Taquipariu

Essa foi a palavra que mais ouvi ontem, enquanto assistia o jogo do Flamengo no boteco que fica embaixo da minha janela. É, não estou maluco não, é uma palavra mesmo. Não sei de outros lugares, mas usar a expressão completa – aquela que deu origem ao termo acima – no Rio, só em casos especialíssimos. Tão raro que vale até falar separando as sílabas.

E vamos combinar que ver o Flamengo pagar vexame na Libertadores, em pleno Maracanã, já não tem nada de especial. Aliás, está quase virando rotina.

Eu queria entender algumas coisas, entrar nas cabeças dessas sumidades que jogam bola por aí. Porque o Flamengo não entrou em campo como quem disputaria uma partida eliminatória da competição mais importante do continente. Mais parecia que se divertia em um jogo de solteiros contra casados, todos vestidos de mulher e de salto, em pleno carnaval.

E eu ainda me impressiono. Se há a máxima de há coisas que só acontecem ao Botafogo, o que dizer do meu time? Que há coisas de que só o Flamengo é capaz? Taquipariu… E ainda vem o Rogério dizer que ‘estamos feridos mas não estamos mortos’? Taquipariu!!!

A defesa do Flamengo fez um jogo bisonho, Léo Moura apagadíssimo, Juan deveria ter sido expulso quando simulou a falta ou o pênalti. É isso mesmo, não importa se ele fez o segundo gol. Como é que um sujeito corta o zagueiro, tem a área inteira à sua frente e, em vez de fazer a jogada, se joga? Kleberson uma nulidade, Rômulo uma zebra, Michael ninguém viu, Love e Adriano perderam gols que a mãe do Tadeu Schmidt faria, Pet não adiantou e Denis Marques… Como é que alguém coloca o Denis Marques pra jogar profissionalmente? E pensar que um dia eu reclamei do Kita…

Cacete, o Flamengo jogou de maneira tão absurda que foi dominado por um time pior e com dez jogadores em campo durante o segundo tempo inteiro? Agora, tem que ganhar de 2 a 0 lá. Dá? Claro que dá, mas vai ter que jogar sério. E bem. Será que consegue?

Anúncios

Uma besta bestial

Detesto essa história de que, pra ser bom, tem que ser sofrido. Mas parece que o Flamengo é a encarnação, a prova cabal da assertiva.

A leitura do jogo de ontem era simples, básica. Precisando ganhar por dois gols, o Corinthians sufocaria o Flamengo e, assim, nos daria espaço para o contra-ataque. Ou seja, o Flamengo precisaria entrar em campo preparado para uma blitz alvi-negra, ,com um meio campo capaz de manter a posse de bola e tocá-la com qualidade suficiente para aproveitar as poucas chances que poderiam surgir.

E o que fez o a até ontem técnico interino e agora efetivo Rogério Gonçalves? Entrou em campo com três volantes e Vinícius Pacheco como único armador. Sabendo-se que o rapaz corre muito, mas só acerta dois passes por ano, estava sob a responsabilidade dos nossos laterais a criação do time.

Resumindo: quase entregou o jogo.

Além da escalação errada, jogadores – no primeiro tempo – pareciam estar atuando em uma pelada de final de ano, regada a chopes e acepipes. Estático, lento, desconcentrado, nem aí para o mundo…

Com dois a zero ao fim dos primeiros 45 minutos, o Flamengo só precisava de um gol. E vocês não tem noção de como eu xinguei o Rogério quando ele tirou Vinícius para colocar Kleberson. Porra, precisando fazer gol ele resolve jogar com quatro volantes?

Mas entrou aí o ‘fator Chicabon’ (“O sujeito, quando não tem sorte, é atropelado na calçada chupando um chicabon”- Nelson Rodrigues). É claro que o filho de Kleber é melhor que Pacheco, mas alguém esperava que na sua primeira jogada ele colocasse Vagner Love na cara do gol?

Da besta ao bestial em quatro minutos.

Com o gol e alguém em campo capaz de segurar ritmo do jogo, o time mudou. E como o Corinthians precisava de mais um gol, mas já não tinha o mesmo gás (jogou e correu muito no primeiro tempo), os espaços estavam abertos voltaram a aparecer e o Flamengo começou a perder gols, vários na cara do gol.

Mas tinha que ser sofrido (Por quê, por quê???).

Não fizemos e quase levamos. Aos 46, o Bruno tirou a bola praticamente de dentro do gol, em linda cobrança de falta de Chicão. E estamos nas quartas.

