Estupidezas

Trote UFMGHá alguns dias, ao chegar no trabalho, disse que o mundo precisava acabar. Sinceramente, já não lembro mais o que houve – dada a quantidade de absurdos que assistimos dia-a-dia. São vergonhosos para a espécie o sujeito que joga o braço de um outro que atropelou em um córrego e a mãe que abandona seu filho no lixão. E não se trata de comparar o que é mais estúpido.

Tinha um amigo que, quando via alguma coisa de que não gostava, dizia que “isso é uma estupideza!” A verdade é que em gestos largos ou pequenos movimentos, estamos vivendo em um mundo com mais e mais ‘estupidezas’ a cada dia.

Vocês devem ter visto por aí a foto acima e mais algumas matérias e imagens sobre os trotes da UFMG. Pois aquela bagunça serviu de pretexto para um texto brilhante de Reinaldo Azevedo. Abaixo, um pequeno trecho. Para ler tudo, é só clicar aqui.

A expressão muitas vezes exacerbada de uma pauta específica, que diz respeito a uma comunidade em particular, acaba gerando reações também indesejáveis, ainda que não se trate de uma escolha política. Eu duvido que aquele tonto que segura a caloura pintada de preto seja um racista; duvido que os idiotas que promovem a Miss Bixete tratem mães, namoradas ou irmãs, que mulheres são, como prostitutas. É muito provável que não. Esses atos estúpidos não chegam nem mesmo a ser sinceros; são uma espécie de contrafação, de falsa resistência àquela exacerbação militante. “Já que as feministas ficam tão bravas, então tome Miss Bixete; em tempos de cotas, tome Chica da Silva acorrentada”… Não! Não são os “fascistas” se manifestando, como querem alguns tontos; tampouco se trata da “direita”, dos “reacionários”…

Trata-se de reações imbecis, que se pretendem bem-humoradas, num quadro, vejam que coisa!, de decadência dos valores gerais do humanismo e de triunfo dos particularismos. Não há, por exemplo, discurso racional possível que suporte, em nome do feminismo, a defesa da legalização do aborto. Não há como. O que atenta contra a vida não pode ser em favor da “mulher” como categoria; em situações excepcionais, atenção!, a vida de “uma” mulher, não de “A mulher”, pode estar numa relação opositiva com a do feto — e, para tanto, a legislação brasileira tem uma resposta. Proteger ou ampliar os direitos dos gays, dos negros, dos índios, de quem quer que se sinta discriminado, não convive, não numa ordem racional ao menos, com a agressão a fundamentos da democracia e do humanismo.

(…)

Quem sabe ler entendeu que não estou minimizando aqueles episódios lamentáveis nas universidades. Eu estou, na verdade, afirmando que são mais graves do que parecem e que nossa reação de indignação não pode ser seletiva nem pautada pelos sindicalistas do espírito.

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