que até a semana passada eram os maiores craques de todos os tempos. Mas diga aí se sua lista de convocados seria muito diferente da que foi à Argentina. Talvez, três ou quatro? Pois é. Não temos nada melhor não.

Mano precisa entender que para jogar com três atacantes, é preciso que dois meias de verdade estejam em campo para distribuir jogo, dividir marcação e fazer triangulações. Ou dois volantes, cães de guarda com pedigree, para liberar os laterais e fazer as triangulações (olha elas de novo).

E é preciso parar de mimar esses garotos que mal saíram da adolescência e já se acreditam a última cereja do bolo. Porque não são. Talvez, se entenderem que não podem tudo, que não são os donos do mundo, que é preciso ralar pra conseguir as coisas, que é preciso ter personalidade e assumir as responsabilidades, cheguem lá um dia.

Abaixo, trecho do post Tia Bola e as lições da Copa América. Leitura obrigatória.

– Meninos, meninos, que tristeza é essa? Não se pode ganhar todas, seus papais técnicos não ensinaram isso a vocês? Vamos para a nossa atividade de hoje. Quero que cada um levante e conte pra tia Bola o que vocês aprenderam com a Copa América.

A volta dos cabeças de área

Foi preciso um dia inteiro para me reacostumar à rotina de trabalho, cidade grande, poluição, trânsito, metrô apertado e problemas congêneres.

E no recomeço das bobagens que costumo publicar por aqui, resolvi falar de Mano Menezes. Afinal, quando foi ‘confirmado’ o nome de Muricy, tratei de baixar o sarrafo. Mal sabia eu que o circo estava apenas começando. E infelizmente falarei o óbvio. Que falta de habilidade, que presunção, que prepotência de seu Ricardo, achando que bastava estalar os dedos e todos cairiam a seus pés.

No fim, por conta de uma briga política, o Fluminense fez questão de segurar seu técnico. E por falta de garantias de que seria o técnico da seleção até 2014, não importando os resultados do caminho, Muricy não fez muita força.

Para mim, como todos vocês podem ver dois posts abaixo, o que aconteceu foi muito bom para a seleção.

Se é verdade que não tenho grandes elogios a Mano, também é fato que não tenho grandes aversões. E até que me prove o contrário, é apenas um pouco menos retranqueiro que seu colega de profissão que trabalha no Fluminense.

Enfim, saiu ontem sua primeira lista e foi realizada sua primeira coletiva. E independente das minhas impressões sobre o sujeito, sua convocação e seu discurso (educado e simpático) apontam para uma melhoria significativa no modo de jogar do time nacional, se preparando – inclusive – para desmentir a mim e a muitos outros que o tem como retranqueiro.

Nomes estranhos à parte, como Jucilei e Renan (goleiro do Avaí), sua convocação e seu discurso prometem um time com meio de campo talentoso, substituindo brucutus e cabeças de bagre por armadores de verdade e cabeças de área (versão original, daqueles que sabem tocar a bola e sair jogando).

É claro que, como sempre, ninguém nunca estará satisfeito com todos os eleitos do técnico e, principalmente no início do trabalho, teremos de nos acostumar com alguns personagens estranhos. Apenas reflexo do período de testes natural. Deixemos o sujeito trabalhar.

Devagar com o andor…

torcida flaDeixei baixar um pouco a poeira do resultado do último final de semana para falar a respeito do Flamengo. Antes de mais nada, é claro que se merece comemorar a classificação para a Libertadores pelo segundo ano consecutivo. Também é óbvio que se deve louvar a torcida e o espetáculo que proporcionou nos jogos do Maracanã (apesar da maneira como foi tratada).

Mas acho bom diminuir a marcha, pois o santo é de barro. O Flamengo está na Libertadores. E daí? Daí que nesse ano também estivemos por lá. Caímos num grupo ridículo e nos classificamos como o segundo melhor time da primeira fase. E fomos eliminados logo na segunda. É isso que vai acontecer de novo? É certo que não dá pra saber, mas também é certo que com o time que temos hoje as chances são muito grandes. Dependendo do grupo, arrisca-se a nem passar pela primeira fase.

