Adeus ao Olímpico

Gosto muito do Olímpico. Na verdade, gosto muito de muitos estádios (mesmo os que não conheço). Principalmente aqueles que, mais do que se confundir, carregam a história de algum clube. Especialmente os grandes.

O Olímpico, claro, é um deles, estádio do Grêmio. Como bem disse o Rica Perrone, jogar com o Grêmio no Olímpico sempre tem uma carga que vai muito além da qualidade do time deles. Tem a ver com alma.

É mais ou menos como jogar contra o Flamengo no Maracanã. Nosso time pode estar cheio de wellingtons ou bujicas. É o Flamengo no Maracanã.

No próximo domingo acontece o último jogo do estádio Olímpico, o Grenal da última rodada desse brasileirão. Um jogo que não vale nada para a tabela, mas que vale demais para os dois clubes. Os donos da casa se despedindo sem querer deixar a história manchada; o eterno rival querendo carimbar a despedida. O jogo vale a honra, o caráter, a alma.

Para a torcida, que no ano que vem terá um novo estádio, uma dessas arenas modernosas, será o adeus ao seu grande templo.

Mas o que é que eu tenho com isso, deve ter alguém (se é que veio alguém aqui) se perguntando. Tenho que pelo Olímpico, entre todos os grandes estádios do país, sinto um carinho especial e – na hora da despedida – até uma certa melancolia.

Afinal de contas, foi no Olímpico que o Flamengo ganhou o único dos seus seis títulos brasileiros fora do Maracanã. Abaixo, então, minha singela homenagem.

Outro vídeo, esse produzido pela Zeppelin. Bela homenagem, diga-se. Mas faltou o Renato.

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É preciso querer vencer

Quem está acostumado a passar por aqui deve ter notado que não falei de futebol, principalmente de Flamengo nessa semana. E não porque perdeu para o Grêmio no último domingo, mas pela forma como perdeu.

Para o resultado do campeonato, a derrota não foi nada demais. Eu mesmo já tinha dito que, nos sete jogos que faltavam, ainda perderíamos três ou quatro pontos. Mas o jeito…

Primeiro, a notícia da cagalhopança protagonizada por Williams. Queiram ou não, coisas assim atrapalham o ambiente. Mas – apesar do problema ou graças a ele – o profexô conseguiu montar um time, com a entrada de Thomas, que funcionou muito bem, com boa posse de bola e agredindo o adversário. Apesar do segundo gol ter saído num lance de sorte, àquela altura já poderíamos estar vencendo por dois ou três gols de vantagem, não fosse a completa inaptidão de Deivid.

É claro que tudo tem um preço. Sem nosso cão de guarda e com um zagueiro brilhante que tenta marcar os adversários com a bunda, corremos alguns riscos e vimos até troca de passes em nossa grande área. Mas fomos para o intervalo com2 a1 no bolso. Na volta dos vestiários, a impressão era que houve farta distribuição de soníferos ao nosso escrete.

Sem vontade, sem tesão, sem atenção… E com nosso profexô inspiradíssimo. Thomas errou dois ou três passes e foi sacado para a entrada de Muralha. Com o esquema que deu certo no primeiro tempo desmontado e a notável preguiça de todos, o jogo foi pro saco.

O time do Flamengo, sabidamente, é bom o suficiente para ser campeão, todos estão cansados de saber. Mas não basta ser bom, é preciso querer vencer. Ainda faltam seis jogos e o hepta ainda é possível. Mas se continuarem jogando como fizeramem Porto Alegre– não importa quem seja escalado –, o Flamengo que demorou trezentos meses para perder a primeira partida no ano não pega nem Libertadores.

Ronaldinho

Eu disse muitas vezes que Ronaldinho Gaúcho não era sujeito em que se pudesse confiar em horas de decisão. A essa altura do campeonato, já esperava que tivéssemos um time azeitado o suficiente para não dependermos tanto dele. Já sabemos que isso é um delírio.

Além disso, sua volta ao Olímpico com toda a pressão etc. e tal já se esperava complicada. Mesmo assim, começou ‘bem’. Um cobrança de falta quase perfeita, um ou outro passe de calcanhar e… Mais nada. Donde surge minha face de psicólogo de botequim.

