Big brother útil

Boa essa idéia, vi na coluna do Renato Maurício Prado. A Odebrecht colocou no ar um site em que será possível acompanhar as obras dos quatro estádios que está construindo ou reformando para a Copa 2014: Fonte Nova (Salvador), Arena Pernambuco (São Lourenço da Mata, na ‘grande’ Recife), Corinthians (São Paulo) e Mário Filho* (Rio de Janeiro). Para visitar e ter imagens e informações interessantes sobre as obras é só clicar aqui (ou visite a página de links Brasil 2014, no menu à esquerda ou superior).

Se alguém souber de ações semelhantes sobre os outros oito estádios que receberão os jogos em 2014, é só deixar aí nos comentários.

Também seria muito bom que todas as prefeituras e governos de estado criassem sites específicos sobre todas as obras que fizeram parte do projeto de candidatura, o famoso legado. Assim, apesar dos gastos absurdos, pelo menos poderíamos ver as coisas acontecendo, se tudo o que foi prometido será cumprido.

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*Durante as décadas de 80 e 90 do século passado, foi de perder a conta de quantos sábados ou domingos ou noites de quarta e quinta eu passei no Maracanã. Mesmo sem o Flamengo estar em campo. Simplesmente porque era bom ir ao estádio. Depois, com o aumento das filas e da violência, fui diminuindo minha freqüência até que – hoje em dia – quase já não vou mais a estádios de futebol.

Durante todos esses anos, assisti o estádio, o nosso Maraca, ir morrendo aos poucos, com um monte de reformas, um monte de regras estúpidas, a começar pelo fim da geral e sua divisão em módulos que impediam o desfile das bandeiras das torcidas pelo anel superior.

O estádio que será entregue para a Copa do Mundo será completamente diferente daquele Maracanã que o Rio aprendeu a freqüentar e a amar.

Apesar de ser no mesmo lugar, não consigo imaginar a nova arena como um Maracanã melhorado. Então, a partir de agora, dou-me o direito de chamá-lo apenas por seu nome oficial: Estádio Mário Filho.

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Morrinha

No final das contas, não é isso o que é importante? Depende do que você espera. Se quer ser campeão, e só isso, ótimo. Se gosta de futebol, se quer ver bons jogos e seu time jogando bem…

Independente da expectativa de quem torce, no entanto, é claro que ninguém joga bem o tempo todo, todos os jogos. E o fato é que, ontem, o Flamengo ganhou jogando mal.

Tirante o fato do jogo com o Coritiba ter sido anteontem, os dois primeiros parágrafos sobre o confronto contra Fluminense servem como luvas para os três pontos conquistados contra o Coritiba. Com um agravante: jogamos ainda pior.

O que me preocupou no sábado foi o modo displicente como o time entrou em campo, assistindo o adversário jogar e até exigindo que Felipe tivesse trabalho. E o desespero que dá quando vemos Wellington e David trocando passes pouco à frente da área, como se fossem Domingos e Biguá redivivos… A gente sabe que não são!!!!

Para o segundo tempo, o profexô colocou Bottinelli no lugar de Muralha (que até agora, entre os profissionais, não mostrou competência nem pra ser chamado de cerca de arame) e as coisas ficaram mais próximas do normal. Pelo menos, passamos a jogar mal no campo do adversário. E até ameaçamos um abafa que terminou no gol de Jael, o Cruel.

Em que pese o passe perfeito para o gol, nem Ronaldinho jogou bem. E nosso aspirante a boxer parece que, no mínimo, tem sorte. E o melhor resumo da partida que vi por aí, foi do amigo Ricardo Freitas Junior via Facebook: “que jogo morrinha!”.

Sobre nossa posição no campeonato, sinceramente, não estou muito aí. Pelo menos por enquanto. Porque temos um jogo a mais que clube estranho de São Paulo que parece ter colocado o santo soldado romano montado sobre um corcel guarani e porque a liderança que interessa de verdade é a da 38ª rodada, como já cansou de lembrar o Arthur Muhlenberg.

