Um diferente

A essa altura, quem gosta de Fórmula 1, já sabe que a nova regra de motores 1,6L turbo foi aprovada pelo conselho mundial da FIA na reunião da semana passada, apesar de ainda sem data para estrear. Também já sabe que foram confirmadas 21 (!!!) corridas para a temporada 2012, com a entrada do GP dos EUA e sem a saída de nenhum atual (em que pese o asterisco colocado no GP da Turquia). E, talvez o mais importante por hora, que o GP do Bahreim foi recolocado no calendário deste ano.

A prova que seria a abertura da temporada foi cancelada devido aos protestos no país, que também entrou na onda de boa parte dos países do Oriente Médio. Basicamente, o povo foi às ruas para tentar derrubar o rei e o pau comeu. Está cantando até hoje. Mas a FIA confirmou a corrida para o dia 30 de outubro, jogando o novo GP da Índia para dezembro. E todo mundo disse que foi por pressão de Bernie Ecclestone, por conta do contrato de € 40 milhões. Pois lembram da frase famosa, que “toda unanimidade é burra”?

Pois encontrei que, com embasamento e apesar das muitas reticências, falou algo diferente.

Bahrein 2011, uma questão de reciprocidade

Não me surpreende nem um pouco que tenha sido confirmado o GP do Bahrein deste ano mesmo após todos os problemas políticos por lá… E nem é pelos tão manjados motivos alardeados por todos, gente boa, gente nem tanto… Gente informada e gente crtl c crtl v. É óbvio que a questão financeira também influiu, já que Bernie Ecclestone pode ser tudo, menos louco para jogar dinheiro fora. Porém penso que não foi tudo…

O Bahrein sediou corridas, mesmo não precisando delas por lá, para mostrar poder financeiro e um maior entrosamento com o ocidente. E claro, atrair a atenção de investidores. Ecclestone adorou, pois juntava a fome com a vontade de comer já que isto mostrava que a F1 poderia ir a todos os cantos do planeta e ser um sucesso. Além de abrir ainda mais o mercado para as marcas que compõe a categoria… Já tendo aportado no bom circuito da Malásia, o Bahrein foi a próxima parada, e não foi uma parada qualquer.

Os barenitas construíram – do nada – um autódromo de proporções megalômanas para dar corpo ao desejo de Bernie de levar a categoria cada vez mais para o Oriente Médio e também para perto dos petrodólares da região. Sim, mas e daí? Quem trabalha de graça é relógio… De quebra deu fama a Herman Tilke e ajudou a criar o tilkismo: A arte de fazer corridas caras, impressionantes e sem graça… Enfim, um projeto do tamanho da ambição ecclestoniana de levar a categoria a um dos pólos mais rico do planeta e onde a F1 ainda não era tão popular.

Se conseguiu seu intento é algo a se pensar, porém no rastro veio Singapura e sua corrida noturna, o supra-sumo do tilkismo: Abu Dhabi com sua pista chata, porém extremamente produzida em torno de um hotel gigantesco e um parque temático da Ferrari e agora Índia.

Como se vê, a contribuição barenita não foi pouca, ouso dizer que até mais do que a Malásia, foi a abertura definitiva das portas do (não gosto do termo, mas vá lá que seja) mundo árabe para a categoria…

Portanto agora, quando o governo local – diga-se de passagem, o mesmo que tratou da entrada da F1 no país – necessita de algo concreto para mostrar ao mundo (e aos investidores) que retomou – por bem ou por mal – o controle da situação política do país não seria Bernie que negaria…

Questão de reciprocidade, não se abandona um parceiro… E há quem ainda ache que a F1 fica sempre alheia a questões políticas nos paises onde promove suas corridas…

Ron Groo (Blig Groo)

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A regra errada

Foi um baita dum corridaço, como há muitos e muitos anos não se viaem Mônaco. Graçasaos pneus e às diferenças de estratégias, como é desde que a Pirelli voltou. E graças a alguns pilotos, que resolveram arriscar manobras onde, até ano passado, ninguém tinha peito de tentar.

