Fi-lo porque qui-lo!

Hoje faz 50 anos que Jânio Quadros renunciou à presidência. O ato que provocou a enorme tensão e quase não-posse de Jango e que, quase três anos depois, resultou no golpe militar.

Levando-se em conta que a história acontece em cadeia – mais ou menos linear, dependendo da circunstância –, podemos dizer que a esquerda vista e/ou vendida como bonzinha que temos por aqui, que quer um país melhor (desde que seja do jeito dela), que nos deu Lula e Dilma – além de Dirceus, Genoínos e afins – é culpa do tresloucado e falecido ex-presidente. Agradeçamos, pois.

Para celebrar essa espécie de conjunto da obra, copio abaixo o texto de Arnaldo Jabor publicado no Estadão, na última terça-feira.

A corrupção no Brasil é tratada como um desvio da norma, um pecado contra a lei de Deus. Não é. A corrupção no Brasil é hoje um importante instrumento político, quase um partido. Nos últimos anos adquiriu novas feições, virando um “quarto poder”. Antigamente, a corrupção era uma exceção; hoje é uma regra. E não se trata mais de um “que horror” ou “que falta de vergonha” – ficou claro que o País está inibido para se modernizar, porque a corrupção desmedida cria “regras de gestão”. O atraso no Brasil é um desejo colonial que persiste e dá lucro.

Só agora estamos vendo o tamanho dessa mutação, quando o Executivo tenta a “faxina” e depara com a resistência indignada do Congresso. Deputados resmungam pelos cantos: “Aonde tudo isso vai parar?”

Um bloco de 201 deputados comunicou que “enquanto não se resolverem os problemas de cargos e emendas, não se vota mais nada…” Tradução: “enquanto não deixarem a gente roubar em paz, como nos bons tempos do Lula, não se vota nada.” Congressistas reclamam que Dilma “não respeita as regras do jogo”. Ladrões de galinha reclamam contra algemas, contra as belas fotos de presos de peito nu (que adorei…), detalhes ridículos comparados aos crimes de bilhões no turismo, agricultura e transportes e outros que virão.

Dizem: “Se ela continuar assim, não chega ao fim do mandato…” O próprio Lula telefonou para a presidente: “Dilma… pega leve com o PMDB…”

Ou seja, há um país paralelo de políticos, ONGs fajutas, empresários malandros com leis próprias – o legado de Lula, que transformou uma prática criminosa dissimulada em descarada “normalidade”. Essa foi a grande realização de seu governo e se divide em duas fases.

Quando Lula chegou ao poder em 2002, havia um “Comitê Central” que o orientava (ou desorientava). Esse grupo de soviéticos desempregados viu, na sua vitória, a chance de mudar o Estado, usando a democracia para torná-la “popular”, uma tosca versão remendada de “socialismo”. Para isso, era necessário, como eles dizem, “desapropriar” dinheiro de um sistema “burguês” para fins “bons”. Essa racionalização adoçava a água na boca dos ladrões na hora do ato, pois o véu ideológico de um remoto “Bem futuro” os absolvia a priori. Nessa fase, Lula foi um coadjuvante – sabia de tudo e nada fazia, para deixar os “cumpanheiro” cumprir sua tarefa. Roberto Jefferson, com sua legítima carteirinha, destruiu a quadrilha que angariava grana para eleger o Dirceu presidente em 2010.

Com sorte, Lula livrou-se da tutela de soviéticos e pôde, no segundo mandato, realizar seus sonhos de grandeza, que acalentava desde que descobriu que ser líder carismático dos metalúrgicos era bem melhor do que trabalhar.

Aí surgiu o novo Lula: uma miniatura, um bibelô perfeito para triunfar na mídia aqui e no Exterior. Ele é portátil, com um nome tão legível e íntimo como “Pelé”. Lu-la, como “Lo-li-ta”, como Nabokov enrolava a língua para descrevê-la… Lula conta com a absolvição a priori por ser um operário, um “excluído que se incluiu”. Lula é um mascote perfeito: baixinho, barbinha “revolucionária”, covinhas lindas quando ri, voz grave para impressionar em seriedade, talento para forjar indignação como se fosse vítima de alguma injustiça ou como o próprio povo se defendendo.

Esquemático e simplista, mas legível para o povão sem cultura e para os estrangeiros desinformados, Lula resume em meia dúzia de frases a situação geral do País, que teve a sorte de ser um dos emergentes cobiçados pela especulação internacional. Com a estabilidade herdada do governo anterior e com dinheiro entrando, ele pôde surfar em seus truísmos sem profundidade, como se a verdade morasse na ignorância. Lula não governou para o PT nem para o País; governou para sua imagem narcisista, governou em “fremente lua de mel consigo mesmo”, num teatro em que éramos a plateia.

