Bradesco: na fila, lado a lado com você

…e conte com a gente. Nós estaremos lado a lado com você.

Isso é um fragmento do texto do comercial de ano novo (2012) do Bradesco, o segundo maior banco privado do Brasil (segundo a Wikipedia).

Agora, repare na imagem abaixo.

É uma senha de atendimento da agência 0448 – Haddock Lobo (Tijuca, Rio de Janeiro) do tal banco. Atenção aos horários impressos: entrada às 14h11 e saída (na vertical, no canto direito) às 15h09. Ou seja, descontando o tempo que você leva pra passar pela porta giratória (esvaziando bolsos e bolsas e, depois, recolhendo tudo), foram 58 minutos para ser atendida (o caso aconteceu com a dona da minha vida).

Aí, a moça fica uma arara, se dirige à uma funcionária para reclamar e ouve a seguinte pérola: “processa”.

Não é brilhante a maneira como o Bradesco trata os clientes? Não é brilhante como o Bradesco garante o bom treinamento de seus empregados?

Só pra lembrar, há no Rio a lei 5.254/2011 (em São Paulo, lei semelhante é de 2005) que limita o tempo de permanência em filas de banco em 15 ou, em dias de pico, 30 minutos no máximo. Como podem ver – apesar da multa prevista de até R$ 160 mil e o risco de ter a agência fechada –, o Bradesco trata a lei como boa parte dos motoristas brasileiros lida com a seta: liga o foda-se (desculpem o palavrão).

A orientação para quem passa por isso é procurar o Procon com o comprovante. E aí, eu pergunto: pra quê? Perder mais tempo e não ver nada acontecer? Ou processar para, depois de sei lá quanto tempo (todos sabemos como é rápida nossa justiça), não dar em nada?

Pois é, chegamos à conclusão que o melhor (para nos poupar tempo, trabalho e muitas aporrinhações) seria contar (e tentar espalhar) a história. Quem sabe as pessoas que cogitam ser clientes Bradesco, não pensem melhor e escolham outro banco?

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Desacato ao pacato cidadão

Então chega aquela época do ano em que você é obrigado a ligar para o Detran e marcar aquela maldita vistoria. Otimista, você fala com a atendente muito educada e agenda o compromisso: dia tal, 7h30. Afinal, você trabalha, tem mais o que fazer, né não?

Aí você faz aquele cálculo básico: o cara avalia a emissão de gases com aquele aparelho que nenhum ser humano mediano consegue entender, dá a volta no carro mandando você acender e fazer piscar todas luzes, verifica os itens básicos de segurança… Se demorar, uns 20 minutos. E você soma mais uns 15, para esperar pela impressão do novo documento.

Então, com margem de segurança mais do que satisfatória, o otimista avisa no trabalho que vai atrasar um pouquinho, chegar pelas 9h30 por conta da vistoria. Até que vem o choque de realidade.

O posto tem quatro filas mas só três funcionam. E mais ou menos umas 20 pessoas também fizeram seu agendamento para as 7h30. E você que acordou às seis e chegou no lugar indicado às 7h20, só sai de lá às 10h15 e chega no trabalho pelas 11h.

O detalhe mais que interessante é que você não tem nem o direito de se aporrinhar com o negócio, reclamar, nada. Porque, para cada canto que você olhe (não deve ser por acaso) há lá aquele aviso do artigo 331 do código penal, sobre desacato ao funcionário público. E se o sujeito do outro lado do balcão tiver acordado de ovo virado, basta você falar um pouquinho mais alto que ele pode te acusar e você vai em cana.

Legal né?

Pois eu gostaria de saber o que o cidadão comum pode fazer contra o estado quando se sente desacatado pela (falta de) qualidade dos serviços públicos.

GVT (ou como perder um cliente antes mesmo de conquistá-lo)

Lá estava eu, uma noite de segunda-feira das mais comuns, sentado em meu sofá, tentando assistir os telejornais à espera do jantar. E tocou o telefone.

