Eu quero é ovo

O que dizer depois do que aconteceu ontem em Macaé? Não é por acaso que demorei tanto a pingar aqui alguma coisa. A turma entrou em campo com uma vontade, com uma garra, com uma disposição de fazer inveja a qualquer deprimido sem ânimo até para o suicídio.

Teorias e boatos já estão por aí há tempo suficiente para qualquer um criar as mais loucas teorias e um sem número de variantes. A mais óbvia, que os caras querem derrubar o técnico. Motivos, há muitos. A falta de liberdade para as noitadas a que mais vende jornal, com certeza. Também há notícias de insatisfações generalizadas com o não pagamento de prêmios, luvas e afins.

Eu não quero nem saber se o pato é macho. Quero o ovo. Então, é bom que diretoria e comissão técnica (a mesma ou uma nova) resolvam o negócio.

Continuo sem me preocupar com a distância de pontos para a ponta e ainda faltam 15 jogos para o hepta. Ou será que a turma vai entregar a rapadura, como já acreditam muitos rubro-negros de pouca fé?

Luxemburgo

Sou um daqueles que não gosta do sujeito. Nem por isso, dou-me o direito de demonizá-lo. Se ele é o cara em que deve ser depositada a responsabilidade pela derrocada do time, pensemos no que ele fez este ano e em possíveis substitutos.

É verdade, por exemplo, que não temos jogadas ensaiadas. Mas acho um exagero dizer que não temos qualquer padrão tático. Porque nosso time titular tinha sim. Nada muito rebuscado, muito abaixo da fama do treineiro, mas real. Ou todo mundo já esqueceu que, apesar de nossos zagueiros, perdemos apenas um jogo em oito meses? E que nós, até outro dia, tínhamos o melhor ataque do país, apesar do Deivid?

E também não se pode esquecer que várias de nossas vacas premiadas se contundiram e todas tiveram queda absurda de produção. E nosso banco não está à altura das possibilidades de nossos titulares.

Agora, imaginem que o profexô seja demitido. Quem vocês colocariam em seu lugar, quem está à disposição no mercado e não é retranqueiro? Renight? Tromba?

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Morrinha

No final das contas, não é isso o que é importante? Depende do que você espera. Se quer ser campeão, e só isso, ótimo. Se gosta de futebol, se quer ver bons jogos e seu time jogando bem…

Independente da expectativa de quem torce, no entanto, é claro que ninguém joga bem o tempo todo, todos os jogos. E o fato é que, ontem, o Flamengo ganhou jogando mal.

Tirante o fato do jogo com o Coritiba ter sido anteontem, os dois primeiros parágrafos sobre o confronto contra Fluminense servem como luvas para os três pontos conquistados contra o Coritiba. Com um agravante: jogamos ainda pior.

O que me preocupou no sábado foi o modo displicente como o time entrou em campo, assistindo o adversário jogar e até exigindo que Felipe tivesse trabalho. E o desespero que dá quando vemos Wellington e David trocando passes pouco à frente da área, como se fossem Domingos e Biguá redivivos… A gente sabe que não são!!!!

Para o segundo tempo, o profexô colocou Bottinelli no lugar de Muralha (que até agora, entre os profissionais, não mostrou competência nem pra ser chamado de cerca de arame) e as coisas ficaram mais próximas do normal. Pelo menos, passamos a jogar mal no campo do adversário. E até ameaçamos um abafa que terminou no gol de Jael, o Cruel.

Em que pese o passe perfeito para o gol, nem Ronaldinho jogou bem. E nosso aspirante a boxer parece que, no mínimo, tem sorte. E o melhor resumo da partida que vi por aí, foi do amigo Ricardo Freitas Junior via Facebook: “que jogo morrinha!”.

Sobre nossa posição no campeonato, sinceramente, não estou muito aí. Pelo menos por enquanto. Porque temos um jogo a mais que clube estranho de São Paulo que parece ter colocado o santo soldado romano montado sobre um corcel guarani e porque a liderança que interessa de verdade é a da 38ª rodada, como já cansou de lembrar o Arthur Muhlenberg.

