100% incoerente

Anúncio Itaipava Arena Fonte Nova / Criação: Y&RSinceramente, não acredito que a proibição de cerveja nos estádios faça diferença, mesmo, na violência que hoje permeia o futebol. As grandes brigas, inclusive com mortes, têm relação com a rivalidade entre gangues travestidas de torcida. E isso já está mais do que provado.

Mesmo assim, os çábios de Brasília, um dia, resolveram proibir o consumo de qualquer bebida alcoólica nos estádios brasileiros. Em alguns lugares, por normas locais, a proibição também vale nos entornos com variações de raio.

No entanto, descobri hoje – no blog do Juca Kfouri – que a Arena Fonte Nova será (ou já é, não sei) a Itaipava Arena Fonte Nova.

É claro que a venda do direito de nomear os estádios, ou naming rights em português moderno, é uma das formas de arrecadação e recuperação dos investimentos feitos por proprietários ou concessionários. Mas eu não entendi a lógica da Fonte Nova.

Vale lembrar que, mesmo sob concessão, o estádio é de propriedade do estado. Assim, o ente federativo deveria ter o poder (dever, na verdade) de participar dessas negociações e impor alguns limites. Pombas, se o consumo de cerveja no estádio é proibido, não posso permitir que uma bebida dê nome ao estádio e incentive o seu consumo.

Depois, comecei a pensar na cervejaria. Pagam uma pequena fortuna para dar nome ao estádio mas se não rolar uns capilés a mais, rádios e TVs não vão citar a marca ao se referir ao estádio (o que acho um absurdo, se a marca faz parte do nome; mas isso é outra discussão pra outro dia). No caso da Fonte Nova, que já tem seu nome consagrado, nem o público vai aderir à nova nomenclatura. Além disso, seu principal produto não pode ser consumido no espaço a que ela dá nome.

Outro detalhe diz respeito aos maiores eventos que o estádio receberá. Segundo a lei geral da Copa, durantes as copas das Confederações e do Mundo, haverá venda de cerveja, como já é mais que sabido e sempre foi esperado, pois um dos maiores patrocinadores da FIFA é a Budweiser. Ou seja, na hora de brilhar, a marca Itaipava não poderá ser usada pois vai contra os ‘donos’ do estádio durante as competições.

Desculpem, sei que existem inúmeros conceitos e argumentos que justificam a ação, mas sou meio burro pra algumas (muitas) coisas. Alguém pode me explicar, didaticamente, a lógica da ação e a relação custo benefício do negócio?

P.S. 1: como disse, sou contra a proibição. Mas já que é proibido, a legislação deveria ser completa, por coerência, e proibir também qualquer tipo de publicidade nos estádios, dos naming rights às placas de campo.

P.S. 2: acredito que toda e qualquer escolha é, por definição, individual. Para o bem e para o mal, independente de grupos de pressão. Então, acho ridículo a proibição de qualquer tipo de publicidade em qualquer lugar ou horário, cigarros e remédios incluídos.

Anúncios

Adeus ao Olímpico

Gosto muito do Olímpico. Na verdade, gosto muito de muitos estádios (mesmo os que não conheço). Principalmente aqueles que, mais do que se confundir, carregam a história de algum clube. Especialmente os grandes.

O Olímpico, claro, é um deles, estádio do Grêmio. Como bem disse o Rica Perrone, jogar com o Grêmio no Olímpico sempre tem uma carga que vai muito além da qualidade do time deles. Tem a ver com alma.

É mais ou menos como jogar contra o Flamengo no Maracanã. Nosso time pode estar cheio de wellingtons ou bujicas. É o Flamengo no Maracanã.

No próximo domingo acontece o último jogo do estádio Olímpico, o Grenal da última rodada desse brasileirão. Um jogo que não vale nada para a tabela, mas que vale demais para os dois clubes. Os donos da casa se despedindo sem querer deixar a história manchada; o eterno rival querendo carimbar a despedida. O jogo vale a honra, o caráter, a alma.

Para a torcida, que no ano que vem terá um novo estádio, uma dessas arenas modernosas, será o adeus ao seu grande templo.

Mas o que é que eu tenho com isso, deve ter alguém (se é que veio alguém aqui) se perguntando. Tenho que pelo Olímpico, entre todos os grandes estádios do país, sinto um carinho especial e – na hora da despedida – até uma certa melancolia.

Afinal de contas, foi no Olímpico que o Flamengo ganhou o único dos seus seis títulos brasileiros fora do Maracanã. Abaixo, então, minha singela homenagem.

Outro vídeo, esse produzido pela Zeppelin. Bela homenagem, diga-se. Mas faltou o Renato.

1.000

Hoje é um daqueles dias que promete ser quase monotemáticos. Afinal, faltam 1.000 dias para a abertura da Copa do Mundo. O recorte da primeira página de O Globo é sintomático.

Mas, deixando de lado a discussão sobre a seleção, no que diz respeito ao planejamento, obras, o sempre falado mas nunca visto legado, lisura nos projetos e realizações e qualquer outra coisa que tenha relação com o negócio: vocês realmente acreditavam que seria muito diferente?

