Como será?

Manifestação tomou a Av. Presidente Vargas no dia 20/06  /  Foto:  UOLAlguém pode dizer que é errado ver a sociedade mobilizada e se manifestando por condições melhores de vida, por menos corrupção etc etc etc? Pois é. Mas o que vai acontecer agora, como será?

A moça foi ao ar na sexta-feira e durante 10 minutos de um discurso vazio em sua essência, não assumiu nenhum compromisso claro sobre quaisquer das muitas reivindicações que foram gritadas a plenos pulmões pelos quatro cantos do país.

Ainda assim, há analistas de balcão tentando nos convencer que a coisa arrefeceu. Desculpem, mas discordo. Há que se lembrar que a semana foi muito intensa, com a quinta-feira chegando ao cúmulo de ter mais de 100 cidades de todos os tamanhos na rua ao mesmo tempo.

Seria mais que natural, portanto, que o fim de semana fosse mais ‘devagar’. Mesmo assim, 70 mil foram pra rua em BH; em muitas cidades – capitais ou não – houve caminhadas de crianças; no Rio, quatro ou cinco mil (com tempo muito ruim) correram a orla contra a PEC 37 (não se pode esquecer da 33) e ainda houve a vigília na porta do governador. E ainda há outros muitos exemplos.

Também já estão marcadas manifestações para Belo Horizonte e Fortaleza, quarta e quinta-feira, dias e locais das semifinais da Copa das Confederações. Em BH, como o objetivo é abraçar o Mineirão, já se sabe de antemão que o pau vai comer de novo.

A falta de lideranças formais (admitidas e reconhecidas), uma das marcas do que aconteceu até hoje, tende a acabar e alguns grupos e organizações devem começar a se apresentar e tentar tomar as rédeas. Muitas reuniões foram marcadas para essa semana em tudo quanto é lugar. Só eu recebi convite para duas hoje, minha moça foi avisada de uma terceira.

Em contrapartida, o governo federal – o mais atingido pelo tipo de reclamação feito até agora – já começou a se mexer. Há alguns dias, foi iniciada uma petição de apoio à presidente Dilma. Eu sei que gramaticalmente não faz qualquer sentido, mas a questão é chamar a atenção para qualquer tom positivo.

Além disso, em São Paulo, o MPL (Movimento Passe Livre)– que sempre foi apoiado pelo PT – disse que se retiraria das ruas e avaliaria sua participação em outros movimentos, ao lado de seus parceiros (todos eles, e mais alguns, apoiados pelo mesmo PT): MPST (Movimento Popular dos Sem Terra), MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), Ocupação Mauá e Periferia Ativa. Não por acaso, o MPL será recebido hoje por Dilma Rousseff. Hummmm

Mas não é só isso, claro. Na quarta, Ruy Falcão, presidente do PT, já havia convocado a militância do partido, além de ONGs e coletividades (eles adoram isso) amigas, como o próprio MST, a tomar parte nas grandes manifestações. Dá pra imaginar no que daria ou vai dar, com essa turma participando. Vão gritar contra o governo? Ahã…

Outro caminho é publicação de textos e mais textos acusando a turma que está na rua de ‘elite burguesa e golpista’. Não sei se é desconhecimento da língua, se é mau-caratismo assumido ou os dois.

A melhor frase que li nesses dias esta em um texto da Cora Rónai: “quem não está confuso, está mal informado”. Pois eu estou muito confuso. E com medo também, confesso. O cenário que se desenha à minha frente não é belo. Tomara que eu esteja errado.

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