Oba-Obama (de novo)

Não é curioso que a frase símbolo do governo Lula possa, agora, ser usada pelo presidente estadunidense? “Nunca antes na história deste país…” Pois Barack Obama se lançou candidato à reeleição 20 meses antes do pleito. Será que qualquer semelhança é mera coincidência? Hummm…

Mas vamos em frente. Afinal, também deve ser coincidência o fato da campanha ser lançada no momento em que as forças armadas do país lutam para proteger vidas civis na Líbia, sem qualquer outro tipo de interesse.

Aliás, sobre a terra do Kadafi, já repararam como é a lógica da ONU, OTAN e os aliados em geral? Todo mundo sabe que o pau canta na Coréia do Norte e ninguém se mete de verdade. E o pau canta na China (a última notícia é a prisão de um dos artistas que desenhou o estádio olímpico de 2008, o tal Ninho do Pássaro), onde ninguém pode fazer oposição ou falar mal do governo, mas ninguém faz nada de verdade. Será que preciso dar mais exemplos?

Na verdade, ao lançar a campanha com tanta antecedência, Obama e sua trupe tentarão usar estratégias de comunicação para resolver (ou fazer parecer que resolveu) problemas de gestão. Porque se é verdade que recebeu o país em uma das maiores crises da história, também é verdade que seus resultados, depois de dois anos, são pífios. E isso é um problema enorme porque lá nos states ainda há oposição de verdade que, com a antecipação da campanha, já começou uma ofensiva para mostrar que o governo vai mal.

Se não fosse suficiente, a política externa também não é das mais alvissareiras. Em que peses sua longa turnê mundial após a eleição e pouco depois da posse, fazendo discursos lindos, a prática não foi tão modificada. Guantánamo, que Obama prometeu fechar, continua lá com um monte de gente presa só porque há desconfiança de que são terroristas; o Iraque continua ocupado; as bombas continuam a cair sobre o Afeganistão; e, por último, a nova empreitada na Líbia

Mas não se preocupem com nada, afinal, tudo o que está aí em cima é apenas coincidência.

Algumas perguntas sobre a Líbia e seus arredores

Então a notícia do dia é a aprovação pelo conselho de segurança da ONU de possíveis ataques à Líbia. E, quase imediatamente, Kadafi manda avisar que se for atacado lançará suas forças militares contra a costa do Mediterrâneo. Vai bem a coisa?

Mas a Líbia acaba de (desculpem a expressão chula) peidar na farofa, dizendo que vai paralisar todas as ações militares. Segundo o chanceler líbio, Moussa Koussa, o cessar fogo fará o país voltar à segurança e protegerá todos os líbios. Estranho? Eu achei.

Com tudo isso, que tal ter uma visão diferente do velho padrão global sobre o que anda acontecendo no Oriente Médio e norte da África? Que tal pensar um pouco diferente do habitual, mesmo que isso leve você às mesmas conclusões habituais?

– por que o ocidente ‘descobriu’ subitamente que os presidentes e primeiros mandatários, antes respeitáveis, são ditadores que devem ser derrubados?

– por que a Arábia Saudita ofereceu ajuda a Mubarak, antes da queda e proibiu a Fraternidade Muçulmana em seu território?

– por que os sauditas rapidamente aumentaram a produção de petróleo para compensar as perdas com o óleo líbio?

– por que a Turquia apóia incondicionalmente Khadafi?

– por que Khadafi acusa a revolta de uma manobra simultânea de Estados Unidos e a rede terrorista Al Qaeda?

– por que belonaves iranianas armadas com mísseis atravessaram o Canal de Suez, rumo à Síria?

– por que o Iraque e a Síria sumiram do mapa e o Iêmen e o Bahrein assumiram importância fundamental?

– por que o Bahrein pediu a intervenção dos sauditas?

– por que as organizações globalistas, como a AVAAZ, uma das organizações globalistas ligada a Soros, espalham abaixo-assinados ‘contra a repressão’?

– finalmente, por que Obama deu todo apoio aos revoltosos?

