Pro alto e avante

Antes que os ataques de pelanca prevaleçam, antes que calcinhas e calções sejam arrancados pela cabeça, vamos deixar uma coisa clara: só faltam 18 jogos para o hetpa.

Estamos no fundo do poço, o bagulho ficou esquisito. Perdemos a terceira partida no ano, a segunda no campeonato, estamos a cinco jogos sem vencer, nosso craque é desfalque na próxima rodada, tem um monte de gente machucada, não temos zagueiros suficientes. Ah, e estamos na quarta posição a quatro pontos do líder com 54 em disputa pela frente. Estamos em crise, né não? Chegamos ao fundo do poço.

E estar no fundo só tem um significado: não há outro caminho além da subida. Portanto, parem de chorar pelos cantos. Coloquem as louras pala gelar, caprichem nos acepipes e sorriam. Pro alto e avante!

Sobre o jogo, algumas conclusões óbvias: nosso banco não tem nem um terço da capacidade técnica do time titular; com essa quantidade de desfalques que estamos tendo nos últimos dias, não há time capaz de se entrosar; ninguém entra em campo com Rodrigo Alvim e fica impune; está provado, mais uma vez, que não há levantador de defuntos maior do que o Flamengo no futebol brasileiro.

O profexô – de quem não gosto mas sou obrigado a admitir – entende do riscado. Vai arrumar o time, colocar a bagaça em ordem e tudo voltará ao seu devido lugar.

Nosso próximo compromisso é contra o poderoso Bahia, time contra o qual empatamos vexaminosamente no primeiro turno, jogando em Salvador. Chegou a hora de mostrar a real diferença entre um time de futebol de verdade e uma coleção de renegados.

Durma com um barulho desses

Não entendo, juro que tento, mas não entendo. O Vasco venceu, parabéns. O Fluminense ganhou fora para tentar uma recuperação, parabéns. O Botafogo, como quem não quer nada, venceu de novo. Parabéns também.

Mas sabem o que a turma que diz torcer para esses times está fazendo desde ontem à noite. Ao invés de comemorar suas respectivas derrotas, estão pulando de alegria pela derrota rubro-negra. E, além de não entenderem as piadas, ficam passando recibo em listas e blogs por aí. Como até o Tchaka fez aqui.

Será que algum psicanalista passará por aqui e conseguirá nos explicar esse fenômeno?

A grana que ergue e destrói coisas belas

Falaê Kleber Leite, dizaê Plínio Serpa Pinto. R$ 65 milhões em dívidas jogados no colo da presidenta por conta do projeto de construção de estádio e shopping center na Gávea, que nunca saiu do papel. Na época, o tal consórcio que faria a obra adiantou R$ 6 milhões que foram gastos para trazer Edmundo. A obra não existiu e o clube não devolveu a grana.

O departamento jurídico do clube defendeu a tese de que foi doação. Pombas, se eu que sou um cara bom, de ótimo coração, não dou dinheiro nem pra minha mãe, por que esses caras dariam dinheiro pro Flamengo?

Da decisão de ontem, ainda cabe recurso. Mas, com o bom senso como referência, faz sentido o Flamengo ganhar essa causa?

Fim de papo

Já faz uma semana que acabou a bagaça e que o Flamengo conquistou o hexa. A ressaca está quase curada…

O campeonato foi, sem dúvida, o melhor dos últimos muitos anos. De toda a série de pontos corridos, certamente. Infelizmente, o equilíbrio que fez um campeão com menor aproveitamento da história e com a menor diferença de pontos para a turma que foi rebaixada. Isso é bom? Em tese.

A verdade é que, a cada ano, o nível técnico de nossos times é cada vez menor. Ou não teríamos um gordo, um farrista e um coroa de 37 anos entre os melhores do Brasil.

Apesar de muito inchado, nosso calendário está estabilizado já há algum tempo, o que deveria facilitar o planejamento dos clubes – equacionando dívidas, fortalecendo as divisões de base etc. – e a atração de novos investidores. Mas parece que nossos dirigentes não estão muito aí pra isso, o que não é de causar surpresa.

