Insuficiência adjetiva

Menos de cinco minutos. Wellington viu a bola passar a sua frente sem qualquer reação – assim como quem para na frente da TV para ver a oitava reprise de uma comédia. Um a zero pros caras. É claro que fiquei puto, mas o jogo nem tinha começado ainda e dava tempo de virar. Bora pra frente.

Mas aí o bagulho ficou estranho. Eu via o Flamengo jogando muito melhor que o Santos, tocava melhor, chegava mais, mas com menos de meia hora de bola já estava três a zero pros caras. Uma pergunta não saía da minha cabeça: que merda é essa? Sabendo que toda invencibilidade um dia chega ao fim, aquele pessimismo característico do meu eu mais profundo aflorou. Não fazia sentido, mas já esperava a goleada histórica.

Mas aí, aquela história que o dentuço falou quando chegou e que às vezes, nos raríssimos momentos de adversidade que enfrentamos, esquecemos: Flamengo é Flamengo.

Agora, tentem imaginar o cenário. Se conseguirem, aqueles que me conhecem vão entender o quanto eu sofri ontem à noite. Às dez e meia, Helena dormia há menos de 15 minutos, enquanto Adriça e Joana esperavam ansiosas e alertas por qualquer chance para começarem a latir desbragadamente. Ou seja, qualquer ruído ou reação um pouquinho acima de um suspiro provocaria uma reação em cadeia que poderia variar entre o acordar de minha filha que poderia me impedir de assistir a peleja até a expulsão do prédio.

Como é que se assiste um jogo como aquele sem soltar nenhum grito, nenhum ‘ai’, nenhum ‘uhhh’? E aí, a mãe da Helena apegada a um livro, repara na TV e solta um “três a zero, já?” E demos sorte por não poder berrar, porque os impropérios vieram à garganta e, se escapam, o divórcio litigioso seria o mínimo.

Mas não durou muito, porque veio o três a um acompanhado de um olhar sanhudo e de um sentar mais ereto. E veio o três a dois. E sem a possibilidade de soltar os gritos de praxe que ajudam a aliviar – afinal, só 31 minutos jogados –, comecei a delirar enquanto fazia minhas primeiras tentativas de arrancar os cabelos.

E continuávamos jogando muito melhor, apesar dos sustos de praxe provocados por nossa defesa inexpugnável (hahahahaha!). E entre os arroubos e desvarios provocados pela falta dos gritos e xingamentos, ameacei a moça ao meu lado: “saio de baiana, pela contramão na Conde de Bonfim, se o Flamengo não ganhar esse jogo”. E foi só eu calar a boca e Williams, o Messi que marca, empurra Neymar dentro da área.

Bola na marca da cal. Não arrisquei olhar pra ela, mas tenho certeza que enquanto segurava a gargalhada, já fazia as contas de quanto gastaria para comprar a fatiota na Casa Turuna.

Mas Elano fez aquela palhaçada, Felipe fez embaixadinha e no ataque seguinte a partida estava empatada. Naquela altura, enquanto eu sofria para gritar em silencia, batia no peito como um King Kong desengonçado e sem cenário. E já não havia a menor possibilidade de perdermos o jogo.

E o segundo tempo, apesar do susto no início, foi só pra constar. Porque todas as máximas relacionadas aos onze da Gávea valeram ontem: “Flamengo é Flamengo”, “Deixou chegar, f*@#$%” etc. A partida foi moralmente decidida ao empatá-la antes do intervalo.

É certo que o embate de ontem entrou pra história. E basta passar em frente às bancas e visitar os principais blogs e portais para ler as manchetes, todos os adjetivos estão lá. Eu já não os tenho. Só sei que agora faltam apenas 26 jogos para o hepta.

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Macaé!!!

Hoje tem jogo, de gente grande. E estou calado sobre o assunto desde o final de semana, tentando superar a frustração com o vexame protagonizado na noite de sábado, na badaladíssima Macaé. E o pior foi ouvir um monte de amigos rubro-negros defender o time. “Nem jogou mal”, “o primeiro tempo até que foi bom”, “só deu azar de não encaixar um contra-ataque no segundo tempo”.

Desculpem aí a falta de educação, mas tem hora que não dá. O time do Ceará é uma bosta e o Flamengo já conseguiu a proeza de empatar duas vezes e perder uma. Só em 2011. Como diria o Caetano, “Alguma coisa está fora da ordem”. Eu diria que há muita coisa fora da ordem, porque um tropeço contra time pequeno é normal, acontece, o futebol é uma caixinha de surpresas (frase nova, diz aí). Mas passou do limite.

Por que não decidiu o jogo no primeiro tempo? Por que recuou tanto no segundo? Por que, na hora de mexer no time, o profexô não empurrou o time para o ataque em vez de aumentar a retranca? Pombas, era o Cearáem casa. Enão foi por falta de Thiago Neves e Ronaldo não. Vexame é pouco.

Cartões

Vamos deixar de hipocrisia né. Desde que o mundo é mundo e o negócio foi incluído no futebol, neguinho força cartão. Pra não viajar porque tem preguiça, pra pressionar o técnico que está prestes a cair e pra não correr o risco de ficar de fora de jogo mais importante. Pois nossas duas estrelas se encaixam em duas das três justificativas. E não estão erradas não, porque pra ganhar do Ceará (o que os caras que ganham salário mais do que razoável não conseguiram) bastava colocar em campo o time pré-mirim.

