O templo

Entrada em campo / Foto: Gustavo SirelliA primeira vez que fui ao Maracanã, já não lembro ao certo, tinha 7 ou 8 anos. Se ele era enorme porque era enorme, imaginem aos olhos de uma criança.

Seguindo o plano do meu pai, para me acostumar com a bagunça do estádio, comecei com jogos pequenos até chegar aos domingos gloriosos de Maraca lotado. E é bom lembrar que, pelos idos dos 80, um público de 70 mil era só meia bomba.

Passar a tarde no velho Mario Filho, com almofadinha para o concreto, Geneal e biscoito Globo, era um programaço. Todos os grandes clubes e boa parte dos médios tinham bons times. O ingresso era barato e a festa começava às 3 da tarde, com a preliminar (sempre um jogo de juniores ou semi-amadores).

Passei a vida, e não éramos poucos – muito pelo contrário -, freqüentando o estádio. E se a arquibancada era o hábito, não foram poucas as vezes que estive nas cadeiras azuis. Também fui de geral e cadeiras especiais, e uma vez na tribuna de honra, onde obrigatório usar calça. E até na beira do campo eu já tinha estado pra assistir (vejam como o mundo era mais simples) a um treino da seleção brasileira.

Veio a década de 90 e começaram as obras, devidamente aceleradas pelo acidente de 92 e a preparação para o Pan. Começou com o fim da geral até chegarmos à última, para a Copa. E no ritmo das obras fui diminuindo minha assiduidade. Coincidência ou não, conforme o Maracanã diminuía, o futebol piorava…

Para a última obra, fecharam o Mário Filho em 2010. E reabriram neste ano. E empurrei a visita com a barriga, emprenhado pelos ouvidos: “destruíram o templo, o estádio ficou sem alma!”.

Vieram os primeiros jogos e eu nem tchum. Veio a Copa das Confederações e nem tentei comprar ingresso. E por último, a campanha do Flamengo na Copa do Brasil. Mas não sou sócio-torcedor e nem topei pagar 500 ou 1.000 irreais a cambistas.

Mas entre um jogo e outro da final, tive a oportunidade de participar de um evento da Aberje no auditório do New Maraca, com direito a tour depois das palestras.

A primeira sensação ao entrar no estádio, na arquibancada, foi torcer o nariz. O estádio murchou, ficou muito pequeno, o campo diminuiu muito. Com todo o respeito (e um tantinho de exagero), foi como se entrasse no estádio do Madureira, só que bem decorado.

Mas aí começou o passeio, das cabines de rádio, passando pelos camarotes, arquibancada, vestiários e, finalmente, o campo. Com toda a papagaiada possível, com direito a foto no banco de reservas e tudo o mais. Mas…

A diagonal mais longa do Maracanã / Foto: Gustavo SirelliNão podia entrar no campo. Na verdade, não podia nem colocar a mão no gramado. Mas fui caminhando até a linha de fundo e ali, da esquina do escanteio, olhei para o estádio, na diagonal mais longa daquela linda elipse, e fui obrigado a capitular. Sim, o Maraca está lindo. Se é verdade que já não é aquele colosso, também é verdade que sua alma ainda está ali. E renovada.

E se ainda havia alguma dúvida, ela foi exorcizada na quarta passada. O Flamengo foi o último campeão do velho e o primeiro do novo Maracanã. Não é possível que isso seja uma simples coincidência. E enquanto a Magnética existir, o ex-“maior e mais belo estádio do mundo” sempre será O Templo.Mosaico na final da Copa do Brasil 2013

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