Independente disso, e apesar do que meu primo atleticano, recalcado e invejoso, disse, a conquista rubro-negra não foi uma cagada. Afinal, o Flamengo foi o que teve o melhor aproveitamento nos confrontos diretos entre os oito primeiros do campeonato. Assim como é fato que, principalmente, Palmeiras e São Paulo fizeram muita força para perder o campeonato. E perderam.

Pra encerrar minha participação no Brasileirão 2009, resolvi dar uns pitacos – o post ficou comprido demais, eu sei –  sobre todos os clubes que participaram dessa edição e sobre os quatro que vão subir. Apenas pequenas opiniões sobre alguns detalhes.

Série B

– Vasco: fez o que tinha que fazer, mas o time precisa melhorar muito para não correr risco de voltar;

– Guarani: quase foi grande um dia, até que virou io-iô. Será um dos enigmas de 2010;

– Ceará: se não voltar para a segundona, correrá riscos até o fim. É a sina dos clubes nordestinos, sem poder econômico para formar um grande time;

– Atlético-GO: absolutamente imprevisível. Time de empresários, como o Barueri. Pode surpreender e pode não fazer nem cócegas.

Série A

20º: Sport (31pts / 7V / 10E / 21D / 27%)

Se foi rebaixado na última posição, não se pode falar em injustiça. O time é horroroso e, para completar, sua queda é uma benção para todos os clubes, pois não precisarão jogar naquela campo de roça da Ilha do Retiro.

Como a campanha do clube foi um fiasco, seu presidente resolveu tapar o sol com a peneira e tirar o foco de suas mazelas tentando criar um onda sobre o título do Flamengo. Disse que processaria todos que apontassem que o Flamengo é hexacampeão.

A discussão provocada pelo presidente do clube pernambucano só serve pra criar mais confusão, acirrar ânimos etc., em função de algo que não tem qualquer justificativa lógica: o Sport ter sido proclamado campeão brasileiro de 1987 quando não foi, sequer, campeão da segunda-divisão. A história completa do que aconteceu está aqui.

19º: Náutico (38pts / 10V / 8E / 20D / 33%)

Não há o que dizer sobre Timbu, além de destacar o Carlinhos Bala (que não acredito ser capaz de ser destaque em um time grande de verdade) e o alívio de todos os clubes por não ter que jogar no gramado ridículo dos Aflitos, mesmo caso do Sport. Não por acaso, junto com o eterno rival, levaram Pernambuco embora da primeira divisão.

18º: Santo André (41pts / 11V / 8E / 19D / 35%)

A única coisa relevante em sua história é a conquista da Copa do Brasil sobre o Flamengo. Apesar do vexame rubro-negro, não é estranho nas copas nacionais que juntam times de todas as divisões, a conquista por clubes nanicos. Não se tornam relevantes por isso e esse é o caso. Deus sabe como chegou à Série A, mas o importante é que já foi embora.

17º: Coritiba (45pts / 12V / 9E / 17D / 39%)

Um exemplo clássico de um time pequeno que se acha grande. Talvez seja grande no Paraná, estado que – verdade seja dita – não tem qualquer relevância para o futebol nacional. Se acha grande porque ganhou um brasileiro no longínquo 1985, algo tão estranho quanto ter o Bangu como adversário na final. Foi tão insólito que o Maracanã ficou absolutamente lotado por torcedores de todos os clubes do Rio, em prol de um clube que tinha, sim, um grande time bancado por um bicheiro. Enfim, como último ato de sua participação no certame de 2009, sua torcida fez o favor de confirmar o quanto o clube, o time e ela própria são pequenos.

P.S.: Alguém reparou a grande escolha que fez o Marcelinho Paraíba, trocando o Flamengo pelo Coxa?

