Liberada a bandalheira

Não se assustem se, neste final de semana, nos treinos ou corrida realizada em Monza, você se deparar essa nova pintura da Ferrari. Afinal, depois do que aconteceu ontem… E olhem que eu tive que resistir muito para não cair no óbvio e colocar aqui uma foto de uma suculenta marmelada.

É claro que a foto é apenas uma montagem que já rola pela internet, após a absolvição da Ferrari pelo jogo de equipe escandaloso cometido no GP da Alemanha, no dia 25 de julho. A manobra, contra o artigo 39.1 do regulamento desportivo da fórmula 1, foi tão acintosa que os comissários aplicaram a maior penalidade possível no momento, uma multa de US$ 100 mil. Algo que, para a Ferrari, sai na urina (com o perdão da grosseria).

Mas o caso foi encaminhado ao Conselho Mundial, onde seria analisado e julgado. Pois aconteceu a absolvição por falta de provas. Acreditem, essa é a declaração do presidente da Fia, Jean Todt. Na verdade, apenas uma parte do que ele disse.

Em entrevista, disse que todos sabem e até reconhecem que houve o jogo proibido, mas não há provas suficientes apenas com as gravações de rádio e depoimentos. Afinal, não há em qualquer lugar a ordem expressa “deixe ele passar”. Resultado: absolvida por unanimidade.

Na verdade, dadas as posturas adotadas pela federação nos últimos tempos, a absolvição não foi nenhuma surpresa. Pois para os integrantes do conselho e donos de equipe, o que vale é o negócio e a empresa, os interesses corporativos. E dane-se a imagem que se tenta vender há 60 anos, de que o vale é competir, que o melhor conjunto homem-máquina vencerá etc etc etc.

E a primeira conseqüência do resultado de ontem é que a própria federação já anunciou que vai rever a regra, provavelmente liberando qualquer jogo de equipe. Podiam aproveitar, então, e acabar a festa do pódio após as corridas. Afinal, vencerá quem a equipe quiser e não quem conseguir.

Na verdade, o jogo de equipe é um dilema porque – além de sempre ter existido -, para a grande maioria de público e imprensa especializada, é aceitável em momentos de decisão por títulos, como Massa fez por Raikkonen em 2007 e o contrário aconteceu em 2008. Mas se a coisa institucionalizada… Como é que vou explicar para um garoto que está no kart, sonhando com a carreira de piloto que, na verdade, ele vai se preparar para realizar desejos de seu patrão ao invés de correr para conquistar tudo aquilo que, um dia, o levou a querer ser piloto de corridas?

Pois é, justamente aqueles que deveriam se preocupar em manter o espírito do esporte estão, aos poucos, matando algo que durante 60 anos construiu mitos e amealhou milhares e milhares de fãs ao redor do mundo. No fim, com esse tipo de atitude, quem deveria cuidar do negócio está empurrando sua galinha dos ovos de ouro para o abatedouro. Porque não é disso, definitivamente, que o público que acompanha a categoria – e no final é quem paga as contas – gosta.

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Pista de verdade, corrida de verdade

Uma pena que a corrida festiva de Barrichelo tenha terminado logo na primeira volta. Pena porque dava pinta que faria um bom resultado, o carro tem sido efetivamente consistente. Uma pena porque, da maneira que a prova se desenhou, Rubens poderia ter alcançado um excelente resultado.

Além da nota triste para o piloto brasileiro, o final de semana belga – pela enésima vez – confirmou que o primeiro item para se ter uma boa corrida é ter uma boa pista. Se, como em Spa, o clima aprontar, melhor ainda.

Entre os cinco que (ainda) lutam pelo título, o primeiro destaque vai para Alonso, que teve corrida pra apagar da história. Abalroado por Barrichello na primeira volta, foi aos boxes para consertar o carro e aproveitou, com a chuva chegando, para colocar pneus intermediários. Deu azar, porque a chuva no início foi apenas para dar um tempero e parou logo. O espanhol precisou retrocar pneus. Partiu como um louco do fundo do pelotão e fez uma belíssima prova até que, com a água que voltou no final, pisou além da zebra, bateu e deu adeus à disputa. Ainda tem chances, mas muito remotas. A não ser que os quatro que estão à frente tenham – pelo menos – dois finais de semana desastrados entre os seis que faltam para o campeonato.