Também não custa estar preparado para as duas ou três traulitadas que devemos levar, cedo ou tarde. Mas sem desespero, por favor, pois é do jogo. Por hora, o que importa é que contra nossos dois próximos adversários a vitória é obrigatória: Figueirense e Atlético de Goiás. Só faltam 23 jogos para o hepta e não dá pra perder ponto pra time pequeno.

Sulamericana

Nesta quarta, estreamos contra o Atlético Paranaense. A nosso favor, jogar em casa e não precisar viajar. Além disso, os caras são tão bons que ocupam a honradíssima 19ª posição (ou vice-lanterna, se preferir) do nosso certame nacional. E mesmo antes da metade do longo campeonato, o técnico Renight ameaça vir ao Rio com o time reserva para poupar os titulares na briga contra o rebaixamento.

Assim, se sou o profexô, minha conversa com a turma seria a seguinte: “joguem sério e matem a parada. Enfiem logo quatro ou cinco, que no jogo de volta mando os garotos e vocês ganham a semana pra descansar”. Pra essa turma que adora uma farra, noite de folga é prêmio melhor que bicho.

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Achava que a festa de despedida de Pet poderia atrapalhar e corríamos o risco de tropeçar hoje. Pois não é que empatamos o jogo e a festa não teve nada a ver com a história? O gringo entrou jogando na vaga de Thiago Neves, que está na seleção. E entrou bem, jogando bem. Não fez gol, é verdade, mas fez boas jogadas, lançamentos e colocou Wanderley na cara do gol. O problema é esse, era o Wanderley.

O Flamengo começou o jogo claudicante, Felipe já fez um quase milagre aos dois minutos. O Corinthians jogava melhor e e saiu na frente, mas ali pelos 25, o jogo já estava equilibrado. O segundo tempo foi todo do Flamengo, mas ninguém conseguiu empurrar a bola pra dentro.

Junior César entrou e já mostrou que, apesar da boa fase, não dá mais pra Egídio. Ainda faltam um zagueiro e, pelo menos, um atacante de verdade. E é bom que cheguei logo, porque não dá pra ficar perdendo ponto bobo toda hora. Nos últimos anos, os campeões tiveram aproveitamento entre 68 e 70%. O nosso, em três jogos, é de 55. Mas é só ganhar o próximo jogo (mole!) contra o Atlético do Paraná, em Curitiba, que chegaremos a 67%, bem próximo da meta. É bom não bobear porque só faltam 35 jogos para o hepta.

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Foi ridículo. Mas foi muito bom também. Falo do empate de ontem contra o Bahia, depois de virar o jogo e ter um a maisem campo. E foi ridículo por vários motivos.

O Flamengo dominou o jogo desde o início, mas levou dois gols idiotas. Sem problemas, essa é uma das graças do negócio. Mas aí, virou o jogo e ficou com um homem a mais em campo. E o que deveria fazer então? Tocar bola, deixar o tempo passar e partir na boa pra tentar matar o jogo. Porque os caras jogavam em casa e, com 10, 9 ou 300 em campo, tinham a obrigação de partir pra cima pra diminuir o prejuízo.

E o Flamengo começou a tocar bola – a ponto da turma que transmitia a partida na Globo chegar a fazer comparações fora de qualquer realidade, com o Barcelona. Só que a bola ficava rodando do meio campo pra trás, justo onde não é seguro. E como, pra completar, o profexô teve uma diarréia mental e colocou Jean e Fernando em campo, o Bahia empatou.

Se não ficou claro, vou repetir: o Flamengo, com um homem a mais em campo, cedeu o empate ao Bahia – a maior coleção de jogadores renegados do futebol brasileiro. O tricolor da boa terra tem um time tão ruim que o Flamengo deveria ter ganho mesmo não jogando tão bem. Mas não ganhamos.

O lado bom disso é que baixou um pouco a bola da turma depois da impressão de timaço que ficou após a goleada contra os reservas do Avaí, na estréia. E ter a exata dimensão de suas qualidades e defeitos é muito importante.

