Até que enfim

O Australiano Mark Webber saindo dos boxes / Foto: Red Bull/ Paul Gilham/ Getty ImagesPassei o ano passado inteirinho sem falar de Flamengo e F1. Sobre o primeiro, um desânimo sem fim pelos motivos que qualquer um que goste e acompanhe um pouquinho de futebol já sabem. Já sobre as baratinhas mais caras e rápidas do mundo, não sei dizer o que houve. Justamente num dos melhores anos da história, certamente o mais divertido, disputado e equilibrado entre os que eu vi.

O que importa é que hoje recomeça a bagunça, na Austrália. Na verdade, os motores já foram ligados e os carros já começaram a tirar a poeira da pista, nos primeiros treinos livres. Mas hoje (na verdade, madrugada de amanhã) acontece o primeiro treino de classificação.

A pré-temporada, com três seções em Jerez e Barcelona, foi absolutamente inconclusiva. Algo mais do que normal, levando-se em conta que cada equipe busca respostas específicas nos primeiros ensaios. Nas duas primeiras seções de Melbourne, Vettel e a Red Bull já deixaram todos de boca aberta. Será que essa superioridade vai se confirmar?

Minha expectativa é de que 2013 fosse um ano de disputas ainda mais apertadas. Como não houve grandes mudanças de regulamento, imaginava que as diferenças entre os times diminuiriam. Pelo cheiro, não. Já tem jornalista no padock apostando que o campeonato pode acabar em Monza. Será exagero?

Se o cheiro se confirmar, pelo menos na primeira corrida, se treinos e prova acontecerem nas condições normais de temperatura e pressão, a Red Bull ocuparia a primeira fila e escaparia para a vitória. Mas parece que a classificação será sob chuva e isso poderia, pelo menos, embaralhar o grid e gerar alguma emoção extra.

Na verdade, não estou preocupado não. Melbourne, historicamente, nos dá boas corridas de presente. Sou desses que sofre de abstinência. Então, o que importa de verdade, é que – sob sol, chuva ou granizo – vai começar a festa. 

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Nada mais a declarar

Comemorou hoje? Gritou o nome dele?

Fez dele um Rei, de novo?

Vai ser assim quando, insatisfeitinho com o café da manhã do clube, ele resolver encostar no pau da bandeirinha e não sair dali 90 minutos, te deixando louco na arquibancada?

Fiquei pensando sobre o jogo de ontem, em como é difícil perceber se o time jogou bem ou mal, se cansou ou só se acomodou em boa parte do segundo tempo, coisas assim. Afinal, foram praticamente 90 minutos de um treino de luxo de ataque contra defesa.

Mas é impossível esquecer tudo o que acontece no Flamengo desde o final do ano passado. 2011 que, na prática, só terminou ontem com a classificação para a fase de grupos da Libertadores.

Mas aí, vem o sujeito – que por não ser rubro-negro consegue ter um distanciamento necessário de toda a zorra – e escreve isso aqui.

E eu vos digo: nada mais a declarar.

E aí profexô?

É claro que sete pontos de desvantagem é algo incômodo, mas em 48 a serem disputados e com tantos confrontos diretos na briga pela liderança ainda por acontecer, é o que menos me preocupa. Por enquanto. E sim, ainda acredito que seremos campeões, só faltam 16 jogos para o hepta.

Além dos chutões, da falta de jogadas, dos erros bobos, dos jogadores que não rendem nem um décimo do que podem, da mais que notória falta de opções no banco de reservas, dos cartões amarelos desnecessários, o que me incomodou demais ontem foi o discurso do profexô.

Primeiro é preciso enaltecer a parte da entrevista de ontem em que assumiu toda a responsabilidade pelos maus resultados. Apesar de todo mundo saber que ele não tem culpa das contusões, não tem culpa pelo Thiago Neves não estar jogando nada e outras coisas do gênero, não podemos esquecer que vivemos num país em que o comum é “eu venci, nós empatamos, eles perderam”.