16º: Fluminense (46pts / 11V / 13E / 14D / 40%)

É verdade que, com a épica arrancada, não merecia mesmo cair. Mas é bom não esquecer a dívida que o Fluminense tem com o futebol brasileiro, pois disputou a terceira divisão e, com a criação da Taça João Havelange, pulou direto para a primeira. Também é fácil compreender a comemoração, mas é bom colocar o pé no chão e entender que, se muita coisa não mudar, o ano que vem será igual ou pior.

15º: Botafogo (47pts / 11V / 14E / 13D / 41%)

Depois de voltar à primeira divisão, vinha evoluindo, mas… Só não dá pra entender porque estão comemorando tanto. É bom que abram bem os olhos, não ganharam nada. Só não caíram de novo. Para o futuro, a receita é a mesma do Fluminense: mudar muita coisa, se organizar, planejar etc.

14º: Atlético Paranaense (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Não fede nem cheira. Chamado de furacão, na verdade não passa de uma brisa. Mesmo assim, só quando jogaem casa. Comoseu rival alvi-verde, só é grande localmente. Também já ganhou um brasileiro (a história da humanidade tem mesmo mistérios insondáveis), mas o conjunto da obra não é nada relevante na história. Como sua campanha em 2009. Pelo menos, não caiu.

13º: Vitória (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Apesar de muita gente achar que aquele canto do mundo é uma dimensão paralela, a Bahia é um estado do nordeste. Quando lembramos onde está seu arqui-rival, então, só o fato de estar na série A já é uma vitória (com trocadilho). Seu único mérito no campeonato foi ter o saldo de gols melhor que o Atlético Paranaense:-6 a-7. Graças a isso, se classificou para Copa Sulamericana.

12º: Santos (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Quando falo que os paulistas, em geral, são um povo bem estranho, meus amigos que moram do lado de lá da Dutra reclamam. Mas que outro povo seria capaz de chamar seu clube de Peixe e adotar uma baleia como mascote. Será que eles faltaram a aula de biologia no primário? Enfim, esse enorme nariz de cera reflete bem o que foi o Santos nesse campeonato: quase nada a declarar. A campanha medíocre serviu para duas coisas: se livraram do presidente (apesar do tumulto euriquiano nas eleições) e de Wanderley Luxemburgo.

11º Barueri (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Baruequem??? Pois é, uma distorção provocada pelo poder da grana que ergue e destrói coisas belas, como diria um baiano. O time do interior de São Paulo, criado por empresários apenas para dar lucro, até que fez campanha razoável. E só. Ficou à frente do Santos graças ao saldo de gols. Foi o clube com a menor média de público do campeonato e, no primeiro turno, o “clássico” contra o Santo André,em Santo André, foi assistido por 847 testemunhas.

10º Corinthians (52pts / 14V / 10E / 14D / 45%)

2009 foi o ano da volta, depois da passagem pela segundona. A base do time campeão da Série B foi mantida e chegaram alguns reforços, o gordo entre eles. Ganharam o paulistinha e a Copa do Brasil. Aí, com a vaga para a Libertadores garantida e a saída de alguns jogadores no meio do ano, não houve Mano Menezes que conseguisse reorganizar o escrete e, pior, manter os jogadores interessados em um campeonato que não conseguiriam conquistar. Resumindo: passou pelo Brasileirão a passeio.

9º Goiás (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um dos cavalos paraguaios de 2009. Com uma base razoável, fez algumas contratações interessantes, como Fernandão, e até pareceu que cumpriria a eterna promessa de ficar entre os grandes. Alguns excelentes resultados e, de repente, lá estava o time do cerrado no G4. Não durou muito. Fraquejou pelo meio do segundo turno e abandonou a disputa pelos primeiros lugares. No final, acabou como fiel da balança. Empatou com o Flamengo no Maracanã e parecia ter sepultado o sonho do hexa. Na semana seguinte, quando ninguém esperava, sapecou4 a2 no então líder São Paulo, deixando a disputa do título praticamente limitada a Flamengo e Inter.