Também não custa estar preparado para as duas ou três traulitadas que devemos levar, cedo ou tarde. Mas sem desespero, por favor, pois é do jogo. Por hora, o que importa é que contra nossos dois próximos adversários a vitória é obrigatória: Figueirense e Atlético de Goiás. Só faltam 23 jogos para o hepta e não dá pra perder ponto pra time pequeno.

Sulamericana

Nesta quarta, estreamos contra o Atlético Paranaense. A nosso favor, jogar em casa e não precisar viajar. Além disso, os caras são tão bons que ocupam a honradíssima 19ª posição (ou vice-lanterna, se preferir) do nosso certame nacional. E mesmo antes da metade do longo campeonato, o técnico Renight ameaça vir ao Rio com o time reserva para poupar os titulares na briga contra o rebaixamento.

Assim, se sou o profexô, minha conversa com a turma seria a seguinte: “joguem sério e matem a parada. Enfiem logo quatro ou cinco, que no jogo de volta mando os garotos e vocês ganham a semana pra descansar”. Pra essa turma que adora uma farra, noite de folga é prêmio melhor que bicho.

34

Deve ter algo muito errado comigo, começo mesmo a desconfiar que alguns amigos – como o Jefferson – estão certos e eu realmente não entendo patavinas de futebol. Acreditava piamente que o jogo de ontem seria mole. Afinal, venhamos e convenhamos, o time do Atlético Paranaense é horroroso. Tanto que nem gol tinha feito ainda. Então, o que foi que aconteceu?

Aconteceu que o time jogou mal. Muito mal. Só isso. Mas já teve um monte de apressadinho por aí decretando que o Flamengo não vai a lugar nenhum, que não tem padrão de jogo e tal e coisa. Calma gente.

O time jogou muito mal ontem. Mas vinha evoluindo a olhos vistos, com postura tática definida, relativamente organizado, apesar dos resultados ruins contra Bahia e Corinthians. Além disso, Ronaldinho vinha jogando cada vez melhor (mesmo longe do que todo mundo espera e ele nunca mais vai conseguir), Tiago Neves era o cara do time, Bottinelli encaixando e até Egídio jogou bem três partidas seguidas. Mas…

No campo horroroso da Arena da Baixada (que não é desculpa), Léo Moura jogou muito abaixo da sua média e Junior César nem foi mal, mas está sem ritmo.

Quando todo mundo vai mal, quando nosso ataque mostra a indigência habitual e nossa defesa faz o de praxe, não tem como dar certo. Nossos defensores deram várias chances ao ataque adversário, Felipe nos salvou de alguns sustos. Pra completar, nosso novo lateral, sem ritmo, fez uma falta ridícula que originou o gol. Temos que dar graças a Deus de só ter tomado um gol. E repetir agradecimentos e orações pela perebice do rapaz que entrou em campo de touca, que acabou nos dando o gol de empate.

Não, apesar da série de empates, não estou preocupado. Ainda estamos na quarta rodada, nosso time não voltará a jogar mal como ontem (aposto) e os cavalos paraguaios, em breve, começarão a peidar na farofa. A boa notícia é que nosso próximo adversário é o Botafogo e nada como um freguês de longa data para recolocarmos as coisas no trilho. Ou seja, vamos começar a subir na tabela, naturalmente.

Mas aí, vem a janela de transferências e os times não serão os mesmos… Acho ótimo. Não acredito que percamos muita coisa e ainda temos a chance de conseguir encontrar o zagueiro e o atacante que precisamos e não temos.

P.S. 1: Levando em conta nossa dupla de zaga, entrosadíssima em fazer cagadas, o tal Gustavo foi contratado pra quê? Não vai nem experimentar? E o Aírton? Acho bom prepará-lo para entrar na zaga, já que nosso meio-campo, quando Williams não está suspenso, está encaixado.

