A arma, o réu, o véu que cairá*

O que será o amanhã? / Foto: JC Palme

No Brasil nunca há “hoje”; só ontem e amanhã. Amanhã será amanhã ou será ontem. Depois de tanto tempo para se (des) organizar uma república democrática, o ministro Celso de Mello tem nas mãos o poder de decretar nosso futuro. (…) Eu me lembro do início do julgamento. Tudo parecia um atemorizante sacrilégio, como se todos estivessem cometendo o pecado de ousar cumprir a lei julgando poderosos. Vi o “frisson” nervoso nos ministros juízes que, depois de sete anos de lentidão, tiveram de correr para cumprir os prazos impostos pelas chicanas e retardos que a gangue de mensaleiros e petistas conseguiu criar.

(…)

Amanhã, Celso de Mello estará nos julgando a todos; julgará o país e o próprio Supremo. Durante o processo, qualificou duramente o crime como “o mais vergonhoso da História do País, pois um grupo de delinquentes degradou a atividade política em ações criminosas”. E agora?

Será que ele ficará fiel à sua opinião inicial? Ele fez um risonho suspense: “Será que evoluí?” – como se tudo fosse mais um doce embate jurídico. Não é.

Arnaldo Jabor

Por todos os cheiros que pairam sobre nossas cabeças, minha previsão é que Celso de Mello vote pelos embargos. Como não sou vidente, espero estar errado.

O problema dessa decisão que sai amanhã é que olhando todos os textos legais, qualquer tese contra ou a favor é absolutamente aceitável. Assim, como deveria proceder o ministro?

Segundo manda sua consciência, claro. Ou vocês acham que tenho a competência para dar-lhe conselhos? Mas gostaria de acreditar que Celso (assim, com initimidade) se lembrará do significado simbólico de sua decisão, da mensagem que enviará – mais do que aos políticos habituados a meter a mão nas bolsas da viúva – à sociedade, ao povo.

Nada mais ofensivo e transgressor à paz pública do que a formação de quadrilha no núcleo mais íntimo e elevado de um dos Poderes da República com o objetivo de obter, mediante perpetração de outros crimes, o domínio do aparelho de Estado e a submissão inconstitucional do Parlamento aos desígnios criminosos de um grupo que desejava controlar o poder, quaisquer que fossem os meios utilizados, ainda que vulneradores da própria legislação criminal.

Celso de Mello

O ministro disse essas palavras no dia 2 de agosto, na primeira sessão do julgamento da ação penal 470. Mais incisivo, impossível. Então, o que desejo por hora, é que o decano lembre disso amanhã.

E para marcar, um pequeno set list que por meios tortos ou diretos, de qualidade aceitável ou discutível, de estilos bastante diferentes, falam sobre as faces do amanhã. Tive a idéia depois de ler a coluna do Jabor no Estadão de hoje. Vai que inspira o ministro…

*verso da canção Amanhã… Será?, de O Teatro Mágico

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