Pau-a-pique

escolaEra uma quinta-feira, 30 de agosto, e almoçava com um amigo. Na véspera, nossa presidenta deu seu chamegão na lei das cotas. Disse pra ele algo perto de “anota aí no seu caderninho que 29 de agosto de 2012 foi o dia em que a Dilma assinou a destruição da educação no Brasil”. Ele, que apesar de boa gente é fã declarado do apedeuta (todo mundo tem defeitos), disse que eu estava exagerando.

Pois na quarta-feira o Fórum Econômico Mundial publicou um relatório que aponta o Brasil como um dos piores países no ensino de matemática e ciências. Entre 144, ocupamos a belíssima 132ª posição. Para o sistema educacional como um todo, a vergonha é um pouco menor: 116ª posição, atrás de Gana, Índia, Casaquistão e Etiópia.

É claro que as cotas não são o único problema da educação no país, há uma série de novos incentivos para qualquer um entrar numa faculdade. Mas de que adianta direcionar 50% das vagas em universidades federais a alunos provenientes de escola pública (e ainda há as questões étnicas aí) se o sujeito não é capaz de cursar a faculdade?

Também é claro que o nosso problema de educação não é filhote do PT, mas é fato mais do que comprovado que os últimos 10 anos pioraram muito a situação. Estão aí o Enem e o Ideb que não me deixam mentir.

Imaginem que uma pesquisa divulgada pouco antes de Dilma sancionar a lei das cotas informava que 38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais (alguns especialistas afirmam que na verdade são 50%). Pombas, como é que esses caras chegaram à faculdade?

E aí está o cerne da questão. Quais foram os investimentos reais, dos últimos dez anos, na educação fundamental? E leia-se por investimentos: ampliação de vagas, capacitação de professores, melhora na remuneração do corpo docente, atualização de estruturas, revisão e atualização de currículos etc etc etc. Mas como esperar que tudo isso aconteça quando livros indicados/distribuídos pelo MEC ensinam que ‘nós vai’ não é errado?

No ranking que mede o preparo dos países em favor do seu crescimento, ocupamos a 60ª posição. Pois bem, por circunstâncias de momento, o Brasil oscila entre 6ª e 8ª economia do mundo. Até quando? A conclusão da pesquisa é óbvia: “a qualidade do sistema educacional, aparentemente, não garante às pessoas as habilidades necessárias para uma economia em rápida mudança”. Alguém tem dúvidas?

Alguém duvida de que, se em todas as carreiras, os formandos fossem obrigados a fazer provas como as da OAB para exercer sua profissão, os índices de reprovação seriam, na melhor das hipóteses, tão ruins quanto? Chego mesmo a imaginar peças publicitárias de construtoras lançando seus empreendimentos daqui a alguns anos. Aquela página dupla, colorida, cheia de plantas e ilustrações criativas de academias, lounges e piscinas… Lá no pé do anúncio, a fatídica frase: “na Construtora XPTO, o engenheiro sabe fazer conta. Pode confiar!”

É isso, escola de barro (e sim, aquela foto lá em cima é de uma escola), país de pau-a-pique.

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