P.S. 2: Apesar do nosso ataque ser um problema desde sempre, o Flamengo é o time que marcou mais gols no campeonato. “Mas goleou os reservas do Avaí”. Não fomos os únicos a golear alguém. Então, imaginem quando tivermos atacantes de verdade…

P.S. 3: Mesmo sem motivos para crises e coisas do gênero, acho bom o profexô abrir o olho. Ganha bem demais, tem pose demais e comanda um time caro demais para ficar empatando demais.

P.S. 4: Faltam 34 jogos para o hepta.

35

Achava que a festa de despedida de Pet poderia atrapalhar e corríamos o risco de tropeçar hoje. Pois não é que empatamos o jogo e a festa não teve nada a ver com a história? O gringo entrou jogando na vaga de Thiago Neves, que está na seleção. E entrou bem, jogando bem. Não fez gol, é verdade, mas fez boas jogadas, lançamentos e colocou Wanderley na cara do gol. O problema é esse, era o Wanderley.

O Flamengo começou o jogo claudicante, Felipe já fez um quase milagre aos dois minutos. O Corinthians jogava melhor e e saiu na frente, mas ali pelos 25, o jogo já estava equilibrado. O segundo tempo foi todo do Flamengo, mas ninguém conseguiu empurrar a bola pra dentro.

Junior César entrou e já mostrou que, apesar da boa fase, não dá mais pra Egídio. Ainda faltam um zagueiro e, pelo menos, um atacante de verdade. E é bom que cheguei logo, porque não dá pra ficar perdendo ponto bobo toda hora. Nos últimos anos, os campeões tiveram aproveitamento entre 68 e 70%. O nosso, em três jogos, é de 55. Mas é só ganhar o próximo jogo (mole!) contra o Atlético do Paraná, em Curitiba, que chegaremos a 67%, bem próximo da meta. É bom não bobear porque só faltam 35 jogos para o hepta.

Fim de papo

Já faz uma semana que acabou a bagaça e que o Flamengo conquistou o hexa. A ressaca está quase curada…

O campeonato foi, sem dúvida, o melhor dos últimos muitos anos. De toda a série de pontos corridos, certamente. Infelizmente, o equilíbrio que fez um campeão com menor aproveitamento da história e com a menor diferença de pontos para a turma que foi rebaixada. Isso é bom? Em tese.

A verdade é que, a cada ano, o nível técnico de nossos times é cada vez menor. Ou não teríamos um gordo, um farrista e um coroa de 37 anos entre os melhores do Brasil.

Apesar de muito inchado, nosso calendário está estabilizado já há algum tempo, o que deveria facilitar o planejamento dos clubes – equacionando dívidas, fortalecendo as divisões de base etc. – e a atração de novos investidores. Mas parece que nossos dirigentes não estão muito aí pra isso, o que não é de causar surpresa.

Independente disso, e apesar do que meu primo atleticano, recalcado e invejoso, disse, a conquista rubro-negra não foi uma cagada. Afinal, o Flamengo foi o que teve o melhor aproveitamento nos confrontos diretos entre os oito primeiros do campeonato. Assim como é fato que, principalmente, Palmeiras e São Paulo fizeram muita força para perder o campeonato. E perderam.

Pra encerrar minha participação no Brasileirão 2009, resolvi dar uns pitacos – o post ficou comprido demais, eu sei –  sobre todos os clubes que participaram dessa edição e sobre os quatro que vão subir. Apenas pequenas opiniões sobre alguns detalhes.

Série B

– Vasco: fez o que tinha que fazer, mas o time precisa melhorar muito para não correr risco de voltar;

– Guarani: quase foi grande um dia, até que virou io-iô. Será um dos enigmas de 2010;

– Ceará: se não voltar para a segundona, correrá riscos até o fim. É a sina dos clubes nordestinos, sem poder econômico para formar um grande time;

– Atlético-GO: absolutamente imprevisível. Time de empresários, como o Barueri. Pode surpreender e pode não fazer nem cócegas.