Se tivesse marcado o gol de falta antes dos cinco minutos, aposto que ele teria deslanchado e destruído o time do Grêmio. Pois escrevam aí: suas atuações (e, conseqüentemente, os resultados das partidas do Flamengo até o fim do ano) dependerão fortemente dos inícios de jogo de Ronaldinho. Pois são todas partidas decisivas e o sujeito nunca se notabilizou por brilhar em momentos de decisão.

Poderemos começar a tirar a prova já neste domingo, jogando em casa contra o rebaixável Cruzeiro.

Negócio arriscado

A primeira partida entre Flamengo e Grêmio que lembro com clareza teve gol de Tonho. É, foi a primeira partida da final de 1982, 1 a1 no Maracanã. Nosso gol foi de Zico. Depois, 0 a 0 e a necessidade do terceiro jogo. E Zico passou a Nunes que fez o um a zero que nos deu o bicampeonato.

E desde então, nada mais comum do que encontrar os caras e passar sufoco. Até final de campeonato dentro do Maracanã os caras ganharam da gente.

Some o histórico ao oba-oba pela partida maravilhosa de quarta e pronto. Estava realmente com medo do confronto de sábado, apesar de saber que o time dos caras é muito fraco. Segundo seu próprio diretor executivo de futebol, o Grêmio não tem defesa, não tem meio-campo, não tem ataque. Essa consciência deles só nos obrigava ainda mais à vitória.

E se é verdade que o jogo começou estranho, também foi logo cedo que Ronaldinho mostrou que estava a fim. Uma virada de jogo sensacional foi a senha. E, logo depois do primeiro gol, acabou a partida. Mesmo ficando muito plantado em vários momentos da partida, o time nunca perdeu o controle das ações. E aquela senha dos primeiros minutos foi confirmada com o segundo gol, quando o dentuço partiu pra cima do goleiro para lhe roubar a bola e fechar o placar.

Só faltam 25 jogos para o hepta e o de amanhã, contra o Cruzeiro de Joel Santana e Montillo é de risco. De quebra, a ausência de Wellington que poderia ser um reforço arrisca ser mesmo um desfalque, pois David entrará em seu lugar (o tal Gustavo, contratado no início do campeonato deve ser muito muito ruim, porque nem testado o sujeito foi até hoje). E Williams, o Messi que marca, também não estaráem campo. Aírton e seus cotovelos serão os responsáveis pela contenção e auxílio à defesa. Luxemburgo certamente sabe o risco que isso representa e já avisou aos nossos laterais que amanhã não poderão sair como sempre.

E apesar de ser acossado por alguns amigos da arco-íris pela contagem zagalística que faço desde a primeira partida do brasileirão, o que me dá segurança no título – além do time bom de belas apresentações – é a consciência dos caras, sabendo o que querem, o que precisam fazer e conhecendo suas limitações, certos de que toda boa fase tem fim mas que isso não é o fim do mundo. Vejam abaixo a declaração de nosso sincero forçador de cartões, Thiago Neves.

Tem muito tempo ainda, muitas rodadas. Muitos times podem ser campeões. O Flamengo em 2009 mesmo estava mal, se recuperou e foi campeão. Alguns times que não estão bem no primeiro turno podem se levantar no segundo e chegar. Podemos ser campeões, temos condições, mas uma hora vamos perder. Uma hora vamos sofrer uma goleada, foram dois bons jogos contra Santos e Grêmio, mas não tem nada ganho. Ganhamos duas, mas depois podemos perder duas ou três também.

Tudo conforme o previsto

O Corinthians, o primeiro romper publicamente com o C13, mesmo que extraoficialmente, é o sexto clube a fechar acordo com a Globo para transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2015. Os outros são Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio e Vitória.

A nota oficial não fala em valores em função de cláusulas contratuais mas diz que, anualmente, vai receber mais do que o faturamento do clube em 2007. No ano em que a gestão atual assumiu, o faturamento foi de R$ 67 milhões. Boatos falam em R$ 80 milhões, 20 a menos do que a proposta que a Record fez ao timão e ao Flamengo.

Mas há explicações pra isso no próprio texto oficial.

Esclarece-se que a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar. De acordo com o artigo 42 da Lei no. 9.615/98, a chamada Lei Pelé, aos clubes pertence o direito de negociar a transmissão de determinada partida. Assim, o Corinthians, isoladamente, não tem poderes para comercializar seus 19 jogos como mandante, conforme proposto pela TV Record.

