Crônica de sexta-feira (13)

Tomate, abacaxi, maçã, sucos de uva, limão e laranja

KetchupO título da crônica de hoje tem uma importância enorme para mim, mas deve significar quase nada para a maioria dos leitores. Ele descreve, integralmente, o que consta na minha alimentação rotineira, além de arroz, carne, queijos, massas e a delícia das delícias: o ketchup. Como??? E o resto???

Sei muito bem que esta informação não é novidade para muitos que me conhecem um pouco mais, mas acredito que outros ficarão surpresos: feijão, legumes, outras frutas, raízes e tudo o mais que a TV a cabo apresenta naqueles programas de cozinha… Não, nada disso eu como. Nunca comi, não tenho vontade de comer. Por que não??? Não gosto!!! Como não gosta, já provou??? Não, não provei e nem consigo provar!!! Como assim???

Segue uma tentativa neurológica de explicação: o meu cérebro, ao notar que alguma coisa diferente do que já foi citado está se aproximando da minha boca, aciona imediatamente três comandos. O primeiro, para o olfato: “isso é ruim, já sentiu algum cheiro pior?” É claro que é difícil comer algo que não cheira bem. Tem gente que come, mas eu não. O outro comando, tão importante e forte como o primeiro, é para o paladar: “já sentiu o cheiro horrível disso, né? Agora imagine o gosto. Nem tente!!! Não presta!!!” E o terceiro e fulminante comando cerebral é para a consciência: “se você nunca comeu isso até hoje, porque vai comer agora??? Pra quê??? Tá morrendo de fome no deserto??? Tá no hospital??? Não tem que comer isso não!!! Se está com fome, pegue um pão e taca ketchup nele!!! Que delícia, hein?!?!? Hein?!?!?”

Tá entendido? Então, é por isso que não canso de falar com os meus que os meus órgãos devem ser doados para alguma instituição de ensino da medicina (e o restante cremado), pois acredito que além dos comandos cerebrais, o meu organismo, muito obediente, desenvolveu algo incomum, pois a minha saúde não é tão má assim, excetuando-se a incrível capacidade de criar hérnias.

Estou no ano dos 60 e tenho IMC que me caracteriza como “obeso mórbido”. Se eu escrever que não tô nem aí, é mentira. É claro que me preocupo e já estou em plenos esforços para perder peso, sem nenhuma obsessão. E quanto ao meu cérebro, vou continuar convivendo bem com ele, pois se tantos não cansam de me falar que a minha alimentação é horrível, fraca, sem graça, prejudicial à saúde etc., eu simplesmente digo que sou feliz comendo o que como. E o que vai acontecer com a minha saúde daqui pra frente é problema, antes de tudo, meu, assim como as consequências, sejam positivas ou não.

E como hoje é sexta-feira, a minha massa cinzenta superior já começa a sinalizar que, após o trabalho, é o momento para uma cervejinha, queijinhos, pãezinhos avermelhados, carninhas, tomatinhos, tudo isso no diminutivo, pois a escrita também faz parte da estratégia de redução. Pra quê escrever cervejada, churrascão, tábua de frios? Não, não. Mirem-se no exemplo de minhas letras, não das minhas ações. Pronto! Taí um novo slogan, que quer dizer algo mais ou menos assim: leiam-me e vivam felizes, fazendo das sextas todos os demais dias da semana.

Rodrigo Faria

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