Série A

20º: Sport (31pts / 7V / 10E / 21D / 27%)

Se foi rebaixado na última posição, não se pode falar em injustiça. O time é horroroso e, para completar, sua queda é uma benção para todos os clubes, pois não precisarão jogar naquela campo de roça da Ilha do Retiro.

Como a campanha do clube foi um fiasco, seu presidente resolveu tapar o sol com a peneira e tirar o foco de suas mazelas tentando criar um onda sobre o título do Flamengo. Disse que processaria todos que apontassem que o Flamengo é hexacampeão.

A discussão provocada pelo presidente do clube pernambucano só serve pra criar mais confusão, acirrar ânimos etc., em função de algo que não tem qualquer justificativa lógica: o Sport ter sido proclamado campeão brasileiro de 1987 quando não foi, sequer, campeão da segunda-divisão. A história completa do que aconteceu está aqui.

19º: Náutico (38pts / 10V / 8E / 20D / 33%)

Não há o que dizer sobre Timbu, além de destacar o Carlinhos Bala (que não acredito ser capaz de ser destaque em um time grande de verdade) e o alívio de todos os clubes por não ter que jogar no gramado ridículo dos Aflitos, mesmo caso do Sport. Não por acaso, junto com o eterno rival, levaram Pernambuco embora da primeira divisão.

18º: Santo André (41pts / 11V / 8E / 19D / 35%)

A única coisa relevante em sua história é a conquista da Copa do Brasil sobre o Flamengo. Apesar do vexame rubro-negro, não é estranho nas copas nacionais que juntam times de todas as divisões, a conquista por clubes nanicos. Não se tornam relevantes por isso e esse é o caso. Deus sabe como chegou à Série A, mas o importante é que já foi embora.

17º: Coritiba (45pts / 12V / 9E / 17D / 39%)

Um exemplo clássico de um time pequeno que se acha grande. Talvez seja grande no Paraná, estado que – verdade seja dita – não tem qualquer relevância para o futebol nacional. Se acha grande porque ganhou um brasileiro no longínquo 1985, algo tão estranho quanto ter o Bangu como adversário na final. Foi tão insólito que o Maracanã ficou absolutamente lotado por torcedores de todos os clubes do Rio, em prol de um clube que tinha, sim, um grande time bancado por um bicheiro. Enfim, como último ato de sua participação no certame de 2009, sua torcida fez o favor de confirmar o quanto o clube, o time e ela própria são pequenos.

P.S.: Alguém reparou a grande escolha que fez o Marcelinho Paraíba, trocando o Flamengo pelo Coxa?

16º: Fluminense (46pts / 11V / 13E / 14D / 40%)

É verdade que, com a épica arrancada, não merecia mesmo cair. Mas é bom não esquecer a dívida que o Fluminense tem com o futebol brasileiro, pois disputou a terceira divisão e, com a criação da Taça João Havelange, pulou direto para a primeira. Também é fácil compreender a comemoração, mas é bom colocar o pé no chão e entender que, se muita coisa não mudar, o ano que vem será igual ou pior.

15º: Botafogo (47pts / 11V / 14E / 13D / 41%)

Depois de voltar à primeira divisão, vinha evoluindo, mas… Só não dá pra entender porque estão comemorando tanto. É bom que abram bem os olhos, não ganharam nada. Só não caíram de novo. Para o futuro, a receita é a mesma do Fluminense: mudar muita coisa, se organizar, planejar etc.

14º: Atlético Paranaense (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Não fede nem cheira. Chamado de furacão, na verdade não passa de uma brisa. Mesmo assim, só quando jogaem casa. Comoseu rival alvi-verde, só é grande localmente. Também já ganhou um brasileiro (a história da humanidade tem mesmo mistérios insondáveis), mas o conjunto da obra não é nada relevante na história. Como sua campanha em 2009. Pelo menos, não caiu.