Com o desmoronamento do C13 e de sua concorrência, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) prometeu ficar de olho nas negociações isoladas dos clubes. Se é óbvio que há muitos interesses políticos na manutenção dos acordos com a Globo, também seria muito estranho se todos os envolvidos não estiverem legalmente calçados para se defender de qualquer confusão. O Goiás, por exemplo, usa o fato de que a Rede TV não tem afiliadas em seu estado.

Outro detalhe é que a Globo – além de ser a líder disparada de audiência – é a única no país, pelo menos por enquanto, que tem pronta a estrutura para trabalhar em todas as mídias, o que facilita a visibilidade dos clubes e de seus patrocinadores. E são essas questões técnicas que aparecem no parágrafo a seguir.

Após analisar todas as propostas para os direitos de transmissão, a direção do Corinthians tem a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge, superando inclusive a previsão de faturamento do Clube dos 13. Não apenas fatores financeiros, como também aspectos técnicos credenciam a proposta da Rede Globo e Globosat como a melhor dentre as apresentadas ao Corinthians.

O que eu gostaria de saber é se os clubes se aproveitaram do momento para incluir nos contratos algumas cláusulas exigindo o fim da palhaça que a Globo e toda sua rede faz, escondendo os patrocinadores dos clubes ao máximo. Afinal, são eles que pagam as contas dos clubes, que ajudam a montar os times, que tornam viável a existência da competição e do espetáculo que a própria Globo transmite.

No Rio, o Flamengo deve receber a mesma proposta apresentada ao Corinthians. Para os outros três grandes da cidade, deve valer a proporção já existente nos contratos antigos feitos pelo C13.

Quanto ao C13, a concorrência realizada e vencida pela Rede TV ainda deve dar alguma dor de cabeça, provavelmente haverá discussões na justiça. Mas é quase certo que não vai dar em nada e – no final das contas – todos devem assinar mesmo com a Globo. E o C13 – pelo menos como o conhecemos – caminha a passos largos para desaparecer.

A confusão está só começando

Então, você gosta de futebol. Gosta de assisti-lo na TV, mesmo que os jogos transmitidos não sejam do seu time. E/Ou você se preocupa com seu clube, com o dinheiro que ele ganha e gasta, em como paga os salários de seus craques e como saneia as contas, paga as dívidas.

Então, mesmo que não tão de perto, está acompanhando o imbróglio em que se transformou a disputa pelos direitos de transmissão do campeonato brasileiro no triênio 2012-2014.

Pois o Grêmio é o primeiro dissidente do Clube dos 13 a fechar contrato com a Rede Globo. E é claro que vai dar confusão. Ou aumentar, melhor dizendo. Porque a partir do acordo fechado, algumas perguntas precisarão ser respondidas:

– Quanto o clube receberia pela licitação do C13, vencida pela Rede TV, e quanto vai receber da Globo?

– O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disse que fiscalizaria as negociações independentes. Vai fazer? Como? Há propostas por escrito de todas as TVs, sendo possível provar que a da Globo é a melhor?

– Qual será a reação de sócios e torcedores caso não seja comprovado que o clube ganhará mais com a negociação independente do que se estivesse com o C13?

Além de todas as discussões políticas e econômicas, essa história dos direitos de transmissão ainda vai se transformar numa guerra jurídica. Então, é bom não dar como certo qualquer acordo que seja anunciado nos próximos dias.

Hora de voltar pra casa

Ainda falando de esportes, agora só de futebol. Desde a confirmação de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo venho pensando a respeito da volta de jogadores que foram para a Europa, não importando se para o Barcelona ou o CSKA.

A verdade é que estamos vivendo um período, que se estenderá até 2014, de interesse pelo Brasil. E estou falando de grana. Por conta da realização da Copa, todo mundo que puder tirar uma casquinha, vai tentar. Isso quer dizer que se os clubes forem relativamente inteligentes saberão maximizar suas parcerias com empresas, patrocinadoras. Em valores e quantidade.

Afinal, será muito interessante, do ponto de vista publicitário, ter contrato com jogadores que vestirão habitualmente a camisa amarela ao longo dos próximos anos. Mesmo que, no final das contas, o cara não jogue a Copa. Afinal, só cabem 23.