O segundo destaque foi o acidente entre Vettel e Button. Muita gente tentou sacrificar o jovem alemão que, por erros bobos, está desperdiçando o campeonato. No acidente do domingo, no entanto, não vi tanta culpa do garoto. Ele estava lutando por posição, entrou no vácuo e… Várias possibilidades. Uma pequena tirada de pé de Button um pouco antes da hora obrigaria Vettel a tirar o carro de repente, de maneira brusca ao ponto de perder seu controle? Ao tirar o carro para tentar a ultrapassagem, a combinação perda de pressão aerodinâmica e pista úmida o fez perder o controle? Na verdade, não importa muito, foi mesmo um acidente de corrida e puni-lo por isso soa como um aviso da FIA para que os pilotos não tentem ultrapassar ou fazer qualquer manobra mais arriscada.

No final Button saiu da prova, como Alonso, e Vettel não pontuou. Como o espanhol, ainda têm chances, mas dependem de problemas dos dois que estão à frente.

E aí, vamos ao que interessa: com o resultado de Spa – e caso nada de anormal aconteça nas próximas provas -, o campeonato tende a ficar polarizado entre Hamilton, novo líder, e Webber. McLaren já deposita suas fichas no jovem campeão e já aponta o australiano como grande adversário. Curiosamente, apesar da distância de 28 pontos entre seus pilotos, avisou que ainda não vai priorizar ninguém. Surreal? Talvez. No fundo, mais uma confirmação de que o queridinho da equipe é mesmo Vettel. Mas Helmut Marko precisa entender que para tudo há limites, inclusive a teimosia. Ou corre o risco de perder o campeonato mais ganho dos últimos anos.

No mais, esperar duas semanas por Monza, a pista mais rápida do ano, mais um circuito clássico. Historicamente, uma corrida seca. Ou seja, motores e pneus serão fundamentais. Sinceramente, estou torcendo pelo título de Webber.

Blá-blá-blá, ti-ti-ti, vrummm-vrummm

Estamos no meio de uma semana de grande prêmio, a dois dias dos carros irem à pista para os treinos livres em Istambul. E notícias e boatos continuam pipocando aqui e ali.

O mais barulhento trata das negociações entre Felipe Massa e Ferrari sobre sua renovação de contrato. Felipe é ligado à Ferrari desde 2001 e seus contratos sempre foram renovados sem estardalhaço, sem que toda a imprensa ficasse de olho no que estava acontecendo. Mas boatos de que Kubika teria um pré-contrato assinado com o time de Maranello para o próximo ano esquentou a coisa. Além disso (e apesar de ser o líder do campeonato), especulações sobre a aposentadoria de Mark Webber ao final de 2010 ajudaram a aumentar o ti-ti-ti.

Massa perdeu seu lugar? Massa vai para a Red Bull? Para a Renault? Victor Martins revelou, nesta semana, que a McLaren sondou o brasileiro no ano passado, às vésperas do GP da Hungria, convite recusado pelo brasileiro pois estaria renovando seu acerto com a scuderia naquele final de semana, algo que não aconteceu graças à mola que voou do carro de Barrichelo. E agora? Seria um bom momento para buscar novos ares? A favor da Red Bull, a notícia de que o projetista Adrian Newey seguirá com o time dos energéticos por um bom tempo.

Enfim, por enquanto não é possível arriscar nada.

Sobre os pneus que serão usados a partir da próxima temporada, a disputa terminou entre Pirelli e Michelin. Mas como disse no dia 14 de maio, a escolhida será a fábrica italiana e o anúncio deve sair nesse final de semana. E aviso logo, nenhum passarinho verde piou aos meus ouvidos. Mas se olharmos os detalhes… A Pirelli já é fornecedora da GP 3, categoria que estreou neste ano. Além de fazer uma proposta muito mais econômica, passaria a fornecer também para a GP 2, calçando os carros do acesso à ponta.

