Verbetes e expressões (23)

Banzo

s.m.

“Uma moléstia estranha, que é a saudade da pátria, uma espécie de loucura nostálgica ou suicídio forçado, o banzo, dizima-os pela inanição e fastio, ou os torna apáticos e idiotas.” (João Ribeiro, História do Brasil, p. 207.)

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Verbetes e expressões (22)

Tangência

s.f.

Matemática. Estado ou qualidade de tangente. Ponto de tangência, ponto único em que duas linhas ou duas superfícies se tocam.

Fonte: Dicionário Online de Português

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É curioso como algumas coisas acontecem por aqui, nessa nossa terrinha. A confusão estourou há alguns dias e o desenrolar tem sido acompanhado pela imprensa do mundo inteiro, algo natural em se tratando da FIFA. Apenas mais um escândalo de corrupção.

Surpreendentemente, há um brasileiro envolvido na última confusão que mereceu documentário produzido pela BBC de Londres. O nome do sujeito é Ricardo Teixeira. E você se surpreende? Pois entre as muitas denúncias, o sujeito – que preside a CBF há trezentos anos e já respondeu até a CPI no nosso congresso – teve que devolver uma enorme soma de dinheiro (na casa dos vários milhões de dólares) em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suiça. E sabem quem mais é acusado pelo programa? O sogro do Sr. Teixeira, João Havelange.

Para saber mais sobre o caso, basta visitar a página do programa Panorama (em inglês). Para completar, assistam a entrevista de Andrew Jennings – o jornalista responsável pela investigação – à ESPN Brasil.

E o que isso tudo tem a ver com tangência? Quem acompanha futebol por aqui, mesmo que muito à distância, está cansado de saber que uma das maiores parceiras da CBF é a Rede Globo de Televisão, em particular (e as Organizações Globo em geral).

Pois não é que os caras deram um jeito de não tocar no assunto, ou quase. Hoje, no Jornal Nacional, falaram sobre uma coletiva em que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, falou sobre o tema e disse que terá tolerância zero e essas coisas que todo mundo sabe que é blá blá blá. E conseguiram não falar sobre os brazucas envolvidos. Não é brilhante?

Na verdade, e para quem tem só um pouquinho de memória, nenhuma surpresa. Não são poucos os casos em que os caras não vão atrás de notícias sobre parceiros estratégicos. Mas às vezes, a notícia vai atrás deles de modo tão contundente que não dá mais pra fugir. Um clássico? A campanha Diretas Já, case mais do que conhecido.

E então, será que dessa vez eles vão escapar?

P.S.: A resposta à pergunta de Jennings durante sua entrevista, que virou manchete, é fácil de imaginar. Afinal, estamos cansados de saber o tipo de governantes que temos por aqui.

Verbetes e expressões (21)

Bullying

Situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

Fonte: Revista Escola

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Já venho pensando nisso há algum tempo, mas sempre de maneira um tanto desorganizada. Vocês vão ver que não mudou muita coisa. O problema é que, como tudo que andamos importando por aqui nos últimos tempos, o bullying virou moda e – de certa forma – a razão por qualquer problema, qualquer desvio de criança, adolescente ou pós adolescente, qualquer ato de violência.

Quem passa por aqui está cansado de saber que não entendo nada de psicologia. Pelo menos da maneira formal. Porque, em se tratando de educação, carrego comigo o que aprendi de certo e errado com pais, avós, tios, vizinhos, pais de amigos e assim por diante. Além da escola, claro. E, parece-me claro, que o tal de bullying é mesmo um caso de (falta de) educação.

Por exemplo, lembro claramente do meu pai – na primeira vez que cheguei em casa depois de brigar, não lembro se na rua ou na escola – dizer mais ou menos o seguinte: não bata em alguém menor que você; se for do mesmo tamanho, tente conversar antes de brigar, mas não volte pra casa chorando; se alguém maior encrencar, me avise.

É claro que aí estava apenas o recado básico de que não deveria ser covarde, tentar não ser violento e não aceitar covardia. Mas não era só isso. Meus pais participavam da minha vida, conversavam, orientavam. Meus pais se relacionavam com os pais de boa parte dos meus amigos ou colegas de escola. E o outro grande detalhe da história: eu conhecia a palavra ‘não’ e o seu significado.

Mas o que vejo hoje por aí não é lá muito animador. Vejo pais cada vez menos presentes e, numa tentativa rasa de compensar a ausência, dar ou tentar dar tudo o que as crianças querem no momento em que elas querem sem pesar valores ou significados. Também vejo pais passando as mãos nas cabeças de suas crianças em qualquer circunstância, numa permissividade desmedida, sem lhes apresentar o ‘não’ ou sem deixá-las sentir as conseqüências de seus atos, protegendo-as de tudo e todos a qualquer custo, em qualquer circunstância, esquecendo-se de que a vida não é assim. E essa é a chave do negócio.

O mundo não é estéril, pasteurizado, fantasiado de sorrisos padrão, construído sobre a tal filosofia do politicamente correto em que todos, hipocritamente, dizem sim o tempo inteiro desde que você siga o roteiro e não revele o que realmente pensa.

Valentões sempre existiram e continuarão a existir. Recebi e dei apelidos. Sacaneei e fui sacaneado. Fui o mais fraco e o mais forte da escola. Mas cresci com regras claras. Fiz bobagens, como todo mundo. Levei minhas chineladas, até cintadas. Convivi com brigas e discussões entre meus pais. Vivi seu divórcio. Lidei com ganhos e perdas. E amigos ou simples conhecidos, seus irmãos mais velhos ou mais novos também. E não, nunca vi nenhum deles ultrapassando os limites da boa educação sem sofrer as devidas conseqüências. E não, não vi nenhum deles crescer traumatizado, tratado por oitocentos psicólogos e quatrocentos psiquiatras.