8º Grêmio (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um time de extremos. Terminou o Brasileirão invicto em casa, mas só ganhou um jogo como visitante. Por fim, classificado para a sulamericana, uma copinha que todo mundo comemora quando faz campanha pífia no brasileiro, mas que todo mundo reclama na hora de jogar. Acabou chamando a atenção pela confusão ‘entrega X não entrega’ o jogo contra o Flamengo, na última rodada. Tudo isso porque o rival colorado precisava de, ao menos, um empate no Maracanã para que superasse o time da Gávea. A torcida do Grêmio, então, começou a campanha do entrega. No final, nada demais aconteceu. Apesar de um mistão, os gaúchos deram um belo susto do Flamengo, fazendo um a zero. Mas não aguentaram a pressão e todo mundo sabe o que aconteceu.

7º Atlético Mineiro (56pts / 16V / 8E / 14D / 49%)

O pai de todos os cavalos paraguaios. Depois da glória de conquistar o primeiro brasileiro em 1971, tudo o que o Galo conseguiu foram três vices. Neste ano, prometeu, prometeu, prometeu… Liderou o certame e fez até um dos seus artilheiros, mas – como de hábito – não conseguiu nada. Nem a vaga na Libertadores.

6º Avaí (57pts / 15V / 12E / 11D / 50%)

Tai uma surpresa agradável. Deus sabe se continuará assim em 2010, mas muita gente duvidava que o time catarinense faria algo além de brigar para não cair. No final, uma campanha mais do que digna sob o comando de Silas, que se mandou para o Grêmio. Os destaques do time, além do técnico, são curiosos: o atacante Muriqui foi quem mais apanhou durante o ano, enquanto seu companheiro Ferdinando, volante, foi o segundo que mais bateu.

5º Palmeiras (62pts / 17V / 11E / 10D / 54%)

O grande campeão do Grande Prêmio de Assunção. Liderou metade do campeonato, teve cinco pontos de vantagem por várias rodadas, disputou o título até o último jogo e, no final, nem se classificou para a Libertadores. Parabéns ao presidente Beluzzo por suas declarações fabulosas, parabéns ao Muricy pela autosuficiência transbordante, parabéns ao time que não agüentou a pressão. Resumindo, um puro-sangue paraguaio.

4º Cruzeiro (62pts / 18V / 8E / 12D / 54%)

Um daqueles clubes que sempre começam o campeonato dando pinta de favorito. Claro, segundo todos os especialistas de jornais, rádios e tevês. O time realmente não é ruim (para o nosso nível, claro) mas oscilou muito durante o ano. E até craque freqüentando festa de torcida organizada de adversário aconteceu. Apesar de uma miniarrancada nos últimos jogos, chegou à última rodada dependendo de combinação de resultados para chegar à (pré)libertadores. E o porco paraguaio entregou a vaga de mão beijada.

3º São Paulo (65pts / 18V / 11E / 9D / 57%)

Deitou sobre a fama de time eficiente, que mesmo jogando mal, faz ao menos um gol e não leva nenhum. Enfim, um modo medíocre de pensar o futebol. Entre os times da ponta, foi o que menos ganhou pontos dos outros líderes enquanto perdia poucos pontos para os pequenos. O problema é que neste ano, com o campeonato nivelado (por baixo), não foi tão efetivo mesmo contra os pequenos. Além disso, um elenco extremamente limitado, com atletas (paulista adora chamar jogador de futebol de atleta) que jogam como robôs. Como Ricardo Gomes não é tão bom quanto Muricy, o time não teve força para chegar ao título que esteve em suas mãos. Só valeu porque se classificou para sua trocentésima Libertadores consecutiva.

2º Internacional (65pts / 19V / 8E / 11D / 57%)

Já há algum tempo é apontado como um dos favoritos todos os anos. Mas como é que um time que, hoje em dia, pode ser descrito como a versão gaúcha da fusão entre Vasco e Botafogo pode ser campeão? E ainda por cima com Mario Sérgio Pontes de Paiva como técnico.