13º: Vitória (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Apesar de muita gente achar que aquele canto do mundo é uma dimensão paralela, a Bahia é um estado do nordeste. Quando lembramos onde está seu arqui-rival, então, só o fato de estar na série A já é uma vitória (com trocadilho). Seu único mérito no campeonato foi ter o saldo de gols melhor que o Atlético Paranaense:-6 a-7. Graças a isso, se classificou para Copa Sulamericana.

12º: Santos (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Quando falo que os paulistas, em geral, são um povo bem estranho, meus amigos que moram do lado de lá da Dutra reclamam. Mas que outro povo seria capaz de chamar seu clube de Peixe e adotar uma baleia como mascote. Será que eles faltaram a aula de biologia no primário? Enfim, esse enorme nariz de cera reflete bem o que foi o Santos nesse campeonato: quase nada a declarar. A campanha medíocre serviu para duas coisas: se livraram do presidente (apesar do tumulto euriquiano nas eleições) e de Wanderley Luxemburgo.

11º Barueri (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Baruequem??? Pois é, uma distorção provocada pelo poder da grana que ergue e destrói coisas belas, como diria um baiano. O time do interior de São Paulo, criado por empresários apenas para dar lucro, até que fez campanha razoável. E só. Ficou à frente do Santos graças ao saldo de gols. Foi o clube com a menor média de público do campeonato e, no primeiro turno, o “clássico” contra o Santo André,em Santo André, foi assistido por 847 testemunhas.

10º Corinthians (52pts / 14V / 10E / 14D / 45%)

2009 foi o ano da volta, depois da passagem pela segundona. A base do time campeão da Série B foi mantida e chegaram alguns reforços, o gordo entre eles. Ganharam o paulistinha e a Copa do Brasil. Aí, com a vaga para a Libertadores garantida e a saída de alguns jogadores no meio do ano, não houve Mano Menezes que conseguisse reorganizar o escrete e, pior, manter os jogadores interessados em um campeonato que não conseguiriam conquistar. Resumindo: passou pelo Brasileirão a passeio.

9º Goiás (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um dos cavalos paraguaios de 2009. Com uma base razoável, fez algumas contratações interessantes, como Fernandão, e até pareceu que cumpriria a eterna promessa de ficar entre os grandes. Alguns excelentes resultados e, de repente, lá estava o time do cerrado no G4. Não durou muito. Fraquejou pelo meio do segundo turno e abandonou a disputa pelos primeiros lugares. No final, acabou como fiel da balança. Empatou com o Flamengo no Maracanã e parecia ter sepultado o sonho do hexa. Na semana seguinte, quando ninguém esperava, sapecou4 a2 no então líder São Paulo, deixando a disputa do título praticamente limitada a Flamengo e Inter.

8º Grêmio (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um time de extremos. Terminou o Brasileirão invicto em casa, mas só ganhou um jogo como visitante. Por fim, classificado para a sulamericana, uma copinha que todo mundo comemora quando faz campanha pífia no brasileiro, mas que todo mundo reclama na hora de jogar. Acabou chamando a atenção pela confusão ‘entrega X não entrega’ o jogo contra o Flamengo, na última rodada. Tudo isso porque o rival colorado precisava de, ao menos, um empate no Maracanã para que superasse o time da Gávea. A torcida do Grêmio, então, começou a campanha do entrega. No final, nada demais aconteceu. Apesar de um mistão, os gaúchos deram um belo susto do Flamengo, fazendo um a zero. Mas não aguentaram a pressão e todo mundo sabe o que aconteceu.

7º Atlético Mineiro (56pts / 16V / 8E / 14D / 49%)

O pai de todos os cavalos paraguaios. Depois da glória de conquistar o primeiro brasileiro em 1971, tudo o que o Galo conseguiu foram três vices. Neste ano, prometeu, prometeu, prometeu… Liderou o certame e fez até um dos seus artilheiros, mas – como de hábito – não conseguiu nada. Nem a vaga na Libertadores.

