É treta!

tretaMe acostumei a escrever um texto todo fim de ano, uma espécie de balanço do que foram os 365, 366 dias que passaram. Mas dessa vez, enrolado com um monte de coisas, deixei passar. E logo nesse que foi bem esquisito né não?

É, eu sei que nesse ponto não vou falar nada de novo. Afinal, nos acostumamos – especialmente com o fim do ano chegando – a falar mal dele e pedir pra que fosse logo embora. Muita gente legal morreu, muita gente que marcou muito a geração que está aí entre os 35 e 45. Mais ou menos onde estou, como vocês sabem. E ainda aconteceram as tragédias, Chape à frente…

E essa foi uma das razões pelas quais deixei de escrever. Comecei a pensar o quanto foi ruim o ano, se é que ele foi ruim mesmo. E agora já falo de mim, meu próprio umbigo.

Foi mais um ano sem emprego, já são dois e meio ao todo. Uma barra pesadíssima, sei que ninguém duvida disso. Mas foi um ano bom, apesar de tudo, porque me descobri fazendo coisas novas, é preciso se virar afinal. E terminou bem, com horizontes e novas possibilidades surgindo. A consciência de que o emprego como o conhecemos (nós, dessa turma por volta dos 40) talvez já não exista mais, ao menos em algumas áreas de atuação.

Foi um ano de muita conversa, muita discussão e, ao mesmo tempo, muita solidão, de olhar pra dentro pra tentar redescobrir, recomeçar, revolucionar, sei lá.

Sabe aquela história de dar um tapa no visual? Então, a consciência de que se o que faço, o que sei e gosto é comunicação, esquecer que é necessário estar dentro de um escritório ou uma agência, que meu trabalho vai comigo – na cabeça e nas pontas dos dedos – onde quer que eu vá. A consciência e o impulso que precisava para dar um tapa na minha vida. E o tapa tá vindo, vários tapas, se fizer direitinho serão porradas bem certeiras, daquelas que podem deixar marcas pra sempre na nossa história.

Também foi um ano bom na minha vida pessoal enquanto pessoa… rsrsrsrs …Achar que foi tudo pro saco e ter força pra recomeçar não é tão simples, todo mundo sabe. Reconstruir é mais difícil ainda. Mas a vida não para e te dá, nas mesmas medidas, sustos e boas surpresas.

Sim, estou falando dela. Sabem aquela piada de que de onde menos se espera é que não sai nada mesmo? Pois é, conosco foi o contrário. E é provável que só deu e está dando certo por conta disso, porque não esperávamos nada.

O tempo é nada. Parem pra pensar na dimensão de uma vida. O que são oito meses, que é o que corremos até hoje? Nada. Mas e quando a intensidade de algo nos dá a sensação de que uma semana durou um ano? Agora imaginem isso vezes oito meses.

Como ela mesmo gosta de falar, meu desassossego e minha paz. Portos seguros foi o que nos tornamos um para a outra e vice-versa, em todos os aspectos. E só isso já valeria uma vida. O que dirá então de um ano?

Também não posso, claro que não, falar do ano que passou sem falar da minha família. Pai, mãe, irmã. Que com todas as confusões que qualquer família tem, a única coisa que posso dizer é que são foda!!!!! (não tem outro termo e as exclamações, quantas eu colocar, serão sempre poucas). E os mais próximos sabem do que estou falando.

Por fim, minhas filhas. Meu tudo. E nem poderia ser diferente. Foi um ano mais que atribulado, de adaptações (que não terminaram) e aprendizado diário (e sim, eu sei, não vai acabar nunca).

Por elas e com elas fui e sou tudo e qualquer coisa. Bravo, sorridente, choroso, agoniado, esperançoso, desesperado, desnorteado, sensato… É, eu sei que poderia usar todos os adjetivos do Aurélio e um pouco mais. É assim mesmo, não é?

E ainda fui bobo de suas cortes, fui rei e rainha, príncipe e princesa, boneco e boneca, palhaço e até Mulher Maravilha, vejam só.

2017 já começou. Sei que em alguns casos está parecendo o 2016 S ou até, mais radical, 2015 S Plus. Mas a verdade é que não adianta reclamar. Como diria o filósofo, “é treta, mano!”. E o que resta então? Lutar. Porque “felicidade é só questão de ser”. E nesse fim de texto recheado de frases feitas, resta a certeza de que “o bom combate nunca será em vão”. Né não?

