Jogos 33 e 34: encontro de compadres

Amanhã começa a última rodada da primeira fase da Copa e, até sexta, teremos quatro jogos por dia. A decisão de cada grupo acontece ao mesmo tempo e serão dois jogos às 11h e outros dois às 15h30.

O primeiro a definir sua classificação é, como se espera, o grupo A. É o grupo mais previsível e poderemos ver algo que não acontecia em copas desde a partida entre Alemanha e Áustria em 1982: um jogo de compadres. Uruguai e México têm quatro pontos enquanto França e África do Sul têm apenas um. Ou seja, basta que os latino-americanos empatem para sigam abraçados para as oitavas de final. Não só é possível, como provável.

Mas há um detalhe: o segundo colocado deste grupo enfrentará o primeiro do Grupo B, provavelmente a Argentina de Messi e Maradona. Em caso de empate, seria o México. Resta saber se os descendentes dos astecas aceitarão essa situação, jogando todas as suas cartas contra a fraca defesa albiceleste ou se arriscarão partir pra cima dos nossos vizinhos e dando espaços para eventuais contra-ataques.

Na outra partida, os gauleses em crise tentarão salvar o que resta de sua imagem enquanto os anfitriões jogarão a vida para, ao menos, vencer uma partida em casa. Pois eu, que adoro ser do contra, torço por uma surpresa.

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Jogos 18, 19 e 20: será um dia de empates?

É impressionante a minha capacidade de não acertar resultados. É claro que podemos dar um desconto para os jogos entre Eslováquia e Nova Zelândia e Espanha e Suíça. Mesmo assim, minha campanha nos bolões é terrível. Mas não desisto e continuo postando aqui os meus chutes.

Nesta quinta termina a segunda rodada dos grupos A e B. De manhã, França e México. Nos bolões, minha aposta foi 4 a 2 para os gauleses. Mas depois da primeira partida de ambos, desconfio que vou errar de novo. E é por isso que meu palpite aqui será outro.

Na hora do almoço, jogam Grécia (forte candidata a pior time da copa) e Nigéria. O chute original foi 1 a 1, mas desconfio que os africanos atropelarão a trupe da folosofia. No encerramento do dia, Argentina e Coréia do Sul, a única aposta que manterei intacta.

Jogo 2: qu’ils mangent de la brioche et croissants

A mística da celeste olímpica está na copa. Se você realmente acredita nisso, deve ter 85 anos de idade ou mais e ouviu pelo rádio a conquista da primeira copa do mundo e o bi-campeonato olímpico uruguaio entre as décadas de 20 e 30. Porque, verdade seja dita, o último time mais ou menos que o Uruguai conseguiu montar era liderado por Francescoli, ganhou de 6 a 1 da Dinamarca e, no jogo seguinte, perdeu de 5 para a Espanha. Isso aconteceu em 1986.

Os destaques do time são o já quase coroa zagueiro Lugano e Loco Abreu, centroavante no melhor estilo poste que vive fazendo gols de cabeça pelo Botafogo. Apesar de estar em um grupo teoricamente equilibrado, ficará pela primeira fase.

Apesar de bicampeão, a presença uruguaia em copas sempre foi intermitente. Curiosamente, em sua última participação (2002), enfrentou a França na primeira fase e segurou o empate em 0 a 0. Dessa vez, o time da terra do croissant deve levar vantagem apesar de também não ser lá grandes coisas. Só para conhecimento, no último jogo antes do embarque para a África do Sul, os franceses conseguiram a proeza de perder para a China.

O problema é que tem gente entre os convocados tentando provocar uma nova revolução. A torcida pelos lados do Champs-Elysées é que tudo se resolva a tempo ou a Bastilha, dessa vez, cairá para todos. O destaque do time gaulês é o meia Ribéry, que a imprensa européia tenta nos convencer de que é um craque mas que, para mim, não passa de um botinudo. Na verdade, após 30 anos de Platini e Zidane, parece que a França vai sofrer um bom bocado para encontrar um outro craque.

Mas mesmo com um time mais ou menos, problemas de relacionamento e a aposta do PVC na classificação de sulafricanos e mexicanos, acho que a França passa de fase.

Comprei camisa de seda, terno de linho importado

Entre as muitas coisas que adoro no futebol estão os uniformes. Não é por acaso que um dos links que estão aí ao lado, no Na bola, é o Camisaria FC.  Se pudesse (some paciência para garimpar e grana para algumas compras), seria um colecionador.

