Até um pombo…

Em tempos onde tudo se filma, se grava, se fotografa e se transmite, é muito raro conseguir desdizer algo flagrado. Especialmente quando é uma posição oficial e assumida.

O vespeiro que o ministro da (des)educação se enfiou – e com ele, o (des)governo – é, no mínimo, curioso. E o presidente, útil e idiotamente, colabora para piorar, como sabemos.

Sim, o ministro disse que cortaria das universidades que fazem balbúrdia. Sim, o ministro (e o presidente) dizem e insistem que as carreiras de humanas não servem pra nada (ou quase nada). Sim, o ministro e o presidente insistem que a universidade pública não entrega nada, apesar de ser responsável por mais de 95% da ciência produzida no país. E apesar de tentar, o presidente não nos deixa esquecer das ligações da família Guedes com os maiores grupos privados de educação do Brasil.

Tentar nos convencer que corte não é, chamando-o de contingenciamento, soa – no mínimo – infantil. Justamente por já termos visto isso em governos passados. E ao contrário dos que ainda tentam defender isso tudo que está aí, houve grita e não foi pouca. Só no governo petista (que eles adoram citar, quase como tara) foram quatro grandes greves: 2003 (59 dias), 2004 (25 dias), 2005 (112 dias) e 2012 (125 dias). Se falarmos dos anteriores então…

É gente, não esqueçam que a educação nunca fez parte dos projetos de poder deste nosso Brasil varonil. Um ou outro arremedo de ação, para inglês ver, no máximo. Vocês sabem né, gente que pensa, gente que tem conteúdo, dá um trabalho danado… Voltemos ao que importa agora.

Os mais de 30% cortados, que – depois da balbúrdia – foi estendido a todas as universidades e outras instituições desde a base (Pedro II é um exemplo, apenas), são do custeio. Não tem nada a ver com salários, por exemplo, rubricas completamente diferentes. Esse é um dinheiro que paralisa as instituições, pois impedidas de resolver seu dia a dia com fornecedores, reparos etc.

De quebra, nessa conta, não entram Fundeb, Fies, Capes, CnPQ etc. É isso mesmo, só pra deixar claro que o facão passou em várias esferas, da base à pesquisa. Mas vamos falar agora só das universidades públicas que hoje têm cerca de quatro milhões de alunos.

Diz o censo escolar de 2018 que as escolas públicas têm cerca de 39,5 milhões de estudantes matriculados, enquanto as privadas contam com cerca de nove, pouco mais. Desses quase 50 milhões de estudantes, quantos você conhece que sonham em entrar na Estácio, Veiga e congêneres espalhadas pelo país?

Os pais e responsáveis que escreveram cartas e criaram abaixo-assinados contra as escolas particulares que aderiram ao movimento de ontem querem suas “crianças”, olhando para o Rio, na UFRJ ou na Estácio? Na UFF ou na Veiga? Na Unirio ou na Santa Úrsula?

Sim, todo mundo sabe que o país está quebrado. E sim, sabemos como chegamos a isso. Mas o que o desgoverno fez nesses quatro meses e meio pra melhorar isso? Nada. Pelo contrário, fatos e factoides só colaboram para piorar o quadro, deixando todo mundo inseguro internamente e fechando portas externas que levaram décadas para se consolidarem.

Sim, sabemos que não há dinheiro suficiente pra tudo. Nunca vai haver. Mas, além de manter os pintos limpos e caçar fantasmas, quais são as prioridades? Qual é o plano – além de ridicularizar nossa política externa, liberar venenos para a agricultura, armar a população, destruir o meio ambiente e proteger milicianos – para mudar “tudo isso que tá aí, talquêi?”

Visões de mundo e ideologias diferentes constroem coisas. Delas, podemos e devemos discordar, discutir, tentar melhorar. Mas o que fazer com um governo que só quer saber de destruir e matar, nunca criar, consertar e evoluir? Até um pombo seria melhor. E esse é o busílis.

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