Verbetes e expressões (22)

Tangência

s.f.

Matemática. Estado ou qualidade de tangente. Ponto de tangência, ponto único em que duas linhas ou duas superfícies se tocam.

Fonte: Dicionário Online de Português

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É curioso como algumas coisas acontecem por aqui, nessa nossa terrinha. A confusão estourou há alguns dias e o desenrolar tem sido acompanhado pela imprensa do mundo inteiro, algo natural em se tratando da FIFA. Apenas mais um escândalo de corrupção.

Surpreendentemente, há um brasileiro envolvido na última confusão que mereceu documentário produzido pela BBC de Londres. O nome do sujeito é Ricardo Teixeira. E você se surpreende? Pois entre as muitas denúncias, o sujeito – que preside a CBF há trezentos anos e já respondeu até a CPI no nosso congresso – teve que devolver uma enorme soma de dinheiro (na casa dos vários milhões de dólares) em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suiça. E sabem quem mais é acusado pelo programa? O sogro do Sr. Teixeira, João Havelange.

Para saber mais sobre o caso, basta visitar a página do programa Panorama (em inglês). Para completar, assistam a entrevista de Andrew Jennings – o jornalista responsável pela investigação – à ESPN Brasil.

E o que isso tudo tem a ver com tangência? Quem acompanha futebol por aqui, mesmo que muito à distância, está cansado de saber que uma das maiores parceiras da CBF é a Rede Globo de Televisão, em particular (e as Organizações Globo em geral).

Pois não é que os caras deram um jeito de não tocar no assunto, ou quase. Hoje, no Jornal Nacional, falaram sobre uma coletiva em que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, falou sobre o tema e disse que terá tolerância zero e essas coisas que todo mundo sabe que é blá blá blá. E conseguiram não falar sobre os brazucas envolvidos. Não é brilhante?

Na verdade, e para quem tem só um pouquinho de memória, nenhuma surpresa. Não são poucos os casos em que os caras não vão atrás de notícias sobre parceiros estratégicos. Mas às vezes, a notícia vai atrás deles de modo tão contundente que não dá mais pra fugir. Um clássico? A campanha Diretas Já, case mais do que conhecido.

E então, será que dessa vez eles vão escapar?

P.S.: A resposta à pergunta de Jennings durante sua entrevista, que virou manchete, é fácil de imaginar. Afinal, estamos cansados de saber o tipo de governantes que temos por aqui.

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Tudo conforme o previsto

O Corinthians, o primeiro romper publicamente com o C13, mesmo que extraoficialmente, é o sexto clube a fechar acordo com a Globo para transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2015. Os outros são Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio e Vitória.

A nota oficial não fala em valores em função de cláusulas contratuais mas diz que, anualmente, vai receber mais do que o faturamento do clube em 2007. No ano em que a gestão atual assumiu, o faturamento foi de R$ 67 milhões. Boatos falam em R$ 80 milhões, 20 a menos do que a proposta que a Record fez ao timão e ao Flamengo.

Mas há explicações pra isso no próprio texto oficial.

Esclarece-se que a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar. De acordo com o artigo 42 da Lei no. 9.615/98, a chamada Lei Pelé, aos clubes pertence o direito de negociar a transmissão de determinada partida. Assim, o Corinthians, isoladamente, não tem poderes para comercializar seus 19 jogos como mandante, conforme proposto pela TV Record.

Com o desmoronamento do C13 e de sua concorrência, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) prometeu ficar de olho nas negociações isoladas dos clubes. Se é óbvio que há muitos interesses políticos na manutenção dos acordos com a Globo, também seria muito estranho se todos os envolvidos não estiverem legalmente calçados para se defender de qualquer confusão. O Goiás, por exemplo, usa o fato de que a Rede TV não tem afiliadas em seu estado.

Outro detalhe é que a Globo – além de ser a líder disparada de audiência – é a única no país, pelo menos por enquanto, que tem pronta a estrutura para trabalhar em todas as mídias, o que facilita a visibilidade dos clubes e de seus patrocinadores. E são essas questões técnicas que aparecem no parágrafo a seguir.

Após analisar todas as propostas para os direitos de transmissão, a direção do Corinthians tem a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge, superando inclusive a previsão de faturamento do Clube dos 13. Não apenas fatores financeiros, como também aspectos técnicos credenciam a proposta da Rede Globo e Globosat como a melhor dentre as apresentadas ao Corinthians.