A melhor parte dessa vitória, pelo menos até aqui, é ver que a imprensa está fazendo seu carnaval tradicional, mas time e torcida continuam no clima de Andrade: no sapatinho. Como diria Zagalo, ainda faltam seis jogos. E todo mundo sabe que, pra chegar lá, vamos ter muita carne de pescoço pela frente.

P.S.: Enquanto vou mordendo a língua por ter sido contra a contratação de Love, ele segue jogando demais desde que estreiou. Mesmo quando não está em um bom dia, se entrega completamente, correndo sem parar e lutando até fim. Em compensação, Adriano continua como um poste e sem poder de decisão em jogos como o de ontem.

Me maltrata e me arrebata

O primeiro jogo do resto de nossas vidas

Pra não passar em branco, afinal o jogo acontece daqui a pouco. Para o Flamengo, o jogo do ano; para o Corínthians, o jogo do centenário. E o time do Rio tem uma chance de ouro hoje à noite, desde que jogue com inteligência. E se isso acontecer, pode matar a disputa no primeiro tempo.

É claro que o Corinthians, jogando em casa, estádio lotado e precisando ganhar, vai partir pra cima, tentar sufocar logo de cara. E se os caras conseguirem fazer um gol logo cedo, não sei se o time saberá lidar com a situação.

Com os caras sufocando desde o início, começaria o jogo prendendo os dois laterais que, junto com os volantes, fariam o ferrolho. Em compensação, sairia jogando com Pet e Vinícius no meio. Assim, aproveitaríamos o espaço para o contra-ataque que será oferecido. Com Vinícius e Love correndo de um lado para o outro e Adriano na referência do ataque, o sérvio teria opções pra esticar as bolas. E estamos cansados de saber que o cara coloca a bola onde quer. Como o gringo não tem pernas para o jogo todo, seria uma armação apenas para o primeiro tempo.

Mas não temos um técnico com coragem para fazer isso. O Rogério não fará isso. Ele e a grande maioria dos técnicos de hoje se preocupam antes em não tomar gol. Ainda mais com a vantagem do empate. Então, Pet fica no banco e começamos com três volantes e Vinícius como responsável por fazer a ligação. Como o sujeito tem muita dificuldade de acertar passes de dois metros, caberá a Leo Moura e Juan a armação do ataque. Ou seja, Joel continua no Botafogo. Mas sua escola está de volta à Gávea.

É claro que pode dar certo. Mas será muito mais difícil do que poderia. Se eu acho que o Flamengo passa? Tenho muitas dúvidas, não sei se agüentaremos a pressão. Racionalmente, é jogo para o Corinthians se classificar. Mas como o Flamengo é capaz das maiores conquistas e das piores derrotas…

P.S. 1: Já tem amigo rubro-negro fazendo bolão para adivinhar qual será o rubro-negro expulso hoje à noite. Pois é bom que o time se comporte, porque não é todo dia que vamos jogar bem e ganhar com um a menos. E o Flamengo anda abusando da sorte.

P.S. 2: No jogo do Maracanã, logo após a expulsão do Michael, enviei torpedo para três amigos rubro-negros. Começamos hoje a descobrir qual o tamanho da minha capacidade de vidência.

Boladas

Tenho tentado não pensar em futebol nos últimos dias, claro, graças ao papel pífio que o Flamengo tem feito nos últimos tempos. Mas o fato é que, mesmo sem merecer, começamos a disputar amanhã a segunda fase da Libertadores, em um embate que a emissora oficial está tratando como o encontro das nações, ou algo assim. Então aproveito o clássico como pretexto para fazer algumas observações sobre o violento esporte bretão.

Fla

– Depois de toda a confusão que culminou nas demissões de Andrade e Marcos Braz, o clube está momentaneamente sem vice de futebol, ainda somos obrigados a aturar o Isaías Tinoco e, interinamente, Rogério Lourenço será o técnico do time. Bom zagueiro criado no clube, conquistou – entre outras coisas – o Brasileirão de 92. Trabalhou nas divisões de base do Flamengo e, nos últimos tempos, era um dos assistentes do Tromba. Não acho que seja técnico para o Flamengo, mas se tiver sorte e passar pelo Corínthians, pode ser efetivado. Se acontecer, é bom colocarmos as barbas de molho, porque Rogério conseguiu ser vice-campeão mundial de juniores com o melhor time da competição.

– Como diz o Octavio, não está na hora de Zico parar de falar e começar a ajudar de verdade não? Assume o negócio Galo, é só dizer que quer, a presidente já abriu as portas.

Fla X Corinthians

– É um clássico e, como tal, independente de momentos e campanhas anteriores, não há favorito.

