Clube dos 8

Benzema comemora seu gol (em impedimento) contra a Ucrânia / Foto: ReutersEu realmente entendo e até concordo que o tal ranking da Fifa tem que existir para algo prático. Mas há coisas e há coisas, será que me entendem?

Vejamos: existem oito seleções campeãs do mundo e a copa é dividida em oito grupos. As oito estão classificadas para o torneio. Então, como é que pode alguém levemente lúcido não colocar as oito campeãs como as oito cabeças de chave?

Pois é, teremos Suiça, Colômbia e Bélgica. Com todo o respeito que todos e qualquer um merecem, como disse lá em cima, há coisas e há coisas.

O tal ranking poderia ser usado da seguinte maneira: todos os campeões classificados serão cabeças de chave. Se um ou mais não estiver, a indicação das vagas restantes se dará pelo ranking. Simples assim.

E quando o país sede não for um dos campeões? Simples: o ranking indicará os cabeças de chave, primeiro entre os campeões; depois entre os demais classificados.

E pronto.

Desta forma seriam respeitados o ranking e a História, ora bolas.

Mas se é possível complicar, pra quê simplificar? Se respeitar a história não tem graça, por quê não inventar? Uma salva de palmas para Fifa.

P.S.: E não é que a França se classificou, de novo, com um gol roubado?

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Que time é teu?

Durante esses mais de 20 dias em que estive sem paciência para atualizar o cafofo, dei-me o trabalho de tentar entender algumas coisas sobre as quais se fez muito barulho e em que o x da questão seria justamente aquela postura de time pequeno que tanto nos irrita (pelo menos aqueles que gostam de futebol).

“O empate é um ótimo resultado”, “a classificação é como um título para nós”, “quem disse que entrar em campo com três zagueiros e cinco volantes é sinônimo de retranca?” Time pequeno é aquele que não tem coragem para enfrentar a vida, não anda pelo mundo de cabeça erguida e peito estufado (silicones fora, por favor), não assume sua verdade nem para si.

E pra fazer o contraponto, juro que tentei mas não consegui fugir do óbvio. Vejam o que o Arthur Muhlenberg escreveu na semana passada:

Ser Flamengo envolve uma irresistível atração pelo risco, um eterno desafio ao infortúnio e um completo desprezo à segurança e à estabilidade cultuados pelos medíocres. Ser Flamengo é tudo ou nada.

Biografias

InternacionalO que falar do papelão de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil? Gigantes que disputariam os grandes títulos só fizeram arranhar as próprias biografias, além de revelarem um absurdo sentimento de time pequeno. E aí é pior ainda. Gente grande que pensa pequeno é muito pior do que o pequeno que nunca teve a chance de ser grande e não tem a noção de como se comportar.

E cito os três, óbvio, por serem os nomes mais ilustres e – não por acaso – justamente quem deu a cara a bater em nome do tal grupo Procure Saber. E não falo de Roberto porque esse passou a vida inteira tentando esconder a vida e pelo menos foi coerente. Mas os três?

Não foram eles que construíram suas carreiras e viraram referência justamente porque passaram o período da ditadura brigado pela liberdade? E o argumento mais clichê dessa discussão: não foi Caetano que escreveu, gritou, cantou “é proibido proibir”?

Lembro do Inter de Porto Alegre. Tricampeão brasileiro nos anos 70, berço de Falcão. Mas que desde 79 não fez mais nada. Todo ano é um dos favoritos, mas nunca chega a lugar nenhum, no máximo o brilho regional. Uma espécie de ex-grande., quase médio. E é impossível não lembrar que os três grandes artistas não produziram nada muito fabuloso depois da redemocratização do país.

Aí, alguém vai lembrar que o Inter ganhou a Libertadores e o Mundial. Então né, o Gil ganhou o Grammy por Quanta. Santa semelhança, Batman…

Eike

Internacional de LimeiraA essa altura do campeonato, precisa falar mais alguma coisa? Alguém duvida de que  foi um brilhareco digno de um Madureira em final de carioca ou, pior, Inter de Limeira campeão paulista? A única diferença é que nenhum dos dois ficou devendo os tubos e mais um pouco para o BNDES.

