Hora da escola (5) (ou meus 11 segundos de “não-fama”)

UbuntuHoje apareci no Jornal Nacional. “Xique núrtimo!” E já comecei a imaginar como os paparazzi vão andar atrás de mim quando estiver pelo Leblon. Mas essa história vem depois. Quero mesmo é contar pra vocês a experiência que tivemos neste ano e que acabou virando pauta de um monte de lugares. Inclusive da turma do Bonner.

Falo da gestão participativa da escola das moças. O negócio funciona mais ou menos assim. Há uma comissão de planejamento, que conta com a participação de pais, diretores, funcionários e professores. Um fórum que se reúne todos os meses para discutir todos os temas que envolvem a escola, desde questões pedagógicas até as financeiras.

Dessas reuniões da comissão, saem os temas que serão tratados na assembleia geral, que por sua vez tem caráter decisório. Isso mesmo, o que é discutido e votado na assembleia está decidido e será adotado pela escola.

Naturalmente, um dos temas mais importantes tratados todos os anos (para muitos, o mais importante), é o valor da mensalidade/anuidade. E em 2015 vivemos algo que só ouvia contar como história.

E aqui abro um parêntese: a comissão de planejamento e a assembleia geral fazem parte do projeto político-pedagógico da escola e nela existe desde sempre. Sim, é democrático e, para ser assim de fato, exige participação. É, galera, dá trabalho. Mas é justamente este caráter participativo, o conceito colaborativo que permeia todas as dimensões da escola que nos dá a segurança de acreditar que estamos no lugar certo, que nossas filhas estão no lugar certo.

ComissaoPlanejamento

Reunião da Comissão de Planejamento sobre as propostas de reajuste para 2016

Voltando à história… Eu sou um dos pais que fazem parte da comissão. E quando começamos a preparar a assembleia, ficou claro – por todas as circunstâncias que estamos vivendo no país – que a mensalidade de 2016 seria a questão dominante, até a única. E a mecânica é a seguinte: a escola apresenta suas necessidades e algumas propostas de reajuste para que tudo siga normalmente, sem a perda da qualidade que temos, sem a diminuição dos investimentos e – especialmente – sem cortes dos projetos de formação continuada do quadro de professores.

E a primeira proposta era um reajuste médio de 10%, apenas para repor a inflação. E foi daí que começamos a trabalhar, a botar a cachola pra funcionar. A escola precisa de um reajuste ou de um aumento de receita da ordem de 10% para ser sustentável?

Alguns dos pais que fazem parte da comissão são especialistas em contas: economistas, administradores, contadores etc. E se debruçaram por cerca de duas semanas sobre todos os números da escola. E os doidos (com todo o carinho aqui, por favor) apresentaram seis cenários possíveis para resolvermos a questão. Entre eles, a proposta que foi aprovada pela assembleia geral.

Reajuste 0

Assembleia Geral

O momento em que a proposta de reajuste 0 foi aprovada pela Assembleia Geral

É isso mesmo, reajuste de 0% nas mensalidades de 2016. E isso será possível se algumas tarefas forem cumpridas, tanto pela escola como pelos pais. A primeira e óbvia, o esforço da escola no corte de custos, com economia de água, energia, telefone etc. Também foi aprovado um corte de 2% em todos os descontos praticados pela escola. Além disso, a escola passa a ter, além da comissão de planejamento, uma comissão de sustentabilidade (formada por pais, funcionários, diretores e professores) que será responsável por implantar ações que diminuam outros custos além dos serviços óbvios.

Mas a maior parte do ganho de receita está baseada na média histórica de crescimento de 5% no número de alunos. E para isso, algumas ações estão em andamento, como a abertura de novos convênios entre a escola e empresas, associações e clubes, e o compromisso dos pais em colaborar diretamente na captação de alunos. E aqui chegamos aos meus 11 segundos de “não-fama” lá do início.

Como incentivo para os pais realizarem essa “tarefa”, criou-se uma “promoção” em que para cada aluno novo, os pais que o indicaram não pagam uma mensalidade. Assim, se alguém consegue trazer 12 alunos novos, fica sem pagar mensalidade o ano inteiro. Boa ideia? Eu acho, de verdade. E essa foi uma das coisas que disse durante a entrevista.

Jornal Nacional

Mamãe, tô na Globo!

Mas vejam só que maravilha. A escola foi uma das que entraram em uma matéria do Jornal Nacional de hoje (29 de setembro) sobre os reajustes escolares em tempos de crise. E em que pese tudo isso só ser possível graças à política da escola, à participação de todos, ao fato de transcender a relação entre prestador de serviço e cliente para ser de verdade uma comunidade escolar, as únicas coisas que saíram na matéria foram o corte de gastos e a “promoção”. Os tais 11 segundos que fecham a reportagem. Desse jeito, falando de promoção, nunca que eu vou aparecer no Ego…

Sim, eu sei como funciona uma pauta, a construção de uma matéria e, especialmente, o tempo da TV. Mas é impossível negar que hoje eu tive o meu dia de xingar a Globo, de dizer que eles manipulam tudo o tempo todo, que são o Grande Satã culpados de tudo de ruim que acontece no Universo.

Depois, com calma, vendo e revendo a matéria, lembrando de todas as limitações, chega-se à conclusão de que ficou legal. Sem contar o reconhecimento de que os caras só apareceram por lá porque somos realmente diferentes.

Ubuntu

Esse é o quinto texto da série Hora da escola, que começou quando ainda estávamos procurando a primeira escola da Helena, em 2010. Hoje, ela e Isabel estão na Oga Mitá. A quem me pergunta, digo claramente que só pretendemos sair de lá por uma questão financeira.

É claro que há problemas. Como canso de dizer, não há escola ideal (existe alguma coisa ideal?). Mas até a maneira de encarar os que aparecem, mesmo com alguns tropeções, é diferente. Então, para nós aqui de casa, o slogan da Oga é a tradução perfeita do que vivemos por lá: Eu sou porque nós somos!

P.S.: Como quem não chora não mama, não custa lembrar que se você leu tudo isso, se chegou até aqui e está pensando em matricular seu filho na Oga, diga que foi indicado pelo Gustavo. 😉

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8 comentários em “Hora da escola (5) (ou meus 11 segundos de “não-fama”)

  1. Gustavo e as indicações ainda valem? Vou visitar a escola essa semana pra ver a possibilidade de colocar minha filha de 3…se tudo correr bem, digo teu nome 😉

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  2. Nossa, sonho desde grávida em colocar os gêmeos nessa escola… Poréééém com gêmeos a mensalidade de lá fica impossível! Pra 2017, sabe me informar como estão as coisas? Rs

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    1. Olá Juliana, não houve reajuste nas mensalidades pelo segundo ano consecutivo. As aulas começaram, ligue pra lá e veja se ainda há vagas. E se houver, vá conversar. Tudo pode ter solução.

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  3. Olá! A proposta ainda está em jogo? Preciso de algumas informações: criança que faz seis anos em maio é matriculada em qual unidade (Tijuca ou Vila)? Qual o valor da mensalidade para 2017 (só me informaram que não houve aumento)?

    Obrigada!

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