A sorrir eu pretendo levar a vida

Nada como uma boa vitória para começar a semana com bom humor. Como – depois de ler crônicas e blogs, além de ver e ouvir comentários na TV e no rádio – desconfio fortemente que o jogo que passou na minha casa foi diferente do transmitido para o resto das pessoas, resolvi escrever em tópicos.

O contrário do Grêmio

Ouvi dizer por aí (e não foi num lugar só) que a atuação de ontem foi o inverso da de Porto Alegre. Não vi isso não. O Flamengo começou o jogo em cima do Cruzeiro, marcando forte e tentando atacar. E, de repente, teve um apagão que durou, sei lá, uns nove minutos. Tomou o gol, uma bola na trave, o pênalti ridículo de Alex Silva e só. E daí pra frente, até o fim, não houve mais adversário em campo.

É claro que se o pênalti fosse convertido, o jogo teria outra história. Mas o se não joga.

Na verdade, a cagalhopança que tirou Williams do time parece ter ajudado. Thomás jogou bem pela segunda vez seguida. E como Renato Abreu estava suspenso, Muralha entrou no segundo tempo no lugar certo. E fez o que fez.

Meio-campo

Acho que todos concordam que o menino da camisa 25 não pode mais sair do time. Mas para a próxima partida, Renato Abreu estará de volta, o profexô não vai tirá-lo do time. E isso nem é tão mal. O que fazer, então? A solução é simples: colocá-lo como segundo homem.

E por que isso não é tão mal? Porque Renato, com todas as suas limitações, sabe fazer a saída de bola melhor do que Aírton. E ontem, o camisa 55 foi o responsável por ditar o ritmo de jogo, segurar a bola quando preciso e tentar acelerar quando possível. Não precisa nem pensar muito pra dizer se isso faz algum sentido.

Também não discordo totalmente de Luxemburgo quando ele diz que é perigoso, até para os meninos, colocar Muralha e Thomás em jogos decisivos desde o início. Então, para a próxima partida aposto no meio-campo com Aírton, Renato, Thomás e Thiago Neves.

Falando nele…

A melhor coisa de ontem foi ter pedido o samba O Sol Nascerá como trilha sonora dos seus três gols na matéria do Fantástico. Mas alguém precisa avisá-lo que o clássico é de Cartola e não do Revelação.

Sobre o golaço que fechou a conta, vale lembrar que Fábio tentou entregar o jogo de forma parecida desde o primeiro tempo. Mérito para o nosso camisa sete, que aproveitou a chance que teve com muita classe.

R10

Eu só o vi em campo, de verdade, duas vezes. Na cobrança do escanteio do segundo gol e no lance em que, com o gol aberto, resolveu fazer gracinha. Olhou para um lado, chutou para o outro. E bola teria ido parar na geral se geral lá houvesse. Pois bem, não é bom esperar muito do sujeito na reta final. Sempre sumiu nos momentos de decisão, mesmo em seu auge no Barcelona. Não é agora que vai mudar. Se tiver uma chance de brilhar, talvez aproveite. Mas que ninguém conte com ele como esteio na luta pelo título ou por qualquer outra coisa.

Próximos passos

Nossa tabela não é boa nem ruim. Do Coritiba, se arrancarmos um empate lá – dado o histórico – será bom. Contra o Figueirense, a surpresa do campeonato, não espero nada diferente da óbvia vitória que colocaria as coisas nos seus devidos lugares. Tenho um certo medo do Atlético de Goiás. Se tudo correr bem até lá, é provável que o Serra Dourada esteja lotado de rubro-negros. E é nesses cenários com tudo a favor e contra times pequenos que o Flamengo costuma entregar a rapadura. Inter em casa é jogo grande de time grande. Não tenho nenhum medo. E contra o Vasco… O dia em que um rubro negro tiver medo de jogar contra o Vasco, é melhor largar o futebol.

4 pontos

Estamos a quatro pontos do título. Porque não basta empatar com ninguém, temos menos vitórias que todos os nossos adversários. Mas vejo o campeonato na nossa mão. A questão é saber se vamos buscá-lo ou não. Se o jogo de ontem foi um último suspiro ou o início de um maravilhoso sprint à vitória.

Porque como já aconteceu ontem, o Corinthians vai peidar. Desculpem a linguagem tosca. Mas seu técnico já bradando em entrevista coletiva que ali não há cagalhões (assim mesmo) é a prova cabal da tremedeira que acometerá o time dos mano e das mina, a necessidade de autoafirmação que negaria o óbvio.

