Olha o arrastão entrando no mar sem fim

Arrastão em Ipanema / Foto:  Marcelo Carnaval - Agência O GloboVoltamos a ter arrastões nas praias do Rio. E a tendência é que, assim como o calor, a situação piore nas próximas semanas. O movimento deu uma boa caída em algumas favelas e suas bocas, a turma precisa garantir o Natal. Sabem como é né…?

Pelo andar da carruagem, o bagulho (com trocadilho) vai ficar esquisito.

Boa parte da população não anda satisfeita com muita coisa (quase nada, na verdade). E surtos de violência passaram – de certa forma – a serem considerados normais desde que começaram as manifestações de junho. De quebra, a massa que faz arrastão, que dá a cara a bater, é formada por menores de idade (dos 10!!! aos 17) que, mesmo quando grampeados, são liberados em seguida. E aí a sensação de impunidade…

Junte tudo isso com cadeiras e pés de barracas de praia, tudo à mão, fácil de usar e brandir a esmo. Como diz uma amiga, vai dar merda, alguém vai morrer. E quando aparecer a turma indignada dos direitos humanos, ninguém vai bater palmas ou apoiar os caras. E olhem, já vi muita gente por aí torcendo para que isso aconteça.

Agora, uma perguntinha: onde está o querido e incensado secretário de segurança, o bravo Beltrame? Ninguém sabe, ninguém viu.

Arrastão em Ipanema / Foto:  Marcelo Carnaval - Agência O GloboPra terminar, vale dar uma olhadinha nas duas fotos aí em cima. Reparem no modo de atuação da Guarda Municipal, os marronzinhos do Eduardo Paes que têm largo histórico de sair no tapa com camelôs e congêneres. Reparem em como eles estão correndo e distribuindo cacetadas a torto e a direita. Na primeira, há um guarda pronto para arremessar uma cadeira. É ou não é de dar orgulho?

Resta, afinal, desejar boa sorte aos ratos de praia.

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Se eu pudesse estar em paz

Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas e treze foram detidas, no fim da noite de domingo (14), durante uma confusão no Morro do Turano (…). A confusão começou por volta das 22h30, quando policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tentaram interromper uma festa do Dia dos Pais. Segundo a Polícia Militar, os moradores não aceitaram o fim da festa e chegaram a jogar coquetéis molotov na direção dos policiais.

Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora do Morro do São Carlos, no Estácio, na Zona Norte do Rio foram atacados a tiros de fuzil na madrugada desta segunda-feira (…).Os PMs contaram que vários traficantes, fortemente armados, estavam escondidos em becos do morro.

Um taxista foi morto a tiros, no fim da noite de domingo (14), perto do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio (…). Segundo a polícia, os criminosos levaram dinheiro, um aparelho de DVD e um relógio.

Duas pessoas foram presas e outros nove menores detidos, no domingo (14), suspeitos de integrar um grupo que praticava assaltos a pedestres na região da Lagoa, na Zona sul do Rio.

Tudo isso aí aconteceu em menos de 24 horas. E é claro que é só o que virou manchete de um grande conglomerado de comunicação.

Reza a lenda que a turma presa na Lagoa saiu da Mangueira para aproveitar o dia dos pais. Ou seja, todas as notícias estão relacionadas a crimes e confusões de locais onde há a tal polícia pacificadora. Como podem ver, tudo às mil maravilhas, como eu já havia postado no dia 25 de julho.

Afinal, o que são alguns fuzis aqui, uns coquetéis molotov ali, um arrastãozinho acolá? Diz aí Cabral, falaê Beltrame.