Rainy day, again / Foto: Giordnao Trabucchi

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Foto do dia: Giordano Trabucchi

Vendedor de sonhos

O filme é maravilhoso, direção e direção de arte excelente e a história fabulosa. Tudo embalado por uma trilha sonora muitíssimo bem encaixada. Mais um daqueles filmes de formatura que eu adoro, esse da PrimerFrame.com.

O curioso deste filme é perceber, principalmente em época de chuvas, sua semelhança com as promessas e realizações de nossos digníssimos alcaides. Ou será que essa analogia é apenas um delírio?

Nulum die sine linea

Já fui um fiel seguidor dessa espécie de lema. “Nenhum dia sem uma linha”. Achava que, mais do que manter um hábito, fazia um exercício. E se fosse capaz de escrever quando não tinha o menor saco ou inspiração, seria capaz de produzir em qualquer situação.

Pois, como podem ver a meia dúzia de três ou quatro amigos e leitores que freqüentam o cafofo, meio que abandonei o lema. Não é por acaso que não pingava nada por aqui há quase um mês. E naqueles dias em que – nem profissionalmente – não precisava juntar palavras para formar frases, resolvi tirar folga.

Também sou obrigado a confessar que as atuações do Flamengo no final da temporada, aquele monte de corridas de F1 que não valiam nada, a vergonha em que se confirmou o governo – a manutenção de Pimentel e Negromonte em suas cadeiras é surreal – e a certeza de que as chuvas de verão arrebentariam tudo de novo, como sempre e como já está acontecendo, colaboraram bastante para aumentar o meu enfado. Parece que, de novidade mesmo, só o fato de Sérgio Cabral não estar em Paris ou sei lá onde na hora do aperto.

De quebra, as festas e toda sua rotina extenuante de compras e correria e jantares e obrigações de festas e comemorações mil… No final das contas, o mesmo de sempre. Virou o dia, virou o ano, e nada mudou. Mais ou menos como os fogos de Copacabana. Ou será que vocês realmente acreditam naquelas promessas de ano novo, que se repetem a cada 365 ou 366 dias?

É, não ando muito otimista mesmo, ao ponto de ter percebido numa frase dessas ouvidas por aí e publicadas em revistas (acho que foi na do Globo) a melhor definição sobre o estado geral de coisas que vivemos hoje: “se é verdade que o Natal aproxima as pessoas, no metrô é Natal todo dia” (reproduzo de memória e pode haver algumas diferenças em relação ao original).

Bom, daqui a pouco retomo a produção em ritmo normal. E enquanto não chegamos à conclusão sobre se o mundo vai acabar mesmo no dia 21 de dezembro, se a data marca apenas o fim de uma era ou se o calendário maia parou aí porque os caras ficaram com preguiça de continuar, desejo a todos – com quatro dias de atraso, eu sei – um feliz ano novo.

Parabéns, mas…

Não há porque fazer qualquer consideração sobre estratégias ou outros detalhes técnicos sobre a corrida de ontem. Já em plena segunda-feira, e depois de assistir a corrida (apesar da Globo) e seu VT, tenho absoluta segurança de que o GP do Canadá deva ser considerado apenas como o espetáculo que foi: sensacional.

A pista de Montreal (quase) sempre nos proporciona grandes corridas. Com chuva, então… A disputa de ontem foi tão boa que até Massa, que deu uma bela pixotada (bateu sozinho ao tentar ultrapassar um retardatário com pneus lisos na pista molhada), se recuperou e teve direito ao seu brilhareco, conquistando a sexta posição na linha de chegada.

Outro destaque foi Michael Schumacher. O velho mostrou ontem que, se já não é mais o mesmo (e não é mesmo), se tivesse um carro um pouquinho melhor, poderia brigar pelas primeiras posições com alguma freqüência. Com a pista molhada e úmida, andou demais. Fez até uma ultrapassagem dupla, de almanaque. Mas no final, foi presa fácil para as asas abertas e terminou em quarto.

Button venceu na última volta, depois de andar em 21º. Brilhante, excelente, sensacional. Mas… Há três detalhes nessa vitória que deveriam ser olhados com um pouco mais de calma.

O primeiro, o acidente com Hamilton na reta dos boxes. Button disse que não viu Hamilton. Humm… Então ele saiu da linha normal por acaso, justamente quando era atacado? Humm… Ainda o acidente, deixando um pouco a patriotada de lado, penso que foi muito semelhante ao quase acidente da ultrapassagem de Barrichelo sobre Schumacher na Hungria, no ano passado. A situação foi idêntica, um piloto espremeu o outro contra o muro. Só que dessa vez, eles bateram. Nada aconteceu com Button, Hamilton teve apenas sua suspensão traseira quebrada, ninguém se machucou. Mas, e se…

Pelas cagadas que Lewis vem fazendo ao longo do ano, ficou fácil acusá-lo de agressividade exagerada e essas coisas. Pra completar, sua declaração infeliz sobre ser perseguido por ser negro, há algumas semanas. Pois tenho certeza que, se a situação fosse ao contrário, o garoto teria levado até bandeira preta.

