Esses bichos, pobres bichos (2)

Então eu me dei ao trabalho de entrar no site dos principais candidatos a prefeito do Rio – Aspásia, Eduardo Paes, Marcelo Freixo, Otávio Leite e Rodrigo Maia – e enviei, basicamente, a seguinte mensagem:

Prezado (candidato),

escrevi e publiquei o texto Esses bichos, pobres bichos sobre o zoológico do Rio de Janeiro.

Gostaria de saber quais são suas propostas e/ou projetos sobre o tema para o próximo mandato.

Abs. e boa sorte.

Passa das 22h, mais de 24 horas depois, e – por enquanto – apenas um me respondeu, o Otavio Leite.

Primeiro uma resposta burocrática que eu (por desatenção) repliquei erradamente e, depois, algo mais completo (mesmo que ainda genérico).

Apesar de acreditar que responder qualquer questionamento sobre a cidade é uma obrigação de qualquer candidato, fica aqui o muito obrigado pela atenção.

Se os outros derem as caras, caro que publicarei aqui. Abaixo, segue o diálogo via e-mail.

Prezado Gustavo,

Convidamos você a conhecer as propostas do candidato, através do Programa de Governo.

Segue o link:  http://www.otavioleite.com.br/campanha/meio-ambiente.asp

Atenciosamente,

Assessoria do Deputado Federal Otavio Leite

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Boa tarde, Assessoria do Deputado Federal Otavio Leite.

Sinceramente, esperava uma resposta menos burocrática, em que pese saber que na fase final da campanha não deve ser nada fácil administrar a quantidade de contatos que devem receber.

De mais a mais, não há no link que me enviaram nenhuma referência ao tema a que me referi, especificamente o zoológico do Rio e a Fundação RIOZOO. Uma pena.

Abs.

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Prezado Gustavo,

12. Recuperar e ampliar (Lei nº 2.568/97) o degradado Zoológico da Cidade, criando áreas de espetáculo para apresentações e conscientização ambiental, espaços com multimídia e interatividade, com ênfase na preservação da fauna silvestre e seus respectivos ecossistemas.

Fica realmente um pouco complicado ampliar a resposta ao seu questionamento. O programa de governo do nosso candidato é extenso e cada item tem uma justificativa e um programa por si só.

Esperamos poder ter ajudado. Nosso candidato já esteve diversas vezes no zoológico e foi muito criticado por querer resolver questões sérias como conservação, preservação e cuidados com as espécies que vivem lá. Não concordamos com o fim do zoológico e achamos que ele pode ser aproveitado e bem cuidado para que os animais sejam preservados e bem tratados e para que a população tenha esse espaço que é tão rico, à sua disposição.

Atenciosamente,

Assessoria do Deputado Federal Otavio Leite

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Os cidadões paga o pato

Então, a justiça do Ceará resolveu cancelar as 13 questões do Enem (apesar de terem sido 14) que teriam vazado apenas no Colégio Christus.

E aí, a turma que acertou todas ou quase todas mesmo sem ter acesso ao vazamento, no Brasil inteiro, é prejudicada. Pois todos aqueles que erraram todas ou quase todas as 13 questões passaram a ter pontos computados por elas. Isso numa prova que é uma das balizas utilizadas pelas universidades para preencher suas vagas. É justo?

Além disso, o básico da história: houve um vazamento comprovado. Alguém realmente acredita que apenas os professores e alunos do Colégio Christus tiveram acesso às questões? Eles vivem numa bolha? Ou foi apenas o que apareceu? Porque mesmo que o vazamento fosse um acidente de percurso, graças ao domínio público sobre as questões dos pré-testes (desculpa esfarrapadíssima do ‘fabuloso’ ministro), como é possível garantir – num mundo absolutamente conectado – que apenas os alunos da escola de Fortaleza viram as tais questões?

Ou seja, é sério mesmo que o Enem – todo ele – não será cancelado?

