Nulum die sine linea

Já fui um fiel seguidor dessa espécie de lema. “Nenhum dia sem uma linha”. Achava que, mais do que manter um hábito, fazia um exercício. E se fosse capaz de escrever quando não tinha o menor saco ou inspiração, seria capaz de produzir em qualquer situação.

Pois, como podem ver a meia dúzia de três ou quatro amigos e leitores que freqüentam o cafofo, meio que abandonei o lema. Não é por acaso que não pingava nada por aqui há quase um mês. E naqueles dias em que – nem profissionalmente – não precisava juntar palavras para formar frases, resolvi tirar folga.

Também sou obrigado a confessar que as atuações do Flamengo no final da temporada, aquele monte de corridas de F1 que não valiam nada, a vergonha em que se confirmou o governo – a manutenção de Pimentel e Negromonte em suas cadeiras é surreal – e a certeza de que as chuvas de verão arrebentariam tudo de novo, como sempre e como já está acontecendo, colaboraram bastante para aumentar o meu enfado. Parece que, de novidade mesmo, só o fato de Sérgio Cabral não estar em Paris ou sei lá onde na hora do aperto.

De quebra, as festas e toda sua rotina extenuante de compras e correria e jantares e obrigações de festas e comemorações mil… No final das contas, o mesmo de sempre. Virou o dia, virou o ano, e nada mudou. Mais ou menos como os fogos de Copacabana. Ou será que vocês realmente acreditam naquelas promessas de ano novo, que se repetem a cada 365 ou 366 dias?

É, não ando muito otimista mesmo, ao ponto de ter percebido numa frase dessas ouvidas por aí e publicadas em revistas (acho que foi na do Globo) a melhor definição sobre o estado geral de coisas que vivemos hoje: “se é verdade que o Natal aproxima as pessoas, no metrô é Natal todo dia” (reproduzo de memória e pode haver algumas diferenças em relação ao original).

Bom, daqui a pouco retomo a produção em ritmo normal. E enquanto não chegamos à conclusão sobre se o mundo vai acabar mesmo no dia 21 de dezembro, se a data marca apenas o fim de uma era ou se o calendário maia parou aí porque os caras ficaram com preguiça de continuar, desejo a todos – com quatro dias de atraso, eu sei – um feliz ano novo.

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Da séria série…

… Pensamentos soltos e quase sem sentido.

Muitos dias de muito trabalho, entremeados com alguns dias de parte da família de cama. E quem é habitué do cafofo – se é que eles existem – notou que o negócio andou meio abandonado por aqui.

O curioso desses dias muito corridos e um tanto atribulados é que, ao nos tirar de nossas rotinas, nos permitem pensar em coisas – muitas vezes – pouco usuais. E acabei lembrando do fim do mundo.

E sempre que lembramos dele, o mais comum é imaginarmos um grande holocausto. E é claro que a imagem dos cavaleiros do apocalipse combinada com todos os fins do mundo produzidos em Holywood – quase sempre em Nova Iorque – ajudam nisso.

E lembrei dos maias e de que falta pouco mais de um ano para a suposta data fatídica apontada por eles, 22 de dezembro. E lembrei que já há uma pá de gente que insiste em dizer que, ao contrário do fim do mundo – pura e simplesmente -, teremos o fim e, claro, início de uma nova era. Algo como o fim do mundo como nós o conhecemos.

Aí, pensando na grande merda em que está prestes em se transformar a Europa e a cagalhopança em que está metido os EUA e a seqüência de tragédias que tem atingido a Ásia – especialmente o Japão, seu país mais desenvolvido -, comecei a me perguntar: será que o ‘fim do mundo’ não está mesmo próximo e sua preparação já não está a pleno vapor?

O fim está próximo

Ufa, não é dessa vez que o mundo como o conhecemos acabará. Pelo menos, era o que prometiam os profetas do apocalipse caso os Estados Unidos fossem obrigados a dar o calote. O anúncio do acordo entre democratas e republicanos foi feito ontem à noite por Obama.

Pânico e exageros à parte, é certo que se o tal calote acontecesse, seria desencadeada uma baita duma crise. Nada mais que isso. Mas ando desconfiado que a tal previsão dos maias não está tão errada assim e estamos cada vez mais próximos do dia do juízo.