Outra coisa que disse no mesmo dia é que a Hispania até terminaria 2010, mas não correria no ano que vem. Pois não é que a equipe anunciou hoje que encerrou sua parceria com a Dallara? Sem parceiro e sem capacidade de construir, o que vocês acham que vai acontecer? E Bruno Senna afundando junto…

Meu terceiro palpite naquele dia versava sobre as novas equipes que estariam no grid em 2011. E talvez eu erre feio. Oficialmente há cinco times lutando por uma vaga, a 13ª que foi abandonada pela US F1: Epsilon Euskadi, Art Grand Prix, Durango, Stefan GP e Cypher.

Delas, considero que duas estão fora da disputa real. A Stefan tentou esse ano, fez muita pressão, negociou com Toyota, foi apoiada por Bernie Ecclestone, mas não vingou. A Durango não teve capacidade financeira de se manter nas categorias de base.

Mas aí, foi anunciado que o GP dos EUA volta ao calendário em 2012, em uma pista que será construída em Austin, capital do Texas (vem aí mais um ‘Tilkódromo’). Aí, a Ferrari volta a fazer pressão pela possibilidade do terceiro carro, que gostaria de competir administrado por uma equipe americana. Aí, representantes da Cypher anunciam que negociam com uma renomada montadora da F1. E aí, são tantos interesses comerciais que já não duvido que, apesar do último fracasso ianque, essa tal Cypher ocupe a vaga aberta, relegando duas das maiores equipes do automobilismo mundial, com história com carros de fórmula, turismo, protótipos e até rali, à briga por uma possível (e até provável) segunda vaga.

Será que Jean Todt, o novo presidente da FIA, cometeria esse erro logo depois das cagadas que Max Mosley fez? Ou será que a Sauber, que também tem muitos problemas financeiros, também deixaria a F1, abrindo – ao todo – três novas vagas?

Todas esses boatos e especulações e chutes e palpites e dúvidas com apenas um terço do campeonato completo. E falei um monte de coisas, mas não disse nada sobre o que é mais importante, a corrida de domingo. E que Massa, se ainda quiser sonhar com disputas em 2010, tem a obrigação de fazer um grande resultado na pista em que ele já venceu três vezes. E pra não ficar só nisso, o já tradicional vídeo de apresentação da pista, produzido pela Red Bull e comandado por Mark Webber. A tal curva 8 é sensacional até no vídeo game, vejam só.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Na China, numa fria

Começa às 23h desta quinta-feira (horário de Brasília) a programação do GP da China de F1. Quarta prova do calendário, uma das expectativas sobre a prova remete à emoção que pode apresentar. Depois da tediosa corrida de abertura da temporada, no Bahrein, tivemos duas boas provas na Austrália e na Malásia. E como será em Xangai?

Apesar de várias tentativas da FIA para aumentar a competitividade e – principalmente – o número de ultrapassagens, a Fórmula 1 ainda depende do clima, particularmente da chuva. As previsões para o final de semana chinês ainda não asseguram que teremos asfalto molhado, mas é certo que vai fazer muito frio, o que também pode ajudar.

Em baixas temperaturas, todo o comportamento dos carros é alterado, principalmente os pneus. Felipe Massa, por exemplo, já teve problemas de aquecimento da borracha na Austrália. Certamente não é o único e isso pode embaralhar um pouco o grid de largada, deixando a prova muito interessante. Em compensação, a confiabilidade aumenta, diminuindo a chance de quebras a ponto de Bruno Senna acreditar que, além de completar sua segunda corrida, pode ter ganhos de desempenho.

As previsões do Weather.com para o final de semana são as seguintes: quinta-feira entre 8 e 11°C, sexta variando de 8 a 14°C, sábado com máxima próxima a 16°C e domingo, 18°C. A Bridgestone já disse que levará para a China os compostos ‘mole’ e ‘duro’. Com alta durabilidade apresentada até agora, caso se confirmem as condições climáticas, a grande maioria dos pilotos deverá dividir sua corrida em um trecho bem longo com pneus moles e utilização dos duros apenas para cumprir o regulamento.