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Hora da escola (6)

Uma escola diferente não se faz apenas dentro de sala de aula, mas em todas as suas dimensões. Não adianta, por exemplo, discursos lindos ou projetos político-pedagógicos que, bem escritos em seus sites, não passam de publicidade ruim se não são colocados em prática em todos os níveis.

Felizmente há cada vez mais escolas tentando praticar essas “novidades”. É o caso da escola das minhas mocinhas, a Oga Mitá. Ela faz isso há 38 anos. Só.

Não, isso não quer dizer que seja perfeita. Isso não existe. Mas quando o discurso é colocado em prática, as coisas realmente acontecem. É o caso do reajuste zero, pelo segundo ano seguido. Dá pra imaginar como seria aguentar as mensalidades, mesmo com algum desconto, se tivéssemos acompanhado a inflação de mais ou menos 20% nesses dois anos?

Já contei em outros posts (a série completa está aqui) como funcionam as coisas por lá, a comissão de planejamento, as assembleias, a participação dos pais em todos os temas da escola. Porque a educação dos nossos filhos não pode se restringir a entrega-los e busca-los no portão. Precisamos nos envolver. E precisamos ser parceiros, trabalhar juntos. E muitas vezes é muito trabalho. Mas vale a pena, é mais um pedacinho do legado que vamos deixar para nossas crianças.

E a experiência mostra que a relação não pode ser Pais/Responsáveis contra a escola, mas Pais/Responsáveis COM a escola. Se a instituição em que seus filhos estudam não permitem isso, será que não está na hora de buscar alternativas? Pense a respeito.

Andamos falando tanto de mobilização, de democracia… Que tal praticar?

A carta

fogoQuando Ana e Zé se viram pela primeira vez o garoto ainda não tinha chegado aos 20 anos. Mal começara a faculdade e nem carteira de motorista tinha. Ana, em compensação, já morava sozinha nos seus vinte e poucos, trabalhava, sabia bem o que queria (ao menos era o que ela pensava…).

Se conheceram por acaso, em um evento em que os dois estavam trabalhando. Ele, estagiário. Ela, coordenadora. Ele tentando descobrir o mundo, ela já se achando dona. E mesmo assim rolou aquele clic. E daquele tal evento que duraria vários dias, o esbarrão foi logo nas primeiras horas. Enquanto davam conta, cada um do seu trabalho, se viravam para se encontrar. Fosse para almoçar, fosse para brincar no parquinho mequetrefe que existia nos fundos do pavilhão onde estavam. Ele, que até hoje morre de medo de altura, querendo impressionar, criou coragem para uma volta na montanha russa que tinha ares de filme B.

Hoje não lembram mais se o primeiro beijo foi logo ali ou depois do passeio nada assustador no trem fantasma. Mas engataram o namoro, quem diria? Tudo isso já faz quase 25 anos. E enquanto se sentia meio que o Eduardo, Zé se apaixonava. Mas Ana não era Mônica. E apesar de grandes momentos e até algumas aventuras, o casal nem chegou ao Natal daquele ano. Vida que segue, pois.

E os anos passaram como pra todo mundo. E vieram os casamentos e os filhos. Mas de uma maneira, talvez estranha, certamente inesperada, mantiveram contato. Falavam vez em quando e – vá lá – podiam até se dizer amigos.

 

Demorou mais de dez anos para que se reencontrassem, finalmente dispostos e disponíveis. Ela linda como sempre, morena de olhos verdes e sorriso infinito. Ele já achava que era homem, barba bem feita e um bom emprego. E chegaram a sair algumas vezes, sem e com filhos. Programas a dois e a muitos. E do alto da sua prepotência, “agora ela é minha”, abriu a guarda. E entrou pelo cano. De novo. Dessa vez, sem aviso, sem conversa, sem abraço. Ele esperando. Ela sumiu.

E nenhum cataclismo aconteceu, muito pelo contrário. Vida que segue, de novo, pois.

E a moça casou de novo. E ele teve bandas. E ela lançou livros. E ele deu a volta ao mundo. E ela pintou quadros. E ele casou de novo. E ela compôs belas canções. E ele também. E os dois descasaram. Ambos mais de uma vez.

A moça, virava e mexia, lhe aparecia na lembrança. Mas não era amor nem paixão nem abandono, nada além da sensação estranha de algo inacabado. E não é que um dia, o sujeito tranquilo em casa, piscou a janela de mensagens da rede social? Justo no momento em que tentava descobrir como recomeçar a vida depois de mais um casamento desfeito, quarto ou quinto a essa altura, vá saber.

– E aí, tudo bem?

Não, não estava tudo bem. Sozinho de novo, perrengue no trabalho, em crise até com os filhos, “vou virar eremita no Nepal”.