Do outro lado, em resposta ao meu ‘alô’ mais amistoso que o habitual, uma gravação absolutamente impessoal. Da maneira mais simpática que uma máquina é capaz de ser, o locutor avisa que é da GVT, explica que tem uma promoção de TV HD + internet de sei lá quantos megas e que, se eu quisesse saber mais detalhes, bastaria teclar ‘1’.

Vivendo aquela insatisfação comum de qualquer cliente NET, resolvi dar trela e quando achava que falaria com alguém de carne e osso, uma nova gravação avisa que, em breve, alguém ligará para mim. E ‘tu-tu-tu-tu…’.

Depois de alguns 10 ou 15 minutos, o Ricardo ligou. Começamos a falar sobre o serviço oferecido e lá pelas tantas, disse que queria saber da tal promoção. O sujeito confirmou meu CEP e, depois de um tempinho em silêncio para verificar a viabilidade técnica da minha solicitação, deu-me a notícia de que a GVT ainda não chegou à minha quadra.

Como é que é? Os caras me ligaram (duas vezes!) para me oferecer um serviço que não podem me vender? Não é brilhante a estratégia?

Agora, como é que eu, consumidor, vou confiar numa empresa que não sabe o que faz e já me incomoda antes mesmo de eu ser seu cliente? Como é que vou confiar que uma empresa com esse nível de (des)organização vai me atender bem?

P.S.: os roteiros desses teleatendimentos são terríveis, estamos todos cansados de saber. Nesse caso da GVT, por exemplo, é preciso avisar a turma que prepara o material que a GVT nunca vai chegar à minha quadra. Talvez seu cabo chegue até lá. Além disso, seria simpático, de bom gosto mesmo, adaptar as mensagens e roteiros aos regionalismos característicos do Brasil. Porque, no Rio, chamar quarteirão de quadra é gafe tão grande quanto, em São Paulo, chamar guia de meio-fio.

Da política ao prato executivo

Boas descobertas de ontem. Na verdade, dica de uma grande amiga. Flávio Sabbagh Armony é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ e sua dissertação é sobre jornalismo político. Aí, o cara vai faz o blog Estado Crítico (já publicado na página Visita obrigatória). Boa leitura de belas análises em textos curtos e objetivos.

Não satisfeito, Flavio ainda presta um bom serviço a quem trabalha ou visita o Centro do Rio. No blog Comer no Centro (publicado na página Carioca), a cada restaurante visitado são avaliados o tipo de comida, cardápio, conforto, preço, quantidade e qualidade, além da informação sobre como pagar.

Se é verdade que acho o primeiro muito mais divertido, é impossível não reconhecer a utilidade do segundo. No que me cabe, indico que se freqüente os dois.

Mudança é uma merda

Mal recoloquei o blog pra funcionar e acabei saindo do ar de novo. Tudo por causa de uma mudança. Mais uma mudança. Ok, admito que o título do post é bastante espalhafatoso, provavelmente exagerado. E o que eu quis dizer é que fazer mudança é uma merda.

A dessa semana foi a terceira dos últimos quatro anos (espero e acredito que a última por um bom tempo). A primeira da série, apesar de já estar em planejamento, acabou acontecendo às pressas, depois de um incêndio no apartamento de cima e do rescaldo que inundou a casa. Mas sem maiores problemas.

A segunda foi muito mais preparada e planejada e, apesar disso, acabou dando mais trabalho que a anterior. Porque já tínhamos muito mais coisas para carregar, porque nós embalamos tudo e carregamos boa parte das coisas, porque no dia da mudança arrebentei as costas logo pela manhã e quase todo o trabalho caiu no colo da moça da minha vida, porque a Kombi que contratamos escangalhou antes de chegar láem casa… Enfim, um pequeno desespero.

Então, dessa vez, resolvemos nos precaver e nos estruturamos para contratar uma empresa de mudanças daquelas que prometem fazer tudo para que você não tenha trabalho. Mas é claro que se tudo acontecesse dentro dos conformes, se tudo fosse fácil, se tudo desse certo, eu não poderia dizer que “esta é a minha vida”.