As perguntas acima estão colocadas em um artigo (ou série de artigos) de Heitor de Paola, dividido em três partes, com o título de Ignorâncias, mentiras e idiotices em relação aos distúrbios do Oriente Médio. Clique aqui para ler a primeira parte; clique aqui para ler as duas restantes.

O meu calendário

Virou notícia entre hoje e ontem a apresentação do traçado do novo autódromo de Austin, que receberá a F1 a partir de 2012. Mais uma obra de Herman Tilke, o sujeito que desenhou todos os últimos circuitos homologados pela FIA para as principais categorias do mundo nos últimos anos. E como quem acompanha sabe, um monte de pistas sem personalidade, sem gosto.

Dessa vez, no entanto, ele saiu do padrão reta-cotovelo-retinha-muitas curvas de baixa-reta. Pelo contrário, ao invés de tentar desenhar algo novo, fez bom uso do relevo do terreno e ainda usou referências de outras pistas que deram certo, como Silverstone, Hockenheim e Istambul. De quebra, uma reta de 1,2km. Resumindo, cheiro bom. Tomara que se confirme.

Inspirado pelo novo desenho e pela passagem da F1 por Spa, resolvi olhar os autódromos que estão por aí, levando em conta a máxima de que “pista boa, corrida boa”.

Ao longo dos anos, especialmente nos últimos 20 anos, algumas circunstâncias provocaram mudanças significativas no calendário, excluindo corridas clássicas e incluindo novos circuitos em locais nada afeitos ao automobilismo. Entre eles, a segurança, especialmente após a morte de Senna. Mas o dado mais importante, a grana.

Graças a isso e mais alguma coisa, um campeonato que era praticamente todo disputado na Europa, com viagens a América do Norte (Canadá, EUA e México), América do Sul (Brasil e Argentina), Japão, Austrália e África do Sul (apesar do apartheid), hoje passa pelo Oriente Médio (Bahrain e Abu Dhabi) e passeia pela Ásia (China, Malásia, Cingapura e Coréia do Sul, além do Japão), em locais em que é comum ver arquibancadas vazias. Afinal, países que não tem qualquer tradição automobilística. E a Índia ainda vem aí.

Enquanto isso, pistas como Hockenheim foram mutiladas e países tradicionais como França e Portugal não recebem mais a Fórmula 1.

Tentei, então, separar que pistas ainda valem realmente a pena, no calendário deste ano, e cheguei a cinco circuitos que, quase sempre, nos dão boas corridas de presente: Interlagos (Brasil), Montreal (Canadá), Spa (Bélgica) e Suzuka (Japão). Mas aí, como um campeonato não seria bom se disputado em looping em apenas quatro lugares, separei mais cinco que – pela tradição, por boas provas mesmo num circuito bobo ou por uma boa idéia, como sua famosa curva 8 – poderiam fazer parte do calendário: Istambul (Turquia), Melbourne (Austrália), Mônaco (Monte Carlo), Monza (Itália) e Silverstone (Inglaterra).

Como em 2011 o campeonato promete ter 20 provas (a Índia vem aí…), fui procurar mais 11 circuitos que, ao meu gosto, poderiam nos divertir ao longo do ano. Sem saudosismos inúteis, tentei separar entre os autódromos que poderiam ser usados imediatamente, com poucas adaptações, afinal a ordem é gastar pouco.

Meu campeonato, então, ficaria assim: Kyalami (África do Sul), Buenos Aires (Argentina), Interlagos (Brasil), Hermanos Rodrigues (México), Watkins Glen (EUA), Montreal (Canadá), Silverstone (Inglaterra), Estoril (Portugal), Jerez (Espanha), Mônaco (Monte Carlo), Ímola (San Marino), Nurburgring (Europa), Melbourne (Austrália), Suzuka (Japão), Paul Ricard (França), Zandvoort (Holanda), Istambul (Turquia), Spa (Bélgica), Hockenheim, o antigo (Alemanha) e Monza (Itália).

E aí, alguém tem alguma outra idéia?