Então, sinceramente, acho mesmo que esse carnaval sobre esse tal de bullying é só isso, mais um carnaval de quem não quer se dar ao trabalho de enxergar o óbvio. Porque ele sempre existiu. Só que sem o nome importado e (talvez) sem a violência de hoje.

Se você chegou até aqui, é possível que esteja pensando que sou uma besta, um reducionista, que as coisas não são tão simples. Sinto muito. As coisas são sim, muito simples. A vida é muito simples. Quem cria os problemas somos nós.

Verbetes e expressões (20)

Democracia

(grego demokratía, -as, governo do povo)

s. f.

1. Governo em que o povo exerce a soberania, direta ou indiretamente.

2. Partido democrático.

3. O povo (em oposição à aristocracia).

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Bom tema para discutir, para pensar a respeito, principalmente num país como o nosso, em que por vício de uma má educação estrutural, por vícios midiáticos, nos acostumamos a contrapor democracia à ditadura.

Bom tema para pensar, justamente no momento em que tantos organismos multilaterais e algumas das ‘maiores democracias do mundo’ resolvem se meter em problemas internos de vários países, como a Líbia, a Costa do Marfim e até no Brasil.

Para destacar o quanto a democracia e o governo da maioria são ofensivos à liberdade, basta você se perguntar quantas decisões em sua vida você gostaria que fossem tomadas democraticamente.

Para ler o texto completo de Walter Williams, publicado originalmente no NewsBusters em 23 de fevereiro, clique aqui.

Verbetes e expressões (19)

Escárnio

1. Mofa; zombaria manifesta; motejo.

2. Menosprezo, desacato.

Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

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Reza a lenda que Charles De Gaule disse que o Brasil não é um país sério. Outra possibilidade seria que o Brasil é um país que não deve ser levado a sério.

Frases assim, principalmente quando ditas por um estrangeiro, incomodam você?

Pois hoje foi confirmado que o deputado federal mais votado do país (valeu São Paulo),  Francisco Everardo Oliveira Silva, famoso no papel do palhaço Tiririca, integrará a Comissão de Educação e Cultura da Câmara.

E aí, você ainda acha que aquelas frases incomodam tanto assim?

Verbetes e expressões (18)

Ironia

– Ironia é a afirmação de algo diferente do que se deseja comunicar, geralmente o contrário, na qual o emissor deixa transparecer a contrariedade por meio do contexto do discurso, ou através da alguma diferenciação editorial, ou entoativa ou gestual. (…) A função da ironia geralmente é crítica e impressionista. (Radamés Manosso – Elementos de Retórica)

– A ironia convida o leitor ou o ouvinte, a ser activo durante a leitura, para refletir sobre o tema e escolher uma determinada posição. (Wikipedia)

– A ironia não é gozação, nem é uma falta de respeito, senão a contraposição de fatos tão contraditórios entre si, tão mutuamente excludentes que provocam riso no espectador – se trata-se de uma obra de teatro – ou ao leitor – se trata-se de uma obra literária. (Alejandro Peña Esclusa)

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O mais importante diz respeito aos dados de minha conta bancária, que o Ministério Público consignou no processo: é que ela foi aberta no ano de 1978, há 33 anos! Tremendo terrorista que usa a mesma conta bancária desde há 33 anos! Sempre vivi em meu apartamento, tenho três filhas que pertencem às Orquestras Sinfônicas Juvenis e Infantis. Tremendo terrorista este, que tem filhas em orquestras e que escreveu livros!

Tenho apreço especial por ironias. E o texto acima é apenas um trecho do que disse Peña Esclusa ao juiz Luis Cabrera em audiência no dia 27 de janeiro. Clique aqui para ler o texto completo.

Para quem não sabe, Esclusa é um pacifista convicto e reconhecido como tal pelo mundo inteiro. Mas é venezuelano e opositor de Hugo Chavez. Só que ele foi preso, em julho do ano passado, acusado de terrorismo. Até explosivos foram plantados em sua casa quando invadida para a realização da prisão.

Como já disse há algum tempo, é de governos assim que nosso guia se vangloriava de ser ‘cumpanhêro’. Como nosso governo atual é a continuação do anterior…

Aliás, sobre nossa magnífica política externa, estou realmente muito curioso para saber qual vai ser a postura adotada pela nossa presidente sobre a confusão nos países árabes depois que o vendaval passar.

Verbetes e expressões (17)

Explicação

subst f explicação (explicações [əʃplikɐ’sõjʃ] pl) [əʃplikɐ’sɐ̃w]

1 ato de fazer compreender algo (uma explicação da teoria)

2 motivo, justificação (dar uma explicação pela falta)

Para Spinoza (e por definição para todos os filósofos racionalistas) ‘explicar’ quer dizer mostrar que uma proposição verdadeira é a conseqüência logicamente necessária de alguma outra; explicação essencialmente envolve exigir conexões necessárias; e ‘conexão necessária’ nesse contexto quer dizer uma conexão estritamente lógica pela análise lógica das idéias envolvidas.

Fontes: The Free Dictionary e Portal da Filosofia

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E o RSS do blog funcionou. E não é sobre política, o que é melhor ainda. Octavio Machado enviou o texto abaixo que não é novo, completa 10 anos neste ano, mas eu não conhecia. E é muito bom com momentos sensacionais. Bom material de consulta, também, para quando Helena chegar à fase dos ‘por quê?’.

Mania de explicação

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.

…Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia.

Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.

Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero… Também não. É um desadoro… Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

Adriana Falcão