O que eu gostaria de saber é se os clubes se aproveitaram do momento para incluir nos contratos algumas cláusulas exigindo o fim da palhaça que a Globo e toda sua rede faz, escondendo os patrocinadores dos clubes ao máximo. Afinal, são eles que pagam as contas dos clubes, que ajudam a montar os times, que tornam viável a existência da competição e do espetáculo que a própria Globo transmite.

No Rio, o Flamengo deve receber a mesma proposta apresentada ao Corinthians. Para os outros três grandes da cidade, deve valer a proporção já existente nos contratos antigos feitos pelo C13.

Quanto ao C13, a concorrência realizada e vencida pela Rede TV ainda deve dar alguma dor de cabeça, provavelmente haverá discussões na justiça. Mas é quase certo que não vai dar em nada e – no final das contas – todos devem assinar mesmo com a Globo. E o C13 – pelo menos como o conhecemos – caminha a passos largos para desaparecer.

A confusão está só começando

Então, você gosta de futebol. Gosta de assisti-lo na TV, mesmo que os jogos transmitidos não sejam do seu time. E/Ou você se preocupa com seu clube, com o dinheiro que ele ganha e gasta, em como paga os salários de seus craques e como saneia as contas, paga as dívidas.

Então, mesmo que não tão de perto, está acompanhando o imbróglio em que se transformou a disputa pelos direitos de transmissão do campeonato brasileiro no triênio 2012-2014.

Pois o Grêmio é o primeiro dissidente do Clube dos 13 a fechar contrato com a Rede Globo. E é claro que vai dar confusão. Ou aumentar, melhor dizendo. Porque a partir do acordo fechado, algumas perguntas precisarão ser respondidas:

– Quanto o clube receberia pela licitação do C13, vencida pela Rede TV, e quanto vai receber da Globo?

– O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disse que fiscalizaria as negociações independentes. Vai fazer? Como? Há propostas por escrito de todas as TVs, sendo possível provar que a da Globo é a melhor?

– Qual será a reação de sócios e torcedores caso não seja comprovado que o clube ganhará mais com a negociação independente do que se estivesse com o C13?

Além de todas as discussões políticas e econômicas, essa história dos direitos de transmissão ainda vai se transformar numa guerra jurídica. Então, é bom não dar como certo qualquer acordo que seja anunciado nos próximos dias.

Sou o que sou, e sou tudo o que sou

Em pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho; agachados: Bebeto, Aílton, Renato, Zico e Zinho.

Agora é oficial, a festa (é, teve festa de entrega de faixas e medalhas) foi hoje, e a CBF distribuiu um monte de títulos por aí. Tentei não me aprofundar muito quando escrevi sobre isso, mas a verdade – e penso que falarei o óbvio – é que penso não ter havido muito critério da CBF na decisão de equiparar todos os campeões da Taça Brasil e Robertão aos campeões brasileiros.

Na verdade, acho que o Robertão faria sentido, mas a Taça Brasil não. E é bom que se diga que isso não diminuiria em nada a qualidade, a história, as conquistas, as glórias do Santos, que levou a Taça para a vila famosa em cinco anos seguidos ou do Bahia, o primeiro campeão. Isso porque são competições com conceitos e alcances diferentes.

Mas como disse da outra vez, cada um acredita no que quer. E agora é, além de tudo, oficial, tá bom.

Mas aí, no meio da confusão, surgiu a questão de 87, sobre o reconhecimento do Flamengo como legítimo campeão brasileiro daquele ano. E surgiu um parecer do departamento jurídico da CBF sobre uma decisão da justiça pernambucana (ohhhh!) de 94, proibindo o tal reconhecimento.

Se vocês gostam de bola e ainda não conhecem a história da Copa União, é só clicar aqui. Um ou outro detalhe discutível ou carente de confirmação, mas não há erros de informação.

E vale dar atenção a uma história muito pouco divulgada sabe-se lá porque. O Sport (declarado campeão brasileiro pela CBF) não ganhou nem o módulo dele, pois na decisão contra o Guarani, em disputa de pênaltis que estava empatada em 11 a 11, os dois times entraram em acordo e decidiram parar e deixar tudo como estava.

Como assim, um título decidido em acordo? Pois então, esse é o tamanho da cagada que a CBF fez na época.

Aí, eu que vi meu time disputar o título contra os maiores clubes do país – além dos 12 grandes, Bahia, Santa Cruz, Goiás e Coritiba eram os de melhor desempenho técnico em suas regiões, além do forte apelo de público – e vencer o campeonato jogando semi-finais e finais históricas, ganhando na bola, não posso dizer que ele é campeão brasileiro?

