Coitado do Gerson

LeiGersonSão duas e meia da manhã e estou aqui assistindo o jogo. De novo. Tentando entender o que aconteceu, por que aconteceu. E não falo do óbvio ululante, ninguém nunca duvidou que a Alemanha era melhor que o Brasil. Ainda mais sem dois dos melhores jogadores do mundo em campo. Então, a derrota era provável.

É claro que, dentro das circunstâncias e das possibilidades existentes, Felipão fez a pior escolha possível. Mas não é de tática que quero falar aqui. Nem da pane que acometeu o time a partir do segundo gol. Porque os jogadores que estavam em campo (e os que não estavam também) não são maus jogadores. Nem de longe. Ou não teriam o destaque que têm, não seriam respeitados como são pelo mundo afora.

A maneira como a derrota aconteceu foi circunstancial. Mas aqui assistindo o jogo, de novo, me incomodou profundamente a falta de caráter. Se não de todos, de vários.

Estava 4 a 0 e Hulk sobe pela ponta. Passa pelo primeiro marcador. Ao passar pelo segundo, se joga tentando cavar uma falta. Porra, ele tinha a bola e a jogada!!! No segundo tempo e depois de tudo o que aconteceu contra a Croácia, Oscar e Fred também se jogaram na área. Marcelo e Maicon também fizeram isso, e levaram esporros tão bem dados…

É aí que entra o coitado Gérson, que ficou marcado por uma peça publicitária que, hoje e de longe, bate infeliz. A tal história de levar vantagem em tudo. Pois o problema não é querer levar vantagem em tudo, porque sem esse desejo as coisas não evoluem, não melhoram. O problema é a interpretação, é a escolha do caminho. E aí caímos na falta de caráter endêmica que invade o inconsciente coletivo tupiniquim.

Basta, para explicar e sem sair do futebol, uma frase singela: roubado é mais gostoso. E não sou santo não, já repeti e acreditei no bordão.

Quando o Oscar fez o gol, fim de partida, 7 a 1, o Neuer pagou geral para a defesa. Porque respeitar o adversário é, antes de tudo, se respeitar. Ao optar pelas simulações, e as citadas não foram as únicas, os jogadores brasileiros não respeitaram a única camisa do mundo que tem cinco estrelas e não respeitaram os alemães.

É tão trágico quanto impressionante que jogadores alemães (e hoje não cabe falar das outras seleções) tenham demonstrado tão mais respeito pela história, pelo valor dessa camisa amarela, que nossos próprios jogadores. Mas a culpa disso não é dos jogadores. É nossa.

Parece bobagem, mas essa falta de caráter é toda nossa, o tempo todo, no trânsito, no trabalho, no bar, em qualquer lugar. E não descobri isso hoje não, durante o jogo não. Já venho (e não sou o único, claro) tratando do assunto há muito tempo. Esses lances de jogo só servem para comparar e jogar na nossa cara esse triste quadro.

Um quadro que me faz lembrar de duas frases feitas, já clichês: ‘não importa que mundo vamos deixar para nossas crianças, mas que crianças vamos deixar para o nosso mundo’ e ‘o povo não tem o governo que merece, tem o governo que alcança’.

Talvez isso tudo seja um grande delírio. Sei lá, estou só pensando a esmo, mas vai que a meia dúzia de três ou quatro visitantes habituais do cafofo resolvem pensar também. Já é alguma coisa.

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