Crônica de sexta-feira (20)

Montanhas

MatterhornA inspiração da crônica de hoje surgiu de forma inesperada, por um email que minha filha Junia enviou-me. “Você vai gostar”, escreveu ela. Não só gostei como imediatamente escrevi o texto abaixo, que ficou bem diferente dos outros, mas mesmo assim penso que vale. Diferente por que escrevi pouco e, pela primeira vez, uso recursos de terceiros, via internet, youtube ou seja lá o que for. Sexta-feira moderna, esta. Vocês verão que as palavras terão importância reduzida, as imagens é que irão falar por si.

Um fato que marcou a minha infância – depois ficou fácil constatar que marcou a minha vida inteira e ainda marca –  foi assistir, no Cine Pathé, o filme “O terceiro homem da montanha”, uma produção americana, de 1959. A partir das imagens que vi, eu cresci imaginando subir em todas as montanhas do mundo. A história do filme não foi tão importante para mim, mas a partir daquelas imagens, eu, sem modéstia alguma, me senti legitimamente como as pessoas que vivem fotografando, escalando, pintando, conhecendo, sonhando, caminhando, acampando, admirando e sempre pensando nas montanhas. Até escalei algumas, caminhei em outras, visitei muitas, felizmente. Resumindo, durante toda a minha vida a montanha ocupou lugar de destaque no que diz respeito à admiração da natureza, de aprender os riscos e, principalmente, de saber que somos pequenos demais em relação à elas. Quando estive em Banff, Canadá, com a Junia, fiquei super emocionado, pois é lá que existe uma instituição que se dedica, exclusivamente, ao estudo das montanhas. Algo como Centro de Estudos da Montanha, em português. Tenho que voltar lá um dia.

Tanto é assim que determinei, por vontade própria, que uma montanha seria a minha montanha. Matterhorn, em Zermatt, na Suíça, passou a ser a minha montanha. Só minha. Sim, pode até ser pela sua imagem nas embalagens de toblerone. Mas é muito mais que isso. O seu formato, lindo, de frente para o leste, pontiaguda, alta (4.478 metros), sempre me fascinou e eu sempre dizia: ainda vou nesta montanha. Não só fui como, antes, meus filhos a visitaram, por vontade minha mais que as deles. E já fui duas vezes, pois tive o privilégio divino de realizar o sonho que imaginei aos pés da Matterhorn, quando a vi pela primeira vez: tenho que trazer o Beto aqui! Beto, para os leitores menos chegados, é a minha alma-metade, mais montanhista do que eu, pois é geólogo. E fomos lá, sim. Após as visitas dos filhos, eu e Margareth visitamos Zermatt no inverno de 2004, se não me engano. E alguns poucos anos depois, em plena primavera alpina, lá estava eu, Junia, Beto e sua mulher, Isabel.

Pois é. Vamos deixar que as imagens e os recursos tecnológicos finalizem a crônica de hoje, apenas reforçando que: as montanhas são demais e a minha montanha é única, linda, maravilhosa.

Rodrigo Faria

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Um comentário em “Crônica de sexta-feira (20)

  1. Cheguei aqui por acaso, sem estar sob o tacão da mãe moderna: a pressa. Cheguei e fiquei, por ter percebido a leveza do vídeo, muito bem feito, com uma trilha sonora muito bem ajustada ao granito, e também pelo texto contando reminiscências, com um português bem feito.

    Um abraço.
    Darlan M Cunha

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