– Em tese, além do bom momento, paulistas saem na frente. Têm um padrão bem definido e sabe fazer o jogo correr, toca bem a bola. Diferente do clube carioca que tem prescindido de uma armação bem feita (e o Pet está no banco…) e acaba vivendo de contra-ataques ou fazendo ligações diretas.

– Em tese, apesar das turbulências, cariocas saem na frente. Têm um elenco melhor, que pode até mudar o time completamente durante o jogo, de acordo com as circunstâncias. O problema é que começou mal, com a escalação de três volantes. O responsável pela armação será o Michael. E ele vai ter que fazer mágica…

– Rogério ressuscitou Rômulo e o colocou ao lado de Williams e Maldonado. Em boa forma, o garoto é muito melhor que Toró (segundo o Jefferson, eu não lembro do moleque). Para mim, isso não é vantagem, qualquer um é melhor que Toró. Minha preocupação, além da presença de um cabeça de área sem ritmo, é a ausência de gente criativa no meio campo. Jogando em casa e precisando fazer resultado para administrar na segunda partida, não consigo compreender a escalação.

– Sempre que se enfrentam em um grande jogo, surgem novas pesquisas sobre o número de torcedores de cada clube. A última, do Datafolha, mostrou uma diferença de apenas 3% entre Fla e Corinthians, configurando um empate técnico A melhor resposta para isso está aqui.

– Outro amigo, o baiano Elmo, fez a seguinte declaração: “é na hora do sufoco, quando menos se espera, que os grandes times como Bahia e Flamengo nos surpreendem”. Não sei se rolo de rir ou se ajoelho a rezar para que esteja certo.

– É pouco provável, mas não estranharei se o time do Flamengo entrar em campo comendo a bola e acabar ganhando bem para dedicar a vitória ao Andrade. E com o Maracanã lotado, tudo é possível.

Flu

– Muricy arrumou confusão no Palmeiras porque a Traffic queria e conseguia escalar o time. E veio para o Fluminense, que tem uma relação ainda mais íntima com a Unimed. Tudo bem que ele quer experimentar o mercado carioca, variar um pouco, mas alguém acha que isso vai dar certo de verdade?

Dunga e Seleção

– Ainda falta uma meia dúzia de 15 ou 20 dias para a convocação final da seleção. E está todo mundo fazendo pressão para se convocar esse ou aquele. Especialmente Ganso e Neymar. Dificilmente acontecerá e, no fundo, todo mundo sabe disso. Torço, sinceramente, para que o Ganso seja levado, é bola demais e uma baita opção para o meio campo da seleção.

– Neymar também é bola, não sou louco, mas ainda é muito presepeiro. Diferente do meio campo, ainda há opções para o ataque

– Mesmo que tenhamos alguma novidade, não será nada radical. Vamos à copa com um time em que vários jogadores são reservas em seus clubes, mas que fazem parte da ‘Família Dunga’, modelo herdado de Felipão e inflado pelo fracasso de 2006. Ou seja, vamos ter que aturar os josués, julios batista, elanos e felipes melo da vida. Além disso, como o Rica Perrone lembrou muito bem, Dunga está nos dando exatamente o que pedimos depois da última copa.

– Concordo com Zico, Roberto Carlos ainda é o melhor lateral esquerdo do país. E apesar da cena do meião, não foi o culpado (pelo menos não foi o único) do fiasco alemão (ainda acho estranho ser o quinto melhor do mundo e dizer que isso é um fiasco).

Para salvar o ano

Como já contei aí embaixo, não vi o jogo. Apaguei e acordei aos 43 do segundo tempo. Ainda vi duas ou três chances de empate do Flamengo. A essa altura, claro que já vi os gols e pênalti perdido por Adriano.

É claro que nem posso tentar analisar o jogo, mas seria bom fazer algumas observações sobre o que está acontecendo com o time. E não é de hoje.

Sobre o resultado, parabéns ao Botafogo. Título vencido, título a ser muito comemorado. Afinal, já virou tradição que o clube da estrela solitária só ganha jogo decisivo do Flamengo de 21 em 21 anos. Mas é bom tomar cuidado, pois quem nunca vê melado, quando come se lambuza. E isso pode fazer mal.

Já tinha dito aqui que o Flamengo corria o sério risco de um vexame na Libertadores. Pois bem, estamos a caminho. E se o Botafogo, mesmo sendo um time mequetrefe, é muito melhor que as universidades chilenas, a derrota de ontem era previsível.

Outra questão que já havia levantado era a capacidade de Adriano decidir as coisas. Como assim, a estrela do time, o cara, o imperador, perder pênalti em final de campeonato porque bateu fraco, um sujeito que é reconhecido mundialmente por sua bomba de canhota?