O que estou tentando dizer (e sinceramente não sei se estou sendo claro) é que o negócio futebol tende a crescer muito nos próximos anos e trouxas serão aqueles que não souberem aproveitar as oportunidades. É hora de abrir o caixa para segurar quem ainda não cruzou o Atlântico ou trazer de volta quem foi dar umas bandas por lá.

Mudando de assunto sem sair do tema, sempre foi discutido por aqui se realmente valia a pena o cara largar um Flamengo, um Grêmio, um Corinthians para jogar por clubes menores do velho continente. Porque se o sujeito vai jogar no Sevilla, ele sabe que nunca vai ganhar nada, título nenhum. Se vai para um CSKA, não aparece nem na TV. Ou seja, a carreira do sujeito dá adeus a inúmeras chances que estão diretamente relacionadas a estar em evidência em um grande clube.

Pois o Rica Perrone publicou belo texto sobre o tema.

Aqui se ganha, hoje, perto do que se ganha lá. O cara não sai mais para ganhar 500 ao invés dos 100 aqui. Ele vai ganhar 450 ao invés dos 300 aqui. O que na minha opinião já se torna discutivel, pois certas coisas não tem preço.

Vai jogar no Real? Porra, sensacional! Milan? Manchester? Ótimo.

Agora… tu vai trocar um Inter, um Santos, um Flamengo pelo Besiktas, pelo Shalke 04 e vem chamar isso de realização profissional?

Nem no bolso, meu camarada. Porque daqui 6 meses só sua mãe lembra de você. E isso é DESVALORIZAÇAO, não crescimento profissional.

Clique aqui para ler o texto inteiro. Concordei em gênero, número e grau. E acrescento: para jogar em time médio da Europa, faça o mesmo por aqui. Porque a grana está disponível e não será entregue apenas aos 12 grandes. Ou seja, todos os outros clubes da Série A e vários da Série B têm potencial para receber bons investimentos.

De quebra, bons marqueteiros saberiam fazer render belamente os contratos mais longos por aqui para criar identificação entre jogadores, clubes e torcidas, usando o antiquado amor à camisa como argumento.

2ª Edição

O Marcelo Barreto é um cara que admiro. Não o conheço, na verdade, estou falando de pontos de vista, de textos, do jornalista. E ao dizer que não sabe se é diferente, ele mostra o quanto é diferente. Vale clicar aqui para ler sua análise sobre o mesmo texto do Rica Perrone que citei aí em cima.

Fim de papo

Já faz uma semana que acabou a bagaça e que o Flamengo conquistou o hexa. A ressaca está quase curada…

O campeonato foi, sem dúvida, o melhor dos últimos muitos anos. De toda a série de pontos corridos, certamente. Infelizmente, o equilíbrio que fez um campeão com menor aproveitamento da história e com a menor diferença de pontos para a turma que foi rebaixada. Isso é bom? Em tese.

A verdade é que, a cada ano, o nível técnico de nossos times é cada vez menor. Ou não teríamos um gordo, um farrista e um coroa de 37 anos entre os melhores do Brasil.

Apesar de muito inchado, nosso calendário está estabilizado já há algum tempo, o que deveria facilitar o planejamento dos clubes – equacionando dívidas, fortalecendo as divisões de base etc. – e a atração de novos investidores. Mas parece que nossos dirigentes não estão muito aí pra isso, o que não é de causar surpresa.

Independente disso, e apesar do que meu primo atleticano, recalcado e invejoso, disse, a conquista rubro-negra não foi uma cagada. Afinal, o Flamengo foi o que teve o melhor aproveitamento nos confrontos diretos entre os oito primeiros do campeonato. Assim como é fato que, principalmente, Palmeiras e São Paulo fizeram muita força para perder o campeonato. E perderam.

Pra encerrar minha participação no Brasileirão 2009, resolvi dar uns pitacos – o post ficou comprido demais, eu sei –  sobre todos os clubes que participaram dessa edição e sobre os quatro que vão subir. Apenas pequenas opiniões sobre alguns detalhes.