Sobre a liderança perdida, façam-me o favor né. Estamos na segunda rodada e todo mundo sabe que o importa é estar na frente na última. Ou não se lembram quando foi que assumimos a ponta da tabela na campanha do hexa? O que me preocupa agora é o próximo jogo, de altíssimo risco por conta da festa de despedida do Pet. Então, o clima pode atrapalhar um pouco e um tropeço contra o time do Parque São Jorge não deverá ser tratado como surpresa.

P.S. 1: Egídio jogou bem duas partidas seguidas. Começo a desconfiar que os maias estavam certos…

P.S. 2: Faltam 36 jogos para o hepta.

Tudo conforme o previsto

O Corinthians, o primeiro romper publicamente com o C13, mesmo que extraoficialmente, é o sexto clube a fechar acordo com a Globo para transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2015. Os outros são Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio e Vitória.

A nota oficial não fala em valores em função de cláusulas contratuais mas diz que, anualmente, vai receber mais do que o faturamento do clube em 2007. No ano em que a gestão atual assumiu, o faturamento foi de R$ 67 milhões. Boatos falam em R$ 80 milhões, 20 a menos do que a proposta que a Record fez ao timão e ao Flamengo.

Mas há explicações pra isso no próprio texto oficial.

Esclarece-se que a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar. De acordo com o artigo 42 da Lei no. 9.615/98, a chamada Lei Pelé, aos clubes pertence o direito de negociar a transmissão de determinada partida. Assim, o Corinthians, isoladamente, não tem poderes para comercializar seus 19 jogos como mandante, conforme proposto pela TV Record.

Com o desmoronamento do C13 e de sua concorrência, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) prometeu ficar de olho nas negociações isoladas dos clubes. Se é óbvio que há muitos interesses políticos na manutenção dos acordos com a Globo, também seria muito estranho se todos os envolvidos não estiverem legalmente calçados para se defender de qualquer confusão. O Goiás, por exemplo, usa o fato de que a Rede TV não tem afiliadas em seu estado.

Outro detalhe é que a Globo – além de ser a líder disparada de audiência – é a única no país, pelo menos por enquanto, que tem pronta a estrutura para trabalhar em todas as mídias, o que facilita a visibilidade dos clubes e de seus patrocinadores. E são essas questões técnicas que aparecem no parágrafo a seguir.

Após analisar todas as propostas para os direitos de transmissão, a direção do Corinthians tem a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge, superando inclusive a previsão de faturamento do Clube dos 13. Não apenas fatores financeiros, como também aspectos técnicos credenciam a proposta da Rede Globo e Globosat como a melhor dentre as apresentadas ao Corinthians.

O que eu gostaria de saber é se os clubes se aproveitaram do momento para incluir nos contratos algumas cláusulas exigindo o fim da palhaça que a Globo e toda sua rede faz, escondendo os patrocinadores dos clubes ao máximo. Afinal, são eles que pagam as contas dos clubes, que ajudam a montar os times, que tornam viável a existência da competição e do espetáculo que a própria Globo transmite.

No Rio, o Flamengo deve receber a mesma proposta apresentada ao Corinthians. Para os outros três grandes da cidade, deve valer a proporção já existente nos contratos antigos feitos pelo C13.

Quanto ao C13, a concorrência realizada e vencida pela Rede TV ainda deve dar alguma dor de cabeça, provavelmente haverá discussões na justiça. Mas é quase certo que não vai dar em nada e – no final das contas – todos devem assinar mesmo com a Globo. E o C13 – pelo menos como o conhecemos – caminha a passos largos para desaparecer.

Hora de voltar pra casa

Ainda falando de esportes, agora só de futebol. Desde a confirmação de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo venho pensando a respeito da volta de jogadores que foram para a Europa, não importando se para o Barcelona ou o CSKA.

