Da política ao prato executivo

Boas descobertas de ontem. Na verdade, dica de uma grande amiga. Flávio Sabbagh Armony é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ e sua dissertação é sobre jornalismo político. Aí, o cara vai faz o blog Estado Crítico (já publicado na página Visita obrigatória). Boa leitura de belas análises em textos curtos e objetivos.

Não satisfeito, Flavio ainda presta um bom serviço a quem trabalha ou visita o Centro do Rio. No blog Comer no Centro (publicado na página Carioca), a cada restaurante visitado são avaliados o tipo de comida, cardápio, conforto, preço, quantidade e qualidade, além da informação sobre como pagar.

Se é verdade que acho o primeiro muito mais divertido, é impossível não reconhecer a utilidade do segundo. No que me cabe, indico que se freqüente os dois.

Mudança é uma merda

Mal recoloquei o blog pra funcionar e acabei saindo do ar de novo. Tudo por causa de uma mudança. Mais uma mudança. Ok, admito que o título do post é bastante espalhafatoso, provavelmente exagerado. E o que eu quis dizer é que fazer mudança é uma merda.

A dessa semana foi a terceira dos últimos quatro anos (espero e acredito que a última por um bom tempo). A primeira da série, apesar de já estar em planejamento, acabou acontecendo às pressas, depois de um incêndio no apartamento de cima e do rescaldo que inundou a casa. Mas sem maiores problemas.

A segunda foi muito mais preparada e planejada e, apesar disso, acabou dando mais trabalho que a anterior. Porque já tínhamos muito mais coisas para carregar, porque nós embalamos tudo e carregamos boa parte das coisas, porque no dia da mudança arrebentei as costas logo pela manhã e quase todo o trabalho caiu no colo da moça da minha vida, porque a Kombi que contratamos escangalhou antes de chegar láem casa… Enfim, um pequeno desespero.

Então, dessa vez, resolvemos nos precaver e nos estruturamos para contratar uma empresa de mudanças daquelas que prometem fazer tudo para que você não tenha trabalho. Mas é claro que se tudo acontecesse dentro dos conformes, se tudo fosse fácil, se tudo desse certo, eu não poderia dizer que “esta é a minha vida”.

Como combinado, o trabalho dos caras começou no sábado, quando dois sujeitos passaram boa parte do dia empacotando e desmontando o apartamento. Apesar da boa vontade dos caras, um olhar um pouco mais atento desconfiaria dos problemas que estavam por vir.

Antes de fechar a data da mudança e que empresa a faria, para tentar adiantar e até baratear o serviço, enchemos pouco mais de 20 caixas e malas. Mesmo assim, as embalagens que os caras levaram acabaram. Eles deveriam ter saído da minha casa deixando apenas o estritamente necessário para sobrevivermos até o dia de ir embora, segunda-feira. Era só olhar em volta, não foi isso o que aconteceu.

Chega o dia da mudança e os caras começam a trabalhar às 8h30 da manhã. Eram seis na equipe. Quer dizer, cinco e meio. Havia um senhorzinho no time, com muito boa vontade, muito disposto, mas minha impressão é que regulava em idade com Oscar Niemeyer. O que significava dizer que levantar uma caixa das mais pesadas era um sufoco daqueles.

Enquanto uma parte foi terminar de empacotar e desmontar o que faltava, outra parte começaria a descer o que já estava pronto. Mas o elevador enguiçou… A assistência técnica foi chamada e todos foram tratar de preparar a carga que faltava. Quando o elevador voltou a funcionar, cerca de meia hora de atraso. Nada grave.

O caminhão encostou às 11h e a impressão é que o carregamento seria rápido, parecia faltar pouca coisa pra descer e desmontar e… A mudança saiu da casa velha às 16h e chegou na nova às 17. Até começar a subir e montar os móveis e tudo o mais, 18h30 e começou a escurecer. E parte do serviço combinado não foi feito, como instalar luminárias e aparelhos de ar condicionado. E com poucos pontos de luz funcionando e o tempo passando… Como organizar a casa no escuro? Como lidar com uma criança de dois anos e curiosa, duas cachorras muito curiosas e três buracos na parede do quinto andar? Como lidar com uma espécie de muralha da china de caixas ocupando sua sala quase até o teto, no escuro?

O pau comeu na casa de Noca…

Depois de alguns telefonemas para o sujeito que nos vendeu o serviço, com muitos esporros (perdi a linha e a razão) e negociação (a moça da minha vida foi precisa), os caras foram embora às 21h30 sem receber. No dia seguinte, o rapaz apareceu lá em casa, acompanhado de um eletricista (ou quase isso). Instalou luminárias, fogão, ar-condicionado e mais alguma coisinha.