Na copa, os uniformes são atração à parte. E, para quem gosta, o paraíso graças à proibição pela FIFA de patrocínios expostos, diferente do que acontece com clubes do mundo inteiro.

O Brasil, por exemplo, tem apresentado poucas mudanças desde o trauma de 1950, em que a camisa branca foi usada pela última vez. E depois de adotada a amarela, ficou famosa a história do ‘manto de Nossa Senhora’ usada para dar confiança aos craques que jogaram a final de 58 vestidos de azul.

Entre as camisas amarela e azul, lembro da aberração de 94 (que acabou dando sorte) produzida pela Umbro, com três escudos da CBF de fundo e em cascata, alusão ao (até então) tri. Depois disso, linha clássica com um ou outro detalhe diferente, de acordo com os estilos e inovações de cada época. E chegamos a 2010.

E se a camisa amarela é a mais clássica e simples possível, lisa com listra verde no ombro e na manga, a azul – como o biquíni da Ana Maria – é cheia de bolinhas amarelas. Pombas, uma camisa de poa?

Enfim, tudo isso foi só para postar as fotos das camisas mais bonitas da Copa da África, aquelas que – se tivesse a chance – estariam na minha gaveta. Curiosamente, a maioria das minhas preferidas são uniformes reservas, justamente ao contrário do Brasil.

Vejam as fotos e aproveitem para responder a enquete na barra lateral do blog, novidade que estou testando por aqui. E se acharem que a mais bonita do mundial não está entre as oito que escolhi, basta responder ‘outra’ e dizer qual a de sua preferência nos comentários da própria pesquisa.

Ao lado de Elvis (ou ele também não morreu)

No dia 21 registrei as efemérides do dia aqui no blog e prometi (ou ameacei, leiam como quiser) que voltaria com calma para falar de cada uma das lembranças da data. E meu primeiro personagem é Tiradentes.

Todo mundo está cansado de saber que Elvis não morreu. Mas será que vocês sabiam que Tiradentes também não?

Nunca tinha ouvido essa história até a quarta-feira passada, quando visitava minha sogra. Ela não soube dizer onde tinha lido (“foi num site…”) que, na verdade, o enforcado foi um criminoso já condenado à morte e que Joaquim José da Silva Xavier teria sido salvo por um amigo maçônico, o poeta Cruz e Silva, ligado à justiça. O alferes, então, teria sido enviado para Portugal. De lá, partiu para a França, onde cumpriu seu exílio e morreu com cerca de 90 anos de idade.

Logo eu que adoro uma teoria da conspiração, quando ouvi a história olhei meio de esguelha e fiz até alguma piada (provavelmente sem graça, pois não lembro qual). Mas vejam se não faz todo o sentido.

Alguns historiadores já levantaram, várias vezes, que a Inconfidência Mineira era – na verdade – um movimento da oligarquia mineira em proveito próprio e em busca da independência de Minas. Só falavam no povo quando interessava, tentando esconder os motivos reais da revolta. Além disso, Tiradentes teria sido apenas um bode expiatório, pois como poderia um simples alferes (pouco mais que um tenente) ser o comandantes de ricos fazendeiros, outros militares de altas patentes, políticos e religiosos? Em 1792? Haja carisma…

E aí, comecei a pensar na história oficial, aquela que nos é vendida nos livros didáticos do primário.

Depois de enforcado, Tiradentes teria sido esquartejado e os pedaços de seu corpo foram espalhados pelo caminho entre Rio e Minas. A cabeça nunca foi encontrada. A imagem do alferes o coloca com uma túnica branca, cabelo e barbas bem longas. Será que qualquer semelhança entre o mártir (a partir de sua morte) e Jesus são meras coincidências? Ou seria uma verdade conveniente?

Para fechar a trama, o condenado escolhido já iria morrer mesmo e aceitou ficar em silêncio em troca de uma bela recompensa que sua família recebeu. E há uma assinatura de um certo Joaquim José da Silva Xavier em uma lista de presença na Assembléia Nacional francesa, de 1793, que alguns estudos grafotécnicos confirmaram ser do famoso alferes. Um ano depois de sua morte oficial.

Se é verdade, realmente não sei. Mas, sem dúvida, é uma boa história.

Haiti

Foto: The Boston Globe

Não há muito mais o que se falar da tragédia que aconteceu, além de – mesmo depois de 15 dias – comemorar o fato de ainda se encontrarem sobreviventes sob os escombros.