A pista

O GP terá 56 voltas no circuito de 5,5km relativamente interessante. Das pistas novas e sem personalidade que começaram a se tornar comuns na F1 moderna, não é das piores, com pelo menos dois pontos claros de ultrapassagem mas que, se algum piloto estiver disposto, pode trazer boas surpresas.

Até hoje foram seis provas realizadas em Xangai, com seis vencedores diferentes, o primeiro deles o brasileiro Rubens Barrichelo (Ferrari, 2004). Ano passado, debaixo de chuva torrencial, Sebastian Vettel conquistou a primeira vitória da Red Bull, que fez a dobradinha com Mark Webber. Com o rendimento que teve nas primeiras provas do ano, os dois têm tudo para repetir a dobradinha, desde que não tenham problemas mecânicos. Os outros pilotos que subiram ao alto do pódio foram Fernando Alonso (Renault, 2005), Michael Schumacher (Ferrari, 2006), Kimi Raikkonen (Ferrari, 2007) e Lewis Hamilton (McLaren, 2008).

A programação do GP da China é a seguinte:

15/04 (quinta-feira) – 23h: treino livre (SporTv 2)
16/04 (sexta-feira) – 3h: treino livre (SporTv)
17/04 (sábado) – 0h: treino livre (SporTv)
17/04 (sábado) – 2h35: treino de classificação (TV Globo)
18/04 (domingo) – 3h50: GP da China (TV Globo)

Ventilador parado

Tem gente por aí achando que não se pode dizer que acabou em pizza. Eu diria que em vez de um bela portuguesa tamanho família, vamos engolir uma Mussarela brotinho, no máximo com azeitonas.

O caso é que depois de uma novela enorme e um escândalo maior ainda, Flavio Briatore e Pat Symonds entraram em acordo com a FIA.

Para quem não sabe ou não lembra da história, os dois – junto com Nelsinho Piquet – foram protagonistas do maior escândalo da Fórmula 1, quando combinaram que o piloto brasileiro bateria de propósito no GP de Cingapura de 2008, em um ponto do circuito em que não seria possível o resgate rápido, obrigando a entrada do safety car. A tramóia tinha o objetivo de favorecer o espanhol Fernando Alonso em função de uma tática de corrida inesperada. Deu tudo tão certo que Alonso venceu a corrida. O objetivo era convencer a Renault e possíveis patrocinadores que seria bom continuar na categoria.

Nelsinho se disse pressionado pelos chefes, chegou a dizer que Briatore (seu empresário) era um carrasco. Mostrando uma fraqueza ímpar de caráter, aceitou e fez tudo como combinado. Mas mesmo assim, no meio de 2009, perdeu o emprego devido ao seu baixo desempenho. E resolveu colocar a boca no trombone. Literalmente, merda no ventilador.

Depois de muito disse-me-disse, ficou assim. Alonso, o beneficiado, apesar de ter uma estratégia absolutamente avessa às circunstâncias da prova, disse que nada foi estranho, que não sabia de nada, e passou ileso. Piquet teve o benefício da delação premiada e também não foi punido. Pat Symonds foi punido com cinco anos de afastamento de qualquer competição chancelada pela FIA. Briatore foi banido do esporte.

A briga nos tribunais não parou por aí e o italiano conseguiu que a justiça francesa anulasse a sentença da FIA, o que na prática significou muito pouco. Mas a federação, em vez de recorrer, resolveu costurar um acordo. Aceitou as desculpas formais dos dois ex-chefões e, em troca, os recebe de volta. A partir de 2011 em qualquer competição com o selo FIA e a partir de 2013 na F1.

Na prática, então, ficamos assim:

– Symonds, que na época já se dizia de saco cheio do trabalho, dificilmente voltará ao padock, mas pode trabalhar desde já como consultor e, a partir de 2013, em qualquer equipe. Se acontecer, deve ficar enfurnado em alguma fábrica, como gerente geral ou de projetos.