Mesmo assim, o saldo foi a sala abarrotada de caixas – só encontrei minhas roupas, que não estavam em cabideiros como combinado, pelas 10 ou 11 da manhã – e alguns móveis ainda desmontados por falta de espaço.

Enfim, mudanças não são simples, dão muito trabalho mesmo. Mas quando resolvemos contratar uma empresa especializada, o objetivo era se aporrinhar o mínimo possível. E isso não aconteceu. Não sei como seria com a Granero, Gato Preto, Lusitana ou qualquer outra. No nosso caso, tivemos um serviço mal vendido, mal planejado e mal executado. E, depois de tudo e apesar do desconto de cerca de 20%, caro. Muito caro.

Então, se vocês procurarem uma empresa de mudanças e se depararem com a Marvin Mudanças, fujam. Como o diabo da cruz.

Ironia divina

Estive no inferno ontem. E se você quer fazer uma visitinha, nem é complicado chegar lá. No Rio, vá na direção do velho autódromo de Jacarepaguá – aquele que foi destruído pela sanha de Nuzman e Maia. Logo depois de passar por ele, uma curva à direita e outra à esquerda. Em frente à nova Cidade do Rock, está o Riocentro. Nele, a XV Bienal do Livro.

É claro que eu sabia que estaria cheio, não sou burro. Pessoas normais, que trabalham, só podem participar desses eventos (quando não estão de férias) em feriados ou finais de semana. Mas ontem…

Pra começar, um problema comum a qualquer evento que aconteça por aqueles lados, o trânsito muito ruim desde muito longe. Outra aporrinhação comum, o estacionamento caríssimo e sem qualquer estrutura do maior centro de convenções da cidade. Somem a isso, coisas comuns (pelo menos no Brasil) a eventos com grande carga de público: filas enormes até para comprar água (a partir de certo horário, os bebedouros pararam de funcionar), corredores cheios e muita dificuldade de circulação (dos cinco pavilhões, apenas três estão ocupados), queda (geral) de rede e sistemas e impossibilidade de compras com cartões de crédito ou débito.

Não sei qual é a medida de sucesso para a organização. Li na primeira página do Globo de hoje que ontem houve recorde de público. Mas me pergunto quanto cada um dos mais de 100 mil presentes puderam realmente aproveitar, se divertir, além de ver os estandes com calma e, por fim, comprar livros.

Eu, que gastei dinheiro com estacionamento e ingressos, prometi à minha família que nunca mais volto à bienal. Inclusive porque, dos poucos livros que consegui ver, os preços não justificavam a ida ao evento.

Alguns amigos dizem que estou me tornando um velho muito chato. Hum, não posso discutir com o tempo. Mas ainda não tenho 40 e o que eles chamam de chato, costumo chamar de custo-benefício. E o da Bienal, pra mim, foi péssimo. Já não foi a primeira vez e até a persistência tem limite.

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Boa parte do inferno de ontem foi provocada pela presença do padre pop Marcelo Rossi. Ironia divina, talvez? Não importa. O fato só comprovou que a Fagga, organizadora da Bienal (e que não respondeu nem um e-mail simples), não é capaz de prever e lidar com as dificuldades naturais causadas por um grande público, como a orda de fiéis que foi ao Riocentro.

Mãe gentil

A presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançaram nesta segunda-feira (28),em Belo Horizonte(MG), a Rede Cegonha, composta por um conjunto de medidas para garantir a todas as brasileiras, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atendimento adequado, seguro e humanizado desde a confirmação da gravidez, passando pelo pré-natal e o parto, até os dois primeiros anos de vida do bebê. As medidas previstas na Rede Cegonha – coordenadas pelo Ministério da Saúde e executadas pelos Estados e Municípios, que deverão aderir às medidas – abrangem a assistência obstétrica (às mulheres) – com foco na gravidez, no parto e pós-parto como também a assistência infantil (às crianças).

O texto acima é trecho de matéria publicada no site do Ministério da Saúde no dia 28 de março deste ano. Abaixo, um trecho de matéria publicada no Bol ontem à tarde.

A Polícia Civil investiga se houve omissão de socorro no caso de dois bebês que morreram na madrugada de hoje, em Belém (PA). A mãe deles, uma mulher de 27 anos que estava no sétimo mês de gestação, sentiu fortes dores na barriga e foi até a unidade acompanhada do marido, por volta das 4 horas. Ao chegarem no local, eles foram informados na portaria da falta de leitos.

