Nazar boncuk

Então é isso, né. O cara vai lá, faz a trocentésima pole seguida e entra para o grupo dos maiores de todos os tempos, já aos 23 anos de idade. Depois, ele larga na frente e já completa a primeira volta mais de um segundo à frente do segundo colocado. E vence, claro. E aí, ninguém mais pergunta quem será o campeão, mas com que antecedência aquele garoto abusado que dá nome de mulheres sacanas aos seus carros decidirá a temporada. Só posso estar falando de Sebastian Vettel.

E na Fórmula 1 de 2011, com KERS e asa móvel, as corridas são animadíssimas. Ontem foram mais de 80 pit stops e sei lá quantas ultrapassagens ao longo das 58 voltas. Divertido. Pra quase todo mundo. Vettel, por exemplo, não participou da bagunça. Se usou a tal asa para superar retardatários, foi muito. E ninguém o ameaçou em nenhum momento.

Se fosse um brasileiro, a TV oficial já estaria fazendo uma festa danada, que o sujeito é isso e aquilo. Como não é, mesmo timidamente já começa um conversê inútil sobre o campeonato ficar sem graça. Bom, não será a primeira ou a última vez que um dos melhores pilotos dentro do melhor carro da melhor equipe domina uma temporada. Se isso acontecer. Porque ainda estamos na quarta de 19 corridas.

Assisti o GP, finalmente em horário decente do lado de cá do Equador. E o que mais me impressionou foram as patacoadas da transmissão. Falo do Galvão, claro. Que disse, entre muitas bobagens, que na famosa curva 8 os pilotos sofrem com uma força de 5 Giga de gravidade no pescoço. Hã? Depois, ainda ameaçou chamar a polícia porque a Ferrari fez besteira nas paradas de Massa (que começou muito bem mas caiu muito de rendimento ao longo da disputa). Afinal, há sempre uma grande conspiração contra os brasileiros, na Ferrari ou em qualquer lugar em que são derrotados. Não sei porquê, mas ele não falou muito sobre a cagada que a McLaren fez com Hamilton nem que ele é apenas um inglesinho contra esse mundão todo. Só para constar, Lewis terminou em quarto (perdeu 12 segundos em apenas uma parada no box) e Massa foi o 11º (perdeu 13 ou 14 segundos, ao todo, em relação a Vettel).

Sobre o resto da corrida, nada muito especial apesar da intensa troca de posições. Se houve uma surpresa, foi ver Alonso no pódio e andando quase no ritmo das Red Bull. Digo quase porque já tem gente animada, dizendo até que ele esteve mais rápido em vários momentos, mas essa turma não lembra que Vettel não precisou forçar e que Webber, apesar da resistência do espanhol, o superou com relativa tranqüilidade. Nem que as McLaren não foram bem, de maneira geral. Ou seja, o terceiro lugar com o carro de Maranello ainda é fortuito. Por mais que essas situações façam parte do jogo.

A próxima corrida será em Barcelona, onde foram realizadas duas seções de testes na pré-temporada. Todo mundo está cansado de conhecer etc. e tal. Quer dizer que não devemos ter maiores surpresas. E o garoto de 23 anos deve fazer a festa. Outra vez.

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Voltou

Já era hora de voltarmos a ouvir motores roncando de novo. Foram três semanas de parada na temporada desde o último GP, na China. No próximo domingo, corrida na Turquia.

Sobre a corrida, propriamente dita, os pneus serão o X do problema. Ou seja, nada de novo. O tempero especial é o pouco de chuva que anda caindoem Istambul. Ouseja, todos chegarão à corrida com menos informações do que gostariam sobre os níveis de desgaste.

Sobre a F1 em geral, o que se tem a dizer é que há um nova guerra se desenhando, dessa vez entre as equipes e Bernie Ecclestone. É que está chegando a hora de assinar um novo Pacto da Concórdia, ou seja, vão discutir a divisão do bolo. Será interessante.

Corrida (quase) maluca

E então haverá uma folga de três semanas até que o circo chegue à Turquia. E teremos, então, um pouco mais de tempo para tentar entender tudo o que aconteceu nas três corridas realizadas até agora e o que seus resultados podem significar para o andamento do campeonato.

Porque, para um desavisado qualquer que tenha parado para assistir ao GP da China, ontem, a Fórmula 1 está muito parecida com uma certa corrida maluca criada por William Hanna e Joseph Barbera.

Apesar de ainda um tanto confuso, é impossível dizer que o negócio não está mais divertido. Durante todo o GP da China houve disputa de posições, fosse pelos diferentes estágios de degradação dos pneus, pela asa móvel, pelo KERS ou por tudo junto.

Sobre o resultado em si, apenas algumas observações: Webber foi o cara da corrida, saindo de 18º para o pódio. Apagou a imagem ruim, de desmotivado e pré-derrotado das duas primeiras corridas e da classificação horrorosaem Xangai. Mostrou, mais uma vez, que a Red Bull tem o melhor carro. Da mesma maneira que Vettel, segundo, mostrou que o KERS da turma da latinha ainda é um problema. O equipamento fez muita falta durante a prova, especialmente na largada em que perdeu posição para as duas McLaren.