Imagina se as duas estrelas ficam de fora do jogo de hoje? Não ia estar todo mundo gritando por aí que é um absurdo, como é que dois caras que jogam no ataque tomam tanto cartão etc. etc. etc.? Pois então.

Agora, neguinho toma essa decisão à revelia? Quem é que manda na bagaça? Abre o olho, profexô.

Moleza

Os caras têm o time da moda, os meninos da Vila, além de Elano e a estréia de Ibson. E daí? Basta pensar um pouquinho pra chegar a conclusão que o bagulho é mole. O tal do Neymar não se cria sozinho. Driblador que só ele, pode dar um nó na coluna do Wellington, todo mundo sabe. Então, o negócio é não deixar ele receber a bola.

Pega o Williams e gruda ele no Ganso. Se o cara for ao banheiro, vai junto. E pronto. Para Elano e Ibson (sem ritmo e desentrosado), a marcação comum, por zona, resolve. E também não custa evitar fazer faltinhas perto da área.

Em compensação, com a confusão que arrumaram, nossas prima-donas devem estar a fim de mostrar serviço. Ainda mais contra os badalados praianos. De quebra, nossos laterais não devem ter muito problema para ir ao ataque, porque a defesa deles não das mais seguras.

Encerrando, faltam 27 jogos para o hepta e o placar de hoje será 3 a 1.

A caminho da Copa

logo_copa_2010Acabou a Copa das Confederações e daqui a mais ou menos um ano começa a Copa do Mundo. Até lá, alguns amigos vão aparecer por aqui falando sobre o que se pode esperar do torneio, das seleções – a nossa e as outras – e tudo o mais que puder ser relacionado à disputa.

Não há qualquer compromisso de periodicidade, de quem vai escrever quantas vezes ou sobre o quê. E também vale se oferecer para a tarefa, quem quiser é só fazer contato.

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Já era fã do Xavi pelo seu futebol, agora sou ainda mais. Acho esse português metrosexual um enganador. No meu time ele não joga!!!

Aliás, devo confessar que sou fã do futebol MODERNO da Espanha, fruto de jogadores habilidosos no meio-campo – Xavi Hernandez (Barcelona), Xabi Alonso (Liverpool) Cesc Fàbregas (Arsenal) e David Silva (Valencia). Todos marcam e quando saem para o jogo, sabem jogar. Toques de primeira, inversão de jogo, infiltração. Ótima seleção. Também gosto da saída rápida da defesa para o ataque da Argentina, Rússia e Holanda.

Mas ao que me parece, o futebol medíocre tomará conta da próxima Copa. Argentina está mal das pernas. Russia e Holanda não costumam chegar. A seleção da Espanha caiu na Copa das Confederações para a fraquíssima seleção ianque (2 linhas de 4 e tome bico para a frente). O futebol botinudo esfria o futebol qualificado. Tudo indica que teremos uma Copa fria (fria de verdade, com cerca de 10º de média). E toma-lhe Alemanha e Itália novamente. Empata um jogo aqui, goleia de 1 x 0 acolá e estamos na final. Ai a tradição, a camisa fala mais alto.

Se Dona FIFA não inventar um campeão africano (e terá que inventar mesmo), somente o Brasil poderia desfazer esse futebol de mesmice. Mas nesse quesito temos um vilão. Dunga.

Seleção, como o próprio nome já diz, é uma escolha fundamentada. Aí, pergunto? Que fundamento foi utilizado para selecionar Gomes, Doni, Maicon, Luisão, Gilberto Silva, Elano, Josué, Mineiro, Ramires, Julio Baptista, Luis Fabiano e Robinho? Só o Dunga…

Quando virar jogo dos EUA vira proeza, estamos mal mesmo. Quando fazer três gols no segundo tempo é mais falado do que tomarmos 2 no primeiro tempo, é dose.

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Mudando de futebol… Sou mais rubro-negro do que brasileiro. Brincadeira esse nosso técnico. Passou a semana em dúvida entre Everton, o anêmico, Fierro e o garoto Camacho. Treinou com todos e se decidiu pelo anêmico. No decorrer do jogo, resolve substituir. Ai você pensa, vamos ver o Fierro na posição dele, ou vamos ver o garoto como é. Eis que a figura do chororô coloca o Pet com a alegação de que poderia ter uma falta na entrada da área. Mas isso não fora treinado, ninguém cavou falta, nada.

Cuca, Cuca, kicker só em futebol americano, sua anta!!!

Jefferson Paes

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Só um adendo sobre a seleção do Dunga que, por causa desse titulozinho que ganhou já virou unanimidade e elevou o moço da camisa salmão à categoria dos melhores técnicos do mundo (sic).

Nos últimos sete jogos, vencemos Uruguai (4 a 0) e Paraguai (2 a 1) pelas eliminatórias. Nos dois jogos, o melhor em campo foi o GOLEIRO Julio César. Na Copa das Confederações, cinco jogos e cinco vitórias: Egito (4 a 3), Estados Unidos e Itália (3 a 0), África do Sul (1 a 0) e Estados Unidos (3 a 2). Na campanha, o melhor jogador foi o ZAGUEIRO Lúcio.

Será que não há nada errado? Será que só eu estranho o fato?