Em seguida, o casal se dirigiu até o Hospital de Clínicas, onde receberam a mesma resposta. O pai das crianças acionou o Corpo de Bombeiros, que foi para o local socorrer a mulher. Ela foi encaminhada novamente para a Santa Casa, mas a ambulância não teve autorização para entrar na unidade e o parto de um dos bebês foi feito dentro do veículo. A criança nasceu morta.

A mãe dos gêmeos mortos em Belém, que a matéria não identifica, é Vanessa do Socorro (ironia?). A moça, portadora de lúpus, fez todo o pré-natal na Santa Casa. A obstetra Cynthia Lins, nem um pouco constrangida pela falta de atendimento, recebeu voz de prisão de um dos bombeiros indignados que tentaram ajudar Vanessa. Foi solta logo depois e, na saída da delegacia, explicou que não foi omissão.

Superlotação que nós se encontramos no momento.

Slow food

Sou o cara mais chato, reclamão e ranzinza do mundo ou mais alguém notou que Bob’s e McDonald’s destruíram – faz tempo – o conceito de fast food?

A vida em gráficos (5)

Uma pequena homenagem a mais uma experiência gratificante com a Net.

 

Todo mundo quer ser jovem

Não, não concordo com o título do post. Mas é verdade que o vídeo abaixo é interessante, uma boa abordagem à questão das gerações, seus comportamentos etc. Se tem um defeito, é não apresentar uma juventude que está realmente em uma aldeia global, pois ele se limitou à Europa e América do Norte. Ou seja, falta muita gente. O que não invalida o vídeo, mas não permite que ele seja reconhecido como completo.

O que importa: vejam porque vale a pena.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Bazar (2ª edição)

Dizem por aí que existem poucas coisas tão boas quanto aproveitar uma pechincha. Acreditando que a afirmativa é verdadeira e cansados de saber que as coisas não andam fáceis para ninguém (ricos e famosos à parte, claro), resolvemos realizar nosso primeiro bazar. Como diria Celso Russomano, “será bom para ambas as partes”.

O post reaparece em segunda edição para informar que as prateleiras esvaziaram, mas o estoque não acabou. E o que sobrou está ainda mais barato. Aproveitem e a ajudem a Helena a comprar um presente caprichado para o dia das mães.

1. Carrinho de Passeio Galzerano Girafas: R$ 120.

– Ideal para bebês de até 17kg; capota; reversível e reclinável; tecido removível e lavável; cinto de segurança e cesto porta-objetos; rodas dianteiras giratórias; rodas traseiras fixas com duplo sistema de freios; alça para facilitar o transporte.

– Dimensões aproximadas do carrinho montado: 97x52x83cm (AxLxP); peso aproximado do carrinho montado: 5kg.

2. Cadeira de Alimentação Monstrinhos Burigotto Merenda: R$ 130

– Para crianças de 6 a 36 meses; duas bandejas sobrepostas (a de cima pode ser retirada); encosto regulável com 4 posições; pedana regulável em 2 posições; cinto de segurança de cinco pontos com regulagem na altura dos ombros.

– Dimensões da cadeira montada: 106×56,5x80cm (AxLxP); peso: 7,9kg.

3. Cadeira para Auto Infanti Star: R$ 260

– Para crianças de 9 a 36kg; base em plástico de alta resistência; 2 posições de recline; cinto de 5 pontos ajustável em 3 alturas; protetor de ombros; absorção de impactos na área da cabeça; tecido acolchoado e removível; apoio de braço; suporte de recline.

– Dimensões: 63x41x30cm (AxLxP); peso: 6,4kg.

A última pechincha (por enquanto) é oferta dos pais da Helena. Pouquíssimo uso mesmo e infelizmente, porque depois de tentar fazer exercícios 4 ou 5 vezes cada um, percebemos que o aparelho (que é muito legal) é incompatível com uma mocinha andando e correndo pela casa.

4. Simulador de Caminhada Brisk Walking Polimet: R$ 270

– 5 funções; possibilita exercício aeróbico, alongamento e tonificação muscular (parte interna das coxas, glúteos, panturrilha, peito, costas e braços).

– Estrutura em aço com pintura em pó Epóxi eletrostática; apoio para as mãos revestido em borracha; pés com revestimento antiderrapante; suporta 120kg; dobrável.

Como viram nas fotos acima, tudo está em perfeito estado, nada quebrado ou com defeito. Então, se você se interessou por alguma coisa, basta enviar um e-mail com seu número de telefone para andoepenso@gmail.com que eu entro em contato. Se não quiser comprar nada, tudo bem. Mas ajude na divulgação e passe o link para amigos e familiares, poste no Facebook, no Twitter etc etc etc.

