O copo

Daqui a muito pouco o Flamengo entra em campo pela Sulamericana para exorcizar mais um fantasma, a Universidad de Chile. Mais um fantasma mequetrefe, como foi o Ceará no último final de semana. Então, mãos à obra.

Mas o que me importa é que, faltando apenas oito jogos para o hepta, há um certo cheiro de merda pelo ar. Tudo porque o time continua não jogando nada. Pra completar, a expulsão bisonha (e merecida) de Ronaldinho e o amarelo ridículo (e merecido) de Thiago Neves.

No fim das contas, entraremos com meio time reserva no jogo contra o Santos. Mas logo eu, que sou pessimista original, comecei a ver o lado bom da coisa. Sabem aquela história do copo meio cheio ou meio vazio? Pois então.

O Santos vem como franco atirador, pois que não disputa mais nada e apenas se prepara para o mundial no fim do ano. Jogando sem pressão e praticamente completo, pode ser perigosíssimo.

E aí você olha para o bando que vai estará em campo e se dá conta que, se ainda temos de perder algum jogo no campeonato, esse é o ideal. Porque ninguém vai seguir invicto até o final do ano e porque ainda restarão 21 pontos em disputa.

O outro lado da moeda é a possibilidade da vitória. Imaginem que o (arremedo de) time que partirá para o confronto, os onze que farão as vezes de titulares do Flamengo, vença a partida. Imaginem a moral com que vai seguir em frente.

Pois é, tentemos ser otimistas. Torcer, torcer, torcer.

2ª Edição

Que vexame, que vergonha. Sem contar a sensação de que o tal copo está, na verdade, meio vazio.

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Hora da verdade

Ganhamos do América!!! Que maravilha!!! Somos duca!!!!

Na verdade, a vitória de sábado era tão obrigatória que as únicas reações que vi por aí foram de alívio pelo fim dos quase dois meses sem ganhar de ninguém. E olhem que mesmo jogando contra o lanterna e já (virtualmente) rebaixado, foi difícil.

Boa parte da dificuldade foi criada pelo nosso próprio profexô, que saiu jogando na retranca, contra time pequeno e ruim, em casa. Dá pra entender? Pois é. E foi pro intervalo perdendo de um, que aquela altura era pouco. Ok, nenhuma novidade nisso, todo mundo já sabe o que aconteceu.

No segundo tempo, colocou a molecada em campo e soltou o time. E, mesmo que na bacia das almas, virou o jogo.

Mais uma vez (já estou ficando repetitivo), o problema é de atitude, de entender quem é quem, de saber que Flamengo só é Flamengo quando é time que ataca e quer vencer. Qual será a dificuldade de entender isso?

Passada a tempestade (tomara), há que torcer para que nosso treineiro seja iluminado e tome as decisões corretas. Porque até alguém dizer por aí que nossa tabela é, dos times que ainda brigam por alguma coisa, a mais difícil, já aconteceu.

Pois a lista de jogos é a seguinte: São Paulo, Ceará, Grêmio, Coritiba e Atlético Goianiense (fora); Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Figueirense e Internacional (casa); Fluminense e Vasco (os clássicos). E como podem contar, só faltam 12 jogos para o hepta.

Não tenho dúvidas de que vamos atropelar e vencer os grandes jogos. Meu medo – combinando a história recente com a conhecida vocação para levantar defuntos – está depositado nos jogos contra Ceará, Coritiba, Atlético Goianiense e Figueirense.

É claro que temos tudo para ser campeões – e é só ver quem é o líder provisório para saber qual é o resultado lógico do campeonato. Mas a turma precisa perceber que não pode nem pensar em repetir a atuação do último sábado. Porque se isso acontecer, não vai ganhar nem jogo de botão contra nenhum dos próximos adversários.

O recado, básico, é o seguinte: chegou a hora da verdade, é tempo de nossas vacas premiadas e muito bem pagas e de nosso profexô catedrático e milionário provarem porque valem tanto.

Macaé!!!

Hoje tem jogo, de gente grande. E estou calado sobre o assunto desde o final de semana, tentando superar a frustração com o vexame protagonizado na noite de sábado, na badaladíssima Macaé. E o pior foi ouvir um monte de amigos rubro-negros defender o time. “Nem jogou mal”, “o primeiro tempo até que foi bom”, “só deu azar de não encaixar um contra-ataque no segundo tempo”.

Desculpem aí a falta de educação, mas tem hora que não dá. O time do Ceará é uma bosta e o Flamengo já conseguiu a proeza de empatar duas vezes e perder uma. Só em 2011. Como diria o Caetano, “Alguma coisa está fora da ordem”. Eu diria que há muita coisa fora da ordem, porque um tropeço contra time pequeno é normal, acontece, o futebol é uma caixinha de surpresas (frase nova, diz aí). Mas passou do limite.