Também não acredito que o Vasco agüente o tranco e já sabemos que Caio Jr. não deixará o Botafogo brigar pelo título. Também não aposto no Fluminense, mas já é de quem tenho mais medo a essa altura.

Ou seja, apesar de não parecer, só depende de nós. Faltam cinco jogos para o hepta. Será que o time vai ter coragem de ser campeão?

Bisonho

Neosaldina? Numa sexta-feira? Sem avisar o médico? Tá bom, Felipe, tá bom. A gente acredita…

Anúncios

Hora da verdade

Ganhamos do América!!! Que maravilha!!! Somos duca!!!!

Na verdade, a vitória de sábado era tão obrigatória que as únicas reações que vi por aí foram de alívio pelo fim dos quase dois meses sem ganhar de ninguém. E olhem que mesmo jogando contra o lanterna e já (virtualmente) rebaixado, foi difícil.

Boa parte da dificuldade foi criada pelo nosso próprio profexô, que saiu jogando na retranca, contra time pequeno e ruim, em casa. Dá pra entender? Pois é. E foi pro intervalo perdendo de um, que aquela altura era pouco. Ok, nenhuma novidade nisso, todo mundo já sabe o que aconteceu.

No segundo tempo, colocou a molecada em campo e soltou o time. E, mesmo que na bacia das almas, virou o jogo.

Mais uma vez (já estou ficando repetitivo), o problema é de atitude, de entender quem é quem, de saber que Flamengo só é Flamengo quando é time que ataca e quer vencer. Qual será a dificuldade de entender isso?

Passada a tempestade (tomara), há que torcer para que nosso treineiro seja iluminado e tome as decisões corretas. Porque até alguém dizer por aí que nossa tabela é, dos times que ainda brigam por alguma coisa, a mais difícil, já aconteceu.

Pois a lista de jogos é a seguinte: São Paulo, Ceará, Grêmio, Coritiba e Atlético Goianiense (fora); Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Figueirense e Internacional (casa); Fluminense e Vasco (os clássicos). E como podem contar, só faltam 12 jogos para o hepta.

Não tenho dúvidas de que vamos atropelar e vencer os grandes jogos. Meu medo – combinando a história recente com a conhecida vocação para levantar defuntos – está depositado nos jogos contra Ceará, Coritiba, Atlético Goianiense e Figueirense.

É claro que temos tudo para ser campeões – e é só ver quem é o líder provisório para saber qual é o resultado lógico do campeonato. Mas a turma precisa perceber que não pode nem pensar em repetir a atuação do último sábado. Porque se isso acontecer, não vai ganhar nem jogo de botão contra nenhum dos próximos adversários.

O recado, básico, é o seguinte: chegou a hora da verdade, é tempo de nossas vacas premiadas e muito bem pagas e de nosso profexô catedrático e milionário provarem porque valem tanto.

Morrinha

No final das contas, não é isso o que é importante? Depende do que você espera. Se quer ser campeão, e só isso, ótimo. Se gosta de futebol, se quer ver bons jogos e seu time jogando bem…

Independente da expectativa de quem torce, no entanto, é claro que ninguém joga bem o tempo todo, todos os jogos. E o fato é que, ontem, o Flamengo ganhou jogando mal.

Tirante o fato do jogo com o Coritiba ter sido anteontem, os dois primeiros parágrafos sobre o confronto contra Fluminense servem como luvas para os três pontos conquistados contra o Coritiba. Com um agravante: jogamos ainda pior.

O que me preocupou no sábado foi o modo displicente como o time entrou em campo, assistindo o adversário jogar e até exigindo que Felipe tivesse trabalho. E o desespero que dá quando vemos Wellington e David trocando passes pouco à frente da área, como se fossem Domingos e Biguá redivivos… A gente sabe que não são!!!!

Para o segundo tempo, o profexô colocou Bottinelli no lugar de Muralha (que até agora, entre os profissionais, não mostrou competência nem pra ser chamado de cerca de arame) e as coisas ficaram mais próximas do normal. Pelo menos, passamos a jogar mal no campo do adversário. E até ameaçamos um abafa que terminou no gol de Jael, o Cruel.

Em que pese o passe perfeito para o gol, nem Ronaldinho jogou bem. E nosso aspirante a boxer parece que, no mínimo, tem sorte. E o melhor resumo da partida que vi por aí, foi do amigo Ricardo Freitas Junior via Facebook: “que jogo morrinha!”.

