Verbertes e expressões (27)

Extraordinário

Adjetivo: Característica do que é raro, singular ou esquisito

Fonte: Dicionário online de português

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Menor confessa ao Fantástico o crime de Oruro / Foto: ReproduçãoNão foi extraordinário o aparecimento e a confissão de um menor, ao Fantástico, se apresentando como culpado pelo disparo do sinalizador que matou um garoto de 14 anos na Bolívia, durante o jogo do Corinthians?

Não foi extraordinário o fato de não mostrarem o rosto do garoto, apesar de ser uma confissão e dele estar ao lado da mãe?

Não é extraordinária a conveniência dessa confissão?

E vejam que existem muito mais coisas extraordinárias nessa história.

Apesar de Brasil e Bolívia terem pacto ou acordo (sei lá como chamam essas coisas) de extradição, menores não entram na conta. Além disso, o Brasil não pode extraditar brasileiros, está na constituição. Ou seja, alguém acredita que ele será condenado a alguma coisa? Talvez, pra não ficar muito feio e se os bolivianos fingirem que caíram nessa história, coloquem o garoto para aparar jardins públicos até completar 18 anos. Eu acho que nem isso…

Seguindo em frente: o garoto trabalha e estuda. Foi liberado pelo chefe ou estava de férias do trabalho? Porque as aulas acabaram de começar e, a não ser que pretendesse levar um atestado médico falso, matou uma semana de aulas na cara dura mesmo.

Além disso, um garoto de 17 anos, de família pobre, atravessou a fronteira sem a companhia de um responsável. Ele é emancipado? Havia autorização dos pais? Quem e como pagou a farra de uma semana?

Mais: um adolescente de 17 anos gasta R$ 150 em um sinalizador de navio, enquanto comprava games? Mas ele não é de família pobre?

Ainda no estádio, recebe a orientação de só se entregar no Brasil. Havia advogados na torcida do Corinthians, devidamente preparados para qualquer incidente? Foi premeditado, então?

Por fim, todo mundo procura pelo culpado, mas só o Fantástico o encontra? Por quê, ao invés de ir à polícia e se entregar, deu entrevista para a TV? O garoto é inteligente e esclarecido mesmo ou foi muito bem orientado?

É claro que tudo isso aí em cima pode ser verdade, tudo é possível afinal. Mas não seria uma combinação de fatores extraordinária?

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Crônica de uma tragédia anunciada

Há muito tempo não falo de futebol por aqui. Nem Fórmula 1, duas de minhas paixões. Mas hoje não tem jeito, dado o que aconteceu ontem na Bolívia.

Se você é um ET e não sabe de nada, um torcedor do Corinthians disparou um sinalizador de navio (!) que atingiu e matou um garoto de 14 anos.

Galeria da tragédia de Oruro / Montagem: Globo.comEntre tantos discursos muito bonitos, inflamados, dramáticos etc. que surgem em momentos como esse, o mais comum é esperar e até pedir a eliminação do clube da competição, jogar com portas fechadas e coisas do gênero.

Há 12 corinthianos presos em Oruro por conta do ocorrido. Deles, alguns nem estavam por perto quando a polícia agiu, mas ficaram para – em grupo – se defenderem e se protegerem. Reza a lenda que o sujeito responsável (?) pelo disparo não está entre os 12. Pode ser verdade, e nesse caso a Polícia Federal tem que entrar no circuito. Mas pode, também, ser apenas jogo de cena para que os detidos sejam soltos no clima “o culpado já foi embora mesmo”.

É claro que há que se investigar. E o sujeito tem que pagar pela cagada. Homicídio. Culposo que seja, partindo da premissa que não teve a intenção de acertar ninguém, que apenas operou mal o dispositivo. Mas ele tem que ser preso e julgado. Na Bolívia, claro.

O grande problema é que é uma tragédia anunciada. Porque entre tantos e tantos problemas que já aconteceram nos estádios brasileiros e de toda a América do Sul, nada foi realmente feito para dar solução. A questão não é proibir faixas, camisas e bandeiras de torcidas organizadas, mas implantar sistemas de vigilância que permitam a identificação dos marginais e bani-los dos estádios. Mas ninguém tem coragem de fazer isso.

Sobre o futebol, propriamente dito, e a possibilidade de punição ao clube, o texto abaixo diz tudo.

Me engana que eu gosto

Torcida La Temible, do San Jose / Foto: Diego RibeiroVocê ai, sentado em seu PC, está realmente pensando em justiça ou querendo que o Corinthians se foda? Vamos falar a real, sem viadagem. Não tenho censura de editor, posso falar com você as vezes nesse tom. Somos íntimos, nos vemos todos os dias por aqui, podemos ser honestos um com o outro.

Teu problema é o Corinthians, o corintiano ou a “justiça”?  Se fosse do seu clube, um incidente, como tudo indica ter sido, você acharia justo seu time ser punido por um erro isolado?

Vamos separar as coisas de forma clara.

Quando se pune um clube de futebol por sua torcida é na tentativa de evitar que camuflados no meio de tantos eles façam algo coletivamente sem controle. Quandos se identifica o torcedor que atirou um copinho no campo o clube não é punido, mas sim o torcedor. Porque? Porque acharam o culpado e portanto não precisam mais fazer “terrorismo” para impedir que outros façam igual.

