Os cocares do Dalí

Salvador DalíE aí caímos na esparrela do viradão do CCBB e fomos pra lá ver o Dalí. Afinal, é o último fim de semana da exposição.

Primeiro, vamos ao mais importante. A exposição é muito boa, uma bela coleção que veio ao Brasil, com um belo espectro da obra do sujeito em todas as suas fases. Algumas obras muito conhecidas, outras nem tanto o que é sempre muito bom. Eu, entre outras coisas, não conhecia suas ilustrações para alguns livros e me encantei, me apaixonei na verdade, pelas gravuras para O Velho e o Mar.

O grande problema da exposição, e eu bem fui avisado pelo meu pai, é a iluminação das obras. As salas a meia luz, com pequenos spots apontados para cada um dos quadros. Algo curioso, que não se vê quando visitamos os melhores museus do mundo. De quebra, e como bem lembrou minha consorte, quando o sujeito pintou o quadro, ele pintou o quadro e ponto. O que ele queria mostrar está ali na obra, sem especificações de iluminação ou qualquer coisa do gênero. E quando o curador resolve fazer uma coisa dessas, ele interfere na obra. E isso tem sido comum nas exposições que aportam ao sul do equador.

Agora a roubada. Não sei também com que objetivo, mas armaram uma tenda com DJ na porta do CCBB. Na única porta disponível. Estava um caos. Entrar e sair era uma luta. E nós levamos as crianças, Helena pediu pra ver a exposição e quando ela se deu conta de que estávamos chegando, bateu palmas e deu vivas.

Demos nosso jeito. Entrar até foi mais fácil. Sair, só aos empurrões. A fila nem estava das maiores, mas o barulho e a circulação de um público que foi até lá para curtir a balada e nem aí para a exposição tumultuou demais. Se pra nós foi difícil e desconfortável, imaginem para os idosos (e havia vários) e deficientes, cadeirantes ou não.

Na porta, naquela única, só havia um segurança que apesar da sua boa vontade era incapaz de organizar a entrada e saída das pessoas. Resumindo: se a ideia, de forma geral, era boa, o planejamento e execução foram trágicos. Uma zona pela qual não me arrisco de novo a passar, mesmo sem as crianças.

Helena também pediu pra ver o Miró, nós também queremos ir. Pelo jeito, a solução será matar um dia de aula, assim no meio da semana, pra não entrar em outra roubada. Porque minha sensação é que voltei pra casa com alguns cocares na cabeça.

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