Ao piano

Nina Simone / Arte: Ananda NahuTenho uma amiga que diz que é impossível namorar alguém que não conheça algumas coisas básicas. Uma delas, Nina Simone – sua voz e sua música. Lembrei disso porque comecei o dia ouvindo a moça. Bendito Grooveshark que nos permite trabalhar com bom repertório nos fones de ouvido.

A cantora e pianista viveu exatamente 70 anos e dois meses. E Durante 50 deles, Nina foi a identidade de Eunice Kathleen Waymon.

Sexta criança de oito filhos de uma empregada doméstica e um mestre de obras, aprendeu a tocar piano ao lado das irmãs na igreja metodista liderada pelos pais. E por causa deles, aos 20 anos, adotou o nome artístico para tocar blues, a música do diabo, em cabarés e pequenos pubs no circuito Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City. E começou a cantar por acaso, para manter o emprego. De quebra, se tornou uma baita compositora.

Negra, foi impedida de ingressar em um conservatório na Filadélfia. E com a proibição, não realizou o sonho de ser uma grande concertista. E abraçou a luta contra o racismo e foi perseguida por isso. Chegou a cantar no enterro de Martin Luther King e algumas de suas canções sobre o tema – como Mississipi Goddamn, sobre o assassinato de quatro crianças negras – tornaram-se clássicos hinos ativistas.

Nina Simone / Ilustração: Chicho LorenzoA parte de sua vida tocando para platéias díspares e, muitas vezes, desinteressadas, se reflete no repertório de estilos variados. Também nunca aceitou o rótulo de musa do jazz, dizendo que “É o título que todo branco concede, piedosamente, aos cantores negros”. Do balaio de gatos foi sua formação na igreja e em bares e suas posturas políticas, saíram seus 19 discos (LPs) de estúdio e 14 ao vivo. Neles, é possível passear pelo gospel, soul, blues, folk, funk e jazz.

Nina também passou pelo Brasil e em 1990 gravou Pronta pra cantar (Ready to sing) e Tomara (God grant) com Maria Bethânia, faixas do álbum Canto do Pajé.

Se você ainda não conhece a moça, uma boa maneira de entrar em contato com o universo de Nina Simone é ouvir o álbum Anthology e suas 31 canções que passam por todos os estilos que ela experimentou.

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