Série B

– Vasco: fez o que tinha que fazer, mas o time precisa melhorar muito para não correr risco de voltar;

– Guarani: quase foi grande um dia, até que virou io-iô. Será um dos enigmas de 2010;

– Ceará: se não voltar para a segundona, correrá riscos até o fim. É a sina dos clubes nordestinos, sem poder econômico para formar um grande time;

– Atlético-GO: absolutamente imprevisível. Time de empresários, como o Barueri. Pode surpreender e pode não fazer nem cócegas.

Série A

20º: Sport (31pts / 7V / 10E / 21D / 27%)

Se foi rebaixado na última posição, não se pode falar em injustiça. O time é horroroso e, para completar, sua queda é uma benção para todos os clubes, pois não precisarão jogar naquela campo de roça da Ilha do Retiro.

Como a campanha do clube foi um fiasco, seu presidente resolveu tapar o sol com a peneira e tirar o foco de suas mazelas tentando criar um onda sobre o título do Flamengo. Disse que processaria todos que apontassem que o Flamengo é hexacampeão.

A discussão provocada pelo presidente do clube pernambucano só serve pra criar mais confusão, acirrar ânimos etc., em função de algo que não tem qualquer justificativa lógica: o Sport ter sido proclamado campeão brasileiro de 1987 quando não foi, sequer, campeão da segunda-divisão. A história completa do que aconteceu está aqui.

19º: Náutico (38pts / 10V / 8E / 20D / 33%)

Não há o que dizer sobre Timbu, além de destacar o Carlinhos Bala (que não acredito ser capaz de ser destaque em um time grande de verdade) e o alívio de todos os clubes por não ter que jogar no gramado ridículo dos Aflitos, mesmo caso do Sport. Não por acaso, junto com o eterno rival, levaram Pernambuco embora da primeira divisão.

18º: Santo André (41pts / 11V / 8E / 19D / 35%)

A única coisa relevante em sua história é a conquista da Copa do Brasil sobre o Flamengo. Apesar do vexame rubro-negro, não é estranho nas copas nacionais que juntam times de todas as divisões, a conquista por clubes nanicos. Não se tornam relevantes por isso e esse é o caso. Deus sabe como chegou à Série A, mas o importante é que já foi embora.

17º: Coritiba (45pts / 12V / 9E / 17D / 39%)

Um exemplo clássico de um time pequeno que se acha grande. Talvez seja grande no Paraná, estado que – verdade seja dita – não tem qualquer relevância para o futebol nacional. Se acha grande porque ganhou um brasileiro no longínquo 1985, algo tão estranho quanto ter o Bangu como adversário na final. Foi tão insólito que o Maracanã ficou absolutamente lotado por torcedores de todos os clubes do Rio, em prol de um clube que tinha, sim, um grande time bancado por um bicheiro. Enfim, como último ato de sua participação no certame de 2009, sua torcida fez o favor de confirmar o quanto o clube, o time e ela própria são pequenos.

P.S.: Alguém reparou a grande escolha que fez o Marcelinho Paraíba, trocando o Flamengo pelo Coxa?

16º: Fluminense (46pts / 11V / 13E / 14D / 40%)

É verdade que, com a épica arrancada, não merecia mesmo cair. Mas é bom não esquecer a dívida que o Fluminense tem com o futebol brasileiro, pois disputou a terceira divisão e, com a criação da Taça João Havelange, pulou direto para a primeira. Também é fácil compreender a comemoração, mas é bom colocar o pé no chão e entender que, se muita coisa não mudar, o ano que vem será igual ou pior.

15º: Botafogo (47pts / 11V / 14E / 13D / 41%)

Depois de voltar à primeira divisão, vinha evoluindo, mas… Só não dá pra entender porque estão comemorando tanto. É bom que abram bem os olhos, não ganharam nada. Só não caíram de novo. Para o futuro, a receita é a mesma do Fluminense: mudar muita coisa, se organizar, planejar etc.

14º: Atlético Paranaense (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Não fede nem cheira. Chamado de furacão, na verdade não passa de uma brisa. Mesmo assim, só quando jogaem casa. Comoseu rival alvi-verde, só é grande localmente. Também já ganhou um brasileiro (a história da humanidade tem mesmo mistérios insondáveis), mas o conjunto da obra não é nada relevante na história. Como sua campanha em 2009. Pelo menos, não caiu.

