Mulheres de Hollande

O trocadilho do título, desculpem, foi inevitável. Da séria série ‘trocadalhos do carilho’. Até porque o cara é François. Daí, Francisco. Daí Chico. Daí o óbvio.

(Se mesmo com a piada explicada, você não é do Rio e não sabe do que estou falando, clique aqui)

O texto abaixo é do Veríssimo. E é preciso. Pombas, dá uma olhada no time do rapaz que é baixinho, gordinho e careca. Assim como aquele trocadilho, a pergunta é inevitável: o que é que ele tem que eu não tenho?

(É claro que estou falando de forma geral, talvez até hipotética. Afinal, sou um sujeito de sorte, a moça da minha vida é muito mais do que as três. E é bom eu deixar isso claro, antes que eu apanhe de forma injusta com uma vara de marmelo)

Voltando ao francês e sua escapadela, é impossível não fazer um paralelo imediato com nosso imperador e sua Rosemary. Lá, por muito menos – e até que provem contrário, tudo não passou de um problema pessoal e extra-conjugal -, a casa está quase caindo e na capa de todos os jornais. Aqui, apesar de tudo o que se sabe, foi-se tudo em brancas nunvens.

É, faz pensar. Né não?

Nosso herói

Mulheres de HollandeAcho que falo por todos os gordinhos sem graça do mundo, por todos os homens por quem ninguém dá nada, todos os com cara daqueles tios que nas festas de família ficam num canto e nem os cachorros lhes dão atenção, ou fazem xixi no seu sapato, todos os que se apaixonam, mas não têm coragem de se aproximar da mulher amada, quanto mais declarar sua paixão, todos os que são chamados de “chuchu”, mas não é um termo carinhoso, é uma referência ao legume sem gosto, todos os sem sal, os sem encanto, os sem carisma, os sem traquejo, os sem lábia — enfim, os sem chance — do mundo se disser que o François Hollande é o nosso herói. Ele é tudo que nós somos e não somos. É um dos nossos, mas com uma diferença: no caso dele era disfarce.

A companheira de Hollande, Valerie Trierweiler, que mora com ele no palácio presidencial e o acompanha em eventos oficiais e viagens, e que também é chamada de Rottweiler pela ferocidade canina da sua dedicação ao presidente, está internada com uma crise nervosa provocada pela revelação de que François tem uma amante, a atriz Julie Gayet, com quem costuma se encontrar num apartamento perto do palácio. Hollande já teve como companheira uma das mulheres mais interessantes da França, Ségolène Royal, com quem a fera teve quatro filhos. A pergunta que se faz na França é: o que exatamente esse homem tem que explique seu sucesso com as mulheres? A questão não tem nada a ver com direito à privacidade. Trata-se de uma curiosidade científica. Se o que ele tem, e disfarça com aquela cara, puder ser reproduzido em laboratório será um alento para a nossa categoria.

E nossa admiração só aumenta com os detalhes das escapadas de Hollande. Ele vai para seus encontros com Julie numa motocicleta. O Hollande vai para seus encontros com a amante montado numa motocicleta! Pintado no seu capacete, quem sabe, um galo, símbolo ao mesmo tempo da França e do seu próprio vigor. Ainda há esperança, portanto. Se ele pode, nós também podemos. Pois se François Hollande nos ensina alguma coisa é que biologia não é, afinal, destino.

Luis Fernando Veríssimo – O Globo, 16 de janeiro de 2014

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Um comentário em “Mulheres de Hollande

  1. Se existe uma coisa boa em perder o vigor e o viço da juventude, essa coisa é saber que existem muito mais encantos do que apenas a beleza de um corpo sarado. A experiência traz todas as belezas que a vida pode proporcionar.

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