– Briatores, sócio e amigo de Bernie Eclestone, deve se preparar para voltar para a categoria trabalhando nos bastidores, talvez até substituindo seu parceiro na presidência da FOM (gestora dos direitos comerciais da F1). Ele mesmo já disse que dificilmente voltaria aos boxes e que gostaria de ‘colaborar’ em alguma posição de gestão.

– Piquet… O piloto brasileiro acaba como o grande derrotado de todo o episódio. Marcado como alcagüete, manchou o nome da família na F1 e é pouco provável que tenha algum carro à disposição durante muito tempo, talvez nunca. A seu favor, o fato de ser muito novo e a máxima de que o tempo pode apagar qualquer lembrança. Mas tudo tem um lado bom. Nos últimos meses, tem pilotado em diversas categorias diferentes, uma espécie de free lancer, e com bons resultados. Parece que está feliz, que no fundo é o que interessa. E, sem as mordomias que o nome e o pai lhe proporcionaram em sua formação, amadurecerá pessoal e profissionalmente.

– A FIA, com esse acordo, joga fora um dos grandes exemplos da história do esporte mundial, pois – sob alguns ângulos – a maracutaia foi até premiada.

O mundo é uma pista de corridas

Tentando retomar a rotina, mesmo que aos poucos, volto a falar de Fórmula 1.

Primeiro, a imagem abaixo que encontrei no Blog Victal. O Circuito Mundial da F-1 foi criado pelo Bernardo Borges, designer da revista Mundo Estranho, utilizando as cidades por onde o circo passará em 2010.

Além da imagem final, uma caprichadíssima sacada, assino embaixo o destaque de Victor Martins: muito melhor que qualquer dos novos circuitos costruídos por Hermann Tilke. Outra coisa legal é clicar aqui e ver como o circuito foi criado.

Detalhes e polêmica

No post anterior, logo aí embaixo, está o vídeo com o resumo da última corrida e vale prestar atenção em alguns detalhes. O primeiro, o destaque dado a Felipe Massa, que saiu de Sepang liderando o campeonato. Na largada, é assustador sentir a velocidade da Ferrari ao passar pelo carro parado de Barrichelo. Faltou no vídeo a imagem que definiu a vitória, de Vettel pulando de terceiro para primeiro. E, pra quem não conseguiu ouvir na Globo graças à tagarelice de Galvão, vale prestar atenção no som do motor de Alonso, que abandonou a duas voltas do final.

O vídeo também é bom para tirar uma dúvida desta F1 recheada por polêmicas dos últimos anos. Hamilton ultrapassou Petrov que entra na reta tentando pegar o vácuo para devolver a ultrapassagem. Hamilton dança na reta e, em busca de condições para realizar a manobra, o russo dança atrás. O jovem inglês levou uma advertência por condução indevida, afinal só se pode mudar de trajetória para defender a posição uma vez.

Mas há um detalhe nessa história. Apesar de meio mundo ter achado a advertência uma ‘punição’ fraca, o jovem campeão britânico não merecia sequer um cartão amarelo. Como Petrov nem ensaiou a ultrapassagem, os comissários não deveriam ter considerado a direção de Hamilton errada.

Tecnicamente, o piloto da McLaren não fez nada muito diferente daqueles que balançam o carro antes de cruzar linha de chegada ou de quem tenta aquecer os pneus em plena corrida (Massa cansou de fazer isso, inclusive esse ano).

Hamilton não fechou a porta para Petrov. Petrov é que seguiu Hamilton para tentar entrar no vácuo. Para completar, aproveitem a trilha sonora. A FIA sempre capricha nas trilhas de seus vídeos.

E só pra ninguém achar que sou maluco, o vídeo está sozinho porque foi a única maneira que encontrei para publicar um vídeo do Vimeo, porque o WordPress só aceita vídeos e textos num mesmo post se forem Youtube, Google Video ou DailyMotion.