13º: Vitória (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Apesar de muita gente achar que aquele canto do mundo é uma dimensão paralela, a Bahia é um estado do nordeste. Quando lembramos onde está seu arqui-rival, então, só o fato de estar na série A já é uma vitória (com trocadilho). Seu único mérito no campeonato foi ter o saldo de gols melhor que o Atlético Paranaense:-6 a-7. Graças a isso, se classificou para Copa Sulamericana.

12º: Santos (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Quando falo que os paulistas, em geral, são um povo bem estranho, meus amigos que moram do lado de lá da Dutra reclamam. Mas que outro povo seria capaz de chamar seu clube de Peixe e adotar uma baleia como mascote. Será que eles faltaram a aula de biologia no primário? Enfim, esse enorme nariz de cera reflete bem o que foi o Santos nesse campeonato: quase nada a declarar. A campanha medíocre serviu para duas coisas: se livraram do presidente (apesar do tumulto euriquiano nas eleições) e de Wanderley Luxemburgo.

11º Barueri (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Baruequem??? Pois é, uma distorção provocada pelo poder da grana que ergue e destrói coisas belas, como diria um baiano. O time do interior de São Paulo, criado por empresários apenas para dar lucro, até que fez campanha razoável. E só. Ficou à frente do Santos graças ao saldo de gols. Foi o clube com a menor média de público do campeonato e, no primeiro turno, o “clássico” contra o Santo André,em Santo André, foi assistido por 847 testemunhas.

10º Corinthians (52pts / 14V / 10E / 14D / 45%)

2009 foi o ano da volta, depois da passagem pela segundona. A base do time campeão da Série B foi mantida e chegaram alguns reforços, o gordo entre eles. Ganharam o paulistinha e a Copa do Brasil. Aí, com a vaga para a Libertadores garantida e a saída de alguns jogadores no meio do ano, não houve Mano Menezes que conseguisse reorganizar o escrete e, pior, manter os jogadores interessados em um campeonato que não conseguiriam conquistar. Resumindo: passou pelo Brasileirão a passeio.

9º Goiás (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um dos cavalos paraguaios de 2009. Com uma base razoável, fez algumas contratações interessantes, como Fernandão, e até pareceu que cumpriria a eterna promessa de ficar entre os grandes. Alguns excelentes resultados e, de repente, lá estava o time do cerrado no G4. Não durou muito. Fraquejou pelo meio do segundo turno e abandonou a disputa pelos primeiros lugares. No final, acabou como fiel da balança. Empatou com o Flamengo no Maracanã e parecia ter sepultado o sonho do hexa. Na semana seguinte, quando ninguém esperava, sapecou4 a2 no então líder São Paulo, deixando a disputa do título praticamente limitada a Flamengo e Inter.

8º Grêmio (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um time de extremos. Terminou o Brasileirão invicto em casa, mas só ganhou um jogo como visitante. Por fim, classificado para a sulamericana, uma copinha que todo mundo comemora quando faz campanha pífia no brasileiro, mas que todo mundo reclama na hora de jogar. Acabou chamando a atenção pela confusão ‘entrega X não entrega’ o jogo contra o Flamengo, na última rodada. Tudo isso porque o rival colorado precisava de, ao menos, um empate no Maracanã para que superasse o time da Gávea. A torcida do Grêmio, então, começou a campanha do entrega. No final, nada demais aconteceu. Apesar de um mistão, os gaúchos deram um belo susto do Flamengo, fazendo um a zero. Mas não aguentaram a pressão e todo mundo sabe o que aconteceu.

7º Atlético Mineiro (56pts / 16V / 8E / 14D / 49%)

O pai de todos os cavalos paraguaios. Depois da glória de conquistar o primeiro brasileiro em 1971, tudo o que o Galo conseguiu foram três vices. Neste ano, prometeu, prometeu, prometeu… Liderou o certame e fez até um dos seus artilheiros, mas – como de hábito – não conseguiu nada. Nem a vaga na Libertadores.

6º Avaí (57pts / 15V / 12E / 11D / 50%)

Tai uma surpresa agradável. Deus sabe se continuará assim em 2010, mas muita gente duvidava que o time catarinense faria algo além de brigar para não cair. No final, uma campanha mais do que digna sob o comando de Silas, que se mandou para o Grêmio. Os destaques do time, além do técnico, são curiosos: o atacante Muriqui foi quem mais apanhou durante o ano, enquanto seu companheiro Ferdinando, volante, foi o segundo que mais bateu.