Enquanto um novo terremoto atingiu o Japão, um tufão passou pela Rússia e a Grécia – berço da civilização ocidental – está prestes a levar toda a Europa (e boa parte da economia mundial junto) pro buraco. É tragédia de todos os tipos, naturais ou não.

De quebra, a neta de Lula conseguiu incentivos fiscais (dinheiro seu, meu, nosso, como diz o Ancelmo) de até 300 mil, pela Lei Rouanet, para montar uma peça de teatro. Provem-me que o fim não está próximo…

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Foi ridículo. Mas foi muito bom também. Falo do empate de ontem contra o Bahia, depois de virar o jogo e ter um a maisem campo. E foi ridículo por vários motivos.

O Flamengo dominou o jogo desde o início, mas levou dois gols idiotas. Sem problemas, essa é uma das graças do negócio. Mas aí, virou o jogo e ficou com um homem a mais em campo. E o que deveria fazer então? Tocar bola, deixar o tempo passar e partir na boa pra tentar matar o jogo. Porque os caras jogavam em casa e, com 10, 9 ou 300 em campo, tinham a obrigação de partir pra cima pra diminuir o prejuízo.

E o Flamengo começou a tocar bola – a ponto da turma que transmitia a partida na Globo chegar a fazer comparações fora de qualquer realidade, com o Barcelona. Só que a bola ficava rodando do meio campo pra trás, justo onde não é seguro. E como, pra completar, o profexô teve uma diarréia mental e colocou Jean e Fernando em campo, o Bahia empatou.

Se não ficou claro, vou repetir: o Flamengo, com um homem a mais em campo, cedeu o empate ao Bahia – a maior coleção de jogadores renegados do futebol brasileiro. O tricolor da boa terra tem um time tão ruim que o Flamengo deveria ter ganho mesmo não jogando tão bem. Mas não ganhamos.

O lado bom disso é que baixou um pouco a bola da turma depois da impressão de timaço que ficou após a goleada contra os reservas do Avaí, na estréia. E ter a exata dimensão de suas qualidades e defeitos é muito importante.

Sobre a liderança perdida, façam-me o favor né. Estamos na segunda rodada e todo mundo sabe que o importa é estar na frente na última. Ou não se lembram quando foi que assumimos a ponta da tabela na campanha do hexa? O que me preocupa agora é o próximo jogo, de altíssimo risco por conta da festa de despedida do Pet. Então, o clima pode atrapalhar um pouco e um tropeço contra o time do Parque São Jorge não deverá ser tratado como surpresa.

P.S. 1: Egídio jogou bem duas partidas seguidas. Começo a desconfiar que os maias estavam certos…

P.S. 2: Faltam 36 jogos para o hepta.

Turnê do fim do mundo

A cada confusão que acontece pelo mundo – de terremotos a enchentes, de furacões a grande ondas de calor ou frio – o Tutty Vasques costuma fazer alguma piada sobre a ‘turnê do fim do mundo’.

Pois eu que sempre fui um sujeito meio cético demais em relação a tudo, estou começando a ficar preocupado com essa história.

Não, continuo não acreditando que o mundo vai acabar de repente e que, se não conseguirmos uma grande frota de naves espaciais que nos leve a um planeta de atmosfera semelhante à Terra, a humanidade perecerá. Mas já estou pensando em levar a sério a teoria Maia, de que uma série de grandes cataclismos vai destruir o mundo como nós o conhecemos hoje.

Já repararam que as tragédias têm acontecido num espaço de tempo cada vez menor? Só no último mês, terremoto devastador no Chile, a maior chuva da história do Rio devidamente acompanhada de uma ressaca que trouxe ondas de 10 metros à Baía de Guanabara e, ontem, terremoto bem forte na China.

Por enquanto as notícias dão conta de há cerca de 400 mortos, o que proporcionalmente é como uma vã lotada capotar na Av. Brasil. Mesmo assim é muita gente, uns oito morros do Bumba. Foram 7,1 na escala Richter. Além dos mortos, são mais ou menos oito mil feridos e 80% de pelo menos uma cidade foi para o saco, o que não é brincadeira. É claro que é uma tragédia, mas de certa forma deram sorte.

Como não é bom ficar contando com a sorte e como não temos ajudado muito na conservação do planeta que temos, acho bom a gente começar a abrir o olho.