O segundo ponto foi a soberba de Vettel e da Red Bull. Depois do último safety car, o alemãozinho teve a chance de abrir uma vantagem suficiente para vencer sem problemas. Mas eles acreditaram, piloto e equipe, que era melhor administrar. Só por isso, Button teve a chance de pressionar o líder da prova.

Por fim, Vettel errou. Quase rodou. Porque precisou forçar o carro no “limite extremo” (é assim, Galvão?). Andando muito forte, com pneus lisos, em um trilho ladeado por poças, o risco de dar errado era enorme. E deu. Não, não acho que Vettel errou porque sentiu a pressão. Errou porque errou, porque as condições eram dificílimas, porque todo mundo erra uma hora. E, a dois quilômetros da linha de chegada, era o único que ainda não tinha rateado. Acontece.

Mesmo assim, cinco vitórias e dois segundos lugares em sete corridas. Não, não tenho dúvidas de quem será o campeão (casos de cataclismas não estão previstos, claro). Mas, em que pese o domínio de Vettel sugerir o tédio, vale a pena acompanhar a temporada, corrida a corrida. Elas estão uma delícia de assistir.

Certos dias de chuva, nem é bom sair

Fiquei a semana passada inteira à espera do sábado. Ilha da Mãe. Adoro essa regata. Assim como adoro qualquer uma de percurso mais longo, principalmente as que saem da Baía da Guanabara. Afinal, obrigatoriamente enfrenta-se condições muito diferentes de velejada.

Não tenho a medida exata, mas o percurso é de cerca de 15 milhas (mais ou menos 27 quilômetros) e, por isso, a largada estava marcada para as 11 da manhã. Mas ao chegar no clube…

Eram mais ou menos nove e meia quando sentamos na varanda do clube e, olhando pro mar liso e pras bandeiras caídas nos mastros, começamos a imaginar se seria possível fazer a regata ou, na melhor das hipóteses, criar um percurso alternativo, mais curto. E o tempo só fazia piorar, até que chuva desabou. Era pouco depois das dez e a informação era de que a largada não seria realizada antes de meio-dia. E enquanto a água caía e o vento teimava em não aparecer, aumentava nossa preguiça de ir pra água. Impossível não lembrar da música de Guilherme Arantes.

Só acaba quando termina

Mas a água parou de cair e o vento (na verdade, uma brisa) resolveu aparecer. E lá fomos nós. Seis barcos, seis tripulações teimosas. E largamos pouco depois das 12h30. E largamos mal, em penúltimo. Pouco atrás, só o Dona Zezé. E lá na frente, já bem longe, Smooth, Rocas, Catavento e Ravena.

A bordo, apenas Armando, Louise e eu. E ela já meio desanimada porque já tínhamos ficado muito pra trás. E nós tentando convencê-la de que a regata só tinha começado. Aquele papo de que só acaba quando termina. E lá fomos nós, aproveitando a brisa ao máximo e com todo o cuidado do mundo na escolha dos bordos, para não errar. E fomos nos aproximando de quem estava à nossa frente e pouco depois da primeira milha já estávamos em quarto.

Maré

O detalhe, que seria decisivo, é que além do pouco vento, havia uma maré no meio do caminho, no meio do caminho havia uma maré. Fortíssima. E enquanto os três líderes brigavam com ela pra sair da baía, levantamos nosso balão  e conseguimos acelerar nossa recuperação. E, ao vencer a barra, algo que nos pareceu um problema acabou nos ajudando. Precisamos dar um jibe, mas por não ter nenhum proeiro de ofício a bordo, demoramos mais do que o normal para virar o balão. Isso nos fez afastar um pouco mais que os outros da costa e quando conseguimos completar a manobra já estávamos com a maré a favor.