Então, que se dane a CBF e seus carimbos, selos, diplomas e o diabo a quatro. Eu sou Hexa! Como reconhece qualquer sujeito que entende o mínimo de bola e – rivalidades a parte – prima pelo bom senso.

Desde 1959

De pé: Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gylmar e Mauro. Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

De pé: Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gylmar e Mauro. Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

E o Robertão e a Taça Brasil, agora, são Campeonatos Brasileiros. Não, não vou ficar de picuinha porque – com essa decisão – o Rio-São Paulo ganhou valor de Brasileiro. Sejamos razoáveis, naquele tempo só existia futebol de verdade nas duas pontas da Dutra.

Mas essa decisão traz algumas curiosidades. Primeiro é preciso entender que a decisão da CBF foi pela equiparação e não pelo reconhecimento. Afinal, os títulos dos dois torneios sempre foram reconhecidos, a eles sempre foi dada a importância devida. O que muda é que, a partir de hoje, Taça Brasil e Robertão valem como Brasileirão.

Com isso, além de passarmos a ter um pentacampeão brasileiro legítimo (Santos de 61 a 65), temos dois octacampeões brasileiros: Palmeiras e o próprio Santos.

Aliás, para a torcida arco-íris que não se conformava pelo fato do Flamengo ter conquistado dois cariocas no mesmo ano (1979), vai fazer o quê? Arrancar as calças pela cabeça? Pois o Palmeiras, com essa decisão, passou a ser bicampeão brasileiro no mesmo ano (1967). E 1968, que passou a ter dois campeões brasileiros: Botafogo (Taça Brasil) e Santos (Robertão)?

Botafogo, que agora é bi e tem Mané e companhia limitada reconhecidos, assim como o Cruzeiro e o time histórico de Tostão e Dirceu Lopes.

O Atlético Mineiro perdeu o posto de primeiro campeão brasileiro (1971) para o Bahia (1959), que agora é bi. Andrade e Zinho deixam de ostentar o orgulho de conquistar o título mais vezes como jogadores (cinco), honra que passa a ser de Pelé, Melgálvio e Coutinho (1961-65 e 1968), sempre pelo Santos.

E agora, a torcida pode gritar a plenos pulmões e com razão, ao contrário de alguns dias atrás, que o Fluminense é tricampeão brasileiro. Parabéns.

Agora, a CBF podia aproveitar o embalo e resolver a cagalhopança que seu presidente e vice, Octávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid, fizeram ao lado de Eurico Miranda em 1987.

Fielzão

Todo mundo sabe que faltam menos de quatro anos para a próxima Copa do Mundo, Brasil 2014. E com a história de nossos políticos e cartolas, além do exemplo próximo do Panamericano Rio 2007, temos meio que a obrigação de ficar ligados a tudo que envolve a organização do mundial que vem aí. Porque a sangria promete ser daquelas…

Enfim, um dos imbrólios – qual será o estádio de São Paulo para a Copa e onde será a abertura – parece que foi resolvido nos últimos dias. Depois de toda a novela do Morumbi, entre muitos projetos enviados e negados, além dos problemas políticos entre clube, federação e CBF, foi anunciado que receberá o jogo de estréia da Copa do Mundo 2014 será o “Fielzão”, o estádio do Corinthians.

Ah, você também achava que o campo do Timão, clube que completa 100 anos amanhã, não tinha seu próprio estádio, pois vive jogando no municipal Pacaembu? Pois é, você está certo.

O “Fielzão” ainda é só uma maquete digital. Será construído em Itaquera, prometidamente sem recursos públicos e será entregue em 2014.

Bom, entre todos os comentários, jogos de cena, gritas e acusações de qualquer coisa, seguem abaixo dois textos sobre o tema.

O que sobrou

O presidente do Corinthians disse que a CBF aprovou o projeto sem vê-lo, graças à credibilidade do clube.

O governador de São Paulo disse, agora há pouco, que Itaquera foi “o que sobrou”.

O prefeito admitiu que será preciso mais dinheiro do que os orçados R$ 300 milhões para que o estádio receba a abertura da Copa do Mundo, uns R$ 180 milhões a mais.

O Morumbi foi objeto de três inspeções físicas da Fifa e mandou  quase três dezenas de relatórios e dele se exigiram R$ 650 milhões para fazer sua reforma.

Mas o estádio corintiano, dizem, custará menos que a reforma do são-paulino!

Sem, é claro, por enquanto, nenhuma inspeção ou relatório.

Embora falte quase tudo na região de Itaquera.