Nada contra os esforços solidários do governo brasileiro, na verdade acho até louvável. E, se podemos, temos mais é que ajudar mesmo. Mas é impossível não achar curioso que um país que, segundo a candidata oficial à presidência da república, não tem dinheiro para preservar o meio ambiente, não tem condições de se estruturar para evitar tragédias provocadas pela chuva em vários estados, tenha verba para enviar para outro país. Sei que simplificar as coisas assim é um erro, mas não consigo esquecer um ditado do tempo dos nossos tataravós: “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

Voltando ao Haiti, propriamente dito, coloco abaixo um texto enviado pela Isabel Pacheco, que talvez ajude a entender as dimensões da tragédia e porque os bairros nobres de Porto Príncipe (é meus amigos, mesmo nos rincões mais miseráveis, sempre existe um bairro nobre e uma classe AA) foram pouco afetados pelo terremoto.

Os pecados do Haiti

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

– Recite a lição.

E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “o açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti, mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o penis. Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Eduardo Galeano

P.S.: Estou louco ou, apoiados no sorriso simpático e solidário de Hilary, os Estados Unidos estão se apropriando do Haiti para tentar transformá-lo em um novo Porto Rico?

Direitos humanos

Na minha cabeça, sempre foi muito difícil aceitar essa história de direitos humanos, principalmente em se tratando de um país onde uma facção criminosa é capaz de sitiar uma cidade, como o PCC fez com São Paulo, onde bandidos são capazes de arrastar uma criança presa a um carro, como fizeram com o menino João Hélio, onde policiais são capazes de metralhar um carro pois o confundiram com o carro de bandidos apesar da mãe, ao volante, parar o carro e mostrar que não eram bandidos.

Não, não sou a favor da pena de morte. Mas de coisa pior. Sou a favor de prisão perpétua, com trabalhos forçados.

Felizmente, os direitos humanos não se referem apenas a esse tipo de problema. A liberdade de expressão e, por derivação, de imprensa, são direitos humanos. E de repente, não mais que de repente, nosso querido apedeuta sanciona a terceira edição (ou revisão, sei lá) do Programa Nacional de Direitos Humanos, em que a volta da censura é ventilada. E o governo ainda apóia uma série de fóruns e conferências onde o tema é discutido. Formou-se o reboliço.

Porra mermão, tá de sacanagem?!

De quebra, nesse mesmo plano, consta algo como investigar os excessos (um pequeno eufemismo, se me permitem) cometidos pelos militares durante o período da ditadura. E aí, há grita, demissão de ministros e o cacete.

Porra mermão, tá de sacanagem?! De novo?!

Então, agora, falemos sério: não li o tal plano, nem o resumo, nem a íntegra. Mas li alguns artigos, contra e a favor. E me pareceu que há um certo histerismo sobre o negócio.

Primeiro é preciso dizer que, mesmo entre os que apóiam o tal plano, há praticamente a unanimidade de que todo o texto precisa ser revisto, porque o negócio é ruim de doer.

Agora, especificamente sobre os dois pontos que destaquei acima e, não por acaso, provocaram mais polêmica. Não vi qualquer referência à volta da censura, mas discussões sobre a construção de parâmetros de autorregulamentação e até controle externo sim, com participação da sociedade civil, e uma chamada de atenção sobre a possível formação de monopólio nos meios de comunicação. Temas que, sinceramente, acho mesmo que devem ser discutidos e, é bom lembrar, temos alguns países que desenvolveram práticas semelhantes, como a França. Nem por isso, alguém acha que haja censura nos arredores da torre Eiffel.

Sobre a história dos torturadores, há duas questões. É claro, óbvio, muito mais do que sabido, que não foram apenas os militares e seus capangas que passaram dos limites durante o regime militar. Com o pretexto de defender a democracia, verdadeiros grupos terroristas, que fizeram um monte de cagadas, foram para a luta armada. E se todos sabem que foi assim, porque revelar a história de apenas um dos lados. Acho que deve haver sim as investigações, mas sobre todos os atores. Afinal, conhecer a história do país é fundamental. E vale lembrar que, como uma coisa não tem nada a ver com a outra, ninguém imaginou revogar a (abominável) lei da anistia. Ou seja, não há vestígios de caça às bruxas.

E, agora, o mais importante: apesar de gastar tempo escrevendo sobre o tema, tenho a impressão que esse tal Programa Nacional de Direitos Humanos, apesar das polêmicas, não vai provocar nada em lugar nenhum.