Por que não decidiu o jogo no primeiro tempo? Por que recuou tanto no segundo? Por que, na hora de mexer no time, o profexô não empurrou o time para o ataque em vez de aumentar a retranca? Pombas, era o Cearáem casa. Enão foi por falta de Thiago Neves e Ronaldo não. Vexame é pouco.

Cartões

Vamos deixar de hipocrisia né. Desde que o mundo é mundo e o negócio foi incluído no futebol, neguinho força cartão. Pra não viajar porque tem preguiça, pra pressionar o técnico que está prestes a cair e pra não correr o risco de ficar de fora de jogo mais importante. Pois nossas duas estrelas se encaixam em duas das três justificativas. E não estão erradas não, porque pra ganhar do Ceará (o que os caras que ganham salário mais do que razoável não conseguiram) bastava colocar em campo o time pré-mirim.

Imagina se as duas estrelas ficam de fora do jogo de hoje? Não ia estar todo mundo gritando por aí que é um absurdo, como é que dois caras que jogam no ataque tomam tanto cartão etc. etc. etc.? Pois então.

Agora, neguinho toma essa decisão à revelia? Quem é que manda na bagaça? Abre o olho, profexô.

Moleza

Os caras têm o time da moda, os meninos da Vila, além de Elano e a estréia de Ibson. E daí? Basta pensar um pouquinho pra chegar a conclusão que o bagulho é mole. O tal do Neymar não se cria sozinho. Driblador que só ele, pode dar um nó na coluna do Wellington, todo mundo sabe. Então, o negócio é não deixar ele receber a bola.

Pega o Williams e gruda ele no Ganso. Se o cara for ao banheiro, vai junto. E pronto. Para Elano e Ibson (sem ritmo e desentrosado), a marcação comum, por zona, resolve. E também não custa evitar fazer faltinhas perto da área.

Em compensação, com a confusão que arrumaram, nossas prima-donas devem estar a fim de mostrar serviço. Ainda mais contra os badalados praianos. De quebra, nossos laterais não devem ter muito problema para ir ao ataque, porque a defesa deles não das mais seguras.

Encerrando, faltam 27 jogos para o hepta e o placar de hoje será 3 a 1.

Eliminado

Bastaram 30 minutos de bom futebol para provar o que eu já havia dito. O time do Ceará, com todo o respeito que merece, é horroroso. Aos 28 do primeiro tempo já estava2 a0, o resultado que o time precisava para se classificar. Daí, era só manter o ritmo para – naturalmente – fazer mais um ou dois e seguir com a vida.

O problema é que bastou o Ceará achar um gol e o juiz (ruim como qualquer um) inverter uma ou outra faltinha para mostrar como o Flamengo está despreparado para enfrentar a temporada como se deve.

Colocar a culpa da desclassificação no juiz é uma vergonha, hábito botafoguense que rubro-negros do campo e da arquibancada não deveriam criar. Pombas, o Angelim é profissional há mais de 300 anos. E fez duas faltas infantis, ambas para cartão amarelo sim. No lance do gol de empate, também tentaram criar um clima. Besteira, porque não houve nada errado. E daí pra frente, só piorou. Puro descontrole emocional.

Então, parabéns ao Ceará que jogou as duas partidas com galhardia e fez por merecer sua classificação. Mas, outra vez com todo o respeito, o Flamengo foi derrotado por si. Pelo jogo horroroso e apático no Rio (é claro que não me refiro ao abafa da última meia hora de partida), pela falta de cabeça no jogo de ontem.

E se temos um comissão técnica cheia de pompa e circunstância, é bom que ela comece a trabalhar direito.

Ronaldinho

Começou jogando muito bem, colocou Thiago Neves na cara do gol, para fazer1 a0. Deu outros bons passes, fez boas jogadas. E colocou Wanderley na cara do gol, para vê-lo chutar em cima do goleiro. Mas depois sumiu do jogo.

Nem em sua fase mais brilhante, no Barcelona, Ronaldinho foi o cara de decisão. Sempre foi um esteta, nos anos bons fazia muito mais coisas e tal. Mas se alguém contava que ele seria o cara que resolveria tudo na hora do aperto, ontem ele mostrou mais uma vez que não é. E ele não mudou. Nos momentos de aperto, em todos os lugares em que jogou, sempre sumiu dos jogos. Por que seria diferente no Flamengo?

Por aqui, seu papel é dar meia dúzia de bons passes, fazer um bom punhado de firulas e vender camisas. Não esperem mais do que isso, ou vão se aborrecer.