Comparei a Vasco e Botafogo porque, com o resultado deste ano, o Inter conseguiu a expressiva marca de ser penta-vice. Além disso, desde que o inter perdeu o título para o Corinthians, no campeonato da máfia do apito, só faz chorar. Neste ano, seu vice de futebol chegou a divulgar um DVD com os pseudo-erros cometidos por árbitros contra o time do sul. Isso, às vésperas da final da Copa do Brasil. Resultado? Vice.

1º Flamengo (67pts / 19V / 10E / 9D / 58%)

No meio do campeonato estava na 14ª posição e ameaçava passar o ano fugindo do rebaixamento. Além disso, um monte de confusões dentro do clube, em ano eleitoral, só fazia atrapalhar. Pra completar, Cuca e sua estranha relação com os jogadores.

Aí Kleber Leite deu o fora, Cuca caiu, Andrade foi efetivado e começou a recuperação de vários molambos do time, chegaram Pet, Maldonado e Álvaro. O time encaixou e, como quem estava na ponta não demonstrava querer o título, parecendo até que não queriam ser campeões, o Flamengo foi chegando, foi chegando… O resto vocês já sabem.

Agora é rezar que não seja feito um desmanche, que cheguem três ou quatro reforços de verdade e que a nova presidente Patrícia Amorim consiga dar um jeito no Flamengo. Porque se tudo for feito como deve, no futebol, nos esportes olímpicos e no resto do clube, poderemos nos preparar para comemorar durante muitos e muitos anos, começando pela participação na próxima Libertadores.

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Depois desse quase testamento, poderia prometer ficar um bom tempo sem falar de futebol por aqui. Mas como o risco de não cumprir é enorme, é melhor ficar quieto. Afinal, a programação inicial é estar no Maracanã, na festa de fim de ano do Zico, em que será formado um time com jogadores que participaram dos seis títulos do Flamengo. Sinceramente, é bem provável que não resista a fazer algum comentário depois disso. A ver.

Tem regulamento?

fla1Faz exatamente uma semana que não pinto por aqui. E o que aconteceu de relevante nessa semana? Nada além do que já vinha acontecendo. Mesmo com o recesso, a chuva de denúncias contra José Sarney e sua prole continuam; Lula que, como presidente da bagaça, deveria ser um baluarte da honestidade e da luta pela justiça, defende o homem do bigode até não poder mais; mais gente morreu de gripe suína no Brasil e, apesar disso, o discurso oficial mantém a idéia de que está tudo sob controle. Ou seja, mais do mesmo.

Além disso, andava meio de mal humor a respeito do Flamengo, meio de saco cheio das briguinhas da Fórmula 1 e já não velejo há muito tempo. Ou seja, nenhum grande prazer sobre o qual bostejar. Mas aí (desculpem o cacófato), o Cuca caiu.

Não seria nenhuma grande novidade se, junto com a demissão do treinador, não explodisse hoje uma matéria sobre os bastidores do Flamengo, o mau relacionamento dele com os jogadores e, pior, a maneira como ele agia. Resumidamente, um baita traíra filho da p#*@&a!

Como não estava lá, não sei se é verdade. E como todos sabemos, toda história tem, no mínimo, duas versões. O estranho é que até agora o ex-técnico rubro-negro não veio a público se defender.

Mas sobre o quero falar aqui é outra coisa. O Flamengo é realmente um clube estranho. Vejam que há um presidente (afastado), presidente-interino, vice de futebol e gerente de futebol (já não sei mais se ainda existe o supervisor de futebol). E faz-se a pergunta: quem manda no futebol do Flamengo? Quem é o dono da bola? Aparentemente, ninguém. Pelo menos quando o assunto é sério. Porque, apesar do que diz a matéria sobre o comportamento do Cuca, quando alguma coisa séria acontecia, o responsável por explicar tudo para a imprensa (na maioria das vezes, defendendo jogadores que cometeram erros) era o técnico.