Como combinado, o trabalho dos caras começou no sábado, quando dois sujeitos passaram boa parte do dia empacotando e desmontando o apartamento. Apesar da boa vontade dos caras, um olhar um pouco mais atento desconfiaria dos problemas que estavam por vir.

Antes de fechar a data da mudança e que empresa a faria, para tentar adiantar e até baratear o serviço, enchemos pouco mais de 20 caixas e malas. Mesmo assim, as embalagens que os caras levaram acabaram. Eles deveriam ter saído da minha casa deixando apenas o estritamente necessário para sobrevivermos até o dia de ir embora, segunda-feira. Era só olhar em volta, não foi isso o que aconteceu.

Chega o dia da mudança e os caras começam a trabalhar às 8h30 da manhã. Eram seis na equipe. Quer dizer, cinco e meio. Havia um senhorzinho no time, com muito boa vontade, muito disposto, mas minha impressão é que regulava em idade com Oscar Niemeyer. O que significava dizer que levantar uma caixa das mais pesadas era um sufoco daqueles.

Enquanto uma parte foi terminar de empacotar e desmontar o que faltava, outra parte começaria a descer o que já estava pronto. Mas o elevador enguiçou… A assistência técnica foi chamada e todos foram tratar de preparar a carga que faltava. Quando o elevador voltou a funcionar, cerca de meia hora de atraso. Nada grave.

O caminhão encostou às 11h e a impressão é que o carregamento seria rápido, parecia faltar pouca coisa pra descer e desmontar e… A mudança saiu da casa velha às 16h e chegou na nova às 17. Até começar a subir e montar os móveis e tudo o mais, 18h30 e começou a escurecer. E parte do serviço combinado não foi feito, como instalar luminárias e aparelhos de ar condicionado. E com poucos pontos de luz funcionando e o tempo passando… Como organizar a casa no escuro? Como lidar com uma criança de dois anos e curiosa, duas cachorras muito curiosas e três buracos na parede do quinto andar? Como lidar com uma espécie de muralha da china de caixas ocupando sua sala quase até o teto, no escuro?

O pau comeu na casa de Noca…

Depois de alguns telefonemas para o sujeito que nos vendeu o serviço, com muitos esporros (perdi a linha e a razão) e negociação (a moça da minha vida foi precisa), os caras foram embora às 21h30 sem receber. No dia seguinte, o rapaz apareceu lá em casa, acompanhado de um eletricista (ou quase isso). Instalou luminárias, fogão, ar-condicionado e mais alguma coisinha.

Mesmo assim, o saldo foi a sala abarrotada de caixas – só encontrei minhas roupas, que não estavam em cabideiros como combinado, pelas 10 ou 11 da manhã – e alguns móveis ainda desmontados por falta de espaço.

Enfim, mudanças não são simples, dão muito trabalho mesmo. Mas quando resolvemos contratar uma empresa especializada, o objetivo era se aporrinhar o mínimo possível. E isso não aconteceu. Não sei como seria com a Granero, Gato Preto, Lusitana ou qualquer outra. No nosso caso, tivemos um serviço mal vendido, mal planejado e mal executado. E, depois de tudo e apesar do desconto de cerca de 20%, caro. Muito caro.

Então, se vocês procurarem uma empresa de mudanças e se depararem com a Marvin Mudanças, fujam. Como o diabo da cruz.

Ironia divina

Estive no inferno ontem. E se você quer fazer uma visitinha, nem é complicado chegar lá. No Rio, vá na direção do velho autódromo de Jacarepaguá – aquele que foi destruído pela sanha de Nuzman e Maia. Logo depois de passar por ele, uma curva à direita e outra à esquerda. Em frente à nova Cidade do Rock, está o Riocentro. Nele, a XV Bienal do Livro.