Em resumo: desde o início do ano Andrade está acometido por uma diarréia mental e não consegue escalar bem o time; os jogadores estão nitidamente enfastiados, salvo raras exceções; brigas entre jogadores; qualquer problema interno vaza para a imprensa. Poderia continuar elencando problemas aqui, mas o tempo é curto para a quantidade. E presidente, vice de futebol, gerentes e supervisores não tomam qualquer providência sobre as cagadas feitas no departamento de futebol.

Verdade seja dita, Vagner Love – entre muito poucos – tem feito o que dele se espera. Gols, muitos, e se dedicado ao time. Eu que já reclamei muito dele, retiro o que disse.

O Flamengo está a um passo de jogar o primeiro semestre fora. Então, faltando três semanas para a estréia no Brasileirão, faço uma sugestão para tentar salvar o ano. Independente do resultado de quarta-feira (Flamengo X Caracas), classificando-se ou não para a próxima fase do torneio continental, o time deveria ser internado em um centro de futebol qualquer bem longe do Rio, para fazer uma espécie de nova pré-temporada, com espaço e tempo para se preparar devidamente no campo e na academia, além de convivência  suficiente para resolver problemas internos.

E é bom descobrir logo quem é o alcagüete safado que fala o que não deve por aí. Há que se expurgar sujeitos assim.

Clichês

Bola de um lado, goleiro do outro. Love marca de pênalti o gol que decidiu o jogo. / Foto: Pedro Kirilos - Lance!

Virou clichê há muito tempo. Tanto que não consegui descobrir o autor da frase. Mas vira e mexe ela é usada e, em regra, cai bem na maioria das vezes. “O futebol é apenas a coisa mais importante entre as coisas desimportantes dessa vida”. Digo isso porque não se pode esquecer o que aconteceu no Rio na última semana, da quantidade de mortes e de mais uma prova cabal do descaso geral que os caras que foram escolhidos para cuidar de nós, pessoas e cidades, têm por tudo o que é importante.

Mas é também é impossível deixar passar em branco um Flamengo e Vasco. Porque o Flamengo é o que há de mais importante na coisa mais importante entre as coisas desimportantes dessa vida.

Mais um jogo decisivo entre os maiores rivais da cidade e mais um clichê: vitória rubro-negra. Há trocentos anos e milhares de jogos que o time da colina não sabe o que é sair por cima em uma decisão contra o Flamengo. E não podemos esquecer que a cada vitória conquistada, mais perto estamos de uma derrota. Afinal, não há time imbatível e tabu que não se quebre. E é por isso que cada vitória deve ser muito comemorada.

Mas o fato de ter vencido de novo não pode esconder mais uma atuação ruim e mais uma escalação enganada do Andrade. E nesse ritmo, o Flamengo corre o risco de pagar um belíssimo vexame na Libertadores. Então é muito bom que o Tromba abra seu olho.

Os vascaínos vão chorar até o ano que vem, afinal houve um erro de arbitragem muito sério. Mas no pênalti não marcado no final do jogo, a transmissão mostrou que o juizinho estava encoberto e não tinha como ver a mão na bola de Williams. O problema é que havia um árbitro auxiliar atrás do gol, de frente para o lance. Se ele não pode interferir, avisando o juiz, o que estava fazendo ali?

Outro lance duvidoso, na verdade, só é duvidoso para os adversários. O pênalti em Leo Moura foi claríssimo. De mais a mais, problemas de arbitragem a parte, o Vasco só teve duas chances claras de gol, uma convertida e outra na trave. Então, me desculpem, vão chorar para suas negas.

Domingo que vem decidimos o turno contra o Botafogo. Se ganharmos, disputamos o inédito tetra. Se não, os mulambos de camisa listrada serão campeões direto, pois levaram a Guanabara. E aí serei obrigado a perguntar para os mais velhos se, discussões sobre justiça à parte, já tivemos no Rio um campeão estadual com um time tão ruim quanto o atual da estrela solitária.

2ª edição (14h30)

Terminei o post falando sobre a possibilidade do Botafogo ser campeão porque sinto cheiro de merda no ar. E descobri que não sou o único. Conversando na hora do almoço com alguns amigos, chegamos à conclusão de que – a continuar no ritmo que está -, o Flamengo corre a passos largos para jogar fora o primeiro semestre deste ano. Com seu Joel inspirado, a chance do time de General Severiano levar o caneco é enorme. Como é gigante a chance de sair da Libertadores na primeira fase.

Figas, pés de coelho, trevos e ferraduras por todos os bolsos e muitas velas acesas. Só não sei se serão suficientes.