Há que se ter vontade

Primeira prova sem quebra, uma largada brilhante e uma vitória segura de Sebastian Vettel

Fui meio na contramão daqueles que falaram que a chuva foi a única responsável pela fabulosa corrida australiana. É claro que ela ajudou, mas os pilotos ajudaram, pois mostraram combatividade.

E o GP da Malásia, disputado em Sepang na madrugada de hoje ajudou a confirmar minha história. Ao contrário do esperado, não houve chuva e a corrida foi excelente.

Se é verdade que os quatro primeiros dispararam na frente e não foram ameaçados, daí pra trás a prova foi muito boa.

O primeiro destaque, claro, foi a grande largada de Vettel que, pulando de terceiro para primeiro decidiu a prova. Sem os problemas das duas primeiras corridas do ano, a dupla da Red Bull mostrou que, por enquanto, tem os melhores carros do mundial.

E com a cagada que Ferrari e McLaren fizeram na classificação, ficou mais fácil para Nico Rosberg conquistar o primeiro pódio da Mercedes, seguido por um quase heróico Kubica. Se o polonês não tem uma Renault tão ruim quanto prometia a pré-temporada, ainda é verdade que seu carro – em condições normais – não permitiria que andasse regularmente entre os primeiros. Viva o talento.

E viva a Force India que, definitivamente, não é mais uma equipe pequena. Depois do brilhareco no final do ano passado, o carro evoluiu bem. Se ainda não tem a força das gigantes, é fato que deixou alguns times tradicionais para trás. E com Sutil e Liuzzi dirigindo bem, estará habitualmente nos pontos.

Sobre a corrida, propriamente dita, boa parte da sua graça – verdade seja dita – veio das corridas de recuperação de Ferraris e McLarens que partiram desesperadas desde o início. Massa fez uma boa prova, com excelente largada (batendo Alonso novamente) e uma grande ultrapassagem sobre Button, conquistando a sétima posição que lhe deu a liderança do campeonato. A manobra, inclusive, obrigou o companheiro de equipe a forçar mais do que podia e o carro que já tinha problemas de câmbio, estourou em sua tentativa de ultrapassagem sobre Button.

O grande nome do dia foi Hamilton. Feroz. Não por acaso, foi o primeiro entre os quatro que vieram do fundo.

Enfim, depois de três corridas, algumas conclusões:

– A primeira, curiosa, é que no campeonato em que a FIA aumentou o valor da vitória com a nova pontuação, a regularidade pode ser um grande diferencial. É claro que o campeão terá de vencer corridas, mas com tantos carros competitivos, estar sempre por ali fará a diferença;

– Nem tudo será tão chato quanto no Bahrein nem tão divertido quando na Austrália. Mas a prova malaia pode apontar para uma boa média da qualidade de corridas ao longo do campeonato;

– Apenas nove pontos separam o líder e o sétimo colocado do campeonato. Com tanto equilíbrio, os pilotos precisarão mostrar poder de decisão. Ou seja, há que se ter vontade de ganhar corridas e posições. A pasmaceira ou não de uma corrida será definida pelos pilotos (exceções em função de um ou outro circuito, como o quase autorama Hungaroring e o passeio de Mônaco, por exemplo);

– Se a Red Bull realmente resolver seus problemas de confiabilidade, as outras equipes precisarão de fazer muito esforço para que o ano não seja sem graça. Os touros vermelhos são muito melhores que os outros carros do grid e Vettel é um excelente piloto. Como a temporada européia sempre chega com atualizações em todos os carros, precisamos esperar o GP da Espanha pra ver o que vai acontecer. A ver;

– O que está havendo com a Ferrari? Massa já precisou trocar um motor e hoje foram três quebras: Alonso e os dois da Sauber.

– Bruno Senna e Lucas Di Grassi completaram suas primeiras provas na F1 e devem estar muito felizes por isso. Com razão. Mas os dois estão andando bem atrás de seus companheiros de equipe. Olhando para o futuro, é bom que consigam equilibrar a disputa;

– Barrichelo deixou o carro morrer na largada. De novo!

– Daqui a duas semanas, GP da China. A pista não é lá muito atraente, mas quem sabe não temos uma boa corrida.