Uma situação é “justiça”, a outra é pra causar medinho. Clube de futebol não tem que ser punido por ação nenhuma de torcedor nenhum. Existe uma lei e ela precisa ser seguida. Ela diz que o cidadão que comete um crime responde por ele. Ponto. Se ele torce pro Vasco, pro Osasco ou pro Manchester é problema dele.

Se um sujeito nervoso porque brigou em casa quebra tudo na rua e machuca alguém, a mulher dele vai presa por tê-lo irritado? Não. Então, o clube não tem que pagar por atos de violência isolados, ainda mais fora de seu estádio, onde sequer a segurança é de sua responsabilidade.

Até onde sabemos, foi um incidente. O rapaz não teve intenção de machucar ninguém e errou o disparo do sinalizador.  Permitida a entrada de fogos no estádio, ele errou, vai responder, e deve responder. Mas entre cometer um erro fatal e ser criminoso existe uma diferença.

Na praia, no ano novo, se seu pai errar o rojão e acertar alguém ele é responsável, não um criminoso. E o rapaz que fez isso ontem, pelo que todos relataram, é responsável, não um marginal afim de machucar alguém.

Sendo preso, como foi, não tem nada que o clube ser punido. Se querem justiça, vamos questionar porque tinha 20 mil fogos dentro do estádio? Vamos falar sobre segurança, sobre polícia, revista, regras do que pode ou não entrar no estádio. Mas não vamos falar em assassinato, Libertadores, Corinthians.

Que importa o time do sujeito? Que diferença faz se ele é corintiano ou se vendia pipocas? Ele errou, vai responder, foi identificado, ponto.  Levar isso até o clube e tentar atrelar uma coisa a outra me parece mais uma forma de torcer pro rival ser eliminado de um torneio do que por justiça.

Injustiça seria um erro, ou mesmo se fosse um crime brutal, individual condenar 30 milhões de pessoas a pagar por ele.

Justiça? É isso mesmo que estamos discutindo? Ou é clubismo barato em busca de foder o rival?

A pessoa foi detida. O estádio é fora do Brasil, ao que tudo indica não foi um ato de vandalismo, mas sim um incidente.

Cadê a justiça em tirar um clube de futebol de um torneio por isso?

Sejamos honestos, e menos burros.

Amanhã, meu caro, se o Joãozinho atirar um copinho e acertar a testa do jogador adversário, quem não vai mais ao jogo ver seu time é você. Porque ao invés de pedir justiça, estamos cobrando atitudes de grande impacto.

São coisas diferentes.

Que se faça justiça com o responsável pela morte do garoto. Seja ele corintiano, judeu, negro, nordestino ou alemão.

Mas justiça é quando o responsável é identificado e responde pelo que fez. Não quando na falta de um culpado resolvem culpar todos que estavam em volta.

Isso é covardia, não justiça.

abs,

Rica Perrone

O jogo

Como não sou sócio do clube, não adianta nada ficar dando pitaco na mais que rasa política rubro-negra. Em ano de eleição, o pau está comendo solto. Crises reais e plantadas e o diabo, tudo o que estamos acompanhando pelos jornais de folhas ou não.

Se dependesse de mim, do dentuço ao vice de futebol, além da equipe de maquetchim completa, colocava todo mundo na rua, a despeito de multas e quaisquer outros problemas. Mas, se sócio não sou, que dirá presidente… E como não tenho que arcar com multas, dívidas e outras conseqüências, é fácil falar.

De qualquer maneira, se alguém quiser ler o que um torcedor relativamente racional pensa sobre tudo isso, basta clicar aqui.

Então, vamos ao que importa. Lembro muito bem da entrevista que o profexô deu em 2010, dizendo que o plano para o ano seguinte era conquistar o hepta brasileiro. Declarações com clima de promessa. Que foi mudando conforme o time começou a desandar no meio da disputa. Confiando na falta de memória crônica do brasileiro em geral, inclusive e principalmente torcedores, começou o discurso que o projeto mirava a Libertadores.

Assim, o Flamengo entra em campo, logo mais, para jogar a penúltima partida de 2011. A última será na próxima semana. As duas, contra o horroroso Real Potosí – que só faz farofa graças aos 4.000m de altitude – decidirão o futuro do clube na competição continental.

Basicamente, é o resultado dessas duas partidas que dará sentido (ou não) ao resto do ano. Objetivamente, hoje é o jogo mais importante dos anos. Passado e atual.

A essa altura (com trocadilho), o recado é óbvio: que se dane o disse-me-disse; que se dane a grana em atraso; que se dane a ridícula queda de braço entre o profexô, o dentuço e seu irmão mercenário; que se dane a falta ou a chegada de reforços; que se dane todo o resto que não seja a postura de homens que os jogadores devem ter hoje.

Apesar do morro, o adversário é galinha morta. Então, basta entrar em campo para honrar o manto que o resto vem naturalmente. Dadas as circunstâncias, um empate ou até uma derrota simples não seriam resultados ruins. Desde que o Flamengo seja Flamengo.

P.S.: Luxemburgo já deu entrevista falando em cautela, se apoiando na desculpa da altitude. Vai ser ridículo, mas preparem-se para ver um time com 58 volantes hoje.