Assim, Hamilton fez o diabo e chegou a ser punido duas vezes. Schumacher quase provocou orgasmos múltiplosem Galvão Buenopor fazer duas ultrapassagens na Lowes. Curiosamente, mesmo lugar onde Lewis tentou passar Massa, não conseguiu e Galvão disse que não dava…

O que importa é que entre todas as idas e vindas do GP, durante muitas voltas Vettel segurou o mais rápido Alonso que segurou o ainda mais rápido Button. A razão para isso era o rendimento dos pneus. Vettel fez apenas um pit stop, contra dois do espanhol e três do inglês. E as últimas voltas prometiam ser de almanaque.

Mas um acidente grande com Petrov provocou a primeira bandeira vermelha do campeonato, a cinco giros da bandeirada. O que, provavelmente, salvou Vettel.

Eu sei que está no regulamento que é permitido trocar pneus, entre outras coisas, quando em bandeira vermelha. Mas tenho a impressão de que isso é uma falha da regra. Afinal, os caras não escolheram parar, foram obrigados. E os caras que pararam antes da interrupção obrigatória ficam em desvantagem, pois perderam cerca de 20 segundos e a vantagem técnica conseguida nos pits.

Com pneus novos, após a relargada, Vettel não só parou de correr riscos como ainda abriu vantagem. Ficou sem graça e o cara ganhou pela quinta vez em seis corridas. Estou curioso pra ver como vai ser no Canadá, daqui a duas semanas, numa pista onde sempre acontecem grandes corridas.

E a asa móvel? Liberada apenas na reta dos boxes, não fez a menor diferença.

Será que vai ficar sem graça?

Então teve corrida ontem. E está provado que a pista de Barcelona pode ser excelente para equipes e pilotos, técnica e tal. Mas para o espetáculo, é uma bosta. Não deu jeito nem com pneus de farelo e asa móvel. Uma prova muito inferior às outras.

Sobre o campeonato? Parece que estamos mesmo a caminho de um daqueles anos históricos, como 92 e 93 (Mansell e Prost na Williams) ou 2002 e 2004 (Schumacher na Ferrari). Aliás, se Webber estivesse em forma – no mínimo – razoável, a Red Bull poderia repetir o que fez a McLaren em 88. O detalhe é que os pilotos que venceram 15 de 16 corridas eram Prost e Senna.

No mais, destaque para Alonso que anda muito mais que sua Ferrari. Outro detalhe é que a Lotus (a verde) já começa a andar – de verdade – no meio do bolo, e não apenas como uma das três nanicas. Se continuar evoluindo nesse ritmo, já será uma boa média na próxima temporada. Por fim, parece que Hamilton (e a McLaren) são os únicos capazes de dar trabalho de verdade à dupla Vettel-Red Bull. Minha impressão é que até pode vencer uma aqui, outra ali, mas não tem condições de disputar o título de verdade.

Domingo que vem é a vez de Mônaco e a polêmica será a asa móvel, liberada para uso na reta que sai do túnel. Risco de muitos acidentes sérios. A ver.

Detalhes tão pequenos de nós dois

Encontrei esse vídeo no blog do Flavio Gomes. As voltas de Vettel e Webber que definiram suas posições, primeiro e segundo, no grid de largada para o GP da Turquia. É interessante ver onde e como um piloto leva vantagem sobre o outro, ainda que eles tenham o mesmo carro.

Mesmo sabendo que o piloto australiano é excelente, façamos um exercício de imaginação. Multipliquem todas essas pequenas diferenças por todas as voltas de todas as corridas de um campeonato inteiro. Descartem eventuais erros de estratégia e alguns lances de azar. Deu pra entender porque um foi campeão tão novo e o outro ficou no quase apenas uma vez em trocentos anos de carreira? Ah, lembrou que não precisou descartar os tais eventuais erros de estratégia e alguns lances de azar? Pois é.