– Tudo ótimo, e por aí? Novidades?

E seguiram nessa lengalenga por dias, semanas, sem maiores escaramuças ou provocações, até criarem a coragem pra se ver. Encontro protocolar em boteco com mesas de plástico. Mas a cerveja, pelo menos, era gelada. E depois de muitos goles, finalmente cumpriram o inevitável. E se acreditando sem cobranças ou compromissos, se aproveitaram. Não sabiam ao certo se estavam tirando o atraso, recuperando o tempo perdido ou vivendo uma nova história. Mas sorriam, como sorriam…

 

Mas tem coisas que não são pra acontecer. E, de novo e do nada, a moça silenciou.

– Podemos nos ver hoje à noite?

– Não, não podemos. Não quero casos, amantes ou namorados. Não quero me sentir presa.

 

Quando o sujeito já acreditava que não a veria mais, quando decidiu que tinha tudo chegado ao fim, mesmo achando que não existia um fim, a tal caixinha de mensagens piscou na tela à sua frente.

– Em 2025 te conto porque não deu certo dessa vez. Tudo anotado.

– Se está tudo anotado, fala logo. Dez anos é muito tempo.

– Nos encontramos no lugar de sempre, pra não ter dúvidas. E se não quiser esperar, azar o seu.

Conversa estranha justo no dia do aniversário dela. À noite ele não apareceu. Nem flor, nem recado, nem bombom. Pra quê?

 

Alguns meses depois, foi atingido. Bala perdida quando saía de um boteco no Grajaú. Não resistiu. Ela soube, mas faltou coragem de aparecer pra se despedir pessoalmente. Sozinha na varanda, entre as tintas, telas e os violões encostados na parede, abriu uma cerveja e escreveu uma carta. Sem lágrimas, sem rasuras. E depois do último gole, queimou aquelas folhas de papel com a história que não seria contada dali a dez anos.

Luz

HelenaNão faz muito tempo, voltando da escola pra casa, a mocinha começa a soltar suas pérolas.

– Pai, eu sou uma pré-pré-adolescente

– Como assim?

– É, a Isabel é criança. Eu sou uma pré-pré-adolescente. O João é pré-adolescente. E a Gigi é adolescente.

– E eu?

– Você é adulto uai!

– Sim, mas sou velho, novo, velhinho…?

A moça ficou na banana, coçou a cabeça e, talvez por piedade,  tratou de mudar de assunto. Ela ainda tinha 6 anos. Hoje ela faz 7.

Pombas, faz sete anos que a mocinha chegou. Faz sete anos que eu nasci como pai. Ok, os mais radicais diriam que isso aconteceu há sete anos e (mais ou menos) nove meses. Mas toda a preparação, tudo o que foi planejado, até o que li e estudei antes da sua chegada (e confesso que nem fui muito aplicado nessa parte), não valeu de nada.

Faz sete anos que o peso do mundo duplicou ou quadruplicou ou muito mais sobre meus ombros. Faz sete anos que há luz em minha vida.

Diz o Dicionário de Nomes Próprios que “Helena é um nome feminino que teve origem com o grego Heléne, a partir de heláne, que significa tocha. O termo hélê quer dizer raio de Sol, fazendo com que o significado de Helena seja a reluzente ou a resplandecente.”

E não, não pensamos nisso pra escolher seu nome, mas seu significado é perfeito.

Faz sete anos que tento encontrar definições plausíveis para a palavra amor, para o amor que sinto a cada vez que cruzamos olhares, a cada vez que sorrimos, a cada vez que brigamos, a cada vez que só ficamos em silêncio, a cada vez que lhe seco uma lágrima ou lhe conquisto um sorriso ou uma gargalhada, a cada vez que damos as mãos para atravessar uma rua, a cada machucado que preciso cuidar com uma delicadeza que nem eu sabia que tinha, a cada vez que velo seu sono. Faz sete anos que desisti de procurar explicação e apenas viver esse amor.

Faz sete anos que existe luz em minha vida.

Obrigado Helena!

Fantasia

IsabelSim, admito, tenho vocações ditatoriais latentes. E se eu fosse o dono do mundo, estaria decretado – e devidamente revogadas todas as disposições em contrário – que todos os pais e filhos com menos de 130 anos teriam os dias dos aniversários dos filhos livres. De tudo o que não é importante, de tudo o que é grave, de tudo aquilo que não provoque sorrisos e lágrimas de alegria, não importando se os pais têm 130 ou 20, nem se os filhos têm 4 ou 100.