Asa quebrada (2)

Na semana passada, falei sobre o estudo divulgado pelo IPEA sobre a (falta de) preparação de nossos aeroportos com vista aos grandes eventos que teremos por aqui, especialmente Copa do Mundo e Olimpíadas. E falei sobre o famoso legado que é propagandeado, sempre que os tais eventos entram em discussão.

Pois o que me incomoda nessa história é que, na verdade, nunca se pensa no que é necessário no dia a dia de quem vive por aqui, com ou sem eventos, com ou sem pretextos.

Pois você sabia que, com passagem comprada, vôo no horário e tudo aparentemente certo, você pode não embarcar. Você sabia que você pode ser preterido? Pois vejam um trecho da resolução 141 da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), publicada no dia 9 de março de 2010.

CAPÍTULO III

DA PRETERIÇÃO DE PASSAGEIRO

Art. 10. Deixar de transportar passageiro com bilhete marcado ou reserva confirmada configura preterição de embarque.

Parágrafo único. Quando solicitada pelo passageiro, a informação sobre o motivo da preterição deverá ser prestada por escrito pelo transportador.

Art. 11. Sempre que antevir circunstâncias que gerem a preterição de embarque, o transportador deverá procurar por passageiros que se voluntariem para embarcar em outro voo mediante o oferecimento de compensações.

§ 1º As compensações de que trata o caput deverão ser objeto de negociação entre o passageiro e o transportador.

§ 2º Não haverá preterição caso haja passageiros que se voluntariem para ser reacomodados em outro voo mediante a aceitação de compensações.

§ 3º O transportador poderá solicitar ao passageiro a assinatura de termo específico reconhecendo a aceitação de compensações.

Art. 12. Em caso de preterição de embarque, o transportador deverá oferecer as seguintes alternativas ao passageiro:

I – a reacomodação:

a) em voo próprio ou de terceiro que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, na primeira oportunidade;

b) em voo a ser realizado em data e horário de conveniência do passageiro;

II – o reembolso:

a) integral, assegurado o retorno ao aeroporto de origem em caso de interrupção;

b) do trecho não utilizado, se o deslocamento já realizado aproveitar ao passageiro;

III – a realização do serviço por outra modalidade de transporte.

Art. 13. Em caso de preterição de embarque será devida a assistência de que trata o art. 14, exceto nos casos em que o passageiro optar por qualquer das alternativas previstas no art. 12, incisos I, alínea “b”, e II, alínea “b”.

Clique aqui para ler a resolução na íntegra.

Agora, leiam abaixo a história da Marcela.

Sexta-feira, quando fui fazer check in para um vôo da GOL, fui informada de que não poderia embarcar devido à preterição. Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso, mas é uma manobra permitida pela ANAC.

Existem algumas justificativas para preterição, mas a razão da minha foi a companhia aérea ter percebido que algum vôo enfrentaria problemas por falta de tripulação. Ou seja, no meu lugar e no lugar de um rapaz, embarcaram dois tripulantes de outro vôo.

Como o meu vôo era o último da noite para o meu destino, a GOL me encaminhou para um hotel e reagendou minha viagem para o dia seguinte, em outro horário.

Pois bem, nada menos do que REVOLTANTE essa situação. Você paga a passagem, escolhe seu vôo de acordo com o melhor horário, se organiza para estar no aeroporto com antecedência, agenda seus compromissos e acaba absolutamente frustrado e impotente. Simplesmente, porque a operadora não consegue planejar corretamente a “logística” de sua tripulação!

(…)

Tentei ir à sala da ANAC, no Galeão, mas fui informada de que a agência está desativando, pouco a pouco, as salas de atendimento dos aeroportos. Interessante, não?

Restou ir à uma área para atendimento de ocorrências, onde fui aconselhada a entrar com uma ação. Embora a ANAC permita a operação, a justiça ainda pode me ajudar.

Agora, a grande questão é: por que a ANAC permite esse tipo de situação? Por que eu tenho que arcar com a falta de tripulação de um outro vôo?

Suspeito que seja muito mais barato e que gere muito menos ruído a GOL maltratar dois de seus clientes do que ter que cancelar um vôo inteiro. Mas, é isso mesmo? Tá certo isso?

Outra coisa revoltante foi o “verde” que o funcionário da GOL tentou jogar pra mim (e para o  rapaz que passou pela mesma situação). Quando ele informou que a gente não poderia embarcar, disse que nós havíamos perdido o horário limite para check in. Sorte nossa é que ainda faltavam mais de 30 minutos e, na hora, pudemos contra-argumentar. No entanto, uma pessoa um pouco mais distraída ainda teria que pagar taxa para remarcação.