A largada ruim fez a equipe a mudar a estratégia e, com pneus duros e muito desgastados, permitiu a ultrapassagem de Hamilton a cinco voltas do final. O inglês, como quase sempre, pilotou o fino e não deixou mais dúvidas sobre a capacidade de recuperação da equipe que promete mesmo ser a pedra no sapato dos touros vermelhos.

Sobre a Ferrari, algumas ambivalências. O que Massa está largando bem neste ano é sacanagem. Em compensação, Alonso só anda largando mal. O brasileiro fez uma corrida bem honesta, acompanhando o ritmo de Vettel e Hamilton e boa parte da corrida, mas com os pneus duros a Ferrari ficou pra trás. De um pódio quase certo, Massa foi ultrapassado por uma fila de carros para chegarem sexto. Oúnico lado bom é que, mais uma vez, à frente do companheiro espanhol.

Outros destaques: a Mercedes ainda vai apanhar muito, não vai brigar por vitórias mas pode incomodar e tem potencial para beliscar alguns pódios. A Williams, que chegou a prometer, parece que não vai cumprir. Kovalainnen, quem poderia imaginar, chegou com sua Lotus à frente de Perez (Sauber) e Maldonado (Williams).

Para a corrida na Turquia, o início da temporada européia, quase todas as equipes devem apresentar muitas novidades e a Pirelli já avisou que em Istambul e Barcelona, logo a seguir, levará os mesmos pneus das três primeiras corridas. Em compensação, em Mônaco (circuito de rua, asfalto liso, pista curta, baixa velocidade), os carros calçarão – pela primeira vez – os supermacios. A outra opção será o macio.

A Red Bull tem potencial para bater todos os recorde possíveis e imagináveis. Mas terá que resolver o problema do KERS se não quiser passar aperto

O meu calendário

Virou notícia entre hoje e ontem a apresentação do traçado do novo autódromo de Austin, que receberá a F1 a partir de 2012. Mais uma obra de Herman Tilke, o sujeito que desenhou todos os últimos circuitos homologados pela FIA para as principais categorias do mundo nos últimos anos. E como quem acompanha sabe, um monte de pistas sem personalidade, sem gosto.

Dessa vez, no entanto, ele saiu do padrão reta-cotovelo-retinha-muitas curvas de baixa-reta. Pelo contrário, ao invés de tentar desenhar algo novo, fez bom uso do relevo do terreno e ainda usou referências de outras pistas que deram certo, como Silverstone, Hockenheim e Istambul. De quebra, uma reta de 1,2km. Resumindo, cheiro bom. Tomara que se confirme.

Inspirado pelo novo desenho e pela passagem da F1 por Spa, resolvi olhar os autódromos que estão por aí, levando em conta a máxima de que “pista boa, corrida boa”.

Ao longo dos anos, especialmente nos últimos 20 anos, algumas circunstâncias provocaram mudanças significativas no calendário, excluindo corridas clássicas e incluindo novos circuitos em locais nada afeitos ao automobilismo. Entre eles, a segurança, especialmente após a morte de Senna. Mas o dado mais importante, a grana.

Graças a isso e mais alguma coisa, um campeonato que era praticamente todo disputado na Europa, com viagens a América do Norte (Canadá, EUA e México), América do Sul (Brasil e Argentina), Japão, Austrália e África do Sul (apesar do apartheid), hoje passa pelo Oriente Médio (Bahrain e Abu Dhabi) e passeia pela Ásia (China, Malásia, Cingapura e Coréia do Sul, além do Japão), em locais em que é comum ver arquibancadas vazias. Afinal, países que não tem qualquer tradição automobilística. E a Índia ainda vem aí.

Enquanto isso, pistas como Hockenheim foram mutiladas e países tradicionais como França e Portugal não recebem mais a Fórmula 1.

Tentei, então, separar que pistas ainda valem realmente a pena, no calendário deste ano, e cheguei a cinco circuitos que, quase sempre, nos dão boas corridas de presente: Interlagos (Brasil), Montreal (Canadá), Spa (Bélgica) e Suzuka (Japão). Mas aí, como um campeonato não seria bom se disputado em looping em apenas quatro lugares, separei mais cinco que – pela tradição, por boas provas mesmo num circuito bobo ou por uma boa idéia, como sua famosa curva 8 – poderiam fazer parte do calendário: Istambul (Turquia), Melbourne (Austrália), Mônaco (Monte Carlo), Monza (Itália) e Silverstone (Inglaterra).

Como em 2011 o campeonato promete ter 20 provas (a Índia vem aí…), fui procurar mais 11 circuitos que, ao meu gosto, poderiam nos divertir ao longo do ano. Sem saudosismos inúteis, tentei separar entre os autódromos que poderiam ser usados imediatamente, com poucas adaptações, afinal a ordem é gastar pouco.