Seu repertório de frases feitas é composto dos detritos de chavões dos seus ex-soviéticos sindicalistas: fome x indigestão, elite e povo, imperialismo americano e Terceiro Mundo que incluía até o Kadafi e outros assassinos.

Claro, sempre houve corrupção (com FHC, com todos), mas era uma prática lateral, ainda dissimulada. A grande “inovação” (essa palavra da moda) de Lula foi apropriar-se (com obsceno oportunismo) de 400 anos de corrupção endêmica e transformá-la em alavanca para governar, mantendo sua fama de “tolerante e democrático”.

No seu ideário, feito das migalhas que caíram da mesa leninista, “corrupção” é coisa “menor”, é problema de pequeno-burguês udenista. Pensou: “No Brasil, sempre foi assim; logo, o importante é me deixarem curtir o mandato, hoje que eu sento ao lado de rainhas, com o aval de uma “santidade” de esquerda que peguei dos comunas que me guiaram.”

Ele se confundia com o Estado. Se ele ia bem, o Brasil também.

Essa foi a “palavra de ordem” para o ataque geral a todos os aparelhos do Estado pelos ladrões. Sua irresponsabilidade narcisista deixou Dilma nesta sinuca histórica: se não fizer nada contra as denúncias insofismáveis, perde poder e prestígio; se fizer, perde também. Quem ganha com isso? Só ele e a coligação dos escrotos interpartidários. Se nossa abobalhada oposição conseguir uma CPI contra o governo Dilma, isso só beneficia o PMDB e aliados da caverna de Ali Babá. Ainda bem que alguns senadores decentes se unem para dar apoio à faxina das donas de casa do Executivo. A opinião pública também dá sinais de reação. Vamos ver. Pelas mãos de Lula, instituíram a chantagem como método político.

Lula inventou a “ingovernabilidade” a que assistimos. Os assaltantes estão com saudade e querem que ele volte para normalizar tudo, como um “Luis Inácio Bonaparte da Silva”, como um “caudilho da vaselina”. Tudo o beneficia para 2014. Temíamos um “peronismo” sindicalista no País, mas isso não existe. Só existe o PMDB.

Insuficiência adjetiva

Menos de cinco minutos. Wellington viu a bola passar a sua frente sem qualquer reação – assim como quem para na frente da TV para ver a oitava reprise de uma comédia. Um a zero pros caras. É claro que fiquei puto, mas o jogo nem tinha começado ainda e dava tempo de virar. Bora pra frente.

Mas aí o bagulho ficou estranho. Eu via o Flamengo jogando muito melhor que o Santos, tocava melhor, chegava mais, mas com menos de meia hora de bola já estava três a zero pros caras. Uma pergunta não saía da minha cabeça: que merda é essa? Sabendo que toda invencibilidade um dia chega ao fim, aquele pessimismo característico do meu eu mais profundo aflorou. Não fazia sentido, mas já esperava a goleada histórica.

Mas aí, aquela história que o dentuço falou quando chegou e que às vezes, nos raríssimos momentos de adversidade que enfrentamos, esquecemos: Flamengo é Flamengo.

Agora, tentem imaginar o cenário. Se conseguirem, aqueles que me conhecem vão entender o quanto eu sofri ontem à noite. Às dez e meia, Helena dormia há menos de 15 minutos, enquanto Adriça e Joana esperavam ansiosas e alertas por qualquer chance para começarem a latir desbragadamente. Ou seja, qualquer ruído ou reação um pouquinho acima de um suspiro provocaria uma reação em cadeia que poderia variar entre o acordar de minha filha que poderia me impedir de assistir a peleja até a expulsão do prédio.

Como é que se assiste um jogo como aquele sem soltar nenhum grito, nenhum ‘ai’, nenhum ‘uhhh’? E aí, a mãe da Helena apegada a um livro, repara na TV e solta um “três a zero, já?” E demos sorte por não poder berrar, porque os impropérios vieram à garganta e, se escapam, o divórcio litigioso seria o mínimo.

Mas não durou muito, porque veio o três a um acompanhado de um olhar sanhudo e de um sentar mais ereto. E veio o três a dois. E sem a possibilidade de soltar os gritos de praxe que ajudam a aliviar – afinal, só 31 minutos jogados –, comecei a delirar enquanto fazia minhas primeiras tentativas de arrancar os cabelos.