Eduardo Campos

Paraná ClubeO cara está lá, todo pimpão. Não sabe se é, não sabe se não é, cheio de “ai meu Lula”. Aí, num movimento mais do que inesperado, surge o acordo com Marina e sua estranha Rede. Pois bem, oficialmente foi a moça que se juntou a Eduardo Campos, mas é ela quem tem mais eleitores. E aí, numa espécie de “quem manda aqui sou eu” da primeira hora, criou um baita dum problema com os ruralistas.

A gasolina de nosso triste PIB é a produção rural, mas Marina acredita que eles são o problema do Brasil. Vá entender… Agora, a turma que produz comida e dinheiro, e que tendia a apoiar Campos, vai se reunir até com o Lula e, quem sabe, bater palmas para Dilma.

A confusão nessa chapa me lembrou o Paraná Clube, fruto da fusão de Colorado (mais torcida) e Pinheiros (mais gestão). Quando nasceu, pensou e até pareceu que seria grande. Mas hoje todo mundo sabe que é só um time pequeno que virou iô-iô entre as divisões do campeonato brasileiro.

Diego Costa

Vasco da GamaA reação e discurso de Felipão foi vergonhosa, enquanto Parreira, Marim e os advogados da CBF foram apenas risíveis mesmo. Qualquer um que entenda um tantinho de futebol sabe que o técnico da seleção canarinho queria mesmo era atrapalhar a Espanha.

Não cabe nem discutir se o cara é essa coca-cola toda mesmo. Mas ele foi convocado para dois amistosos mequetrefes no início do ano e não agradou. Tanto que sequer foi lembrado pela comissão técnica ou jornalistas na época da Copa das Confederações. Aí o sujeito resolve jogar por outro time e o caso vira a pantomima que vimos.

Concordo que a (falta de) regra da FIFA é bisonha, mas o sujeito tem o direito de escolher. E isso não é nada demais. Mas será que a turma acredita que, com Diego Costa, o time que foi bicampeão europeu e campeão mundial sem ele será, agora, imbatível? Medinho de perder? Quem vergonha.

E se você duvida de que isso é atitude de time pequeno, basta lembrar do que o Vasco fazia com os clubes contra quem iria jogar e tinha atletas da colina no elenco (o Olaria que o diga). Sim, eu sei que o clube de São Januário é um gigante do Rio. Mas é inegável que Eurico Miranda fez muita força pra mudar isso. E Roberto vai pelo mesmo caminho…

Rei do camarote

São PauloÉ possível imaginar um sujeito como esse fora de São Paulo? Sim, coloque essa pergunta na conta de todos os preconceitos possíveis. Mas onde mais uma garrafa de champagne, uma Ferrari e duas ou três subcelebridades agregam tanto valor à imagem de alguém? E o statis? E a mulher que o cara comeu no banheiro? E, no futebol, quem mais faz questão de se dizer rico, competente, bem gerido, limpinho, cheiroso e macho?

Ok, eu sei que o São Paulo não é time pequeno. Mas esse jeito de ser é de uma pequenez enorme (com trocadilho, claro).

Massa (e Nars) na Williams

BotafogoSua história está cheia de grandes vitórias, títulos e heróis. Até semi-deuses já fizeram parte do time. Mas já faz 16 anos que não ganham nada, nem campeonato de construtores nem de pilotos. Daí pra chegar a 21, não custa nada. E agora vocês já sabem de quem estou falando.

Massa saiu da Ferrari e gritou aos quatro ventos que só ficaria na F1 se fosse em uma equipe capaz de lhe dar um carro competitivo. E aí fecha com a Williams? Ok, o time tem história, como sabemos. E, apesar da grana cursta, também está com as contas em dia. E o regulamento quase vira de cabeça pra baixo a partir do ano que vem, do motor à asa dianteira, tudo muda. Mas daí é ser muito otimista achar que isso basta para inverter a relação de forças da categoria.