Então me digam: isso pode funcionar? Em pleno século XXI, na era do profissionalismo absoluto, como uma estrutura dessas pode fazer o Flamengo melhorar? Alguns vão dizer: “é ano de eleição, tudo fica turbulento.” E eu respondo, muito mal educado: “não fode! Se é assim, está provado que ninguém pensa no Flamengo, só no poder que podem ter e no dinheiro que podem ganhar ao vencer uma eleição.

Sobre o caso específico da relação entre o Cuca e o elenco de jogadores, pesquei um trecho do Urublog:

Não importa o disse-me-disse, a conclusão a que chegamos é a mesma: os jogadores no Flamengo mandam bagarai e a diretoria não faz a menor idéia do que está rolando. Porque se sabia o que rolava e não tomou providência, foi conivente. Se só ficou sabendo pela internet, foi incompetente.

Artur Muhlemberg

2ª Edição

Só pra me contrariar, acabou de ser publicada uma resposta do Cuca no GloboEsportes.com. Sinceramente, não mentiu nem desmentiu, fica tudo por isso mesmo. E em uma resposta como essa, há (pelo menos) duas possibilidades de interpretação: “não quero me aporrinhar, deixa pra lá que isso não significa nada, sou mais eu e sei o que fiz e deixei de fazer” ou o conhecido (e desgastado) “quem cala consente”.

Leiam e escolham as suas versões.

– Tudo que li me machucou muito. Mas não quero comentar sobre essas coisas mais. Na minha despedida já deixei o meu muito obrigado a todos e já pedi desculpas pelos problemas com a imprensa. Nunca vamos agradar a todo mundo. Essas coisinhas que falam não levam a nada. Espero que as pessoas falem agora sobre o novo técnico do Flamengo. O mais importante é meu equilíbrio e minha família. Isso faz parte do passado agora. Tudo que eu fiz no Flamengo faria de novo, não me arrependo de nada. Cada um tem sua vida, e agora quero cuidar da minha.

Cuca

3ª Edição

Depois dizem que eu sou o profeta do apocalipse, mas ficou claro – de novo – que o que importa para esses caras não é o melhor para o Flamengo, como disse aí em cima. Acabou de sair a notícia que, por razões políticas, o vice de futebol Kleber Leite, o diretor Plínio Serpa Pinto e o advogado Michel Assef (que turma…) se desligaram do clube.

Kléber apoiará a chapa encabeçada por Plínio nas eleições do Flamengo que acontecerão no final do ano. Certamente, Assef fará o mesmo. E certamente, os dois farão parte do governo do clube caso vençam a eleição. Levando-se em conta que Kléber Leite adora engenharias financeiras que viabilizem a compra de jogadores (Romario entrou e saiu do Flamengo trocentas vezes quando ele foi presidente e recebe dinheiro do clube até hoje e por alguns anos ainda), dá pra imaginar o que pode acontecer caso essa chapa saia vencedora.

O pior é que ao olhar para as alternativas, só nos resta rezar muito para que São Judas Tadeu proteja o Flamengo.

Panis et circenses

pao-frances-75-163-thumb-570Eu juro que gostaria de escrever sobre algo diferente, capaz de elevar o espírito das pessoas, provocar reflexões sobre o sentido da vida, mas tem gente que não deixa. Então, vamos ao caso.

A hipótese
Imagine que você é o dono de uma padaria e, graças a uma série de circunstâncias, está cheio de dívidas. Uma delas é com seu fornecedor de farinha que, querendo receber o que você não é capaz de pagar, consegue a penhora de x% da sua venda de pães diária. Depois de uma longa negociação, você consegue diminuir sua dívida com ele pela metade desde que garanta a compra de uma quantidade mínima de farinha pelos próximos 4 anos.