6º Avaí (57pts / 15V / 12E / 11D / 50%)

Tai uma surpresa agradável. Deus sabe se continuará assim em 2010, mas muita gente duvidava que o time catarinense faria algo além de brigar para não cair. No final, uma campanha mais do que digna sob o comando de Silas, que se mandou para o Grêmio. Os destaques do time, além do técnico, são curiosos: o atacante Muriqui foi quem mais apanhou durante o ano, enquanto seu companheiro Ferdinando, volante, foi o segundo que mais bateu.

5º Palmeiras (62pts / 17V / 11E / 10D / 54%)

O grande campeão do Grande Prêmio de Assunção. Liderou metade do campeonato, teve cinco pontos de vantagem por várias rodadas, disputou o título até o último jogo e, no final, nem se classificou para a Libertadores. Parabéns ao presidente Beluzzo por suas declarações fabulosas, parabéns ao Muricy pela autosuficiência transbordante, parabéns ao time que não agüentou a pressão. Resumindo, um puro-sangue paraguaio.

4º Cruzeiro (62pts / 18V / 8E / 12D / 54%)

Um daqueles clubes que sempre começam o campeonato dando pinta de favorito. Claro, segundo todos os especialistas de jornais, rádios e tevês. O time realmente não é ruim (para o nosso nível, claro) mas oscilou muito durante o ano. E até craque freqüentando festa de torcida organizada de adversário aconteceu. Apesar de uma miniarrancada nos últimos jogos, chegou à última rodada dependendo de combinação de resultados para chegar à (pré)libertadores. E o porco paraguaio entregou a vaga de mão beijada.

3º São Paulo (65pts / 18V / 11E / 9D / 57%)

Deitou sobre a fama de time eficiente, que mesmo jogando mal, faz ao menos um gol e não leva nenhum. Enfim, um modo medíocre de pensar o futebol. Entre os times da ponta, foi o que menos ganhou pontos dos outros líderes enquanto perdia poucos pontos para os pequenos. O problema é que neste ano, com o campeonato nivelado (por baixo), não foi tão efetivo mesmo contra os pequenos. Além disso, um elenco extremamente limitado, com atletas (paulista adora chamar jogador de futebol de atleta) que jogam como robôs. Como Ricardo Gomes não é tão bom quanto Muricy, o time não teve força para chegar ao título que esteve em suas mãos. Só valeu porque se classificou para sua trocentésima Libertadores consecutiva.

2º Internacional (65pts / 19V / 8E / 11D / 57%)

Já há algum tempo é apontado como um dos favoritos todos os anos. Mas como é que um time que, hoje em dia, pode ser descrito como a versão gaúcha da fusão entre Vasco e Botafogo pode ser campeão? E ainda por cima com Mario Sérgio Pontes de Paiva como técnico.

Comparei a Vasco e Botafogo porque, com o resultado deste ano, o Inter conseguiu a expressiva marca de ser penta-vice. Além disso, desde que o inter perdeu o título para o Corinthians, no campeonato da máfia do apito, só faz chorar. Neste ano, seu vice de futebol chegou a divulgar um DVD com os pseudo-erros cometidos por árbitros contra o time do sul. Isso, às vésperas da final da Copa do Brasil. Resultado? Vice.

1º Flamengo (67pts / 19V / 10E / 9D / 58%)

No meio do campeonato estava na 14ª posição e ameaçava passar o ano fugindo do rebaixamento. Além disso, um monte de confusões dentro do clube, em ano eleitoral, só fazia atrapalhar. Pra completar, Cuca e sua estranha relação com os jogadores.

Aí Kleber Leite deu o fora, Cuca caiu, Andrade foi efetivado e começou a recuperação de vários molambos do time, chegaram Pet, Maldonado e Álvaro. O time encaixou e, como quem estava na ponta não demonstrava querer o título, parecendo até que não queriam ser campeões, o Flamengo foi chegando, foi chegando… O resto vocês já sabem.