Sobre nossa posição no campeonato, sinceramente, não estou muito aí. Pelo menos por enquanto. Porque temos um jogo a mais que clube estranho de São Paulo que parece ter colocado o santo soldado romano montado sobre um corcel guarani e porque a liderança que interessa de verdade é a da 38ª rodada, como já cansou de lembrar o Arthur Muhlenberg.

Também não custa estar preparado para as duas ou três traulitadas que devemos levar, cedo ou tarde. Mas sem desespero, por favor, pois é do jogo. Por hora, o que importa é que contra nossos dois próximos adversários a vitória é obrigatória: Figueirense e Atlético de Goiás. Só faltam 23 jogos para o hepta e não dá pra perder ponto pra time pequeno.

Sulamericana

Nesta quarta, estreamos contra o Atlético Paranaense. A nosso favor, jogar em casa e não precisar viajar. Além disso, os caras são tão bons que ocupam a honradíssima 19ª posição (ou vice-lanterna, se preferir) do nosso certame nacional. E mesmo antes da metade do longo campeonato, o técnico Renight ameaça vir ao Rio com o time reserva para poupar os titulares na briga contra o rebaixamento.

Assim, se sou o profexô, minha conversa com a turma seria a seguinte: “joguem sério e matem a parada. Enfiem logo quatro ou cinco, que no jogo de volta mando os garotos e vocês ganham a semana pra descansar”. Pra essa turma que adora uma farra, noite de folga é prêmio melhor que bicho.

Doente

Sei que sou minoria. Mas já estou acostumado com isso, é assim em vários assuntos. Mas hoje vou falar das torcidas de futebol. Quem anda por aqui, está cansado de saber que sou Flamengo (flamenguista é invenção de neologista).

A questão é que, em que pese a rivalidade, não entendo certos comportamentos dos torcedores. Ontem, por exemplo, o Vasco jogava a final da Copa do Brasil contra o Coritiba. Ok, parabéns pros dois, infeliz do Flamengo que não foi competente para passar pelo Ceará.

Enfim, com o monte de amigos vascaínos que tenho, é claro que estava secando os caras, é bom dar uma zoada de vez em quando (no caso deles, de vez em sempre). Mas ainda me impressiono com o que chamo – no mínimo – de exagero. É claro que o jogo de ontem é apenas um exemplo, mas isso acontece em todos os jogos dos quatro grandes do Rio (e imagino que se repita nos outros estádios).

Quando o Vasco fez1 a 0, tudo normal. Explosão, gritos, alguns fogos… Até que ouvi o coro: “eu, eu, eu, o Flamengo se f…”. Ok, imaginem que sou uma criança de seis anos e tentem me explicar isso, meu time nem estava em campo.

Mas pode piorar.

Coritiba empatou e virou a partida. Me senti morando na cidade de Curitiba tamanha foi a explosão, a comemoração. E a quantidade de fogos. Quer dizer, neguinho (e branquinho e amarelinho e azulzinho) não fica satisfeito em secar, torce contra com estardalhaço e ainda gasta dinheiro com fogos e coisas do gênero.

Como bem lembrou o Lessa, Roberto Carlos é que está certo.

Mas da moldura não sou eu
Quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso
Mesmo assim
E tudo isso vai fazer você
Lembrar de mim…

Chega a ser cômico que, justamente numa época em que as pessoas estão cada vez mais centradas nos seus próprios umbigos, os torcedores de futebol se empenhem tanto em torcer contra os adversários. Talvez (só talvez), se se preocupassem mais com seus próprios times, os clubes não vivessem na pindaíba crônica que vivem sob os mandos e desmandos dos cartolas que conhecemos.

Por hora, parabéns ao Vasco.

Pra valer

Passada a confusão provocada pela notícia da ‘nona’ (e muito mal explicada) morte de Osama Bin Laden, falemos do que interessa. Não, não me refiro ao casamento do príncipe William ou da beatificação em tempo recorde de João Paulo II.

Parabéns pelo título, taça é sempre taça. Valeu pela hegemonia no estado naturalmente confirmada. Mas, conquistada a rapadura, quer dizer, o Campeonato Carioca 2011, já é possível dizer que vamos – finalmente – encarar desafios reais, jogos que realmente fazem diferença. Agora é pra valer e isso me causa um tanto de preocupação.

Pra começar, teremos o Ceará pela frente na próxima quinta, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Jogo perigosíssimo por razões simples. A turma vem feliz para o campo, após um título e comemorações e não é raro que a concentração não seja ideal. De quebra, o José Ilan em seu Ilan House aposta na vitória rubro-negra. Se levarmos em conta o número de acertos do sujeito em previsões anteriores sobre o Flamengo, o risco de tropeço é enorme.