O outro problema apontado por mais esta cagalhopança no Enem é o nosso ‘querido’ ministro da educação, que Lula e Dilma querem transformar em prefeito de São Paulo. Ele teve a desfaçatez de dizer que é impossível garantir a segurança em eventos semelhantes. É provável, dada sua comprovada competência, que não tenha se dado conta, mas seu discurso apontou que todo e qualquer concurso público realizado no Brasil é – potencialmente – fraudado. É isso mesmo?

Vale lembrar que, na realização do vazado Enem 2011, ele foi o responsável – ministro que é – por gastar quase meio bilhão de reais sem licitação. E o sujeito não cai e ainda pode ser promovido.

Como sempre, os cidadões paga o pato.

Em quem você vai votar para…

Chaaaaaaato

Não adianta, ninguém consegue me convencer que esses debates de candidatos realmente funcionam. Tudo é muito amarrado, muito certinho, muito combinado. O de ontem chegou ao cumulo da TV Bandeirantes não dividir a imagem em frames, a pedido da candidata do governo. Por quê? Qual o medo que a candidata tem de ter suas expressões, quando perguntada ou quando ouve respostas de outros candidatos? Minha impressão é que debates entre candidatos só funcionam mesmo quando só há dois participantes e o conflito é inevitável.

Além de nada atraente, ainda competiu com a transmissão de uma semifinal de Libertadores, na emissora oficial, que definia qual o time brasileiro iria ao mundial de clubes. Resultado? No Ibope, 39 pontos para o jogo contra pouco mais de 2 para o debate. E depois não sabemos porque temos os governantes que temos.

Algumas observações sobre o encontro de ontem:

• Serra tentou debater, fez provocações (não tão duras quanto eu gostaria), mas ninguém – principalmente a candidata oficial – topou. Então começou a fazer campanha, pura e simplesmente. Eu diria que quase foi bem, até que fez uma cena ridículo de quase choro em suas considerações finais.

• Dilma gaguejou até para dizer boa noite. Mais do que despreparo e desinformação, minha impressão é de que isso aconteceu pela sua falta de experiência para debates. Vale lembrar que a moça nunca se elegeu nem pra vereadora, então é normal se enrolar. Mesmo assim, dados os devidos descontos, em alguns momentos chegou a dar vergonha da simples possibilidade (que hoje é enorme) de que uma mulher absolutamente inábil para grandes discussões possa vir a ser a presidente do país. E olha que eu nem citei sua dificuldade para sorrir e a quantidade de laquê que usou. Colocou Hebe Camargo no chinelo.

• Marina foi uma decepção. Quem tem o hábito de passar por aqui, sabe que meu voto nela já foi mais que declarado. Por princípios, por pensar que uma candidata a presidente ligada a questões ambientais seria a responsável por trazer à baila questões com as quais os políticos e partidos habituais não se preocupam. Mas ontem, ela quase me convenceu a anular o voto. Não atacou ninguém, tudo é lindo e maravilhoso, seus discursos com pontos de vista muito amplos não apontaram nenhuma solução real para nada que é importante. E essa sempre foi uma preocupação minha. Enquanto foi ministra, Marina (apesar de todas as melhores intenções do mundo) deixou tudo muito lento por sua mania de criar grupos de trabalho para decidir até quem é que apaga a luz da sala. No final, em suas considerações finais, declamando um texto típico de Bial em Big Brother, fiquei imaginando quem seria o eliminado da noite.

• Plínio foi, pra mim, a grande atração. Franco atirador com menos de 2% de intenções de voto e candidato por um partido nanico e radical, partiu pra cima de todo mundo. Ninguém lhe deu muita atenção, reclamou de discriminação, tentou fazer um carnaval mas… Pela combatividade, poderíamos até dizer que foi o vencedor do debate. Mas como não conseguiu, apesar de todas as provocações, nem respostas emocionantes dos outros, saiu apenas como o participante exótico.

No final das contas, o grande vencedor da noite foi o Boechat, que deve ter passado a noite com a língua coçando. Infelizmente, para os telespectadores, não soltou comentários.

Tá feia a coisa (ou nuvens negras pairam sobre nós)

A essa altura, a Holanda já sapecou 2 a 0 na Dinamarca. Não vi o jogo, mas parece que foi pouco. E meu bolão continua indo para o buraco. De quebra, ainda ando meio furibundo por, entre afazeres domésticos e compromissos familiares, não ter assistido à melhor corrida do campeonato até agora. Fazer o que…?