Mas isso aqui é Flamengo. Que história é essa de que nosso objetivo é a vaga na Libertadores. A desculpa de que no ano passado escapamos do rebaixamento na última rodada não é válida. Porque o time era outro e porque o Flamengo não pode aceitar lutar por vaga nessa ou naquela outra competição. O Flamengo é grande demais para não buscar o título. O resto é conseqüência. E é isso que tem que ser dito diariamente, se possível três vezes ao dia. Pro jogador entender que isso aqui não é brinquedo.

Perder para o Corinthians no Pacaembu não é o fim do mundo. Mas daí a dizer que isso é normal, que não tem problema, é falta de entendimento do que é o Flamengo. É não se dar conta – e permitir que os jogadores também não percebam – que o Flamengo pode até ser rebaixado (não, nunca será, é só força de expressão) mas tem que entrar em campo buscando a vitória o tempo todo, do primeiro ao último minuto, contra qualquer adversário, em qualquer lugar do mundo. E, em caso de derrota, tem que ficar puto, não pode achar que é normal.

O Flamengo, ontem, entrou em campo com nove ou oito, em muitos momentos só parecia serem sete ou até seis em campo. Perder só de 2 a 1 foi sorte, portanto. E isso não pode acontecer, isso não pode ser normal, isso não pode ser aceito. Por ninguém.

Domingo, Atlético do Paraná em Macaé. Joguinho mole, adversário ridículo. Cenário perfeito para voltar a vencer, somar pontos importantes e continuar no bolo. Será que vão cumprir seu papel ou vão ressuscitar outro defunto?

Gustavo

O zagueiro, pelo que fez ontem, deveria ter seu contrato rescindido e ser demitido por justa causa.

Detalhes tão pequenos de nós dois

Encontrei esse vídeo no blog do Flavio Gomes. As voltas de Vettel e Webber que definiram suas posições, primeiro e segundo, no grid de largada para o GP da Turquia. É interessante ver onde e como um piloto leva vantagem sobre o outro, ainda que eles tenham o mesmo carro.

Mesmo sabendo que o piloto australiano é excelente, façamos um exercício de imaginação. Multipliquem todas essas pequenas diferenças por todas as voltas de todas as corridas de um campeonato inteiro. Descartem eventuais erros de estratégia e alguns lances de azar. Deu pra entender porque um foi campeão tão novo e o outro ficou no quase apenas uma vez em trocentos anos de carreira? Ah, lembrou que não precisou descartar os tais eventuais erros de estratégia e alguns lances de azar? Pois é.

Ecos da muralha

Em entrevista na Turquia, Webber deu a seguinte declaração sobre seu desempenho excepcional no GP da China, em que saiu da 18ª para a terceira posição:

Provavelmente, muito mais gente gostou da minha atuação na China mais do que eu, para ser honesto. Quando você se depara com pilotos como Fernando, Jenson, Felipe e Nico, esses caras, e você tira 2s5 por volta, é ótimo, mas não é muito recompensador, em termos de como você os ultrapassou.

Apesar das corridas muitíssimo movimentadas por conta dos novos pneus e da asa traseira móvel, é possível perceber que há o entendimento, por parte dos pilotos, do quanto tudo é meio que artificial.

Mesmo assim, não se pode esquecer que o jogo é o mesmo para todos. O que nos leva à conclusão de que – no final das contas e como sempre aconteceu – terminam na frente os melhores conjuntos carro-piloto. Salvo os cataclismas de ocasião.

Jogos 61 e 62: aprenda a falar espanhol

Apesar de ter eliminado o Brasil, continuo não vendo nada demais na Holanda, concordo com o André Rizek. Não, não sou cego e não acho que o Brasil perdeu para ele mesmo. Apesar das chances de matar aquele jogo no primeiro tempo, é preciso reconhecer que o time laranja foi, na pior das hipóteses, mais inteligente e equilibrado. Mas não sei não, acho que a Celeste – apesar de vários desfalques – leva essa. E discordo de quem diz que seria uma zebra.