A verdade é que estamos vivendo um período, que se estenderá até 2014, de interesse pelo Brasil. E estou falando de grana. Por conta da realização da Copa, todo mundo que puder tirar uma casquinha, vai tentar. Isso quer dizer que se os clubes forem relativamente inteligentes saberão maximizar suas parcerias com empresas, patrocinadoras. Em valores e quantidade.

Afinal, será muito interessante, do ponto de vista publicitário, ter contrato com jogadores que vestirão habitualmente a camisa amarela ao longo dos próximos anos. Mesmo que, no final das contas, o cara não jogue a Copa. Afinal, só cabem 23.

O que estou tentando dizer (e sinceramente não sei se estou sendo claro) é que o negócio futebol tende a crescer muito nos próximos anos e trouxas serão aqueles que não souberem aproveitar as oportunidades. É hora de abrir o caixa para segurar quem ainda não cruzou o Atlântico ou trazer de volta quem foi dar umas bandas por lá.

Mudando de assunto sem sair do tema, sempre foi discutido por aqui se realmente valia a pena o cara largar um Flamengo, um Grêmio, um Corinthians para jogar por clubes menores do velho continente. Porque se o sujeito vai jogar no Sevilla, ele sabe que nunca vai ganhar nada, título nenhum. Se vai para um CSKA, não aparece nem na TV. Ou seja, a carreira do sujeito dá adeus a inúmeras chances que estão diretamente relacionadas a estar em evidência em um grande clube.

Pois o Rica Perrone publicou belo texto sobre o tema.

Aqui se ganha, hoje, perto do que se ganha lá. O cara não sai mais para ganhar 500 ao invés dos 100 aqui. Ele vai ganhar 450 ao invés dos 300 aqui. O que na minha opinião já se torna discutivel, pois certas coisas não tem preço.

Vai jogar no Real? Porra, sensacional! Milan? Manchester? Ótimo.

Agora… tu vai trocar um Inter, um Santos, um Flamengo pelo Besiktas, pelo Shalke 04 e vem chamar isso de realização profissional?

Nem no bolso, meu camarada. Porque daqui 6 meses só sua mãe lembra de você. E isso é DESVALORIZAÇAO, não crescimento profissional.

Clique aqui para ler o texto inteiro. Concordei em gênero, número e grau. E acrescento: para jogar em time médio da Europa, faça o mesmo por aqui. Porque a grana está disponível e não será entregue apenas aos 12 grandes. Ou seja, todos os outros clubes da Série A e vários da Série B têm potencial para receber bons investimentos.

De quebra, bons marqueteiros saberiam fazer render belamente os contratos mais longos por aqui para criar identificação entre jogadores, clubes e torcidas, usando o antiquado amor à camisa como argumento.

2ª Edição

O Marcelo Barreto é um cara que admiro. Não o conheço, na verdade, estou falando de pontos de vista, de textos, do jornalista. E ao dizer que não sabe se é diferente, ele mostra o quanto é diferente. Vale clicar aqui para ler sua análise sobre o mesmo texto do Rica Perrone que citei aí em cima.

Fielzão

Todo mundo sabe que faltam menos de quatro anos para a próxima Copa do Mundo, Brasil 2014. E com a história de nossos políticos e cartolas, além do exemplo próximo do Panamericano Rio 2007, temos meio que a obrigação de ficar ligados a tudo que envolve a organização do mundial que vem aí. Porque a sangria promete ser daquelas…

Enfim, um dos imbrólios – qual será o estádio de São Paulo para a Copa e onde será a abertura – parece que foi resolvido nos últimos dias. Depois de toda a novela do Morumbi, entre muitos projetos enviados e negados, além dos problemas políticos entre clube, federação e CBF, foi anunciado que receberá o jogo de estréia da Copa do Mundo 2014 será o “Fielzão”, o estádio do Corinthians.

Ah, você também achava que o campo do Timão, clube que completa 100 anos amanhã, não tinha seu próprio estádio, pois vive jogando no municipal Pacaembu? Pois é, você está certo.

O “Fielzão” ainda é só uma maquete digital. Será construído em Itaquera, prometidamente sem recursos públicos e será entregue em 2014.