O senão é que a farinha lhe será entregue sempre a poucos dias do vencimento do prazo de validade. Mas uma das contas que você fez é que, pela quantidade de pão que você vende, isso não será problema e seu pão não perderá a qualidade que já tem. Bom negócio?

O segundo problema é que há um gerente responsável por esse tipo de negociação, mas você não o consultou a respeito. Ele fica indignado, discorda de você na frente de todos os empregados e clientes. Ainda por cima, resolve desafiá-lo buscando um novo fornecedor, com um produto muito mais caro (é verdade que seu produto será entregue sem qualquer risco de validade), que vai substituir a farinha do primeiro fornecedor. O detalhe: como você já assinou o primeiro contrato, terá que arcar com os dois. Ou seja, sua dívida vai aumentar muito.

O terceiro problema: seu fermento está acabando e você precisa renovar o contrato com o fornecedor. Mas como é preciso pagar duas fábricas de farinha, não há dinheiro para comprar fermento. Como você fará seu pão?

Nessa situação, o que você faria com seu gerente?

O caso real
Pois se você acha que essa hipótese é surreal e jamais aconteceria algo assim, é porque não sabe o que está acontecendo no Flamengo. Não tentar avaliar a qualidade dos contratos e das contratações, se são boas para o time ou não. Mas vejam que situação ridícula.

O Flamengo deve 18 milhões ao Petkovic. Fez um contrato em que ele volta a jogar pelo clube, reduz a dívida quase à metade e, ainda, só começa a pagá-la a partir de fevereiro de 2010. Kleber Leite, vice de futebol, fica puto. Não concorda com a negociação (as más línguas dizem que é porque não levou nada na negociação, eu não acredito), diz isso aos quatro ventos, pois é muito dinheiro para um jogador em final de carreira, e resolve procurar outros jogadores que disputariam a posição com o sérvio e ainda seriam mais caros (os nomes ventilados até agora são Morais – Vasco e Corinthians – e Valdívia – Colo Colo, Palmeiras e Al Ain).

E daí
Confusões a parte, acho que o Valdívia cairia bem no time e que o Morais não daria certo, porque não agüenta pressão, é pipoqueiro. Mas do ponto de vista do negócio, o presidente em exercício Delair Dumbrosck está corretíssimo enquanto Kleber está louco. O Flamengo precisa encontrar maneiras de resolver suas dívidas ao invés de arrumar outras.

Então, minha pergunta é a seguinte: cadê o dono da bola? Ou o presidente enquadra o vice ou coloca ele pra fora da diretoria. Do jeito que vai é que não pode, pois a impressão que passa é que – como diz o Jefferson – existem vários Flamengos dentro do Flamengo.

Depois, aparece alguém dizendo que tem que vender o Flamengo e fica todo mundo puto. Mas será que alguém lembra que, depois de alguns anos, os cartolas vão embora e as dívidas ficam?

Devagar com o andor…

torcida flaDeixei baixar um pouco a poeira do resultado do último final de semana para falar a respeito do Flamengo. Antes de mais nada, é claro que se merece comemorar a classificação para a Libertadores pelo segundo ano consecutivo. Também é óbvio que se deve louvar a torcida e o espetáculo que proporcionou nos jogos do Maracanã (apesar da maneira como foi tratada).

Mas acho bom diminuir a marcha, pois o santo é de barro. O Flamengo está na Libertadores. E daí? Daí que nesse ano também estivemos por lá. Caímos num grupo ridículo e nos classificamos como o segundo melhor time da primeira fase. E fomos eliminados logo na segunda. É isso que vai acontecer de novo? É certo que não dá pra saber, mas também é certo que com o time que temos hoje as chances são muito grandes. Dependendo do grupo, arrisca-se a nem passar pela primeira fase.