Ecos da muralha

Em entrevista na Turquia, Webber deu a seguinte declaração sobre seu desempenho excepcional no GP da China, em que saiu da 18ª para a terceira posição:

Provavelmente, muito mais gente gostou da minha atuação na China mais do que eu, para ser honesto. Quando você se depara com pilotos como Fernando, Jenson, Felipe e Nico, esses caras, e você tira 2s5 por volta, é ótimo, mas não é muito recompensador, em termos de como você os ultrapassou.

Apesar das corridas muitíssimo movimentadas por conta dos novos pneus e da asa traseira móvel, é possível perceber que há o entendimento, por parte dos pilotos, do quanto tudo é meio que artificial.

Mesmo assim, não se pode esquecer que o jogo é o mesmo para todos. O que nos leva à conclusão de que – no final das contas e como sempre aconteceu – terminam na frente os melhores conjuntos carro-piloto. Salvo os cataclismas de ocasião.

Nazar boncuk

Então é isso, né. O cara vai lá, faz a trocentésima pole seguida e entra para o grupo dos maiores de todos os tempos, já aos 23 anos de idade. Depois, ele larga na frente e já completa a primeira volta mais de um segundo à frente do segundo colocado. E vence, claro. E aí, ninguém mais pergunta quem será o campeão, mas com que antecedência aquele garoto abusado que dá nome de mulheres sacanas aos seus carros decidirá a temporada. Só posso estar falando de Sebastian Vettel.

E na Fórmula 1 de 2011, com KERS e asa móvel, as corridas são animadíssimas. Ontem foram mais de 80 pit stops e sei lá quantas ultrapassagens ao longo das 58 voltas. Divertido. Pra quase todo mundo. Vettel, por exemplo, não participou da bagunça. Se usou a tal asa para superar retardatários, foi muito. E ninguém o ameaçou em nenhum momento.

Se fosse um brasileiro, a TV oficial já estaria fazendo uma festa danada, que o sujeito é isso e aquilo. Como não é, mesmo timidamente já começa um conversê inútil sobre o campeonato ficar sem graça. Bom, não será a primeira ou a última vez que um dos melhores pilotos dentro do melhor carro da melhor equipe domina uma temporada. Se isso acontecer. Porque ainda estamos na quarta de 19 corridas.

Assisti o GP, finalmente em horário decente do lado de cá do Equador. E o que mais me impressionou foram as patacoadas da transmissão. Falo do Galvão, claro. Que disse, entre muitas bobagens, que na famosa curva 8 os pilotos sofrem com uma força de 5 Giga de gravidade no pescoço. Hã? Depois, ainda ameaçou chamar a polícia porque a Ferrari fez besteira nas paradas de Massa (que começou muito bem mas caiu muito de rendimento ao longo da disputa). Afinal, há sempre uma grande conspiração contra os brasileiros, na Ferrari ou em qualquer lugar em que são derrotados. Não sei porquê, mas ele não falou muito sobre a cagada que a McLaren fez com Hamilton nem que ele é apenas um inglesinho contra esse mundão todo. Só para constar, Lewis terminou em quarto (perdeu 12 segundos em apenas uma parada no box) e Massa foi o 11º (perdeu 13 ou 14 segundos, ao todo, em relação a Vettel).

Sobre o resto da corrida, nada muito especial apesar da intensa troca de posições. Se houve uma surpresa, foi ver Alonso no pódio e andando quase no ritmo das Red Bull. Digo quase porque já tem gente animada, dizendo até que ele esteve mais rápido em vários momentos, mas essa turma não lembra que Vettel não precisou forçar e que Webber, apesar da resistência do espanhol, o superou com relativa tranqüilidade. Nem que as McLaren não foram bem, de maneira geral. Ou seja, o terceiro lugar com o carro de Maranello ainda é fortuito. Por mais que essas situações façam parte do jogo.