5º Palmeiras (62pts / 17V / 11E / 10D / 54%)

O grande campeão do Grande Prêmio de Assunção. Liderou metade do campeonato, teve cinco pontos de vantagem por várias rodadas, disputou o título até o último jogo e, no final, nem se classificou para a Libertadores. Parabéns ao presidente Beluzzo por suas declarações fabulosas, parabéns ao Muricy pela autosuficiência transbordante, parabéns ao time que não agüentou a pressão. Resumindo, um puro-sangue paraguaio.

4º Cruzeiro (62pts / 18V / 8E / 12D / 54%)

Um daqueles clubes que sempre começam o campeonato dando pinta de favorito. Claro, segundo todos os especialistas de jornais, rádios e tevês. O time realmente não é ruim (para o nosso nível, claro) mas oscilou muito durante o ano. E até craque freqüentando festa de torcida organizada de adversário aconteceu. Apesar de uma miniarrancada nos últimos jogos, chegou à última rodada dependendo de combinação de resultados para chegar à (pré)libertadores. E o porco paraguaio entregou a vaga de mão beijada.

3º São Paulo (65pts / 18V / 11E / 9D / 57%)

Deitou sobre a fama de time eficiente, que mesmo jogando mal, faz ao menos um gol e não leva nenhum. Enfim, um modo medíocre de pensar o futebol. Entre os times da ponta, foi o que menos ganhou pontos dos outros líderes enquanto perdia poucos pontos para os pequenos. O problema é que neste ano, com o campeonato nivelado (por baixo), não foi tão efetivo mesmo contra os pequenos. Além disso, um elenco extremamente limitado, com atletas (paulista adora chamar jogador de futebol de atleta) que jogam como robôs. Como Ricardo Gomes não é tão bom quanto Muricy, o time não teve força para chegar ao título que esteve em suas mãos. Só valeu porque se classificou para sua trocentésima Libertadores consecutiva.

2º Internacional (65pts / 19V / 8E / 11D / 57%)

Já há algum tempo é apontado como um dos favoritos todos os anos. Mas como é que um time que, hoje em dia, pode ser descrito como a versão gaúcha da fusão entre Vasco e Botafogo pode ser campeão? E ainda por cima com Mario Sérgio Pontes de Paiva como técnico.

Comparei a Vasco e Botafogo porque, com o resultado deste ano, o Inter conseguiu a expressiva marca de ser penta-vice. Além disso, desde que o inter perdeu o título para o Corinthians, no campeonato da máfia do apito, só faz chorar. Neste ano, seu vice de futebol chegou a divulgar um DVD com os pseudo-erros cometidos por árbitros contra o time do sul. Isso, às vésperas da final da Copa do Brasil. Resultado? Vice.

1º Flamengo (67pts / 19V / 10E / 9D / 58%)

No meio do campeonato estava na 14ª posição e ameaçava passar o ano fugindo do rebaixamento. Além disso, um monte de confusões dentro do clube, em ano eleitoral, só fazia atrapalhar. Pra completar, Cuca e sua estranha relação com os jogadores.

Aí Kleber Leite deu o fora, Cuca caiu, Andrade foi efetivado e começou a recuperação de vários molambos do time, chegaram Pet, Maldonado e Álvaro. O time encaixou e, como quem estava na ponta não demonstrava querer o título, parecendo até que não queriam ser campeões, o Flamengo foi chegando, foi chegando… O resto vocês já sabem.

Agora é rezar que não seja feito um desmanche, que cheguem três ou quatro reforços de verdade e que a nova presidente Patrícia Amorim consiga dar um jeito no Flamengo. Porque se tudo for feito como deve, no futebol, nos esportes olímpicos e no resto do clube, poderemos nos preparar para comemorar durante muitos e muitos anos, começando pela participação na próxima Libertadores.

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Depois desse quase testamento, poderia prometer ficar um bom tempo sem falar de futebol por aqui. Mas como o risco de não cumprir é enorme, é melhor ficar quieto. Afinal, a programação inicial é estar no Maracanã, na festa de fim de ano do Zico, em que será formado um time com jogadores que participaram dos seis títulos do Flamengo. Sinceramente, é bem provável que não resista a fazer algum comentário depois disso. A ver.