Crônica de sexta-feira (16)*

Taí, nosso cronista habitual encarnou um clima um tanto Pollyanna hoje. Não tiro sua razão não. A gente anda tão aporrinhado com tantas coisas sérias e não tão sérias o tempo todo, e ainda é bombardeado com mais um monte bobagens todo dia, toda hora. Um tantinho de jogo do contente só vai fazer bem, no final das contas.

Pra completar o conjunto da obra, pra passar bem a sexta-feira, um disco inteiro do Big Bad Voodoo Daddy, uma banda do sul da Califórnia que revisita (com muita competência) o swing. Dica do Ron Groo.

Coisas úteis e inúteis

PollyannaO ano começou com muitas notícias fúnebres, de pessoas famosas (é claro, pois do contrário não seriam notícias). Acidentes, fatais ou não, com desportistas, atores e outros menos cotados. É sempre triste ver que foi embora uma pessoa pública, que com o seu trabalho fez a nossa vida melhor. Mas também é muito triste ver tantos jovens anônimos morrendo em acidentes de trânsito, assaltos, brigas, festas e por aí vai, jovens que ainda poderiam se tornar pessoas públicas e, quem sabe, aumentar a lista daqueles que fazem a nossa vida melhor, repetindo. E devemos lamentar, também, por tudo o que poderia fazer a nossa vida melhor e não aconteceu. Mas também devemos lembrar que os vivos, os que estão por aí, inclusive aquela pessoa que você vê no espelho, também pode fazer a sua vida ficar melhor.

Longe de querer dar receitas de como viver, como melhorar a sua vida e a dos outros, nesses dias de hoje, eu constato facilmente que tem muita coisa atrapalhando a gente, né? Tem muita coisa ruim, chata, imprestável, feia, inútil, pesada, mal cheirosa, sem sabor, escura, complicada, que não precisava estar no nosso dia a dia. Nem vou repetir textos que já foram escritos sobre embalagens, imprevistos, coisas esquecidas etc. Mas é certo que temos convivido, nos últimos tempos, com tantas coisas de existência duvidosa, ou, pelo menos, de utilidade duvidosa para o nosso dia a dia, para a nossa tão desejada e necessária vida melhor a cada dia.

Faça uma pausa na leitura e pense um pouco. Se tiver tempo, pegue um pedaço de papel, um lápis ou uma caneta, e anote algumas, aquelas que rapidamente chegaram no seu pensamento. Creio que terei uma chance muito grande de acertar que você anotou algo como vizinhos chatos, sapato apertado, pernilongo, telefone ocupado, engarrafamento, irresponsabilidade, agora também denominada de manifestação, violência de todo tipo, ser mal atendido em qualquer situação, pagamento de impostos e taxas, problemas com operadoras de telefonia, aeroporto brasileiro, controle remoto, grande irmão (me recuso a escrever o nome, em inglês, daquele programa de TV) e por aí afora.

Pois é, realmente tem muita coisa desnecessária. E, infelizmente, não temos, na maioria das vezes, como eliminar o que não precisamos. E, aí, minha sugestão é: conviver com o que não queremos, não precisamos, não gostamos, “fingindo” que tais coisas não existem e, se existem, não estamos nem aí pra elas!!! Quase correta e real esta afirmação. O problema é que elas estão aí pra gente, insistem em nos importunar, não é mesmo?

Por isso, entre outras razões, é que às sextas-feiras (quase todas) envio uma crônica. Faz bem e eu gosto de escrever, desejando, sinceramente, que após a leitura de cada texto você possa rir, lembrar de coisas boas, planejar uma coisa agradável, tomar uma atitude em favor de si mesmo e/ou de alguém que você gosta, fazer acontecer aquele fim de semana bom demais, encontrar um amigo, passear com o cachorro, ver seu time ganhar, e tantas outras coisas que são boas, gostosas, acontecem e existem apenas para nos alegrar, pra mostrar que, apesar das coisas ruins ao nosso redor, a nossa vida ainda é, simplesmente é, uma coisa muito boa, que sob nenhuma condição, deve ser desprezada.

Então, só me resta repetir que hoje é sexta-feira, amanhã é sábado e depois vem o domingo, veja quanto tempo você tem pra fazer só aquilo que gosta, que faz bem pra você e aos seus. Olha só, vem aí o carnaval, não é hora de ficar por dentro dos sambas e enredos das escolas do Rio? Não é o momento pra ver se ainda tem alguma fantasia guardada e que sirva em você? Que tal planejar um encontro de amigos que não irão viajar e só ficar ouvindo aquelas músicas boas, daqueles tempos de salão? Sair pra rua num bloco e se divertir até… O carnaval é só um exemplo de tantas coisas boas que temos em nossas vidas e, com certeza, será tema de uma crônica, brevemente. Pode aguardar.

Rodrigo Faria

*Será que nasce mais uma tradição centenária no cafofo? A crônica de sexta, agora, vem com trilha sonora? Gostei da ideia. E sugestões são sempre bem vindas. claro.

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