Gente, esse bicho sem importância

Ilustração: G1Gosto muito das baleias, encontrar golfinhos na Baía de Guanabara é do cacete, os pingüins (sempre com trema) são um barato. Curiós, canários, cambaxirras e até urubus – só não faço questão dos pombos – chegam a me inspirar. E também me orgulho de morar numa cidade muito arborizada e local da maior floresta urbana do mundo. Mas, infelizmente, gosto mais de gente.

É, esse bicho estranho que faz um monte de cagadas e estraga um monte de coisas. É que curiosamente é esse o mesmo bicho capaz de criar, inventar, produzir etc etc etc. Enfim, todas aquelas coisas boas e ruins derivadas da sua capacidade de raciocinar (sabem aquele papo de animal racional?).

Infelizmente, parece que nem todo mundo pensa assim. É o caso de uma certa  turma verde em demasia, que nem é tão grande, mas capaz de fazer e provocar muito barulho.

Começou a ser colocada em prática no Rio, em agosto de 2013, parte da lei nº 3273, de setembro de 2001. Quase sem atraso, como podem ver. A lei normatiza o sistema de limpeza urbana da cidade e a bagunça da hora é por conta da parte que disciplina a aplicação de multas a quem joga lixo na rua. Sinceramente, gosto da idéia. Se o sujeito não é educado pela família e pela escola, que seja pelo bolso.

Mas descobri, na semana passada, que uma tampa de caneta ou uma guimba de cigarro valem muito mais (cerca de R$ 150) do que o cocô de cachorro (cerca de R$ 98). Curioso não é?

A lógica do negócio é óbvia. Tanto a tampa de caneta quanto a guimba de cigarro demoram muito mais a se decompor. Se caem no bueiro, vão para o mar e aí já viu né. Se ficar na rua, vai que um pombo engole uma coisa dessas… Em todos os casos, funeral na certa. Muitos, infinitos.

Mas e o cocô? Ah, a chuva leva. Ahã… E ninguém lembra que aquilo ali na calçada atrai bichos (especialmente moscas) que tratam de espalhar doenças e sei lá mais o quê; ninguém lembra que um desavisado pode pisar naquilo e sujar ainda mais as calçadas e ainda levar aquilo pra dentro de casa, para o trabalho, um consultório médico, um hospital. Precisa falar sobre o risco potencial do negócio?

É claro que o risco de gente ficar doente e até morrer não é coisa grave. Afinal, tem muito desse bicho por aí e mais um ou menos um nem vai fazer falta mesmo. Muito mais importante e até urgente é cuidar dos bichinhos que, apesar de irracionais, não têm nada de burros. Ou você já viu bandos de pássaros em banquetes de guimbas e tampas de caneta e de garrafas?

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