E continuávamos jogando muito melhor, apesar dos sustos de praxe provocados por nossa defesa inexpugnável (hahahahaha!). E entre os arroubos e desvarios provocados pela falta dos gritos e xingamentos, ameacei a moça ao meu lado: “saio de baiana, pela contramão na Conde de Bonfim, se o Flamengo não ganhar esse jogo”. E foi só eu calar a boca e Williams, o Messi que marca, empurra Neymar dentro da área.

Bola na marca da cal. Não arrisquei olhar pra ela, mas tenho certeza que enquanto segurava a gargalhada, já fazia as contas de quanto gastaria para comprar a fatiota na Casa Turuna.

Mas Elano fez aquela palhaçada, Felipe fez embaixadinha e no ataque seguinte a partida estava empatada. Naquela altura, enquanto eu sofria para gritar em silencia, batia no peito como um King Kong desengonçado e sem cenário. E já não havia a menor possibilidade de perdermos o jogo.

E o segundo tempo, apesar do susto no início, foi só pra constar. Porque todas as máximas relacionadas aos onze da Gávea valeram ontem: “Flamengo é Flamengo”, “Deixou chegar, f*@#$%” etc. A partida foi moralmente decidida ao empatá-la antes do intervalo.

É certo que o embate de ontem entrou pra história. E basta passar em frente às bancas e visitar os principais blogs e portais para ler as manchetes, todos os adjetivos estão lá. Eu já não os tenho. Só sei que agora faltam apenas 26 jogos para o hepta.

A intrusa (parte 1)

É certo que, com a comoção pela morte de Amy Whinehouse, você ouviu ou viu ou leu alguma referência sobre o Clube dos 27. Se você chegou de Marte… É um grupo de estrelas do rock que morreram, coincidentemente, aos 27 anos. E estão tentando incluir a inglesa.

Antes que apareça alguma tiete enlouquecida por aqui (duvido que aconteça), aviso logo que gosto da moça e das canções da moça. Boas letras, bela voz. Mas me incomoda muito essa necessidade de mitificação expressa do nosso mundo extremamente midiático de hoje.

Apesar da coincidência da idade, eu simplesmente não a incluiria no clube por algumas razões simples: o que mais, além da idade, seria motivo pra isso? Vocês realmente acreditam que apenas cinco ou seis artistas pop morreram aos 27 anos? Quem faz parte da turma e qual o legado de cada um?

Robert Johnson

É o primeiro e o mais discutível membro do Clube. Tudo porque sua data de nascimento (1911) não tem comprovação (há documentos com datas que variam de (1909 a 1912). E a maneira como morreu, em 1938, também não é lá muito certa. Reza a lenda que bebeu uísque envenenado com estricnina servida pelo dono ciumento do bar em que tocava.

Outra lenda sobre Johnson diz ele fez um pacto com o diabo para garantir que tocasse bem e fosse reconhecido. Algumas de suas letras ajudam a propagar o pacto: Crossroads Blues, Me And The Devil Blues e Hellhound On My Trail.

Muita gente o aponta como o músico mais importante do século XX e se hoje você ouve e gosta de rock, a culpa é dele.

O cara gravou apenas 29 músicas na vida, algumas duas vezes. Pouco, mas mais do que o suficiente para construir – com seus riffs muito mais elaborados do que a média do blues nascido no delta do Mississipi e utilizando as notas mais graves do violão para modelar ritmos regulares – as bases harmônicas que deram origem ao, hoje, bom e velho rock ‘n roll.

Brian Jones

O cofundador dos Rolling Stones é o próximo da lista, morreu afogado em sua piscina menos de um mês depois de ser excluído da banda devido ao exagero no consumo de drogas e bebidas que provocavam suas ausências e mau desempenho em gravações e shows.

Multiinstrumentista e, no início, único da banda capaz de ler partituras, não era compositor muito profícuo (apenas sete canções na banda), mas capaz de fazer arranjos brilhantes. O estilo adotado pelo grupo é cai na sua conta. Além disso, gravou com os Beatles e compôs a trilha do filme A Degree Of Murder. Com a banda, gravou 12 álbuns.

Jimi Hendrix

Em tese, não deveria ser necessário apresentar o sujeito, mas vamos lá. O cara morreu em 1970, teoricamente (nunca foi confirmado) afogado em seu próprio vômito. O cenário teria sido o resultado de uma overdose de soporíferos misturados com vinho.