A próxima corrida será em Barcelona, onde foram realizadas duas seções de testes na pré-temporada. Todo mundo está cansado de conhecer etc. e tal. Quer dizer que não devemos ter maiores surpresas. E o garoto de 23 anos deve fazer a festa. Outra vez.

Voltou

Já era hora de voltarmos a ouvir motores roncando de novo. Foram três semanas de parada na temporada desde o último GP, na China. No próximo domingo, corrida na Turquia.

Sobre a corrida, propriamente dita, os pneus serão o X do problema. Ou seja, nada de novo. O tempero especial é o pouco de chuva que anda caindoem Istambul. Ouseja, todos chegarão à corrida com menos informações do que gostariam sobre os níveis de desgaste.

Sobre a F1 em geral, o que se tem a dizer é que há um nova guerra se desenhando, dessa vez entre as equipes e Bernie Ecclestone. É que está chegando a hora de assinar um novo Pacto da Concórdia, ou seja, vão discutir a divisão do bolo. Será interessante.

Corrida (quase) maluca

E então haverá uma folga de três semanas até que o circo chegue à Turquia. E teremos, então, um pouco mais de tempo para tentar entender tudo o que aconteceu nas três corridas realizadas até agora e o que seus resultados podem significar para o andamento do campeonato.

Porque, para um desavisado qualquer que tenha parado para assistir ao GP da China, ontem, a Fórmula 1 está muito parecida com uma certa corrida maluca criada por William Hanna e Joseph Barbera.

Apesar de ainda um tanto confuso, é impossível dizer que o negócio não está mais divertido. Durante todo o GP da China houve disputa de posições, fosse pelos diferentes estágios de degradação dos pneus, pela asa móvel, pelo KERS ou por tudo junto.

Sobre o resultado em si, apenas algumas observações: Webber foi o cara da corrida, saindo de 18º para o pódio. Apagou a imagem ruim, de desmotivado e pré-derrotado das duas primeiras corridas e da classificação horrorosaem Xangai. Mostrou, mais uma vez, que a Red Bull tem o melhor carro. Da mesma maneira que Vettel, segundo, mostrou que o KERS da turma da latinha ainda é um problema. O equipamento fez muita falta durante a prova, especialmente na largada em que perdeu posição para as duas McLaren.

A largada ruim fez a equipe a mudar a estratégia e, com pneus duros e muito desgastados, permitiu a ultrapassagem de Hamilton a cinco voltas do final. O inglês, como quase sempre, pilotou o fino e não deixou mais dúvidas sobre a capacidade de recuperação da equipe que promete mesmo ser a pedra no sapato dos touros vermelhos.

Sobre a Ferrari, algumas ambivalências. O que Massa está largando bem neste ano é sacanagem. Em compensação, Alonso só anda largando mal. O brasileiro fez uma corrida bem honesta, acompanhando o ritmo de Vettel e Hamilton e boa parte da corrida, mas com os pneus duros a Ferrari ficou pra trás. De um pódio quase certo, Massa foi ultrapassado por uma fila de carros para chegarem sexto. Oúnico lado bom é que, mais uma vez, à frente do companheiro espanhol.

Outros destaques: a Mercedes ainda vai apanhar muito, não vai brigar por vitórias mas pode incomodar e tem potencial para beliscar alguns pódios. A Williams, que chegou a prometer, parece que não vai cumprir. Kovalainnen, quem poderia imaginar, chegou com sua Lotus à frente de Perez (Sauber) e Maldonado (Williams).

Para a corrida na Turquia, o início da temporada européia, quase todas as equipes devem apresentar muitas novidades e a Pirelli já avisou que em Istambul e Barcelona, logo a seguir, levará os mesmos pneus das três primeiras corridas. Em compensação, em Mônaco (circuito de rua, asfalto liso, pista curta, baixa velocidade), os carros calçarão – pela primeira vez – os supermacios. A outra opção será o macio.

A Red Bull tem potencial para bater todos os recorde possíveis e imagináveis. Mas terá que resolver o problema do KERS se não quiser passar aperto