Mas não acredito que tenhamos maiores problemas, em dois jogos. Mesmo se o time repetir o papel ridículo do confronto contra o Horizonte, devemos passar pelo Ceará e ser declarado como Campeão Cearense 2011 para, depois, disputar uma vaga na final do certame nacional contra Coritiba ou Palmeiras.

É claro que temos todas as chances de sermos campeões e garantir a vaga na Libertadores 2012. Mas seria bom se o profexô parasse de se preocupar com a tal tríplice coroa para se concentrar na competição atual; seria ótimo se ele parasse de inventar Fierros e Fernandos; seria excelente se ele conseguisse dar padrão de jogo ao time; seria excelente se a diretoria providenciasse um lateral esquerdo decente, pelo menos um zagueiro seguro e atacantes que sabem fazer gol de verdade. Porque as competições nacionais, copa ou campeonato, não são carioquetas.

PS.: Até quando o Flamengo entrará em campo fazendo propaganda do próprio site? Quem é que está pagando a conta?

Tudo conforme o previsto

O Corinthians, o primeiro romper publicamente com o C13, mesmo que extraoficialmente, é o sexto clube a fechar acordo com a Globo para transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2015. Os outros são Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio e Vitória.

A nota oficial não fala em valores em função de cláusulas contratuais mas diz que, anualmente, vai receber mais do que o faturamento do clube em 2007. No ano em que a gestão atual assumiu, o faturamento foi de R$ 67 milhões. Boatos falam em R$ 80 milhões, 20 a menos do que a proposta que a Record fez ao timão e ao Flamengo.

Mas há explicações pra isso no próprio texto oficial.

Esclarece-se que a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar. De acordo com o artigo 42 da Lei no. 9.615/98, a chamada Lei Pelé, aos clubes pertence o direito de negociar a transmissão de determinada partida. Assim, o Corinthians, isoladamente, não tem poderes para comercializar seus 19 jogos como mandante, conforme proposto pela TV Record.

Com o desmoronamento do C13 e de sua concorrência, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) prometeu ficar de olho nas negociações isoladas dos clubes. Se é óbvio que há muitos interesses políticos na manutenção dos acordos com a Globo, também seria muito estranho se todos os envolvidos não estiverem legalmente calçados para se defender de qualquer confusão. O Goiás, por exemplo, usa o fato de que a Rede TV não tem afiliadas em seu estado.

Outro detalhe é que a Globo – além de ser a líder disparada de audiência – é a única no país, pelo menos por enquanto, que tem pronta a estrutura para trabalhar em todas as mídias, o que facilita a visibilidade dos clubes e de seus patrocinadores. E são essas questões técnicas que aparecem no parágrafo a seguir.

Após analisar todas as propostas para os direitos de transmissão, a direção do Corinthians tem a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge, superando inclusive a previsão de faturamento do Clube dos 13. Não apenas fatores financeiros, como também aspectos técnicos credenciam a proposta da Rede Globo e Globosat como a melhor dentre as apresentadas ao Corinthians.

O que eu gostaria de saber é se os clubes se aproveitaram do momento para incluir nos contratos algumas cláusulas exigindo o fim da palhaça que a Globo e toda sua rede faz, escondendo os patrocinadores dos clubes ao máximo. Afinal, são eles que pagam as contas dos clubes, que ajudam a montar os times, que tornam viável a existência da competição e do espetáculo que a própria Globo transmite.

No Rio, o Flamengo deve receber a mesma proposta apresentada ao Corinthians. Para os outros três grandes da cidade, deve valer a proporção já existente nos contratos antigos feitos pelo C13.

Quanto ao C13, a concorrência realizada e vencida pela Rede TV ainda deve dar alguma dor de cabeça, provavelmente haverá discussões na justiça. Mas é quase certo que não vai dar em nada e – no final das contas – todos devem assinar mesmo com a Globo. E o C13 – pelo menos como o conhecemos – caminha a passos largos para desaparecer.

Reminiscências

Tive infância e adolescência das mais agradáveis, vividas entre o final dos anos 70 e o início dos 90. Joguei bola na rua, bolinha de gude, soltei pipa e papagaio, futebol de botão, andava de bicicleta em volta do quarteirão, joguei Atari e Odissey, Detetive e War. Freqüentei os cines América, Carioca e Art Tijuca, comprando ingresso antes das 3 da tarde para pagar apenas 10 dinheiros da época (sinceramente, não lembro se era Cruzeiro ou Cruzado, novo ou velho), contra os 20 do horário normal. A economia era gasta no Bob’s.