Pareço o profeta do apocalipse? Então vejam: Bruno e Diego (goleiros); Leonardo Moura, Juan, Luizinho e Egídio (laterais); Fábio Luciano, Rodrigo Arroz, Ronaldo Angelim e Thiago Sales (zagueiros); Léo Medeiros, Jaílton, Toró e Cristian, Renato Augusto, Roger e Ibson (meias); Obina, Souza, Maxi e Paulo Sérgio (o elenco é maior que esse, mas esses foram os que mais jogaram durante o ano). E não podemos esquecer do Kléberson (mais um volante), que recebe salário desde de setembro mas só poderá jogar a partir de janeiro.

Sejamos sinceros: o elenco do Flamengo é pouco melhor que horroroso e o time titular pouco mais que razoável.

Talvez a reta final da campanha embace as vistas, mas é preciso ser claro: o nível técnico deste campeonato brasileiro foi baixíssimo. E há alguns detalhes sobre a campanha rubro-negra que precisamos levar em conta para avaliarmos o ‘feito’ da histórica recuperação de penúltimo colocado para a classificação antecipada.

Por conta do Pan do César Maia, o Flamengo teve quatro jogos adiados para o segundo semestre e, para não adiar tantos outros, alguns mandos de campo invertidos. Parece pouco, mas só esse detalhe garantiu que o Fla jogasse praticamente todo o segundo turno em casa, embalando e embalado pela torcida.

Outro detalhe interessante: o Fla foi o penúltimo colocado quando tinha quatro jogos a menos que a maioria dos 20 clubes. Por pontos perdidos, o Fla não só nunca esteve na zona de rebaixamento como variou durante todo o tempo entre 4º e 7º colocado. Ou seja, o Flamengo sempre brigou pela Libertadores mas nunca teve a menor chance de lutar pelo título. E, agora sim, chegamos ao ponto.

Desde 1992, quando foi campeão, o Fla nunca conseguiu chegar perto de lutar por outro título brasileiro. Ganhamos estaduais (inclusive um tri), Copa do Brasil, Copa dos Campeões e algumas outras tacinhas de menor importância. Mas Brasileiro, que é bom, não chegamos nem perto. Aliás, estivemos perto mesmo de cair. Várias vezes.

É claro que estou feliz por disputar a Libertadores. Mas quero disputar de verdade, com chance de ganhar. Se vai ou não, é parte da brincadeira. Com o time que temos, não há chance.

Aliás, nem com o time nem com o técnico. O Joel é um cara bacana, boa praça mesmo, frasista de mão cheia, mas me digam qual o grande campeonato que ele tem no currículo, além de uma penca de estaduais cariocas e baianos. Ele está pra sair, ok, mas o que vem por aí…?

Wanderley “ególatra e armador” Luxemburgo como gerente de futebol. Tenho um amigo que acha isso ótimo, que dará moral e que só a presença dele ajuda na contratação de alguns jogadores. Não gosto dele e não acho que o Fla precise dele. Mano Menezes (quem?!?!?) como técnico. Com todo o respeito que o futebol gaúcho merece, não acho que o Mano seja capaz de comandar o Flamengo. Fora o Kleber “Romário, Sávio e Edmundo” Leite na vice-presidência de futebol.

Carlos Alberto Torres

Carlos Alberto Torres

Podem me chamar de louco, mas meu técnico preferido para 2008 seria Carlos Alberto Torres. Podem me chamar de insandecido, mas meu gerente de futebol para 2008 seria o Carlinhos. Conhece o clube, entende de futebol e tem a calma necessária para organizar o clube.

É claro que sou Flamengo (flamenguista é coisa de neologista). E todo mundo sabe que, uma vez Flamengo… É claro que vou torcer muito pelo meu time. É claro que vou ao Maracanã ver os jogos da Libertadores e é bem provável que voltarei pra casa rouco. O problema é saber desde já que, se as coisas não melhorarem muito, mais uma decepção virá por aí.

PS 1: Há que se torcer muito na última rodada, pois terminar em quarto significa ir para a pré-Libertadores. Como todos comemoraram a classificação como se fosse título, não vou estranhar se o time entrar em campo relaxado além da conta.

PS 2: Quem comemora vice-campeonato é vascaíno.