Porque é básico: quem tem dinheiro paga os melhores (e mais caros) profissionais. Eles podem errar? Claro que sim. Mas daí uma equipe sem grana para desenvolvimento se transformar na rainha das pistas? Não, meus amigos, aí já é esperar milagre mesmo.

E Nars, o que tem com isso? Pela foto de Massa no site da equipe, Banco do Brasil ao fundo, é o garoto (seus patrocinadores, na verdade) que paga a conta. Ele será o reserva da equipe, o que é quase nada hoje em dia. Mas quando surgiu a notícia do acerto com Massa, falaram em cinco anos. Anunciaram três. Será que, como divagou Flavio Gomes, que não seria um contrato de 3 + 2 anos, uma venda casada dos dois felipes?

Voltando ao futebol, já faz 18 anos que o Botafogo ganhou seu único brasileirão. E nos últimos anos (e é claro que não levo os estaduais em conta), uma vocação para cavalo paraguaio floresceu. Será que isso pode acontecer com o time de Grove. Por conta das mudanças, um coelho da  cartola e a Williams pula na frente. Mas sem a grana pra continuar desenvolvendo, fica pra traz na reta final da temporada. Quem sabe? Afinal há coisas que só acontecem…

Enfim

FlamengoComo todo mundo está cansado de saber e mais uma vez foi comprovado, time grande não cai.

Desce mais uma gelada

A sociedade brasileira lutou durante anos para institucionalizar essa regra e, após um longo período de conscientização e adaptação, a população em geral e os freqüentadores dos estádios em particular entenderam que é uma medida benéfica. Ao abrir essa exceção, vamos retroceder décadas em 30 dias. Além disso, vamos abrir um precedente para que a CBF e outras federações nacionais exijam o livre comércio em jogos da sua competência. (…) Essa droga lícita amplifica rivalidades e facilita a expressão da agressividade. Em jogos de futebol isso pode ser ainda mais evidenciado, já que há grupos de torcedores em oposição. (…) É preciso resguardar os interesses da população no que diz respeito à saúde pública e à segurança nos estádios, independentemente dos interesses e intervenções de alguns grupos.

O que você vê acima são declarações do psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead). Salgado se manifestou por conta do anúncio de que a Lei Geral da Copa pode permitir a venda de cerveja nos estádios durante a competição em 2014.

É claro que essa liberação vai acontecer, a Budweiser é uma das patrocinadoras da FIFA. Eu mesmo já tinha falado nisso durante o mundial de 2010, nesse post.

Sobre esse assunto, há duas questões. A primeira, que é a proibição de venda de bebidas nos estádios e, em muitos estados e/ou cidades, no seu entorno. Sou absolutamente contra isso. Durante boa parte de minha vida, freqüentei estádios. No maior deles, não foram raros os jogos com mais de 100 mil pessoas.

Nesses casos, e fazendo uma conta burra e modesta, vá lá que apenas 30% das pessoas bebesse. Chegaríamos à marca de 30 mil bebedores. Desses, quando havia brigas e outros problemas, os contentores talvez chegassem a 100 ou 200 (nos grandes tulmutos). Nem 1%!!!! Mesmo assim, a massa pagou o preço numa clara ação do estado babá. Basicamente, as pessoas não tem mais o direito de escolher o que fazer de certo ou errado e arcar com suas conseqüências.

Salgado, ao gritar contra a cerveja e dizer que ela seria uma das causas da violência entre torcidas, não lembra que as brigas entre organizadas continuam acontecendo dentro e fora de estádios. Muitas vezes, marcadas com auxílio das redes sociais. Ou seja, seguindo sua lógica, deveríamos proibir o uso da internet.

Salgado diz ainda que é preciso olhar os interesses da população. Que interesses de qual população? Porque não conheço ninguém nos meus círculos de amizade que seja a favor da proibição. E não conheço ninguém que, enquanto era permitido, tenha bebido em um estádio e colocado o mundo ou mesmo o síndico de seu próprio prédio em perigo.