É claro que eu sabia que estaria cheio, não sou burro. Pessoas normais, que trabalham, só podem participar desses eventos (quando não estão de férias) em feriados ou finais de semana. Mas ontem…

Pra começar, um problema comum a qualquer evento que aconteça por aqueles lados, o trânsito muito ruim desde muito longe. Outra aporrinhação comum, o estacionamento caríssimo e sem qualquer estrutura do maior centro de convenções da cidade. Somem a isso, coisas comuns (pelo menos no Brasil) a eventos com grande carga de público: filas enormes até para comprar água (a partir de certo horário, os bebedouros pararam de funcionar), corredores cheios e muita dificuldade de circulação (dos cinco pavilhões, apenas três estão ocupados), queda (geral) de rede e sistemas e impossibilidade de compras com cartões de crédito ou débito.

Não sei qual é a medida de sucesso para a organização. Li na primeira página do Globo de hoje que ontem houve recorde de público. Mas me pergunto quanto cada um dos mais de 100 mil presentes puderam realmente aproveitar, se divertir, além de ver os estandes com calma e, por fim, comprar livros.

Eu, que gastei dinheiro com estacionamento e ingressos, prometi à minha família que nunca mais volto à bienal. Inclusive porque, dos poucos livros que consegui ver, os preços não justificavam a ida ao evento.

Alguns amigos dizem que estou me tornando um velho muito chato. Hum, não posso discutir com o tempo. Mas ainda não tenho 40 e o que eles chamam de chato, costumo chamar de custo-benefício. E o da Bienal, pra mim, foi péssimo. Já não foi a primeira vez e até a persistência tem limite.

•••

Boa parte do inferno de ontem foi provocada pela presença do padre pop Marcelo Rossi. Ironia divina, talvez? Não importa. O fato só comprovou que a Fagga, organizadora da Bienal (e que não respondeu nem um e-mail simples), não é capaz de prever e lidar com as dificuldades naturais causadas por um grande público, como a orda de fiéis que foi ao Riocentro.

Mãe gentil

A presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançaram nesta segunda-feira (28),em Belo Horizonte(MG), a Rede Cegonha, composta por um conjunto de medidas para garantir a todas as brasileiras, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atendimento adequado, seguro e humanizado desde a confirmação da gravidez, passando pelo pré-natal e o parto, até os dois primeiros anos de vida do bebê. As medidas previstas na Rede Cegonha – coordenadas pelo Ministério da Saúde e executadas pelos Estados e Municípios, que deverão aderir às medidas – abrangem a assistência obstétrica (às mulheres) – com foco na gravidez, no parto e pós-parto como também a assistência infantil (às crianças).

O texto acima é trecho de matéria publicada no site do Ministério da Saúde no dia 28 de março deste ano. Abaixo, um trecho de matéria publicada no Bol ontem à tarde.

A Polícia Civil investiga se houve omissão de socorro no caso de dois bebês que morreram na madrugada de hoje, em Belém (PA). A mãe deles, uma mulher de 27 anos que estava no sétimo mês de gestação, sentiu fortes dores na barriga e foi até a unidade acompanhada do marido, por volta das 4 horas. Ao chegarem no local, eles foram informados na portaria da falta de leitos.

Em seguida, o casal se dirigiu até o Hospital de Clínicas, onde receberam a mesma resposta. O pai das crianças acionou o Corpo de Bombeiros, que foi para o local socorrer a mulher. Ela foi encaminhada novamente para a Santa Casa, mas a ambulância não teve autorização para entrar na unidade e o parto de um dos bebês foi feito dentro do veículo. A criança nasceu morta.

A mãe dos gêmeos mortos em Belém, que a matéria não identifica, é Vanessa do Socorro (ironia?). A moça, portadora de lúpus, fez todo o pré-natal na Santa Casa. A obstetra Cynthia Lins, nem um pouco constrangida pela falta de atendimento, recebeu voz de prisão de um dos bombeiros indignados que tentaram ajudar Vanessa. Foi solta logo depois e, na saída da delegacia, explicou que não foi omissão.

Superlotação que nós se encontramos no momento.