Bobinho…

Oswaldo de Oliveira

Uma das coisas mais legais do campeonato carioca que foi muito ruim e terminou no último domingo foi a entrevista do Oswaldo de Oliveira ainda no campo, logo depois da partida. Algo como “já ganhei títulos mais relevantes, não seria um profissional realizado sem ganhar um carioca. Porque esse é o campeonato da minha infância, em que eu aprendi a amar o futebol”. Memória afetiva é isso aí.

Também sou apaixonado pelo carioquinha. Além de freqüentar o maior e mais belo do mundo, andei atrás do Flamengo pela Rua Bariri, Moça Bonita, Ítalo de Cima, Caio Martins, Ilha e Conselheiro Galvão. Também vi jogo do América no Andaraí. E sinto saudade, claro. De tudo. Especialmente de um Carioca bom de verdade.

Mas no modo como o calendário do futebol brasileiro está já há algum tempo, os estaduais, de forma geral, se transformaram em estorvo para os clubes. Começam muito cedo, sem permitir que haja uma pré-temporada decente, e ainda dá prejuízo.

Assim, num momento de ócio, decidi resolver os problemas do mundo. Ok, dá um desconto. Resolvi fazer uma sugestão para enxugar e tentar melhorar o nosso querido campeonato.

Nas três divisões do estado há 56 clubes inscritos, 20 da capital e 36 do interior (Niterói e Baixada incluídos). Além disso, o campeonato da série A ocupa (ao todo, com semifinais e finais de turno e final) 21 datas. Para fazê-lo em apenas 11 datas, cerca de um mês e meio a menos, bastaria dividir os clubes entre capital e interior e realizar as taças Guanabara e Rio simultaneamente. Na prática, quase uma volta à situação antes da fusão.

Fórmula 1ª divisão

Nas duas taças, oito clubes (bastaria fazer uma combinação entre os melhores colocados das duas divisões atuais para montar a tabela) divididos em dois grupos de quatro.

Na capital, sorteio dirigido com dois grandes em cada grupo. Jogos de ida e volta dentro do grupo (6 rodadas); os dois primeiros de cada nas semifinais em jogo único e cruzamento olímpico com vantagem do empate para os primeiros colocados; final da Taça Guanabara em dois jogos.

No interior, sorteio simples para a formação dos grupos ou uso da classificação deste ano para a divisão dirigida (1-4-5-8; 2-3-6-7). E aplica-se basicamente a mesma fórmula de disputa. Nas semifinais, ao invés do empate a vantagem seria o mando de campo. Na final da Taça Rio, o mandante da segunda partida seria aquele com a melhor campanha.

A final do campeonato seria em dois jogos entre os dois campeões, com mando de campo no último jogo para o clube de melhor campanha considerando todos os jogos anteriores.

Seriam rebaixados os últimos colocados de cada grupo das taças Rio e Guanabara.

Fórmula 2ª divisão

A estrutura seria a mesma da primeira divisão. A diferença seria o número de clubes, 12 ao invés de 8. O finalistas das taças Rio e Guanabara subiriam para a primeira divisão. O campeonato teria duas datas a mais e seriam rebaixados apenas os dois últimos da taça Rio.

Fórmula 3ª divisão

Devido ao número de clubes, apenas a Taça Rio teria a terceirona. Seriam 16 clubes divididos em quatro grupos de quatro. Com jogos ida e volta, classificam-se os dois primeiros da cada um. O cruzamento para as quartas de final seria igual ao da Libertadores: o melhor primeiro enfrentando o pior segundo, em jogo único, e assim sucessivamente, com mando de campo para os de melhor campanha. Com a final em dois jogos, também seriam necessárias 13 datas, como na segundona. Os dois finalistas sobem.

Valor

Ao contrário do que pode parecer numa primeira olhada, ao contrário de segregacionista como alguém pode pensar, esse formato faria bem a todos os clubes. Na capital, clubes tradicionais que se apequenaram seriam fortalecidos, pois poderiam captar mais e melhores patrocínios pela exposição de mais qualidade e também entrariam no bolo dos direitos de transmissão.

O mesmo vale para os clubes do interior. A certeza de disputar dois títulos (Taça Rio e Estadual), o que hoje não ocorre (ou acontece muito raramente), aumentaria o poder de barganha. Além disso, poderiam negociar de forma independente os direitos de transmissão com as várias emissoras (afiliadas das grandes ou não) que há no interior.

De quebra, seria bom para as comunidades, bairros de subúrbio de cidades pequenas. Haveria, sem dúvida, ganhos de auto-estima do morador/torcedor local. E tanto clubes como patrocinadores poderiam desenvolver ações específicas. A roda gira.

Mas

Alguém lembrará, claro, que são muito poucos jogos para os clubes médios e pequenos, especialmente para aqueles que não participam da Copa do Brasil ou de qualquer série do Brasileirão. Afinal, para que existam, é preciso mantê-los em atividade, gerando receita.

Acreditem, há muitas possibilidades para resolver o problema. Mas há que se pensar um pouco mais e, assim de sopetão, eu já resolvi o problemaço que é o estadual. Então é bom que mais alguém tenha idéias

Pensando bem…

…é melhor deixar pra lá. Afinal de contas, o jogo político e de poder dos nossos cartolas, principalmente da federação, é muito mais importante do que racionalizar o campeonato e potencializar seus ganhos. De mais a mais, não dá nem pra imaginar que os quatro grandes se uniriam, apesar das divergências, para propor e bancar algo assim. Além disso, sou só um profissional de comunicação que não entende nada. Bobinho…

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