Rádio Fluminense (a maldita), Paralamas do Sucesso, Mamute, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Robin Hood, Os Titãs do Iê-iê-iê (assim que escreve?), Rock n’ Rio, Blitz, Alternativa Nativa, Barão Vermelho (com e sem Cazuza), Hollywood Rock etc etc etc.

O urso Misha chorando em Moscou, Carl Lewis e Joaquim Cruz, Bernard e sua jornada nas estrelas no Maracanazinho, Piquet tricampeão, tragédia do Sarriá, Magic Johnson e Larry Bird.

E o Maracanã.

Fui apresentado ao maior do mundo pelo meu pai. Tricolor. Não lembro quantos anos eu tinha exatamente, seis ou sete, quando fui ao estádio pela primeira vez. O Flamengo ainda não era campeão brasileiro e, num tempo em que quase todos os grandes clubes tinham grandes times, não eram raros os jogos com mais de cem mil pessoas. E meu pai se preocupou em começar a me levar em jogos ‘menores’, com pouco apelo de público, para que eu me acostumasse com o negócio. Na minha primeira visita, América 3, Inter 0.

Aos poucos, foi me levando aos jogos maiores. E como um bom pai, tentou me fazer torcer pelo seu time. E se é verdade que há fotos em que estou vestido com camisa do Fluminense ao lado da minha Monareta (quem não lembra, descubra no Google), não lembro de grandes reclamações quando cheguei em casa e disse que meu time, a partir de então, era o Flamengo.

Pelo contrário. Não foram poucas as vezes que me levou ao Maracanã para ver os jogos do Mengão. Como não foram poucas as vezes que lhe acompanhei aos jogos do Fluminense. E, assim, aprendi que ir ao Maracanã era bom, mesmo que não fosse para torcer pelo meu time.

E entre tantas e tantas lembranças, duas são guardadas com carinho especial: numa quarta à noite, um jogo que não valia muita coisa, em um início de campeonato, fomos parar na arquibancada para ver o Flamengo ganhar do Vasco por 2 a 0, seguindo sua lógica de que devia me acostumar com os grandes jogos aos poucos. Foi um dos primeiros clássicos que assisti.

Em 1984, Flamengo e Fluminense estavam nas quartas de final do Brasileirão e poderiam se enfrentar na semifinal. Bastava que um e outro passassem por Corinthians e Coritiba, respectivamente. Sistema mata-mata, o primeiro jogo do Fla foi no Maracanã e, da arquibancada à esquerda das cabines de rádio, vimos a vitória por 2 a 0. Em Curitiba, o Flu empatou em 2 a 2. Tudo bem encaminhado.

No domingo, início de maio, retribuí a companhia e voltamos para o Maracanã. Enquanto víamos o Fluminense construir sua goleada de cinco a zero, acompanhávamos o jogo do Morumbi pelo placar eletrônico. Quando o Corinthians fez 2 a 0, “calma que ainda falta muito, só precisa de um gol”. Que saiu e “não falei que ia dar tudo certo?”. Enfim, o jogo em São Paulo terminou 4 a 1 e, ao perder a chance de ver o Flamengo campeão brasileiro da arquibancada pela primeira vez, lembro da sua mão na minha cabeça e um “não chora, ano que vem tem outro campeonato” ou algo parecido.

No último domingo, fui ao Maracanã e lembrei do meu pai. Que, como eu, não tem mais paciência graças às filas, violência e ao futebol chinfrim que se assiste com uma freqüência enervante. Lembrei do meu pai ao ver a enorme quantidade de pais e filhos que foram ao “maior e mais bonito estádio do mundo”, em um dia que o futebol foi uma festa, dia de arquibancada cheia mas sem confusão, como quando íamos juntos. Dia de homenagem ao Washington, metade do Casal 20 que deu ao Flu aquele brasileiro de 84. Dia de Zico, Junior, Andrade, Adílio, Nunes e Tita, que formaram no maior time de todos os tempos e me fizeram apaixonar pela camisa vermelha e preta.

Lembrei do meu pai que, sem eu me dar conta, usou o Maracanã para minha primeira aula sobre democracia e uma das muitas sobre respeito, ao comemorar um gol abraçado a quem está ao seu lado não importando quem é, ao bater palmas para um lindo lance não importando a camisa que se veste.

Lembrei do meu pai, porque foi um dia como aqueles em que íamos ao Maracanã mesmo que nossos times não estivessem jogando, porque valia a pena estar juntos para ver futebol. Porque futebol bem jogado é bom de ver, não importando a idade de quem assiste ou, como no domingo, de quem joga.