Detalhes

– Quem é pior? Rodrigo Alvim, Egídio ou o hidrante da esquina da minha rua?

– Que zaga a nossa, hein…

– Qual a relação misteriosa entre Luxemburgo e Fierro?

Perdeu

Sabem que cheguei a pensar em trocar o header do blog, tirar o escudo do Flamengo e colocar o do Ceará? Talvez fosse um pouco radical, eu sei. Mas, mesmo assim, mostraria que sou capaz de manter uma nesga de humor, por mais mórbido que fosse.

Na verdade, se formos todos um tantinho racionais, a derrota de ontem deixará de ser a surpresa que muitos acusaram. Por razões simples. Primeiro, o óbvio: toda série invicta acaba um dia porque nenhum time é invencível. Segundo: a aposta de José Ilan na vitória do Flamengo. Terceiro: o relaxamento habitual após a conquista de um título. E tudo isso eu já havia dito no post entre o título de domingo e o jogo contra o Ceará.

Quarto (e mais importante): o Flamengo não vinha jogando patavinas. Desde muito tempo. Mesmo no carioqueta que levamos de braçada, invictos e tal. Tudo porque o profexô não define um time, não dá a ele um padrão, não usa as peças que tem da maneira correta.

Pombas, se os melhores lampejos – é não tivemos melhores jogos, mas melhores momentos – do time foram quando tínhamos em campo uma armação com dois meias e dois atacantes de verdade, por quê o moço que adorava andar de terno não mantém a estrutura?

Não, não acho que o Flamengo deva demitir Luxemburgo agora. Mas só porque não há ninguém melhor no mercado.

O primeiro tempo de ontem foi vergonhoso. E o segundo, um baita dum abafa que um ou outro por aí já correu pra dizer que foi o melhor jogo do Flamengo. Não, meus amigos, não foi. Porque é ridículo que um time que entra em campo com Ronaldinho fora de posição, enfiado entre os zagueiros; porque é ridículo que Deivid, que esqueceu mesmo como se joga bola, saia da área para buscar jogo e tentar fazer jogadas; é ridículo que no time em que jogam Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, o ataque dependa de bolas alçadas na área; é ridículo que, jogando contra o goleiro que mais dá rebotes no futebol mundial e interplanetário, jogadores com chutes potentes (como o próprio Thiago e Renato) não tenham sido orientados para chutar de média e longa distância..

Com todo o respeito, é ridículo perder um jogo para o Ceará. Mais uma vez, com todo o respeito, o time de Fortaleza é horroroso. Semana que vem tem o segundo jogo e precisamos de dois gols de diferença Que se jogar do jeito certo, consegue fácil.

Pra valer

Passada a confusão provocada pela notícia da ‘nona’ (e muito mal explicada) morte de Osama Bin Laden, falemos do que interessa. Não, não me refiro ao casamento do príncipe William ou da beatificação em tempo recorde de João Paulo II.

Parabéns pelo título, taça é sempre taça. Valeu pela hegemonia no estado naturalmente confirmada. Mas, conquistada a rapadura, quer dizer, o Campeonato Carioca 2011, já é possível dizer que vamos – finalmente – encarar desafios reais, jogos que realmente fazem diferença. Agora é pra valer e isso me causa um tanto de preocupação.

Pra começar, teremos o Ceará pela frente na próxima quinta, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Jogo perigosíssimo por razões simples. A turma vem feliz para o campo, após um título e comemorações e não é raro que a concentração não seja ideal. De quebra, o José Ilan em seu Ilan House aposta na vitória rubro-negra. Se levarmos em conta o número de acertos do sujeito em previsões anteriores sobre o Flamengo, o risco de tropeço é enorme.

Mas não acredito que tenhamos maiores problemas, em dois jogos. Mesmo se o time repetir o papel ridículo do confronto contra o Horizonte, devemos passar pelo Ceará e ser declarado como Campeão Cearense 2011 para, depois, disputar uma vaga na final do certame nacional contra Coritiba ou Palmeiras.

É claro que temos todas as chances de sermos campeões e garantir a vaga na Libertadores 2012. Mas seria bom se o profexô parasse de se preocupar com a tal tríplice coroa para se concentrar na competição atual; seria ótimo se ele parasse de inventar Fierros e Fernandos; seria excelente se ele conseguisse dar padrão de jogo ao time; seria excelente se a diretoria providenciasse um lateral esquerdo decente, pelo menos um zagueiro seguro e atacantes que sabem fazer gol de verdade. Porque as competições nacionais, copa ou campeonato, não são carioquetas.

PS.: Até quando o Flamengo entrará em campo fazendo propaganda do próprio site? Quem é que está pagando a conta?