Copa do Mundo e Olimpíadas? Isso vai ser divertido.

Marcela Moreira

Há alguns detalhes muito interessantes na história. O primeiro, a falta de planejamento da companhia. No caso, foi a Gol. Sinceramente (e até prova cabal em contrário), tenho certeza que não é muito diferente nas outras.

Outro detalhe é que a legislação pune o consumidor e premia a falta de planejamento do prestador de serviço. É assim que a agência regula o mercado, premiando o lado mais forte da relação? Muito, muito bom mesmo. Mas para isso, tenho uma solução simples: basta a ANAC baixar uma resolução obrigando as companhias a reservarem um ou dois assentos em cada vôo, uma reserva operacional. Assim, se as passagens forem vendidas e os passageiros ficarem a pé, configura-se o overbooking. E logo, algum entendido do assunto dirá que isso não existe em lugar nenhum do mundo. Dane-se, jaboticaba só tem no Brasil e é uma delícia.

Por fim, mas não menos grave. Quer dizer que os funcionários da companhia aérea são orientados a tentar enganar os passageiros? Isso nunca será admitido, mas é claro que sim. Porque os funcionários são treinados (ou deveriam ser) à exaustão e não têm autonomia para tomar decisões fora do script.

Quer dizer, como disse a própria Marcela, “Copa do Mundo e Olimpíadas? Isso vai ser divertido.”

P.S.: Como assim, a ANAC está desativando as salas de atendimento nos aeroportos? Quer dizer, a quem o passageiro poderá recorrer quando houver problemas?

P.S. 2: A Gol colocou Marcela e o outro passageiro em um hotel e fez tudo o que manda a legislação. Ok, sua obrigação. Mas quem paga pela programação, de lazer ou de negócios, não importa, que os dois deixaram de cumprir?

Muito barulho por nada

Eu devo ser um sujeito muito estranho mesmo. Ligo ou presto atenção a coisas que ninguém mais se interessa da mesma maneira que não tomo conhecimento de fatos e acontecimentos acompanhados de perto por zilhões de pessoas. Por exemplo, a história da entrega da camisa ao Obama que virou uma espécie de disputa entre alguns clubes do Rio.

Disputa esdrúxula, porque usando o campo da Gávea como heliponto de sua comitiva, era meio óbvio qual a camisa que ele levaria como souvenir.

Quero muito que me expliquem a razão do frenesi. Ou será que alguém realmente acredita que Mr. Obama, numa modorrenta tarde de sábado, enquanto lê seu jornal na varanda de sua casa branca, de chinelão e bebendo limonada, usará a camisa do Flamengo ou qualquer outro clube brasileiro que lhe entregasse a camisa?

Será que todo o esforço foi apenas e tão somente para (com alguma lógica muito estranha) dar uma zoada no seu amigo que torce para outro time? Faz algum sentido? Imaginem o diálogo:

– Falaê Pedrão, seu vasquinho agora vai?

– Beleza Sirelli? Quem sabe, né? Ta melhorando…

– Aí, vocês são vice em tudo mesmo hein, até pra dar camisa de presente. Viu o Obama com a camisa do Mengão? Nossa presidenta é foda…

– É, ela foi malandra com a história de não poder carregar nada quando fosse falar com o negão. Mas e aí, deu a camisa e daí? Grandes merda hein…

– …

Mas, se usarmos a lógica do dinheiro, pode fazer algum sentido. Afinal, vocês já repararam o casting que anda usando ou segurando ou qualquer coisa com a camisa do Flamengo? Desconsiderando todas as figuras da história, de Pelé ao Papa, e fingindo que só existe o Flamengo hoje e que a Olympikus é nossa primeira fornecedora. Também é preciso lembrar que, no resto do mundo, outros esportes e seus atletas são muito valorizados, têm status de ídolo de verdade.

Além de Ronaldinho Gaúcho, César Cielo (multicampeão mundial e olímpico na piscina) e Diego Hipólito (multicampeão mundial na ginástica). E sabem quantas camisas ou qualquer outro produto oficial do Flamengo você consegue comprar em lojas de esportes fora do Brasil? Nenhuma. Porque a nossa fornecedora oficial simplesmente não consegue distribuir, seja na Argentina ou na Espanha.

Então, o furdunço com o Obama, na verdade, não serviu pra nada. Porque nenhum torcedor do Flamengo, em sã consciência, vai comprar ou deixar de comprar um produto caro como esse só porque o Obama tem a sua. E aí eu seria obrigado a concordar o Pedro: grandes merda hein…