Jogos 49 a 52: oitavas no final de semana

Não há muito o que dizer. Apenas, em função do que vimos na primeira fase, minha impressão de quem vai passar às quartas. Os placares são chutes como quaisquer outros, sem nenhum embasamento teórico ou científico. E pelo que demonstrei até agora, a sorte de acertar algum deles é mínima. Fazer prognósticos para Uruguai X Coréia do Sul e EUA X Gana. São jogos, aparentemente, muito equilibrados. O time de Maradona vai atropelar o México só porque a turma da tequila tem a mania de não respeitar nossos hermanos e tentar jogar de igual pra igual. E o clássico europeu será muito parelho sim, além de emocionante. Mas nos pênaltis, quem não são loteria, a mentalidade absolutamente vencedora dos germânicos será decisiva.

Sobre o jogo do Brasil contra os patrícios, nada além do óbvio. Jogamos mal e ficou comprovado que, se o time titular é forte (e é sim), não podemos esperar muita coisa de quem vem do banco. Nosso técnico anão caiu na própria armadilha. Convocou mal, sem muitas opções, e corre o sério risco de morrer abraçado com os amigos. Nos resta torcer para que ninguém leve cartões demais ou se machuque.

Jogos 37 e 38: yankees rules

Se você está torcendo e até esperando a eliminação da Inglaterra, pode esquecer. Basta vencer a Eslovênia e tudo estará resolvido. O time da Inglaterra é muito bom e, cedo ou tarde, vai funcionar. E os momentos de decisão são ótimos para que os grandes times se apresentem. Além disso, há um detalhe que faz muita diferença num momento como esse: o peso da camisa.

No outro jogo também não haverá surpresas. O time estadunidense, de razoável pra bom, vai passar pela Argélia sem maiores problemas. E com a fome que devem estar depois de serem roubados no jogo contra a Eslovênia, eu diria que a chance de atropelamento é enorme.

Com as duas vitórias, norte-americanos e britânicos terminam o grupo com o mesmo número de pontos. Se os ianques fizerem o mesmo número de gols que os ingleses, saem em primeiro pelo número de gols marcados. Pois eu acho até que eles vão fazer mais gols.

Jogos 21, 22 e 23: para não perder o hábito

Apenas para constar, apesar do atraso e do dia sem muita graça, meus palpites para os jogos de hoje. Como podem ver abaixo, minha capacidade de acertar placares de jogos continua uma lástima. Apesar da vitória da Sérvia, errei o número de gols. Assim como errei o resultado de Eslovênia e EUA (estava acertando até os quase 40 do segundo tempo), quando resolvi apostar no time do Charlie Brown. E, para finalizar, um placar muito pouco provável, quase absurdo, apesar da quase certa vitória do time da rainha na partida entre Inglaterra e Argélia.

Jogo 5: No, they can’t (ou até milagre tem limite)

Taí um jogo interessante. Porque se espera muito do English Team e nada dos ianques. Que não jogam nada mesmo – por lá, futebol, quer dizer, soccer é coisa de mulher – mas vira e mexe, atrapalham um pouquinho. Como eu acho que até zebra tem limite, acho que não será desta vez que o time estadunidense fará algum barulho além da paranóia de seu esquema de segurança. Às vezes, chego a imaginar os agentes do FBI passando árbitros e jogadores em revista na hora de entrar em campo…

Da nada séria série ‘curiosidades da copa’, a partida marca o confronto da metrópole que quase virou colônia com a colônia que virou metrópole (sem quase mesmo). Por fim, vale o registro de que essa partida já aconteceu na copa de 50, quando os EUA venceram (inacreditavelmente) por 1 a 0. Esse resultado foi tão absurdo que virou filme (ruim): The Miracle Match (The Game of Their Lives).

A Inglaterra tem um dos melhores times da Copa e pretende fazer algum brilhareco. O problema deles é que o fato de ter inventado o futebol como o conhecemos parece ter se transformado em sina. Conquistou apenas um título roubado e jogando em casa. E nunca mais conseguiu sequer assustar ninguém. Mesmo com a geração de Lineker, a melhor que apareceu desde a década de 60. O time atual é recheado de craques e deve estrear com uma ‘vitória fácil.