Agora é rezar que não seja feito um desmanche, que cheguem três ou quatro reforços de verdade e que a nova presidente Patrícia Amorim consiga dar um jeito no Flamengo. Porque se tudo for feito como deve, no futebol, nos esportes olímpicos e no resto do clube, poderemos nos preparar para comemorar durante muitos e muitos anos, começando pela participação na próxima Libertadores.

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Depois desse quase testamento, poderia prometer ficar um bom tempo sem falar de futebol por aqui. Mas como o risco de não cumprir é enorme, é melhor ficar quieto. Afinal, a programação inicial é estar no Maracanã, na festa de fim de ano do Zico, em que será formado um time com jogadores que participaram dos seis títulos do Flamengo. Sinceramente, é bem provável que não resista a fazer algum comentário depois disso. A ver.

Como tem bobo no futebol…

Além de todos nós que continuamos acompanhando e torcendo pelos nossos clubes de coração, é fácil perceber que, no futebol brasileiro, só tem bobo. Ainda não acredita?

Vamos começar com o Cruzeiro, semi-finalista da Copa Libertadores da América. Recebeu o Barueri em Belo Horizonte. Jogo fácil, claro. Afinal, o time mineiro é apontado como um dos melhores do Brasil e o clube do interior paulista é pouco mais que um time de empresários, sem história e recém-chegado da segunda divisão. Resultado: Cruzeiro 2 x Barueri 4.

Outro exemplo? O Santos recebeu o Atlético Mineiro (autêntico cavalo paraguaio) na Vila Belmiro. Saiu na frente e levou a virada do novo líder do campeonato, com um time que é comandado pelo Diego Tardelli, um atacante que nunca deu certo em clube nenhum em que jogou. Para completar a festa, o maravilhoso árbitro Djalma Beltrami – que tem um extenso currículo de cagadas – acabou o jogo antes da hora (nesse lance, contou com o auxílio luxuoso do quarto árbitro), voltou atrás e ainda anulou um gol legítimo do Santos, o que gol que daria o empate ao time da casa.

Se não bastasse os episódios da Vila, as arbitragens exemplares desse Brasil varonil ainda fizeram das suas nos jogos Santo André X Sport e Atlético Paranaense X Palmeiras. Nesse, Obina finalmente conseguiu o que sempre tentou em quase todos os jogos em que ele esteve em campo e assisti: um gol de bicicleta. Graças ao bandeira infeliz que viu um impedimento inexistente, o folclórico baiano não conseguiu comemorar sua obra prima.

No clássico paulista, o São Paulo levou uma traulitada do Corinthians e o Muricy Ramalho foi demitido. Na saída, acusou Cuca (técnico do Flamengo) de ligar para a diretoria são paulina se oferecendo. Rapidamente, o sujeito negou que o tivesse feito com frases do tipo “nunca liguei nem para desejar feliz aniversário…”. Pois o presidente do clube paulista, Juvenal Juvêncio, deu uma entrevista hoje dizendo que o Cuca ligou sim, mas não para se oferecer e, sim, para pedir conselhos de como enfrentar o caldeirão da Gávea e suas crises intermináveis. Algo natural, pois são grandes amigos.

De quebra, o Tite (técnico do Internacional) nem foi citado na confusão mas se meteu mesmo assim, dizendo para o Muricy não generalizar, dar nome aos bois etc. Muita gente acha (eu, inclusive) que ele se antecipou a uma possível demissão pela perda da Copa do Brasil para o Corinthians e pela perda da liderança do Brasileiro, pois em sua cabeça seria certo que Muricy faria pressão para voltar ao time gaúcho, onde ganhou o Brasileirão 2006.

E com essa bagunça toda, um monte de time chinfrim e eu ainda perco tempo escrevendo sobre o tema. Viu como é fácil provar que ainda tem muito bobo no futebol? A começar por mim.