Pareço o profeta do apocalipse? Então vejam: Bruno e Diego (goleiros); Leonardo Moura, Juan, Luizinho e Egídio (laterais); Fábio Luciano, Rodrigo Arroz, Ronaldo Angelim e Thiago Sales (zagueiros); Léo Medeiros, Jaílton, Toró e Cristian, Renato Augusto, Roger e Ibson (meias); Obina, Souza, Maxi e Paulo Sérgio (o elenco é maior que esse, mas esses foram os que mais jogaram durante o ano). E não podemos esquecer do Kléberson (mais um volante), que recebe salário desde de setembro mas só poderá jogar a partir de janeiro.

Sejamos sinceros: o elenco do Flamengo é pouco melhor que horroroso e o time titular pouco mais que razoável.

Talvez a reta final da campanha embace as vistas, mas é preciso ser claro: o nível técnico deste campeonato brasileiro foi baixíssimo. E há alguns detalhes sobre a campanha rubro-negra que precisamos levar em conta para avaliarmos o ‘feito’ da histórica recuperação de penúltimo colocado para a classificação antecipada.

Por conta do Pan do César Maia, o Flamengo teve quatro jogos adiados para o segundo semestre e, para não adiar tantos outros, alguns mandos de campo invertidos. Parece pouco, mas só esse detalhe garantiu que o Fla jogasse praticamente todo o segundo turno em casa, embalando e embalado pela torcida.

Outro detalhe interessante: o Fla foi o penúltimo colocado quando tinha quatro jogos a menos que a maioria dos 20 clubes. Por pontos perdidos, o Fla não só nunca esteve na zona de rebaixamento como variou durante todo o tempo entre 4º e 7º colocado. Ou seja, o Flamengo sempre brigou pela Libertadores mas nunca teve a menor chance de lutar pelo título. E, agora sim, chegamos ao ponto.

Desde 1992, quando foi campeão, o Fla nunca conseguiu chegar perto de lutar por outro título brasileiro. Ganhamos estaduais (inclusive um tri), Copa do Brasil, Copa dos Campeões e algumas outras tacinhas de menor importância. Mas Brasileiro, que é bom, não chegamos nem perto. Aliás, estivemos perto mesmo de cair. Várias vezes.

É claro que estou feliz por disputar a Libertadores. Mas quero disputar de verdade, com chance de ganhar. Se vai ou não, é parte da brincadeira. Com o time que temos, não há chance.

Aliás, nem com o time nem com o técnico. O Joel é um cara bacana, boa praça mesmo, frasista de mão cheia, mas me digam qual o grande campeonato que ele tem no currículo, além de uma penca de estaduais cariocas e baianos. Ele está pra sair, ok, mas o que vem por aí…?

Wanderley “ególatra e armador” Luxemburgo como gerente de futebol. Tenho um amigo que acha isso ótimo, que dará moral e que só a presença dele ajuda na contratação de alguns jogadores. Não gosto dele e não acho que o Fla precise dele. Mano Menezes (quem?!?!?) como técnico. Com todo o respeito que o futebol gaúcho merece, não acho que o Mano seja capaz de comandar o Flamengo. Fora o Kleber “Romário, Sávio e Edmundo” Leite na vice-presidência de futebol.

Carlos Alberto Torres

Carlos Alberto Torres

Podem me chamar de louco, mas meu técnico preferido para 2008 seria Carlos Alberto Torres. Podem me chamar de insandecido, mas meu gerente de futebol para 2008 seria o Carlinhos. Conhece o clube, entende de futebol e tem a calma necessária para organizar o clube.

É claro que sou Flamengo (flamenguista é coisa de neologista). E todo mundo sabe que, uma vez Flamengo… É claro que vou torcer muito pelo meu time. É claro que vou ao Maracanã ver os jogos da Libertadores e é bem provável que voltarei pra casa rouco. O problema é saber desde já que, se as coisas não melhorarem muito, mais uma decepção virá por aí.

PS 1: Há que se torcer muito na última rodada, pois terminar em quarto significa ir para a pré-Libertadores. Como todos comemoraram a classificação como se fosse título, não vou estranhar se o time entrar em campo relaxado além da conta.

PS 2: Quem comemora vice-campeonato é vascaíno.