E alguém ainda acha que para os jogos olímpicos será diferente?

Fielzão

Todo mundo sabe que faltam menos de quatro anos para a próxima Copa do Mundo, Brasil 2014. E com a história de nossos políticos e cartolas, além do exemplo próximo do Panamericano Rio 2007, temos meio que a obrigação de ficar ligados a tudo que envolve a organização do mundial que vem aí. Porque a sangria promete ser daquelas…

Enfim, um dos imbrólios – qual será o estádio de São Paulo para a Copa e onde será a abertura – parece que foi resolvido nos últimos dias. Depois de toda a novela do Morumbi, entre muitos projetos enviados e negados, além dos problemas políticos entre clube, federação e CBF, foi anunciado que receberá o jogo de estréia da Copa do Mundo 2014 será o “Fielzão”, o estádio do Corinthians.

Ah, você também achava que o campo do Timão, clube que completa 100 anos amanhã, não tinha seu próprio estádio, pois vive jogando no municipal Pacaembu? Pois é, você está certo.

O “Fielzão” ainda é só uma maquete digital. Será construído em Itaquera, prometidamente sem recursos públicos e será entregue em 2014.

Bom, entre todos os comentários, jogos de cena, gritas e acusações de qualquer coisa, seguem abaixo dois textos sobre o tema.

O que sobrou

O presidente do Corinthians disse que a CBF aprovou o projeto sem vê-lo, graças à credibilidade do clube.

O governador de São Paulo disse, agora há pouco, que Itaquera foi “o que sobrou”.

O prefeito admitiu que será preciso mais dinheiro do que os orçados R$ 300 milhões para que o estádio receba a abertura da Copa do Mundo, uns R$ 180 milhões a mais.

O Morumbi foi objeto de três inspeções físicas da Fifa e mandou  quase três dezenas de relatórios e dele se exigiram R$ 650 milhões para fazer sua reforma.

Mas o estádio corintiano, dizem, custará menos que a reforma do são-paulino!

Sem, é claro, por enquanto, nenhuma inspeção ou relatório.

Embora falte quase tudo na região de Itaquera.

Por mais generosa que seja a empreiteira que erguerá a arena, é óbvio que o agrado ao presidente da República será recompensado no futuro governo.

Como é evidente que a aliança tucano/demo, que quer salvar os anéis na eleição estadual porque a federal está perdida,  está fazendo de tudo para tirar o impacto do anúncio que seria feito amanhã com Lula no Parque São Jorge.

Por isso a visita do governador tucano e do prefeito demo ao terreno onde se construirá o estádio para 48 mil torcedores, que serão, graças às arquibancadas retráteis, provisórias,  65 mil para a abertura da Copa.

Juca Kfouri

•••

Cada um enxerga como quer

O Corinthians terá um estádio e receberá os jogos da Copa de 2014. A notícia é tão polêmica pra uns que chega a assustar. Mas, se formos colocando pingos nos “is”, veremos que não chega a ser tão incrível assim.

Ela é uma decisão polêmica especialmente por termos sidos comunicados pelo SPFC de que a Copa seria no Morumbi e ponto final. Partindo daí, qualquer coisa se tornava surpreendente.

Vamos dividir as coisas por partes.

Quando a FIFA confirmou o Brasil na Copa, o Morumbi festejou. E com razão, afinal, tinha tudo pra sediar os jogos.  Mas, entre “ter tudo” e “sediar” vai uma distância, e o SPFC esbarrou na bobagem de ir na TV garantir a Copa lá. Coisa que não seria muito normal sem estar aprovado ainda.

Aí você pode perguntar: “Mas porque o Morumbi não pode sediar a Copa?”

E a resposta é fácil. Ele pode, sempre pode. Mas sempre pode sediar JOGOS da Copa, não a abertura. Pra fazer abertura, era necessário mudar muito, pois as exigências são parecidas com as da final.

Fizeram um projeto, enviaram. Foi recusado. Fizeram outro, recusaram internamente. Fizeram o terceiro, foi a FIFA e APROVARAM o projeto, PORÉM, não para abertura. O SPFC não aceitou, fez mais um e desta vez cometeu um erro grotesco: Mandou o projeto sem orçamento.

A FIFA o recebeu, estava dentro do que ela pediu, e APROVOU o Morumbi. Só que o orçamento de 600 paus o SPFC não tinha como pagar. E aí eu pergunto: Qualé o sentido e a credibilidade em se fazer uma proposta a alguem que você não pode pagar?

Como eu posso chegar pra você e dizer: “Quer ganhar 200 mil? Então vem pra minha empresa!”. Aí você vem e eu digo: “Eu não tenho 200 mil pra te dar”. Isso é absurdo, ridículo, impossível de acreditar.