Por mais generosa que seja a empreiteira que erguerá a arena, é óbvio que o agrado ao presidente da República será recompensado no futuro governo.

Como é evidente que a aliança tucano/demo, que quer salvar os anéis na eleição estadual porque a federal está perdida,  está fazendo de tudo para tirar o impacto do anúncio que seria feito amanhã com Lula no Parque São Jorge.

Por isso a visita do governador tucano e do prefeito demo ao terreno onde se construirá o estádio para 48 mil torcedores, que serão, graças às arquibancadas retráteis, provisórias,  65 mil para a abertura da Copa.

Juca Kfouri

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Cada um enxerga como quer

O Corinthians terá um estádio e receberá os jogos da Copa de 2014. A notícia é tão polêmica pra uns que chega a assustar. Mas, se formos colocando pingos nos “is”, veremos que não chega a ser tão incrível assim.

Ela é uma decisão polêmica especialmente por termos sidos comunicados pelo SPFC de que a Copa seria no Morumbi e ponto final. Partindo daí, qualquer coisa se tornava surpreendente.

Vamos dividir as coisas por partes.

Quando a FIFA confirmou o Brasil na Copa, o Morumbi festejou. E com razão, afinal, tinha tudo pra sediar os jogos.  Mas, entre “ter tudo” e “sediar” vai uma distância, e o SPFC esbarrou na bobagem de ir na TV garantir a Copa lá. Coisa que não seria muito normal sem estar aprovado ainda.

Aí você pode perguntar: “Mas porque o Morumbi não pode sediar a Copa?”

E a resposta é fácil. Ele pode, sempre pode. Mas sempre pode sediar JOGOS da Copa, não a abertura. Pra fazer abertura, era necessário mudar muito, pois as exigências são parecidas com as da final.

Fizeram um projeto, enviaram. Foi recusado. Fizeram outro, recusaram internamente. Fizeram o terceiro, foi a FIFA e APROVARAM o projeto, PORÉM, não para abertura. O SPFC não aceitou, fez mais um e desta vez cometeu um erro grotesco: Mandou o projeto sem orçamento.

A FIFA o recebeu, estava dentro do que ela pediu, e APROVOU o Morumbi. Só que o orçamento de 600 paus o SPFC não tinha como pagar. E aí eu pergunto: Qualé o sentido e a credibilidade em se fazer uma proposta a alguem que você não pode pagar?

Como eu posso chegar pra você e dizer: “Quer ganhar 200 mil? Então vem pra minha empresa!”. Aí você vem e eu digo: “Eu não tenho 200 mil pra te dar”. Isso é absurdo, ridículo, impossível de acreditar.

E aí, neste momento, a FIFA e a CBF cortaram o Morumbi da “brincadeira”, alegando que eles não sabiam brincar. E convenhamos, com uma dose de razão. É um absurdo mandar 4 ou 5 projetos, nenhum sem a abertura, e o aprovado sem orçamento.

Lembrem-se: O SPFC mandou um projeto pra FIFA e ela APROVOU. Quem deu pra trás e disse que não podia pagar foi o clube, não a CBF e a FIFA. Se o SPFC diz que tem a grana, nada seria discutido. Já estava ok. Mas, ele não tinha.

Partindo daí, entra a tal história da “politicagem”. Eu acho ela engraçada.

Cada um enxerga politicagem onde quer e lhe convém. Quando o Andres é amigo do Teixeira, é politicagem. Quando o Corinthians tenta usar a Copa pra arrumar investidores pro estádio é politicagem. Mas quando o SPFC mete um dirigente remunerado como deputado, não é. Quando o Kassab passa a ir em todos os eventos do clube, também não é.

Se a eleição do clube dos 13 foi tão determinante assim, como dizem, porque a FIFA recusou os projetos do Morumbi antes do clube dos 13 ter sequer candidatos?

Houve politicagem de todos os lados, e isso existe na sua casa, na sua empresa, onde for.  Não sejamos babacas de achar que um dos lados “não teve força politica” e é coitadinho. Os dois fizeram, só que um foi mais espertinho.

Quem é que tenta sediar uma Copa tendo brigado com FPF, CBF, Clube dos 13, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Galo, Inter, Flamengo, etc etc etc? É óbvio que você terá menos força, pois é burro e peita todo mundo. Quando precisa, não tem ninguém ao seu lado.

Se você racha com alguém por um ideal é absolutamente digno. Quando você racha com todo mundo por mera birrinha, você está sendo meio burro.

Então, estando no pé que está, a decisão se torna simples.