Bom, entre todos os comentários, jogos de cena, gritas e acusações de qualquer coisa, seguem abaixo dois textos sobre o tema.

O que sobrou

O presidente do Corinthians disse que a CBF aprovou o projeto sem vê-lo, graças à credibilidade do clube.

O governador de São Paulo disse, agora há pouco, que Itaquera foi “o que sobrou”.

O prefeito admitiu que será preciso mais dinheiro do que os orçados R$ 300 milhões para que o estádio receba a abertura da Copa do Mundo, uns R$ 180 milhões a mais.

O Morumbi foi objeto de três inspeções físicas da Fifa e mandou  quase três dezenas de relatórios e dele se exigiram R$ 650 milhões para fazer sua reforma.

Mas o estádio corintiano, dizem, custará menos que a reforma do são-paulino!

Sem, é claro, por enquanto, nenhuma inspeção ou relatório.

Embora falte quase tudo na região de Itaquera.

Por mais generosa que seja a empreiteira que erguerá a arena, é óbvio que o agrado ao presidente da República será recompensado no futuro governo.

Como é evidente que a aliança tucano/demo, que quer salvar os anéis na eleição estadual porque a federal está perdida,  está fazendo de tudo para tirar o impacto do anúncio que seria feito amanhã com Lula no Parque São Jorge.

Por isso a visita do governador tucano e do prefeito demo ao terreno onde se construirá o estádio para 48 mil torcedores, que serão, graças às arquibancadas retráteis, provisórias,  65 mil para a abertura da Copa.

Juca Kfouri

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Cada um enxerga como quer

O Corinthians terá um estádio e receberá os jogos da Copa de 2014. A notícia é tão polêmica pra uns que chega a assustar. Mas, se formos colocando pingos nos “is”, veremos que não chega a ser tão incrível assim.

Ela é uma decisão polêmica especialmente por termos sidos comunicados pelo SPFC de que a Copa seria no Morumbi e ponto final. Partindo daí, qualquer coisa se tornava surpreendente.

Vamos dividir as coisas por partes.

Quando a FIFA confirmou o Brasil na Copa, o Morumbi festejou. E com razão, afinal, tinha tudo pra sediar os jogos.  Mas, entre “ter tudo” e “sediar” vai uma distância, e o SPFC esbarrou na bobagem de ir na TV garantir a Copa lá. Coisa que não seria muito normal sem estar aprovado ainda.

Aí você pode perguntar: “Mas porque o Morumbi não pode sediar a Copa?”

E a resposta é fácil. Ele pode, sempre pode. Mas sempre pode sediar JOGOS da Copa, não a abertura. Pra fazer abertura, era necessário mudar muito, pois as exigências são parecidas com as da final.

Fizeram um projeto, enviaram. Foi recusado. Fizeram outro, recusaram internamente. Fizeram o terceiro, foi a FIFA e APROVARAM o projeto, PORÉM, não para abertura. O SPFC não aceitou, fez mais um e desta vez cometeu um erro grotesco: Mandou o projeto sem orçamento.

A FIFA o recebeu, estava dentro do que ela pediu, e APROVOU o Morumbi. Só que o orçamento de 600 paus o SPFC não tinha como pagar. E aí eu pergunto: Qualé o sentido e a credibilidade em se fazer uma proposta a alguem que você não pode pagar?

Como eu posso chegar pra você e dizer: “Quer ganhar 200 mil? Então vem pra minha empresa!”. Aí você vem e eu digo: “Eu não tenho 200 mil pra te dar”. Isso é absurdo, ridículo, impossível de acreditar.

E aí, neste momento, a FIFA e a CBF cortaram o Morumbi da “brincadeira”, alegando que eles não sabiam brincar. E convenhamos, com uma dose de razão. É um absurdo mandar 4 ou 5 projetos, nenhum sem a abertura, e o aprovado sem orçamento.

