Feito em casa (ou não) e o politicamente correto

Nada demais, mas tudo muito bom. Duas dicas de blogs que recebi e que já estão devidamente incluídos na página Visita obrigatória, que fica no menu no alto do cafofo ou na coluna aí à esquerda.

O primeiro é o Homens da casa, em que o publicitário Eduardo Mendes fica inventando ou descobrindo maneiras muito interessantes para deixar a casa dele e a de quem o lê mais bacana. E boa parte dos objetos que ele apresenta por lá pode ser feito por nós mesmos.

O segundo é o Eu e meu ego grande. Leonardo Luz – escritor, redator e roteirista – escreve sobre tudo e qualquer coisa que ache importante (ou não). Mas sempre com algo relevante a dizer. Um exemplo? Leiam o texto abaixo.

Woody Allen e o fim do humor

Woody Allen / DivulgaçãoEm março de 2014 a morte foi vencida pelo homem. A criogenia foi aperfeiçoada e agora era possível congelar a si próprio e se descongelar anos ou décadas depois, vivo. Malucos de todos os tipos aderiram e se congelaram, mas um maluco em especial não causou nenhuma surpresa ao anunciar que ia se congelar, tamanha sua hipocondria e medo de morrer: Woody Allen. Aos 79 anos o diretor se congelou, não para ser curado de alguma doença futura, mas simplesmente para adiar a própria morte e conhecer o futuro.

Em 2045 ele foi descongelado. O mundo estava uma maravilha: sem guerras, sem fome, praticamente todas as doenças haviam sido curadas. E Woody Allen resolveu voltar a trabalhar. Ávidos por fazerem um filme do diretor, produtores lhe encomendaram um roteiro, que ficou pronto em duas semanas. Na mesa com eles para discutir o roteiro, Woody Allen tem algumas surpresas bem desagradáveis. Estão ele, dois produtores e o diretor na sala.

Produtor 1: Woody – posso te chamar de Woody?

Woody Allen: Claro.

Produtor 1: Então, Woody. Adoramos o seu roteiro. Genial, um dos seus melhores. Mas tem umas piadas nele, não tem?

Woody Allen: Tem, por que? Acharam poucas?

Produtor 2:  Então tem piadas mesmo? Foi de propósito?

Woody Allen: Mas claro que foi de propósito, é uma comédia!

O diretor reage rapidamente, fecha as cortinas e olha se tem alguém olhando.

Diretor: Fala baixo, porra!

Woody Allen: Mas eu não falei alto.

Produtor 1: Se alguém ouve isso a gente ta fodido!

Woody Allen: Alguém ouve o que? É segredo, o filme? Vão lançar tipo viral na internet e tal?

Todos se entreolham. Eles esqueceram que ele ainda não sabia. O produtor 1 chega mais perto dele, e começa a falar bem baixinho. Os outros dois chegam perto também.

Produtor 1: Woody, é o seguinte. A gente não pode fazer mais humor.

Woody Allen: Aahhh, entendi. Por que não falou antes? Não tem problema, eu procuro uma produtora que possa fazer humor e faço outro roteiro pra vocês.

Eles se entreolham. Ele realmente não sabe.

Produtor 2: Sr. Allen, na verdade ninguém pode mais fazer humor. Fazer humor é crime, com pena de 83 a150 anos de prisão.

Woody Allen olha para ele sério.

Woody Allen: isso é um daqueles programas de pegadinha, né!?

Diretor: Não, Sr. Allen, vou te explicar. No ano de 2012 uma onda de queixas contra vídeos, filmes e publicações de humor explodiu no Brasil. Em 2013, isso chegou aos Estados Unidos. Eram protestos sobre preconceito contra homossexuais, mulheres, negros, indígenas, anões e todas as minorias. TODOS os vídeos e filmes que faziam qualquer tipo de humor com algum desses grupos foi tirado do ar. Foi sancionada uma lei proibindo filmes de humor onde aparece algum membro dessas minorias.

Woody Allen: Puta que pariu… Mas é só não fazer humor usando essas minorias!

Produtor 1: Foi o que fizeram. Por dois anos, nenhum filme, vídeo ou livro de humor usava atores ou sequer citava negros, mulheres, índios, homossexuais etc. Os atores eram todos homens, brancos e jovens, porque também não podia usar idosos. Por dois anos foi assim.

Produtor 2: Até que o advogado de uma associação contra o racismo achou racismo filmes sem atores negros, e o governo obrigou todo e qualquer filme de humor a ter atores negros. E assim foi com mulheres, homossexuais, anões, idosos etc. E durante seis meses os filmes de humor pareciam uma reunião da ONU, com atores de todas as cores, etnias, tamanhos, idades e opções sexuais.

Woody Allen: Melhor que nada, então a gente faz assim.

Diretor: Mais ou menos… Seis meses depois um membro de uma associação feminista reclamou que o excesso de personagens mulheres nos filmes de humor estava causando danos à imagem da mulher, porque as mulheres ó representavam… mulheres! Elas alegavam também que esse era o papel que a sociedade machista queria que elas tivessem. O mesmo com os negros: reclamaram que não se botava negros para fazerem papéis de deuses nórdicos, de albinos e samurais.

Produtor 1: E aí adivinha o que fizeram? Proibiram o uso de qualquer membro de qualquer minoria nos filmes. O que levou a um círculo vicioso: se usa, não pode, se não usa, é preconceito, aí usa, não pode ET.

Woody Allen: E aí? Como resolveram?

Produtor 2: O Governo baixou uma lei proibindo filmes de humor em território americano.

Diretor: Na verdade o único lugar do mundo onde ainda se permite fazer humor é Cuba.

Woody Allen está perplexo.

Produtor 1: E também foram proibidas as histórias infantis, pelos mesmos motivos.

Woody Allen: E o que as crianças lêem na escola hoje em dia?

Diretor: Pornografia.

Woody Allen: Vocês tão de sacanagem? Pornografia?

Produtor 2: Claro, que mais lição de democracia do que pornografia? É sexo com preto, com branco, com anão, com velho, com índio, com gay, com homem, com mulher, até com bicho! É a melhor maneira de se aprender a respeitar as diferenças!

Woody Allen está horrorizado.

Woody Allen: Então o humor acabou? Pra sempre?

Produtor 1: É, acabou… Aliás, até outros gêneros são complicados pra fazer: se for comédia romântica nenhum negro, gay ou mulher pode levar pé na bunda, se for drama eles não podem ficar doentes, se for terror eles não podem morrer. Hoje em dia só homens brancos jovens heterossexuais ficam doentes e morrem nos filmes. E se o médico for negro ou mulher, estamos fodidos.

Woody Allen: Então vocês queriam um roteiro meu pra fazer o que?

Diretor: Um pornô pedagógico!

Woody Allen: Pornô pra criança?

Diretor: É. Ia ser um sucesso absoluto uma grife de pornôs pedagógicos Woody Allen! Ia bombar na internet!

Woody Allen: Vocês tão de sacanagem, vão pra puta que pariu!

Woody Allen sai da sala, puto. Eles se entreolham.

Produtor 1: Não falei que ele tinha preconceito com internet?

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