O Picareta acelerou e muito antes da metade da regata já estávamos em terceiro. Mas tomamos um susto. Um dos cabos do pau do spinnaker (peça que ajuda a sustentar a vela balão) arrebentou. Aos trancos, e sem deixar nosso foguetinho azul desacelerar, conseguimos resolver o problema e começamos a nos preparar para dar novo bote na hora de contornar a querida Ilha da Mãe. E assim foi feito. E terminamos a volta na ilha já em segundo, só faltava o Smooth…

Boca fechada não entra mosca

E foi na escolha de bordos, quando passávamos entre as ilhas da Mãe e do Pai, que conseguimos assumir a liderança da regata. Parecia que aquele dia modorrento tinha nos inspirado. Pois ultrapassamos e começamos a abrir vantagem que, lá pelas tantas, era enorme. E tudo parecia tão bem que teve gente a bordo que cantou (desafinado): “weeeeee aaare the champions”. E tudo parecia tão bem que teve gente a bordo que olhou pra trás e fez pilhéria: “ta tudo bem aí atrás?” Não, não vou entregar qual (ou quais) dos três perdeu a chance de ficar calado. Basicamente, o que tenho a dizer é que se o retranqueiro Muricy estivesse a bordo ele diria: “Ôôôrrra meu, fica quieto aê. A bola pune, pô”.

Chegamos à boca da barra por volta das 16h30, quase sem vento e com uma baita maré contra. E a turma que tinha ficado pra trás foi se aproximando. E o mar nos empurrava de marcha à ré. E os caras chegavam perto. E nós ali, sem conseguir fazer nada. E os caras chegaram e a coisa embolou de novo. Picareta, Dona Zezé, Smooth e Catavento. E o Dona Zezé achou uma nesga de vento mais forte, já quase noite, e conseguiu entrar. E assumiu a liderança, lépido e fagueiro, justamente aquele que tinha largado em último. E os outros três ali, brigando com a maré e com o pouco vento, sem conseguir entrar na baía.

Pelas seis e meia, Rocas e Ravena passaram por nós, já com o motor ligado, desistindo da regata. Pelas sete, finalmente, uma brisa permitiu que levantássemos o balão e, como adolescentes em êxtase após perder a virgindade, rompemos a barra ao lado do Catavento. Pouco depois, abrimos alguma vantagem meio que assegurando a segunda posição, e descobrimos que o Smooth pediu reboque e desistiu, alguém passou mal a bordo.

Cruzamos a linha de chegada pelas nove da noite, a passo de cágado. E, ironia das ironias, voltamos para o clube a remo.

The end

Depois de um dia de pouco vento que soprou em todas as direções, muita chuva e um bom tanto de frio, voltamos pra casa com a lua brilhando no céu estrelado. Apesar desse encerramento com cara de the end feliz em filme americano, quem me conhece sabe que não faço o estilo Polyanna, brincando de jogo do contente. Terminamos em segundo, mas não consigo esquecer que lideramos com muita folga. Pombas, eu queria ganhar!!! Mas perder é parte do negócio, fazer o quê?

Mesmo assim, o dia foi excelente. Resumindo: certos dias de chuva, é melhor sair. Basta levar o casaco e o capuz.

Voltou

Já era hora de voltarmos a ouvir motores roncando de novo. Foram três semanas de parada na temporada desde o último GP, na China. No próximo domingo, corrida na Turquia.

Sobre a corrida, propriamente dita, os pneus serão o X do problema. Ou seja, nada de novo. O tempero especial é o pouco de chuva que anda caindoem Istambul. Ouseja, todos chegarão à corrida com menos informações do que gostariam sobre os níveis de desgaste.

Sobre a F1 em geral, o que se tem a dizer é que há um nova guerra se desenhando, dessa vez entre as equipes e Bernie Ecclestone. É que está chegando a hora de assinar um novo Pacto da Concórdia, ou seja, vão discutir a divisão do bolo. Será interessante.

A chuva, como sempre

Uma chuva como essa sempre vai causar muito transtorno, mas esse transtorno é exagerado, é exarcebado pelo problema de infra-estrutura da cidade.

Eduardo Paes

Não é brilhante (além de irônico) a declaração do sujeito que passou a vida se preparando para ser o melhor prefeito da história do Rio de Janeiro?

Outro detalhe sobre a chuva desta noite foram as sirenes nas ‘comunidades’, instaladas após as chuvas do início do ano. Ótimo, houve alguns deslizamentos e parece que o deslocamento da população ajudou mesmo a salvar vidas. Parabéns. Mas por que ninguém, nem o prefeito nem qualquer outra autoridade, fala sério sobre a desocupação das encostas?

E já que falamos de chuva, não podemos esquecer do nosso eficientíssimo governador, de outros prefeitos do estado e de nossa querida presidenta. Porque o mundo desabou sobre o Grande Rio, especialmente Niterói, no dia 6 de abril de 2010, há um ano e 20 dias. E até hoje há muitas e muitas famílias vivendoem abrigos. E ninguém lembra, ninguém fala nem faz nada.

Na região serrana, onde a tragédia foi no início deste ano, o quadro é ainda pior. A comoção acabou, passamos carnaval e páscoa. E, entre muitos outros problemas sem solução, ainda há famílias vivendo em barracas de campanha.

Como podem ver, vamos bem.