No meu quintal, mando eu

O outro ponto desse problema diz respeito à soberania nacional. Mesmo discordando da lei, ela existe e deve ser cumprida. Ou seja, a abertura de uma exceção por exigência dos organizadores de um evento – qualquer que seja – não deveria existir. Pois além de afronta clara ao Estado, abre precedentes para que qualquer organizador de qualquer evento possa solicitar e esperar que receba o mesmo tratamento. Daí pra virar zona, falta um pulo.

Nesse caso, cabe a pergunta: “quem manda na minha casa?”. Se a lei é vagabunda e deve cair, é problema nosso, discussão que nós temos que fazer. Se a Copa será um pretexto para tratar do tema, ótimo. Mas no dia do ponta-pé inicial, a coisa tem que estar decidida da seguinte forma: ou a lei é mantida e vale inclusive para o mundial, ou ela não presta e a cerveja está liberada, tanto para a Copa quando para os jogos da quarta divisão do campeonato roraimense.

Nesse sentido, a tal Lei Geral da Copa ainda vai mexer em mais vespeiros, como a não existência de meia-entrada durante o torneio. Basicamente, vem mais confusão por aí. Ou será que a UNE, só para dar um exemplo, patrocinada pelo governo que bate palmas para a Copa, vai colocar o rabo entre as pernas e aceitar essa imposição?

Verbetes e expressões (22)

Tangência

s.f.

Matemática. Estado ou qualidade de tangente. Ponto de tangência, ponto único em que duas linhas ou duas superfícies se tocam.

Fonte: Dicionário Online de Português

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É curioso como algumas coisas acontecem por aqui, nessa nossa terrinha. A confusão estourou há alguns dias e o desenrolar tem sido acompanhado pela imprensa do mundo inteiro, algo natural em se tratando da FIFA. Apenas mais um escândalo de corrupção.

Surpreendentemente, há um brasileiro envolvido na última confusão que mereceu documentário produzido pela BBC de Londres. O nome do sujeito é Ricardo Teixeira. E você se surpreende? Pois entre as muitas denúncias, o sujeito – que preside a CBF há trezentos anos e já respondeu até a CPI no nosso congresso – teve que devolver uma enorme soma de dinheiro (na casa dos vários milhões de dólares) em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suiça. E sabem quem mais é acusado pelo programa? O sogro do Sr. Teixeira, João Havelange.

Para saber mais sobre o caso, basta visitar a página do programa Panorama (em inglês). Para completar, assistam a entrevista de Andrew Jennings – o jornalista responsável pela investigação – à ESPN Brasil.

E o que isso tudo tem a ver com tangência? Quem acompanha futebol por aqui, mesmo que muito à distância, está cansado de saber que uma das maiores parceiras da CBF é a Rede Globo de Televisão, em particular (e as Organizações Globo em geral).

Pois não é que os caras deram um jeito de não tocar no assunto, ou quase. Hoje, no Jornal Nacional, falaram sobre uma coletiva em que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, falou sobre o tema e disse que terá tolerância zero e essas coisas que todo mundo sabe que é blá blá blá. E conseguiram não falar sobre os brazucas envolvidos. Não é brilhante?

Na verdade, e para quem tem só um pouquinho de memória, nenhuma surpresa. Não são poucos os casos em que os caras não vão atrás de notícias sobre parceiros estratégicos. Mas às vezes, a notícia vai atrás deles de modo tão contundente que não dá mais pra fugir. Um clássico? A campanha Diretas Já, case mais do que conhecido.

E então, será que dessa vez eles vão escapar?

P.S.: A resposta à pergunta de Jennings durante sua entrevista, que virou manchete, é fácil de imaginar. Afinal, estamos cansados de saber o tipo de governantes que temos por aqui.

