Verbetes e expressões (29)

Diversionismo

(di.ver.si:o.nis.mo)

sm.

1. Manobra us. nos órgãos legislativos ou deliberativos, consistente em desviar a atenção de seus membros para assunto diverso daquele que se discute, a fim de impedir-lhe a aprovação.

2. P.ext. Qualquer recurso us. para despistamento; cortina de fumaça.

[F.: diversão + –ismo, seg. o mod. erudito.]

Fonte: iDicionário Aulete

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https://gustavosirelli.wordpress.com/2013/06/27/pt-e-dilma-voce-ainda-se-surpreende/Esse plebiscito é uma piada. Péssima, por conta de tudo o que o envolve e desde a maneira como surgiu.

Desde que as manifestações começaram, via-se de tudo nos gritos confusos e cartazes criativos ou não que circularam pelas ruas. É verdade que tinha até gente falando do assunto e é claro que a reforma política é algo de suma importância num país em que existe uma crise de representatividade gigantesca.

Primeiro é preciso lembrar a maneira como a presidente se apresentou. No primeiro pronunciamento, 10 minutos de elucubrações sem assumir qualquer compromisso claro. Depois, armou uma enorme cena para jogar sobre o país as resoluções de um congresso de seu partido, sem qualquer tipo de acordo ou aviso prévio àqueles que estava com ela à mesa.

Por fim, o tal plebiscito, o que sobrou do vexame da constituinte específica. Como já disse, a reforma é sim importante, mas nem de perto o tema mais grave e mais urgente para se tratar neste momento. Além disso, apesar de previsto na nossa Carta (como os referendos), expõe um modelo de governo já praticado em alguns de nossos vizinhos (Hugo, Evo e Rafael sabem bem o que é isso) e que fragiliza sobremaneira um dos poderes nação, pilar da democracia. Que Congresso que teria coragem de ir contra a “voz das ruas”?

Pombas, mas todo o poder emana do povo, qual o problema em se acatar a “voz das ruas”? O problema é que hoje o governo federal, não satisfeita com sua maioria construída como todos sabemos, tem um cabresto que parte de mais ou menos 20 milhões de votos. O problema é que, da maneira que a coisa está sendo feita, a toque de caixa, não haveria tempo hábil para se educar a população sobre os principais pontos da tal reforma. O problema é que a reforma que se desenha (com todo o suporte da máquina) privilegiará a manutenção do poder pelo grupo que está aí (voto em lista, financiamento público, manutenção do voto obrigatório), ao contrário do que deveria acontecer, fortalecendo a democracia com chances reais de alternância de poder e aproximação entre políticos e população, representantes e representados.

E o resultado é que os problemas básicos do Brasil não estão sendo atacados enquanto estamos todos, compulsoriamente, discutindo o tal plebiscito.

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