E nesses dias, pais e filhos os teriam para passar inteiros, do café da manhã ao primeiro suspiro do sono. E tudo lhes seria permitido, da montanha russa (mesmo para os que têm medo, porque é preciso sentir o frio na barriga) à piscina de bolas, da roda gigante ao passeio de patins, da água de coco ao brigadeiro. E ao fim da tarde, seria obrigatório um passeio de balão, porque é preciso ter a sensação de voar, ver as árvores por cima e acreditar que aquela gente lá embaixo é formiguinha.

E ao fim do dia, se esparramariam, em sofás, camas ou mantas ao chão, para dar e receber colo, e se encantarem e se re-encantarem com o Aprendiz de Feiticeiro ao celebrar este dia de fantasia.

Parabéns Isabel.

Sementes

 

Árvore / Fonte: wall.alphacoders.com

Planta que brota lá no solo dos corações
Flor reluzente que enfeita nossos quintais
Coisa da gente
Broto e semente
Que nasce inocente e não morre jamais

(Eduardo Medrado e Kleber Rodrigues)

Faz tempo que não passo por aqui, que não escrevo nada. Sei lá, tenho me segurado. Não anda valendo a pena dar opiniões públicas sobre o que é importante de verdade, nesse mundo louco e maniqueísta que brotou na internet. Vamos combinar que outras paixões e amores da minha vida não andam merecendo muita atenção e dedicação, como o Flamengo e a F1. Anda rolando uma certa sensação de fastio. E como minha rotina de velejar tem sido tudo, menos uma rotina… pronto. Tá explicado o abandono.

Mas é bom dar uma olhada no cafofo, ver como ele está… Vai que tem ali uma infiltração, um fio que precisa ser trocado. Além do mais, os últimos meses têm profícuos em novidades. Especialmente as últimas semanas.

Não sei vocês, mas sempre que minha vida virou de cabeça pra baixo, foi de repente. Exceto a última. Como a crônica de uma morte anunciada, a coisa começou a se desenrolar há quase três anos, vejam vocês. Todo mundo sabia o que ia acontecer. E assim foram desmontando minhas vidas pessoal e profissional.

Mas o mundo gira e a Lusitana roda. Ou vocês não sabiam disso?

O problema de trabalho, a falta de, ainda segue. A gente vai tentando contornar, até se reinventar. Mas o horizonte ainda está bem embaçado. Cada vez mais, na verdade. E seguimos tentando criar modas pra voltar a viver em paz.

Os últimos quase oito meses foram bem confusos, na verdade. Alojado e com a vida em caixas. Mas chegou a hora de fazer o negócio acontecer. Não tenho nada o que falar da minha família além de agradecer imensamente. É claro que tem todas as maluquices e defeitos de qualquer família normal. Pai, mãe, avó, irmã… Que turma é essa minha…

Na verdade, eu até poderia ter começado o post com a letra de A Casa, do Vinícius. Ok, minha casa não vai mesmo ter penico e as paredes até estão de pé. E sim, foi e continuará sendo feita com muito esmero, mas desconfio fortemente que o trecho de Semente do Samba cabe muito melhor.

Porque nessa vida louca que levamos, que mais separa do que junta, foi fodástico – em certo momento da noite de sábado – chegar no ouvido da moça (que caiu sem paraquedas no meio do furacão e comprou o barulho) e mostrar pra ela quem eram aquelas pessoas que estavam ali, o amigo mais recente, presente na minha vida há dez anos. Outros tantos há 30 ou até um pouco mais. “Planta que brota lá no solo dos corações, (…) que nasce inocente e não morre jamais”.

Sim, havia ali um casal que conheço há poucos, pouquíssimos meses. Mas aquele ponto fora da curva, que se explica fácil quando dizemos que o santo bateu. E como bateu.

Mas voltemos ao busílis. Apesar dos oito meses de preparação, a mudança se concretizou de chofre e até atabalhoada. E se não bastasse a família tornando o negócio possível, os amigos ainda se juntaram.

Não, o cafofo ainda não está pronto. longe disso, na verdade até bem capenga. Mas as crianças abraçaram a casa nova, entenderam a situação e estão amarradonas. Dos amigos e família, já falei. Então confesso que ando um tanto emotivo nos últimos dias. Muito, pra ser sincero. E é por isso que resolvi passar por aqui para, de certa forma, reviver esse negócio de falar da minha vida num blog.

Ou seja, tudo isso é pra dizer obrigado. A todos e por tudo.