Zebra ou surpresa foi ver o Uruguai chegar à semi-final. Agora que está entre os quatro, pode acontecer qualquer coisa. Pode passar pela Holanda e ser vice ou campeão. Ou pode perder hoje. A questão é que nesse estágio da competição, definidas em jogos únicos, os detalhes decidirão. E se Holanda chega com moral por ter eliminado um dos favoritos, nossos vizinhos sobreviveram a uma grande epopéia. Talvez, esse sentimento de superação de tudo e todos seja a grande poção mágica que essa aldeia gaulesa dos pampas precise para seguir adiante.

Na outra semi-final, temos o time da moda contra os amarelões. É inegável que a Alemanha está jogando muito, o time encaixou, e as vitórias sobre Inglaterra e Argentina foram cheias de autoridade. Em compensação, a Espanha que chegou como uma das grandes favoritas e está na fase decisiva, ainda não fez um grande jogo, não deu uma grande exibição.

Pois saibam que estou apostando nos ibéricos. O toque de bola espanhol, além de lindo para quem gosta de futebol de verdade, é capaz de enervar o adversário. Nesse caso, a Alemanha e sua turma de garotos que talvez não estejam prontos para serem campeões. Outro detalhe é que, mesmo que comecem perdendo, a Espanha não vai partir pra cima de qualquer maneira, mesmo que falte apenas um minuto para terminar a partida, o que inibe a principal arma germânica, o contra-ataque. Digo mais, taí um jogo com cara de decisão por pênaltis.

E no fim, acredito em uma final entre Uruguai e Espanha. Será?

Jogos 57 a 60: Copa América?

Finalmente voltaremos a ter jogos nesta sexta-feira, depois de dois dias arrastados. As quartas de final desta copa já são inéditas pois – como todo mundo já está cansado de ouvir e ver em todos os canais, sites e qualquer coisa que o valha – é a primeira vez que quatro seleções sulamericanas chegam até aqui. Aliás, é a primeira vez desde sempre, que há menos seleções européias que as de outros continentes nesta fase. E, pelo cruzamento, há a possibilidade de que haja uma espécie de mini Copa América, com os quatro integrantes do Mercosul disputando as semi-finais.

É possível? É. É improvável. Também é. E o fato de achar isso não tem qualquer relação com minhas apostas publicadas aí ao lado. Só acho que não passa todo mundo. Como a maioria, vejo a Espanha como favorita absoluta em sua partida, mas torço para que o Paraguai consiga, ao menos, segurar o empate que leve a decisão para os pênaltis.

Entre Uruguai e Gana, é dificílimo apontar favorito, os times se equivalem. Pelo menos foi a impressão que me passaram pelos jogos que fizeram até aqui. Torço pela Celeste. Entre Argentina e Alemanha, aposto que aconteça algo parecido com o que o Brasil fez em Rosário. E, caso a Alemanha saia na frente, as chances de goleada são enormes. O contra-ataque germânico é mortal e a defesa da Argentina…

Mas a partida que mais nos interessa é logo a primeira, Brasil e Holanda. Sem maiores porquês, apenas acho que a Holanda faz um gol e o Brasil também. Nos pênaltis, não arrisco palpite. O negócio é torcer.

Jogos 53 a 56: ainda dá tempo

O jogo entre Holanda e Eslováquia já começou e os laranjas já vencem por 1 a 0. Mas ainda dá tempo de colocar meus palpites aqui. Os eslovacos vão empatar e vencer nos pênaltis. E no jogo de hoje à tarde, apesar de Mick Jagger estar nas arquibancadas, o Brasil leva. Amanhã, torcida para os nipônicos e à espera de justiça com bela seleção da Espanha passando por Portugal. Já não agüento mais zebras.