Meu campeonato, então, ficaria assim: Kyalami (África do Sul), Buenos Aires (Argentina), Interlagos (Brasil), Hermanos Rodrigues (México), Watkins Glen (EUA), Montreal (Canadá), Silverstone (Inglaterra), Estoril (Portugal), Jerez (Espanha), Mônaco (Monte Carlo), Ímola (San Marino), Nurburgring (Europa), Melbourne (Austrália), Suzuka (Japão), Paul Ricard (França), Zandvoort (Holanda), Istambul (Turquia), Spa (Bélgica), Hockenheim, o antigo (Alemanha) e Monza (Itália).

E aí, alguém tem alguma outra idéia?

Blá-blá-blá, ti-ti-ti, vrummm-vrummm

Estamos no meio de uma semana de grande prêmio, a dois dias dos carros irem à pista para os treinos livres em Istambul. E notícias e boatos continuam pipocando aqui e ali.

O mais barulhento trata das negociações entre Felipe Massa e Ferrari sobre sua renovação de contrato. Felipe é ligado à Ferrari desde 2001 e seus contratos sempre foram renovados sem estardalhaço, sem que toda a imprensa ficasse de olho no que estava acontecendo. Mas boatos de que Kubika teria um pré-contrato assinado com o time de Maranello para o próximo ano esquentou a coisa. Além disso (e apesar de ser o líder do campeonato), especulações sobre a aposentadoria de Mark Webber ao final de 2010 ajudaram a aumentar o ti-ti-ti.

Massa perdeu seu lugar? Massa vai para a Red Bull? Para a Renault? Victor Martins revelou, nesta semana, que a McLaren sondou o brasileiro no ano passado, às vésperas do GP da Hungria, convite recusado pelo brasileiro pois estaria renovando seu acerto com a scuderia naquele final de semana, algo que não aconteceu graças à mola que voou do carro de Barrichelo. E agora? Seria um bom momento para buscar novos ares? A favor da Red Bull, a notícia de que o projetista Adrian Newey seguirá com o time dos energéticos por um bom tempo.

Enfim, por enquanto não é possível arriscar nada.

Sobre os pneus que serão usados a partir da próxima temporada, a disputa terminou entre Pirelli e Michelin. Mas como disse no dia 14 de maio, a escolhida será a fábrica italiana e o anúncio deve sair nesse final de semana. E aviso logo, nenhum passarinho verde piou aos meus ouvidos. Mas se olharmos os detalhes… A Pirelli já é fornecedora da GP 3, categoria que estreou neste ano. Além de fazer uma proposta muito mais econômica, passaria a fornecer também para a GP 2, calçando os carros do acesso à ponta.

Outra coisa que disse no mesmo dia é que a Hispania até terminaria 2010, mas não correria no ano que vem. Pois não é que a equipe anunciou hoje que encerrou sua parceria com a Dallara? Sem parceiro e sem capacidade de construir, o que vocês acham que vai acontecer? E Bruno Senna afundando junto…

Meu terceiro palpite naquele dia versava sobre as novas equipes que estariam no grid em 2011. E talvez eu erre feio. Oficialmente há cinco times lutando por uma vaga, a 13ª que foi abandonada pela US F1: Epsilon Euskadi, Art Grand Prix, Durango, Stefan GP e Cypher.

Delas, considero que duas estão fora da disputa real. A Stefan tentou esse ano, fez muita pressão, negociou com Toyota, foi apoiada por Bernie Ecclestone, mas não vingou. A Durango não teve capacidade financeira de se manter nas categorias de base.

Mas aí, foi anunciado que o GP dos EUA volta ao calendário em 2012, em uma pista que será construída em Austin, capital do Texas (vem aí mais um ‘Tilkódromo’). Aí, a Ferrari volta a fazer pressão pela possibilidade do terceiro carro, que gostaria de competir administrado por uma equipe americana. Aí, representantes da Cypher anunciam que negociam com uma renomada montadora da F1. E aí, são tantos interesses comerciais que já não duvido que, apesar do último fracasso ianque, essa tal Cypher ocupe a vaga aberta, relegando duas das maiores equipes do automobilismo mundial, com história com carros de fórmula, turismo, protótipos e até rali, à briga por uma possível (e até provável) segunda vaga.

Será que Jean Todt, o novo presidente da FIA, cometeria esse erro logo depois das cagadas que Max Mosley fez? Ou será que a Sauber, que também tem muitos problemas financeiros, também deixaria a F1, abrindo – ao todo – três novas vagas?

Todas esses boatos e especulações e chutes e palpites e dúvidas com apenas um terço do campeonato completo. E falei um monte de coisas, mas não disse nada sobre o que é mais importante, a corrida de domingo. E que Massa, se ainda quiser sonhar com disputas em 2010, tem a obrigação de fazer um grande resultado na pista em que ele já venceu três vezes. E pra não ficar só nisso, o já tradicional vídeo de apresentação da pista, produzido pela Red Bull e comandado por Mark Webber. A tal curva 8 é sensacional até no vídeo game, vejam só.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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