Como estamos falando de legado… O cara gravou apenas três álbuns e uma pequena série de compactos. Mas deixou mais de 300 gravações inéditas. Além disso, basta procurar pela web que é fácil encontrar centenas de filmes com suas performances. O cara simplesmente mudou o conceito ‘tocar guitarra’, transformou a Fender Stratocaster (braços estreitos e alavanca de trêmolo) e o amplificador Marshall (único, na época, a agüentar o peso de sua música) em lendas do rock e foi o primeiro a controlar a microfonia a ponto de transformá-la em parte das músicas.

Uma de suas passagens marcantes, além do hino estadunidense em Woodstock, foi abrir um show em Nova Iorque com Sgt. Peppers, no dia seguinte de seu lançamento em Londres pelos quatro de Liverpool. É fácil reparar que apenas 24 horas depois, a canção já tinha outra cara e um solo absurdo.

Janis Joplin

O que falar de uma cantora que solta a seguinte pérola?

Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã.

O final, anunciado como se vê, foi alguns meses depois de Hendrix, com uma overdose de heroína. Sua voz pouco marcante, como sabemos, lhe rendeu algumas alcunhas como ‘a rainha do rock n’ roll’ e ‘a maior cantora de rock dos anos 60’, fase áurea do estilo.

Começou a carreira como crooner da Big Brother & the Holding Company. Depois, montou suas próprias bandas e seguiu carreira solo. E transformou algumas canções em clássicos do rock, como Cry Baby, Mercedes Benz e Piece Of My Heart. Sua última gravação foi Happy Trails, uma brincadeira como presente de aniversário para John Lennon.

Apesar do princípio transgressor, o rock sempre foi um tanto conservador (se é que é possível). E foi Janis quem quebrou a barreira de mostrar que é possível ter uma mulher como grande estrela.

Jim Morrison

Morreu na banheira, em seu apartamento de Paris, em julho de 1971, graças a uma overdose nunca comprovada.

Esse é provavelmente o menos influente personagem do Clube. Vocalista e fundador do The Doors, ainda foi poeta e cineasta. Com a banda, gravou seis álbuns e produziu alguns clássicos como Light my fire, Roadhouse blues e Hello, I Love you.

Kurt Cobain

Se tentar observar toda a situação do ponto de vista de que o rock exige uma postura transgressora, fica fácil entender porque o sujeito que deu um tiro na cabeça em 1994 é considerado “a última estrela verdadeira do rock”.

O Nirvana existiu entre 1987 e 1994, período em que lançou três álbuns: Bleach (1989), Never Mind (1991) e In Utero (1993). Além da própria banda e da voz de Kurt, nenhum deles têm semelhanças estruturais elementares, tanto no estilo de composição quando na execução das canções. Mas a herança real do Nirvana, além dos discursos e atitudes anti-sexista do líder, foi ter dado ao rock alternativo, começando pelo movimento grunge de Seatle, o acesso ao mainstream.

O motor dessa mudança de cenário foi o álbum Never Mind, de faixas como Smells Like Teen Sirit e Come As You Are. Se é verdade que o álbum Ten, do Pearl Jam, do mesmo ano, também contribuiu na consolidação do estilo, é inegável que foi a partir do Nirvana, e de Kurt Cobain, que o rock alternativo passou a ser parte muito relevante da indústria.

Amy Whinehouse

E voltamos a ela. Dois álbuns. Frank (2003) não tem uma linha criativa, é apenas um apanhado de boas canções. E o grande sucesso Back to Black (2006). Se sua excelente voz e musicalidade devem favor a alguém, o cara é Mark Ronson. Foi ele quem desenhou o disco, definiu sua estrutura e apresentou a cantora à banda The Dap-Kings, conhecidos por fazer hoje o som dos anos 60 e 70.

E o legado, sua herança para a história da música? Um punhado de boas canções confessionais? Sinceramente, me parece pouco.

Triste lembrança

Durante a cobertura da tragédia na região serrana, e enquanto pouca coisa que está acontecendo em São Paulo e Minas Gerais onde as coisas também estão feias, começou a ser dito por aí que esta é a maior tragédia provocada pelo clima no Brasil. E como temos memória curta e uma boa dose de preguiça, embarcamos. Até a ONU apontou a catástrofe de agora como uma das dez maiores nos últimos 111 anos.

Infelizmente não foi. Eu não era nascido em 1967 e – na verdade – era um daqueles que nunca tinham ouvido falar do quase cataclisma da Serra das Araras. Foram cerca de 1.700 mortos em uma região que teve deslizamentos provocados pela chuva em uma área com diâmetro de 30km.

Só pra ter uma idéia, dessa vez choveu 140mm durante 24 horas em Teresópolis. Em 1967 foram 275mm em três horas.