Fielzão

Todo mundo sabe que faltam menos de quatro anos para a próxima Copa do Mundo, Brasil 2014. E com a história de nossos políticos e cartolas, além do exemplo próximo do Panamericano Rio 2007, temos meio que a obrigação de ficar ligados a tudo que envolve a organização do mundial que vem aí. Porque a sangria promete ser daquelas…

Enfim, um dos imbrólios – qual será o estádio de São Paulo para a Copa e onde será a abertura – parece que foi resolvido nos últimos dias. Depois de toda a novela do Morumbi, entre muitos projetos enviados e negados, além dos problemas políticos entre clube, federação e CBF, foi anunciado que receberá o jogo de estréia da Copa do Mundo 2014 será o “Fielzão”, o estádio do Corinthians.

Ah, você também achava que o campo do Timão, clube que completa 100 anos amanhã, não tinha seu próprio estádio, pois vive jogando no municipal Pacaembu? Pois é, você está certo.

O “Fielzão” ainda é só uma maquete digital. Será construído em Itaquera, prometidamente sem recursos públicos e será entregue em 2014.

Bom, entre todos os comentários, jogos de cena, gritas e acusações de qualquer coisa, seguem abaixo dois textos sobre o tema.

O que sobrou

O presidente do Corinthians disse que a CBF aprovou o projeto sem vê-lo, graças à credibilidade do clube.

O governador de São Paulo disse, agora há pouco, que Itaquera foi “o que sobrou”.

O prefeito admitiu que será preciso mais dinheiro do que os orçados R$ 300 milhões para que o estádio receba a abertura da Copa do Mundo, uns R$ 180 milhões a mais.

O Morumbi foi objeto de três inspeções físicas da Fifa e mandou  quase três dezenas de relatórios e dele se exigiram R$ 650 milhões para fazer sua reforma.

Mas o estádio corintiano, dizem, custará menos que a reforma do são-paulino!

Sem, é claro, por enquanto, nenhuma inspeção ou relatório.

Embora falte quase tudo na região de Itaquera.

Por mais generosa que seja a empreiteira que erguerá a arena, é óbvio que o agrado ao presidente da República será recompensado no futuro governo.

Como é evidente que a aliança tucano/demo, que quer salvar os anéis na eleição estadual porque a federal está perdida,  está fazendo de tudo para tirar o impacto do anúncio que seria feito amanhã com Lula no Parque São Jorge.

Por isso a visita do governador tucano e do prefeito demo ao terreno onde se construirá o estádio para 48 mil torcedores, que serão, graças às arquibancadas retráteis, provisórias,  65 mil para a abertura da Copa.

Juca Kfouri

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Cada um enxerga como quer

O Corinthians terá um estádio e receberá os jogos da Copa de 2014. A notícia é tão polêmica pra uns que chega a assustar. Mas, se formos colocando pingos nos “is”, veremos que não chega a ser tão incrível assim.

Ela é uma decisão polêmica especialmente por termos sidos comunicados pelo SPFC de que a Copa seria no Morumbi e ponto final. Partindo daí, qualquer coisa se tornava surpreendente.

Vamos dividir as coisas por partes.

Quando a FIFA confirmou o Brasil na Copa, o Morumbi festejou. E com razão, afinal, tinha tudo pra sediar os jogos.  Mas, entre “ter tudo” e “sediar” vai uma distância, e o SPFC esbarrou na bobagem de ir na TV garantir a Copa lá. Coisa que não seria muito normal sem estar aprovado ainda.

Aí você pode perguntar: “Mas porque o Morumbi não pode sediar a Copa?”

E a resposta é fácil. Ele pode, sempre pode. Mas sempre pode sediar JOGOS da Copa, não a abertura. Pra fazer abertura, era necessário mudar muito, pois as exigências são parecidas com as da final.

Fizeram um projeto, enviaram. Foi recusado. Fizeram outro, recusaram internamente. Fizeram o terceiro, foi a FIFA e APROVARAM o projeto, PORÉM, não para abertura. O SPFC não aceitou, fez mais um e desta vez cometeu um erro grotesco: Mandou o projeto sem orçamento.

A FIFA o recebeu, estava dentro do que ela pediu, e APROVOU o Morumbi. Só que o orçamento de 600 paus o SPFC não tinha como pagar. E aí eu pergunto: Qualé o sentido e a credibilidade em se fazer uma proposta a alguem que você não pode pagar?