Lembrem-se: O SPFC mandou um projeto pra FIFA e ela APROVOU. Quem deu pra trás e disse que não podia pagar foi o clube, não a CBF e a FIFA. Se o SPFC diz que tem a grana, nada seria discutido. Já estava ok. Mas, ele não tinha.

Partindo daí, entra a tal história da “politicagem”. Eu acho ela engraçada.

Cada um enxerga politicagem onde quer e lhe convém. Quando o Andres é amigo do Teixeira, é politicagem. Quando o Corinthians tenta usar a Copa pra arrumar investidores pro estádio é politicagem. Mas quando o SPFC mete um dirigente remunerado como deputado, não é. Quando o Kassab passa a ir em todos os eventos do clube, também não é.

Se a eleição do clube dos 13 foi tão determinante assim, como dizem, porque a FIFA recusou os projetos do Morumbi antes do clube dos 13 ter sequer candidatos?

Houve politicagem de todos os lados, e isso existe na sua casa, na sua empresa, onde for.  Não sejamos babacas de achar que um dos lados “não teve força politica” e é coitadinho. Os dois fizeram, só que um foi mais espertinho.

Quem é que tenta sediar uma Copa tendo brigado com FPF, CBF, Clube dos 13, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Galo, Inter, Flamengo, etc etc etc? É óbvio que você terá menos força, pois é burro e peita todo mundo. Quando precisa, não tem ninguém ao seu lado.

Se você racha com alguém por um ideal é absolutamente digno. Quando você racha com todo mundo por mera birrinha, você está sendo meio burro.

Então, estando no pé que está, a decisão se torna simples.

O Morumbi tá fora? Ok. Então sobra o que? Nada.

Ah, mas o Corinthians está lançando um estádio moderno que ficará pronto em 2014.

Opa! Então pronto. Se é um estádio novo, está dentro das normas da FIFA. Fica sendo lá, simples.

O que PODERIA haver de irregular ou anti-ético seria o estádio ser feito com dinheiro publico e dado ao Corinthians, como sugeriram, e não é o caso até aqui. Até onde sabemos, são investidores e dinheiro de empresas, nada com grana publica.

Se não é grana publica, amigo…. não ha nada pra chorar. O Corinthians faz o estádio quando quiser, onde quiser e ninguém tem nada com isso. Da mesma forma que o SPFC arrumaria patrocinadores pra bancar o Morumbi com o argumento da Copa, o Corinthians fará o mesmo.

Aí alguém, ainda procurando motivos, pode dizer: Mas em volta do estádio do Corinthians as obras podem ser com dinheiro público. E eu respondo que o projeto do Morumbi, aprovado pela FIFA, tinha uma ENORME obra em volta aprovada para ser feita pela prefeitura. Ou seja, mesma coisa.

Até porque, o “em volta” é problema da prefeitura e não do clube.

Enfim, eu não vejo tanta “sacanagem” como alguns dizem por aí. Vejo uma inteligente jogada de relacionamento do Corinthians, que se aproximou dos caras certos na hora certa e uma proposta absurda do SPFC, que ofereceu algo que “não podia pagar”. Santo Deus, então não oferece!!!

Cabe ao estado de SP buscar um estádio pra receber a Copa. Cabe aos clubes se candidatarem. Cabe a CBF aprovar, cabe a FIFA meter o carimbo.

A CBF aprovou o Morumbi e a FIFA também. O SPFC não teve a grana pra bancar a obra. Se tivesse entregue um projeto de 250 mi sem abertura, hoje isso estaria bem resolvido: Abre e fecha no Maracanã, e SP recebe a Copa até, sei lá, as semifinais.

Pronto.

Mas…

Rica Perrone

Sobre os textos acima – se já não bastassem as devidas reputações de isenção construídas ao longo do tempo -, vale lembrar (ou contar pra quem não sabe) que Juca é corintiano e Rica é sãopaulino.

Ah, as outras novidades (já não tão novas) sobre a Copa é o início das obras no Maracanã e a demolição da Fonte Nova. Enfim, parece que começou mesmo.