O Morumbi tá fora? Ok. Então sobra o que? Nada.

Ah, mas o Corinthians está lançando um estádio moderno que ficará pronto em 2014.

Opa! Então pronto. Se é um estádio novo, está dentro das normas da FIFA. Fica sendo lá, simples.

O que PODERIA haver de irregular ou anti-ético seria o estádio ser feito com dinheiro publico e dado ao Corinthians, como sugeriram, e não é o caso até aqui. Até onde sabemos, são investidores e dinheiro de empresas, nada com grana publica.

Se não é grana publica, amigo…. não ha nada pra chorar. O Corinthians faz o estádio quando quiser, onde quiser e ninguém tem nada com isso. Da mesma forma que o SPFC arrumaria patrocinadores pra bancar o Morumbi com o argumento da Copa, o Corinthians fará o mesmo.

Aí alguém, ainda procurando motivos, pode dizer: Mas em volta do estádio do Corinthians as obras podem ser com dinheiro público. E eu respondo que o projeto do Morumbi, aprovado pela FIFA, tinha uma ENORME obra em volta aprovada para ser feita pela prefeitura. Ou seja, mesma coisa.

Até porque, o “em volta” é problema da prefeitura e não do clube.

Enfim, eu não vejo tanta “sacanagem” como alguns dizem por aí. Vejo uma inteligente jogada de relacionamento do Corinthians, que se aproximou dos caras certos na hora certa e uma proposta absurda do SPFC, que ofereceu algo que “não podia pagar”. Santo Deus, então não oferece!!!

Cabe ao estado de SP buscar um estádio pra receber a Copa. Cabe aos clubes se candidatarem. Cabe a CBF aprovar, cabe a FIFA meter o carimbo.

A CBF aprovou o Morumbi e a FIFA também. O SPFC não teve a grana pra bancar a obra. Se tivesse entregue um projeto de 250 mi sem abertura, hoje isso estaria bem resolvido: Abre e fecha no Maracanã, e SP recebe a Copa até, sei lá, as semifinais.

Pronto.

Mas…

Rica Perrone

Sobre os textos acima – se já não bastassem as devidas reputações de isenção construídas ao longo do tempo -, vale lembrar (ou contar pra quem não sabe) que Juca é corintiano e Rica é sãopaulino.

Ah, as outras novidades (já não tão novas) sobre a Copa é o início das obras no Maracanã e a demolição da Fonte Nova. Enfim, parece que começou mesmo.

A volta dos cabeças de área

Foi preciso um dia inteiro para me reacostumar à rotina de trabalho, cidade grande, poluição, trânsito, metrô apertado e problemas congêneres.

E no recomeço das bobagens que costumo publicar por aqui, resolvi falar de Mano Menezes. Afinal, quando foi ‘confirmado’ o nome de Muricy, tratei de baixar o sarrafo. Mal sabia eu que o circo estava apenas começando. E infelizmente falarei o óbvio. Que falta de habilidade, que presunção, que prepotência de seu Ricardo, achando que bastava estalar os dedos e todos cairiam a seus pés.

No fim, por conta de uma briga política, o Fluminense fez questão de segurar seu técnico. E por falta de garantias de que seria o técnico da seleção até 2014, não importando os resultados do caminho, Muricy não fez muita força.

Para mim, como todos vocês podem ver dois posts abaixo, o que aconteceu foi muito bom para a seleção.

Se é verdade que não tenho grandes elogios a Mano, também é fato que não tenho grandes aversões. E até que me prove o contrário, é apenas um pouco menos retranqueiro que seu colega de profissão que trabalha no Fluminense.

Enfim, saiu ontem sua primeira lista e foi realizada sua primeira coletiva. E independente das minhas impressões sobre o sujeito, sua convocação e seu discurso (educado e simpático) apontam para uma melhoria significativa no modo de jogar do time nacional, se preparando – inclusive – para desmentir a mim e a muitos outros que o tem como retranqueiro.

Nomes estranhos à parte, como Jucilei e Renan (goleiro do Avaí), sua convocação e seu discurso prometem um time com meio de campo talentoso, substituindo brucutus e cabeças de bagre por armadores de verdade e cabeças de área (versão original, daqueles que sabem tocar a bola e sair jogando).

É claro que, como sempre, ninguém nunca estará satisfeito com todos os eleitos do técnico e, principalmente no início do trabalho, teremos de nos acostumar com alguns personagens estranhos. Apenas reflexo do período de testes natural. Deixemos o sujeito trabalhar.