Vai dar certo, é claro. Porque o mais importante é que as sementes que joguei pelo caminho que percorri até agora germinaram e cresceram. Fortes. Frondosas.

P.S.: gente do céu, ando tão ausente e desacostumado de escrever que, agora que reli, é que vi que o texto ficou todo truncado. Vou consertar não, o que importa é o espírito da coisa, mas peço desculpas.

Feliz Natal! Feliz ano novo!

Desejo de NatalEntão é Natal. É verdade, é sim, já teve até especial do Roberto Carlos. E como os feriados são longos, com apenas meia semana meio morta entre eles, já fim de ano, preparações pro réveillon, contagem regressiva para o carnaval…

Ou seja, chegou a hora, finalmente, de fazer aquele balancinho que já estou, há alguns dias, empurrando com a barriga.

Um ano que vou te contar… Pra mim, por exemplo, um ano bem estranho com cara de ano meio. Uma bagunça só, vida virada do avesso e de pernas pro ar. Primeiro com a desorganização da vida profissional, depois com as mudanças na vida pessoal. Diria até que, se tivesse um tantinho mais de dinheiro, fosse um pouquinho mais bronzeado e morasse em Santos, poderia até dizer que estou como o Pelé falando do Edson. Ou vice-versa. Entende?

Mas a verdade é que não foi um ano (ou ano e meio, vá lá) de todo ruim. Porque mudanças, mesmo as que parecem ruins à primeira vista, são sempre bem vindas, portas que se abrem, oportunidades que se apresentam. E sim, há que se ser um tanto Polyanna nesses momentos.

Esse tempo estranho que estou vivendo foi, por exemplo, um tempo de muitos reencontros. Alguns, é verdade, bastante estabanados e cheios de mal entendidos. Tanto que, em tão pouco tempo, já há coisas a consertar. Outros, mais próximos ainda que à distância. Mas foram bem divertidos, todos eles.

E muitos bons encontros, gente que passou a fazer parte da minha vida e que, em regra, apareceram de surpresa, sem expectativas, mas com quem já divido muitos sorrisos.

E da família, o que se pode dizer? Que aos trancos e barrancos, como toda família, não posso reclamar de jeito nenhum, muito pelo contrário. Pai, Mãe, Irmã, Avó. Assim, em letra maiúscula mesmo. Até primos e primas, com quem não falava há mito tempo e agora é todo dia, logo eu tão avesso a essas brincadeirinhas por celular. Sem falar nas pequenas, na oportunidade de vê-las crescendo e florescendo, descobrindo e conquistando o mundo ao redor. É possível não agradecer por isso tudo?

Também foi um tempo de alguns desencontros, tanto ou mais estabanados. Alguns até constrangedores. Coisas que prometo tentar resolver o mais breve possível.

E em que pese a vida profissional ainda muito desorganizada, absolutamente indefinida, várias boas experiências ajudaram a colorir esse bendito ano que está chegando ao fim. Portal do Bem, Alma Literária, LM Comunicação, Oga Mitá, Smartia, Conceito/Rede Câncer, Cassará Editora e AG2 Nurun: obrigado pela parceria e confiança.

Enfim, é como disse lá em cima. Chegando ao fim. E, apesar dos tropeços, agradecendo por tudo o que tem acontecido e acreditando que esse caminho cheio de pedras – algumas bem pontiagudas – é apenas para preparar a alma, engrossar o couro. Porque a vida gira. Sempre.

Meus desejos são simples: mais trabalho, muito mais; mais bagunça e menos confusão; mais encontros e reencontros; mais velejadas; mais sólidos, líquidos e gasosos; mais música, livros e filmes; mais brincadeiras infantis; mais beijos e abraços e sorrisos.

Aos amigos (e aos desavisados que passarem pelo cafofo por acaso), um Feliz Natal. E que todos nós consigamos contrariar todas as previsões pessimistas e que sejamos capazes de fazer um 2016 excelente. Muito melhor que 2015, um tantinho pior que 2017.

E pra terminar, um recadinho de um amigo de longa data, na casa de quem, sempre que estive presente, fui tratado como irmão, filho, neto. Um desses reencontros que tive, apesar de ainda à distância.

Jesus é um cara legal e o aniversário dele está chegando. Então, mesmo que você não creia em tudo que contam que ele fez, pelo menos considere que o discurso do cara foi só Amor & Paz. Afaste o máximo que puder do egoísmo, orgulho e vaidade do teu coração e se permita amar plenamente. Comece na noite de Natal, depois por 1 dia, depois 2 dias e assim sucessivamente. Amor & Paz a todos!

Caius Valladares