Como eu posso chegar pra você e dizer: “Quer ganhar 200 mil? Então vem pra minha empresa!”. Aí você vem e eu digo: “Eu não tenho 200 mil pra te dar”. Isso é absurdo, ridículo, impossível de acreditar.

E aí, neste momento, a FIFA e a CBF cortaram o Morumbi da “brincadeira”, alegando que eles não sabiam brincar. E convenhamos, com uma dose de razão. É um absurdo mandar 4 ou 5 projetos, nenhum sem a abertura, e o aprovado sem orçamento.

Lembrem-se: O SPFC mandou um projeto pra FIFA e ela APROVOU. Quem deu pra trás e disse que não podia pagar foi o clube, não a CBF e a FIFA. Se o SPFC diz que tem a grana, nada seria discutido. Já estava ok. Mas, ele não tinha.

Partindo daí, entra a tal história da “politicagem”. Eu acho ela engraçada.

Cada um enxerga politicagem onde quer e lhe convém. Quando o Andres é amigo do Teixeira, é politicagem. Quando o Corinthians tenta usar a Copa pra arrumar investidores pro estádio é politicagem. Mas quando o SPFC mete um dirigente remunerado como deputado, não é. Quando o Kassab passa a ir em todos os eventos do clube, também não é.

Se a eleição do clube dos 13 foi tão determinante assim, como dizem, porque a FIFA recusou os projetos do Morumbi antes do clube dos 13 ter sequer candidatos?

Houve politicagem de todos os lados, e isso existe na sua casa, na sua empresa, onde for.  Não sejamos babacas de achar que um dos lados “não teve força politica” e é coitadinho. Os dois fizeram, só que um foi mais espertinho.

Quem é que tenta sediar uma Copa tendo brigado com FPF, CBF, Clube dos 13, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Galo, Inter, Flamengo, etc etc etc? É óbvio que você terá menos força, pois é burro e peita todo mundo. Quando precisa, não tem ninguém ao seu lado.

Se você racha com alguém por um ideal é absolutamente digno. Quando você racha com todo mundo por mera birrinha, você está sendo meio burro.

Então, estando no pé que está, a decisão se torna simples.

O Morumbi tá fora? Ok. Então sobra o que? Nada.

Ah, mas o Corinthians está lançando um estádio moderno que ficará pronto em 2014.

Opa! Então pronto. Se é um estádio novo, está dentro das normas da FIFA. Fica sendo lá, simples.

O que PODERIA haver de irregular ou anti-ético seria o estádio ser feito com dinheiro publico e dado ao Corinthians, como sugeriram, e não é o caso até aqui. Até onde sabemos, são investidores e dinheiro de empresas, nada com grana publica.

Se não é grana publica, amigo…. não ha nada pra chorar. O Corinthians faz o estádio quando quiser, onde quiser e ninguém tem nada com isso. Da mesma forma que o SPFC arrumaria patrocinadores pra bancar o Morumbi com o argumento da Copa, o Corinthians fará o mesmo.

Aí alguém, ainda procurando motivos, pode dizer: Mas em volta do estádio do Corinthians as obras podem ser com dinheiro público. E eu respondo que o projeto do Morumbi, aprovado pela FIFA, tinha uma ENORME obra em volta aprovada para ser feita pela prefeitura. Ou seja, mesma coisa.

Até porque, o “em volta” é problema da prefeitura e não do clube.

Enfim, eu não vejo tanta “sacanagem” como alguns dizem por aí. Vejo uma inteligente jogada de relacionamento do Corinthians, que se aproximou dos caras certos na hora certa e uma proposta absurda do SPFC, que ofereceu algo que “não podia pagar”. Santo Deus, então não oferece!!!

Cabe ao estado de SP buscar um estádio pra receber a Copa. Cabe aos clubes se candidatarem. Cabe a CBF aprovar, cabe a FIFA meter o carimbo.

