Sambalanço

Bebeto Essencial / ReproduçãoNão faz muito tempo, algumas semanas, quando passei em frente ao Clube Municipal, na Tijuca, e vi a faixa anunciando o show do próximo fim de semana: Bebeto. “Caramba, não ouço falar desse sujeito há anos” foi a primeira reação. Quando comentei com a turma mais, digamos, antiga do trabalho, além de alguns olhos quase esbugalhados de surpresa, um comentário ficou guardado: “digno”.

Samba-rock, suíngue, sambalanço. Chamem do que quiser, não faz diferença. O que importa é que Paulo Roberto Tadeu de Sousa era o cara. O sujeito que nasceu em São Paulo e começou a perambular pelos bares da terra da garoa na virada dos anos 60 para os 70 ajudou a explodir e sedimentar um estilo que foi (e ainda é) marcante na música brasileira.

Seu primeiro disco, lançado em 1975, já disse a que veio. Apesar de nascido e radicado em São Paulo, Bebeto é um álbum absolutamente carioca em ritmo e letras. Pontuadas por arranjos de metais potentes, percussão bem marcada e o violão de nylon característico de sambas e serestas, algumas de suas 12 faixas foram sucesso por muito tempo. É o caso de Só quero sambar (com Branca di Neve) e Segura a nêga (com Luis Wagner).

Uma curiosidade do primeiro trabalho é a faixa Esse crioulo por você se fez poeta, de um mineiro até então desconhecido: Wando.

O segundo disco de Bebeto, Esperanças mil, foi lançado em 1977. O estilo, claro, é o mesmo, apesar de muito menos ‘furioso’, e a grande diferença foi o destaque dado aos vocais femininos de resposta. Muita gente diz que o álbum foi a semente do que se popularizou como pagode paulista nos anos 90. Como gosto do sujeito, prefiro colocar essa análise na conta da maldade… Das 12 faixas saiu o sucesso Nega Olívia (Bedeu e Alexandre) e aquela que – apesar de fugir ao estilo, ou talvez por isso – considero a mais bela canção de Bebeto: Na galha da mutamba, parceria com Lobo.

Logo no início de 78, Bebeto se mudou para o Rio e explodiu no circuito de bailes dos subúrbios e zona norte do Rio. Depois de mais dois discos (Cheio de razão, 1978, e Malícia, 1980), 1981 foi um ano chave para ele, com a gravação de dois grandes discos: o primeiro, Bebeto, foi uma coleção de sucessos instantâneos capitaneados pela inesquecível Menina Carolina; o segundo, Batalha Maravilhosa, foi marcante por ter, pela primeira vez, todas as faixas compostas por Bebeto. O destaque, sucesso até hoje, foi Praia e sol, parceria com Adilson Silva.

Depois, apesar de lançar um disco por ano até 1986, caiu na mesmice, se tornou repetitivo. Pra piorar, ainda foi mal comparado com Jorge Ben. De lá pra cá, produção irregular, discos ao vivo e coletâneas de sucessos. E, pelo visto, refazendo o circuito de clubes e bailes dos subúrbios e zona norte do Rio. Na luta. Digno.

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