Mas a coisa tá feia mesmo é por aqui. Enquanto todo mundo olha pra África do Sul (eu, inclusive), estamos cada vez mais próximos do início oficial da campanha para as eleições deste ano.

Se tem um lado bom nessa história, é que o TSE já definiu que o Ficha Limpa já vale para esse ano, falta apenas fazer uma nota sobre um problema de verbo que, não é nada, não é nada, pode ser muita coisa. Pois pode proibir qualquer um que já tenha sido condenado (vejam as regras dessas condenações pela internet, ando sem muito tempo) ou que venha a ser a partir da aprovação da lei. Mas o lado ruim…

Os principais candidatos, os favoritos Serra e Dilma, foram confirmados em convenções de seus partidos nesse final de semana. Nada de novo, todo mundo já sabia que isso ia acontecer mesmo. Mas o que me espantou foram os discursos. De um lado, enquanto Lula saudava até a presença de Wanderley Luxemburgo na convenção, o que dá muitas pistas sobre o nível de caráter a que o PT chegou (se você acha isso bom ou ruim é problema seu, mas eu não vou acusar ninguém de nada), Dilma falou sobre a ‘continuidade da mudança’, seja lá o que isso possa significar, além de apelar para o fato de ser mulher.

Do outro, Serra falou muito sobre o nada, nem falou mal do governo atual e adversário do próximo pleito, deixando no apenas uma assertiva estranha, ‘de que o PSDB sabe fazer as coisas’. Que coisas? Depois, oportunamente apareceu vestido com uma camisa da seleção brasileira com o número 45. E tem gente que acha que pão e circo é coisa do passado…

Pois é, e se você não concorda com o que está aí nem com o que já foi e quer voltar a ser, sobram Marina Silva e outros nanicos. Diante disso, só me resta mesmo desejar boa sorte a todo nós.

Sem marinar

Eu vou votar em Marina Silva para presidente da república. Ao menos no primeiro turno de qualquer eleição, me reservo o direito de fazer a escolha que mais se aproxima das coisas que acredito.

Mas uma campanha política é, também e necessariamente, uma campanha de publicidade, em que candidatos são travestidos de produtos. Assim, cabe às agências explorar seus atributos, destacando aspectos positivos e – dentro do possível – escondendo os negativos. É claro que isso é uma explicação muito básica, os publicitários de plantão não precisam me crucificar em praça pública.

Marina Silva tem, atrelados a si, trocentos conceitos positivos que poderiam e deveriam ser explorados de milhares de formas diferentes. Mas hoje encontrei o slogan e as imagens que serão usadas em sua campanha, como vocês podem ver neste post. E de cara me perguntei quem foi o estagiário que criou isso, quem foi o gênio que aprovou essa anomalia?

Primeiro, o slogan. Como assim, “Eu marinei”? Marina Silva, por acaso, é frango? Ou peixe? Ninguém foi capaz de pensar na piada pronta? Imaginem a capa do jornal, pendurada na banca: “Marina Silva é fritada em debate pela presidência.” E essa é só a piada óbvia…

Sobre a imagem, qual o objetivo da campanha ao atrelar – de forma tão incisiva – a imagem de Marina à de Obama? Porque, por mais que digam que é apenas uma referência, é impossível não virar a cara para algo absurdamente copiado. De quebra, nem a esperança que foi o tom da campanha do americano convence mais. Por dois motivos: esperança foi o mote de Lula (e todo mundo sabe o que aconteceu) e o próprio Obama já provou que a esperança depositada sobre ele foi exagerada (qualquer semelhança não é mera coincidência, acreditem).

Cacete, será que não se dão conta de que os eleitores de Marina, possíveis e prováveis, são eleitores de Marina justamente por ter um senso crítico fora da média, que não caem nesse tipo de esparrela.

A campanha, oficialmente, ainda não começou. Ou seja, ainda dá tempo de consertar isso. Espero que consigam.