E aí, neste momento, a FIFA e a CBF cortaram o Morumbi da “brincadeira”, alegando que eles não sabiam brincar. E convenhamos, com uma dose de razão. É um absurdo mandar 4 ou 5 projetos, nenhum sem a abertura, e o aprovado sem orçamento.

Lembrem-se: O SPFC mandou um projeto pra FIFA e ela APROVOU. Quem deu pra trás e disse que não podia pagar foi o clube, não a CBF e a FIFA. Se o SPFC diz que tem a grana, nada seria discutido. Já estava ok. Mas, ele não tinha.

Partindo daí, entra a tal história da “politicagem”. Eu acho ela engraçada.

Cada um enxerga politicagem onde quer e lhe convém. Quando o Andres é amigo do Teixeira, é politicagem. Quando o Corinthians tenta usar a Copa pra arrumar investidores pro estádio é politicagem. Mas quando o SPFC mete um dirigente remunerado como deputado, não é. Quando o Kassab passa a ir em todos os eventos do clube, também não é.

Se a eleição do clube dos 13 foi tão determinante assim, como dizem, porque a FIFA recusou os projetos do Morumbi antes do clube dos 13 ter sequer candidatos?

Houve politicagem de todos os lados, e isso existe na sua casa, na sua empresa, onde for.  Não sejamos babacas de achar que um dos lados “não teve força politica” e é coitadinho. Os dois fizeram, só que um foi mais espertinho.

Quem é que tenta sediar uma Copa tendo brigado com FPF, CBF, Clube dos 13, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Galo, Inter, Flamengo, etc etc etc? É óbvio que você terá menos força, pois é burro e peita todo mundo. Quando precisa, não tem ninguém ao seu lado.

Se você racha com alguém por um ideal é absolutamente digno. Quando você racha com todo mundo por mera birrinha, você está sendo meio burro.

Então, estando no pé que está, a decisão se torna simples.

O Morumbi tá fora? Ok. Então sobra o que? Nada.

Ah, mas o Corinthians está lançando um estádio moderno que ficará pronto em 2014.

Opa! Então pronto. Se é um estádio novo, está dentro das normas da FIFA. Fica sendo lá, simples.

O que PODERIA haver de irregular ou anti-ético seria o estádio ser feito com dinheiro publico e dado ao Corinthians, como sugeriram, e não é o caso até aqui. Até onde sabemos, são investidores e dinheiro de empresas, nada com grana publica.

Se não é grana publica, amigo…. não ha nada pra chorar. O Corinthians faz o estádio quando quiser, onde quiser e ninguém tem nada com isso. Da mesma forma que o SPFC arrumaria patrocinadores pra bancar o Morumbi com o argumento da Copa, o Corinthians fará o mesmo.

Aí alguém, ainda procurando motivos, pode dizer: Mas em volta do estádio do Corinthians as obras podem ser com dinheiro público. E eu respondo que o projeto do Morumbi, aprovado pela FIFA, tinha uma ENORME obra em volta aprovada para ser feita pela prefeitura. Ou seja, mesma coisa.

Até porque, o “em volta” é problema da prefeitura e não do clube.

Enfim, eu não vejo tanta “sacanagem” como alguns dizem por aí. Vejo uma inteligente jogada de relacionamento do Corinthians, que se aproximou dos caras certos na hora certa e uma proposta absurda do SPFC, que ofereceu algo que “não podia pagar”. Santo Deus, então não oferece!!!

Cabe ao estado de SP buscar um estádio pra receber a Copa. Cabe aos clubes se candidatarem. Cabe a CBF aprovar, cabe a FIFA meter o carimbo.

A CBF aprovou o Morumbi e a FIFA também. O SPFC não teve a grana pra bancar a obra. Se tivesse entregue um projeto de 250 mi sem abertura, hoje isso estaria bem resolvido: Abre e fecha no Maracanã, e SP recebe a Copa até, sei lá, as semifinais.

Pronto.

Mas…

Rica Perrone

Sobre os textos acima – se já não bastassem as devidas reputações de isenção construídas ao longo do tempo -, vale lembrar (ou contar pra quem não sabe) que Juca é corintiano e Rica é sãopaulino.

Ah, as outras novidades (já não tão novas) sobre a Copa é o início das obras no Maracanã e a demolição da Fonte Nova. Enfim, parece que começou mesmo.

A força da grana (ou como será em 2014?)

É das coisas mais óbvias e comuns as galerias de fotos de garotas lindas, sempre que Holanda e Dinamarca jogam em copas do mundo ou eurocopas. E hoje foi uma festa, porque as duas seleções se enfrentaram. E é claro que os registros foram feitos e já correm mundo. Mas nessa foto da torcedora dinamarquesa há um detalhe, no mínimo, interessante: ela está segurando uma garrafa de cerveja dentro do estádio.

É claro que a cerveja é uma das patrocinadoras da FIFA, mas fico me perguntando como será em 2014. Porque por aqui, na Terra Brasilis, é proibido beber dentro de estádios e, alguns estados e cidades, em um grande perímetro ao redor. Vai valer a lei dos homens ou a lei da grana?