A CBF aprovou o Morumbi e a FIFA também. O SPFC não teve a grana pra bancar a obra. Se tivesse entregue um projeto de 250 mi sem abertura, hoje isso estaria bem resolvido: Abre e fecha no Maracanã, e SP recebe a Copa até, sei lá, as semifinais.

Pronto.

Mas…

Rica Perrone

Sobre os textos acima – se já não bastassem as devidas reputações de isenção construídas ao longo do tempo -, vale lembrar (ou contar pra quem não sabe) que Juca é corintiano e Rica é sãopaulino.

Ah, as outras novidades (já não tão novas) sobre a Copa é o início das obras no Maracanã e a demolição da Fonte Nova. Enfim, parece que começou mesmo.

O fim da ressaca e de tudo um pouco

O blog anda meio parado e pode parecer que ainda é a ressaca da Copa. Na verdade, só a correria que nos acomete, às vezes maior do que o habitual. É o caso desta semana. O problema é que enquanto a gente fica meio perdido e completamente atabalhoado com o dia a dia, o mundo não para.

E muita coisa importante e desimportante tem acontecido. A Dilma rubricou um plano de governo infeliz e quando a imprensa se deu conta, disse que não leu mesmo e que rubrica não é assinatura. E é esta figura que aparece como a mais forte candidata à nossa presidência. Vamos bem?

Lou Reed não cancelou sua visita à Flip, e ainda não sei se isso é bom ou ruim. O certo é que, se viesse, Paraty nunca mais seria a mesma. Pelo menos é o que pensa o Luiz.

O Flamengo voltou a jogar e venceu, apesar do time horroroso que não consegue trocar passes de dois metros.

Lula entrou em confronto com a Fifa, teimando em dizer que a preparação para a Copa 2014 não está atrasada e que nós não somos um bando de idiotas. Sei.

O trem bala vai sair do papel e, reza a lenda, ficará pronto em 2016. Ligando o Rio a São Paulo e com preço médio de passagem maior que a ponte aérea, já nasce fadado ao fracasso. Pelo menos depois que deixar de ser novidade.

Na F1, a Red Bull deveria dar asas para todos, mas tirou a de Webber em benefício de Vettel. O australiano foi para o pau, venceu e ainda jogou a merda no ventilador.

Na Venezuela, a pedido de Cupa, Peña Esclusa foi preso e acusado de terrorismo. Você não sabe quem é esse sujeito? Deveria. Pelo menos é o que o Giorgio, leitor e comentarista mais assíduo desse canto da internet, diz. O fato é que plantaram explosivos na casa do sujeito que é um pacifista. Mas como ele é contra e denuncia o modus operandi das nada democráticas neo-democracias latinas, deram um jeito nele. Mas você não viu nada por aí, na imprensa? Bem vindo ao país do Lula, amigo de Fidel, Chávez, Correa, Morales, Mugabe, Ahmadinejad. Bem vindo ao país que, se a gente deixar, será de Dilma.

Assim como aconteceu com os Nardoni, Bruno já foi preso e condenado. Mesmo antes de ser julgado. Não, não estou defendendo nem uns, nem o outro. Mas parece que nossa imprensa não aprendeu nada com a Escola Base.

E enquanto a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento gay, o JB se prepara para desaparecer e nosso congresso está ocupado com a lei da palmada.

E sabe que olhando tudo isso, dá até vontade de continuar meio alheio…

A força da grana (ou como será em 2014?)

É das coisas mais óbvias e comuns as galerias de fotos de garotas lindas, sempre que Holanda e Dinamarca jogam em copas do mundo ou eurocopas. E hoje foi uma festa, porque as duas seleções se enfrentaram. E é claro que os registros foram feitos e já correm mundo. Mas nessa foto da torcedora dinamarquesa há um detalhe, no mínimo, interessante: ela está segurando uma garrafa de cerveja dentro do estádio.

É claro que a cerveja é uma das patrocinadoras da FIFA, mas fico me perguntando como será em 2014. Porque por aqui, na Terra Brasilis, é proibido beber dentro de estádios e, alguns estados e cidades, em um grande perímetro ao redor. Vai valer a lei dos homens ou a lei da grana?