Crônica de sexta-feira (14)

Imprevistos

Eu costumo dizer que a única rotina no meu trabalho é o imprevisto. Mas vamos logo sair do ambiente de trabalho, até por hoje ser uma sexta-feira, e tratar de escrever sobre outros contextos em que a imprevisibilidade está sempre diante de nós.

Foto: Mariana Alcantara GomesDor de barriga daquelas, na rua, no carro ou no ônibus? Chuva, de repente? Esqueceu o celular ou os óculos de leitura em casa? E o nome dessa simpática pessoa que está conversando com você há alguns minutos, como um amigo íntimo, mas nada do nome aparecer na sua memória? Esqueceu uma das dezenas de senhas necessárias ao seu dia a dia? Está no exterior e esqueceu como é o nome daquele prato que recomendaram justo no restaurante em que você está? Furou o pneu? Pneu de carro ainda fura? Que coisa mais atrasada! Não comprou a ração do bichinho de estimação? Que pena, dê pão com ketchup pra ele, faz muito bem.

Vocês hão de concordar comigo que a nossa vida moderna é cheia de imprevistos, alguns até nos preparamos para enfrentar, mas nem por isso eles deixam de ser identificados como imprevistos. Deu pra entender? Um exemplo: cadê aquela porcaria de documento que eu coloquei aqui e agora não está mais aqui??!! Você grita com você mesmo, com colegas, familiares… Apenas um exemplo, dentre tantos que podemos lembrar.

Ôpa! Não se lembra de nenhum outro exemplo assim tão facilmente? Isso é sinal de uma memória já com passaporte, visto e passagem (só de ida) para visitar aquele alemão ou então você é demais, com você não tem esse negócio de imprevisto, tá tudo no lugar certo, tudo organizado, tudo o que precisa na memória e se um imprevisto acontecer, não será nada, você rapidamente soluciona a situação e segue em frente!!! Legal, né?

Não, nada disso. Imprevistos podem causar problemas e dificuldades, mas também podem tornar a vida mais divertida, mais alegre. E eu, como filho de ‘paiaço’ que sou, fico com essa segunda opção. Já repararam como é gostoso ficar forçando a memória a lembrar disso ou daquilo? Não é ótimo nem dormir pensando no nome daquela música, do filme que você adorou, ganhou até Oscar, com aquele artista bonito, que também trabalhou com aquela moça linda, noutro filme que chama… Aaahhh, que raiva!!!

A memória e o imprevisto andam juntos, cada um aprontando pra cima da gente, todos os dias, sem avisar, e, repito, eu curto demais as situações às vezes embaraçosas, outras vezes hilárias mas, sempre, nos ensinando como é boa a nossa vida. E quando a situação não é nada graciosa, sabem o que eu faço depois do acontecimento? Esqueço! “Tudo passa, tudo sempre passará”, cantaram Lulu Santos e Nelson Ned.

Então é isso, viva as confusões memoriais imprevistas do ser humano. E as previstas também. Parodiando o grande poeta português, “imprevisto é preciso; sem confusão, a vida não é precisa.” (Como é mesmo o nome dele?)

Finalizando, na última sexta-feira, dia 17, não teve crônica por causa de um imprevisto.

Rodrigo Faria

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