Que bosta

morteA morte é uma bosta. E sim, sei que é algo natural, que todos nós vamos chegar lá com pequenas ou muitas diferenças de circunstâncias, o ciclo da vida e tal. Mas é uma bosta, uma grande bosta na verdade.

Não sei se a meia dúzia de três ou quatro leitores que passam pelo cafofo têm medo da morte ou não, ou mesmo se lidam tranquilamente com o tema. Eu não. Eu não quero morrer. Se dependesse de mim, seríamos todos eternos. Sei que isso traria um baita problema pra humanidade, talvez já não coubesse ninguém no planeta. Mas não quero morrer.

Discussões filosóficas à parte, morrer é uma baita aporrinhação. Pra grande maioria dos mortos, pelo menos, e pra todo mundo que fica e tem que cuidar do que ficou. No Brasil, especialmente, ainda há a burocracia e o custo fora da realidade.

Pra quem vai

A primeira coisa é que, apesar do homem ser um ‘ser social’, da mesma maneira que o nascimento, a morte é solitária. Mesmo numa tragédia monumental, muitos morrem ao mesmo tempo, mas todos morrem sozinhos. Que bosta não poder dividir com ninguém um momento tão importante da sua vida.

Outro ponto é que todo mundo sofre quando morre. Por mais efêmero que seja o momento de dor, ou mesmo quando já se está inconsciente, de morte matada ou morte morrida, há sofrimento. Aquele papo de que “pelo menos não sofreu” é conversa pra boi dormir. O sujeito que fala isso só fala isso porque não é com ele.

Pra quem fica

Primeiro, há o óbvio. É preciso lidar com a tristeza e a saudade, o que não é nada fácil. Por mais preparado que se esteja, é sempre doloroso ter que se despedir. E é claro que estou falando dos mortos queridos.

Outra coisa incômoda é que, por mais preparada que possa estar uma família, a morte não marca hora. Então, você pode ser interrompido por uma notícia que é sempre terrível quando faz algo importante. Ou pode receber um telefonema às três da manhã, quando dorme a sono solto e está completamente desarmado para os problemas.

Também é preciso se dedicar, depois, às coisas do morto. Dá, vende, joga fora? Quem decide? É um trabalho dos infernos e que, remexendo as coisas, faz sofrer ainda mais.

A burocracia também é implacável. É preciso juntar vários documentos para que um cartório confeccione um atestado de óbito. Depois, com ele e várias cópias autenticadas, você é obrigado a seguir por uma via crucis entre bancos, empregador/instituto de previdência e otras cositas más.

Não consigo entender como, em 2013, seja tudo tão complicado. Por que, quando morre, o hospital não comunica o plano de saúde que comunica o empregador que comunica o instituto de previdência e banco por onde se paga o salário (caso haja mais bancos, a família se vira)? Se o sujeito não tem plano de saúde, o caminho mudaria um pouquinho, mas continuaria simples. E por que o atestado de óbito já não sai do hospital? Pra quê cartório?

Grana

Morrer também custa caro, muito caro. Enterrinho básico, o caixão mais simples, uma coroa de flores e um carrinho para carregar a urna que – em caso de ladeira – você ainda precisa ajudar a empurrar, sai por algo entre 5 e 7 mil reais. Pombas, dinheiro para beça! E que você é obrigado a desembolsar de pronto, sem parcelamento, sem cheque pré-datado. E quando o sujeito é pobre de marre deci, faz o quê? Joga o corpo na vala?

Mas não pensem que se resolver ser cremado o problema diminui. Muito pelo contrário, é ainda mais caro (e tão ou mais burocrático quanto). A não ser que a trágica solução para o problema seja o “forno de microondas” inventado pelo Comando Vermelho. Mesmo assim, ainda morre numa grana (com trocadilho), tenha certeza.

E não é só isso. Ou vocês esqueceram o iventário, a união perfeita entre burocracia, tempo perdido e grana desperdiçada? E no final das contas, mesmo que haja herança, mesmo que ela seja polpuda, se o morto é querido, não há dinheiro que pague a ausência.

É, a morte é mesmo uma bosta.

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Fuja da Amil

AmilOntem precisamos levar nossa mocinha à emergência. Aparentemente, nada grave. Essa rotina de baixar em prontos-socorros é bem comum, quando se fala de crianças. E se é verdade que a saúde pública é um horror, a vida de quem depende de plano de saúde, hoje em dia, não vai muito melhor não (salvo raras exceções).

Vejam a minha situação: sou cliente Amil, plano empresa. Quando fui admitido, explicaram que eu tinha direito, sem custo, a um básico. Mas havia a possibilidade de até três níveis de upgrade, e eu pagaria a diferença. Ok, optei pelo melhor (na verdade, o mais caro).

Se não bastasse, ainda é um plano com coparticipação. Ou seja, além do desconto mensal, sempre que uso ainda pago algo mais. Mas tudo bem, juntando tudo ainda é bem menos do que se eu fizesse um plano por conta própria. E ainda por cima, é Amil, um dos maiores e melhores do Brasil.

Ah, que ilusão…

A regra nos últimos tempos tem sido o atendimento horroroso, com poucos credenciados ruins. Além disso, quando você está na rua e tenta falar com a central de atendimento, o mais comum é não conseguir nenhuma informação pois “o sistema está fora do ar”.

No caso das crianças, é gravíssimo. Emergência pediátrica na Tijuca, bairro onde moro, só há duas. Uma delas, de onde sempre fugimos mas onde acabamos ontem, é o Prontobaby. Dos mesmos donos do Centro Pediátrico da Lagoa, muito bem conceituado mas tão bom ou tão ruim quanto qualquer outro. Ontem, a fila não era grande e não demorou muito para a médica nos atender. Mas além de não dizer nada conclusivo (geralmente é assim nas emergências), a cama do consultório não tinha nem aquele ‘lençol’ de papel que deve ser descartado a cada atendimento.

Só pra registro, é bom dizer que o número de opções em outros bairros ou regiões não é nada diferente.

Mas há algumas semanas, antes do carnaval, já tínhamos enfrentado problemas. A mocinha apareceu com uma infecção urinária e um dos exames indicados era uma ultrassonografia. Depois de ligar para todas as redes de laboratórios disponíveis, com sorte faríamos o exame no final de março. Para um atendimento de emergência! E ao ligar para a Amil, ao invés deles tentarem resolver o problema, começaram a me dar mais telefones de outros laboratórios. Cheguei a perguntar para a atendente se a solução seria parar de medicar minha filha, esperar ela entrar em delírio de febre por conta da infecção para, aí, interná-la. E esse caso também não foi o primeiro…

Resumindo, a Amil é uma bosta! E se alguém ainda acha que isso é novidade, basta lembrar o que aconteceu comigo em novembro do ano passado.