E aí, depois de saber da história, fiquei imaginando se chovesse esse mesmo tanto, no mesmo tempo, com o nível de ocupação do solo que existe hoje. E aí fiquei desesperado só de imaginar, porque 43 anos e muitas outras chuvas depois, nada ou quase nada foi feito a título de prevenção.

Pra ler a história completa é só clicar aqui.

Sou o que sou, e sou tudo o que sou

Em pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho; agachados: Bebeto, Aílton, Renato, Zico e Zinho.

Agora é oficial, a festa (é, teve festa de entrega de faixas e medalhas) foi hoje, e a CBF distribuiu um monte de títulos por aí. Tentei não me aprofundar muito quando escrevi sobre isso, mas a verdade – e penso que falarei o óbvio – é que penso não ter havido muito critério da CBF na decisão de equiparar todos os campeões da Taça Brasil e Robertão aos campeões brasileiros.

Na verdade, acho que o Robertão faria sentido, mas a Taça Brasil não. E é bom que se diga que isso não diminuiria em nada a qualidade, a história, as conquistas, as glórias do Santos, que levou a Taça para a vila famosa em cinco anos seguidos ou do Bahia, o primeiro campeão. Isso porque são competições com conceitos e alcances diferentes.

Mas como disse da outra vez, cada um acredita no que quer. E agora é, além de tudo, oficial, tá bom.

Mas aí, no meio da confusão, surgiu a questão de 87, sobre o reconhecimento do Flamengo como legítimo campeão brasileiro daquele ano. E surgiu um parecer do departamento jurídico da CBF sobre uma decisão da justiça pernambucana (ohhhh!) de 94, proibindo o tal reconhecimento.

Se vocês gostam de bola e ainda não conhecem a história da Copa União, é só clicar aqui. Um ou outro detalhe discutível ou carente de confirmação, mas não há erros de informação.

E vale dar atenção a uma história muito pouco divulgada sabe-se lá porque. O Sport (declarado campeão brasileiro pela CBF) não ganhou nem o módulo dele, pois na decisão contra o Guarani, em disputa de pênaltis que estava empatada em 11 a 11, os dois times entraram em acordo e decidiram parar e deixar tudo como estava.

Como assim, um título decidido em acordo? Pois então, esse é o tamanho da cagada que a CBF fez na época.

Aí, eu que vi meu time disputar o título contra os maiores clubes do país – além dos 12 grandes, Bahia, Santa Cruz, Goiás e Coritiba eram os de melhor desempenho técnico em suas regiões, além do forte apelo de público – e vencer o campeonato jogando semi-finais e finais históricas, ganhando na bola, não posso dizer que ele é campeão brasileiro?

Então, que se dane a CBF e seus carimbos, selos, diplomas e o diabo a quatro. Eu sou Hexa! Como reconhece qualquer sujeito que entende o mínimo de bola e – rivalidades a parte – prima pelo bom senso.

Gala

Ainda não tinha visto, esse vídeo foi exibido na noite de premiação da FIA. A edição, trilha sonora etc., tudo sensacional. E as referências, cuidado e deferência aos 60 anos de história são de se admirar. De quebra, tudo o que foi realmente importante na melhor temporada em muitos e muitos anos. Então, mesmo que você não goste de corridas, vale a pena dar uma olhada e ver como se faz um bom vídeo.

A mandala de Luiz

O candidato dito da oposição renega o governo de seu partido oito anos antes e se parece mais com a situação do que nunca. A candidata da situação é figura polêmica, imprevisível talvez, mas está pasteurizada a um ponto que tudo leva a crer que o Brasil experimentará um continuísmo maquiado. E, neste ponto, não fosse a tradicional forca do clientelismo, do voto de cabresto e dos votos para beneficiar grupelhos que se apoderam de partes do Poder Público para enriquecer, coisa totalemente normal no Brasil, me arriscaria a dizer que seria uma eleicão fértil para abstencões e votos em branco.

Luiz Octavio Bernardes
With a little help from my friends

Ainda não consegui definir se feliz ou infelizmente. Luiz é um cronista quase bissexto. Excelente, por sinal, mesmo quando não se concorda com ele. Porque constrói argumentos sólidos e bem fundamentados.

Ainda acho que sua Ave Maria é, das coisas que escreveu, a melhor. Mas é fato que ele está bem próximo de se superar, o que não é pouca coisa. Como com o texto, de onde copiei o trecho acima, em que junta a História de Fukuyama, a estupidez do 11 de setembro, a lucidez de José Saramago e o continuísmo provável de Dilma Roussef.